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Procurador que arquivou “Caso Operário” é afastado pelo TJD

A confusão envolvendo a escalação supostamente irregular do volante Eduardo Arroz pelo Operário parece estar longe de terminar. Na noite desta terça-feira (18), a presidente do Tribunal de Justiça Desportiva (TJD-MS), Celina de Mello Dantas e Guimarães, afastou preventivamente por 30 dias o procurador Thiago Monteiro Yatros, responsável pelo arquivamento das ações impetradas por Comercial, Urso e Corumbaense contra o Galo.

De acordo com o despacho assinado pela presidente, a denúncias feitas por diversos veículos à respeito da ligação, primeiro de amizade, depois profissional, entre Yatros e o advogado do Operário, Rafael Meireles Gomes de Avila. “Considerando notícias veiculadas por meio da mídia eletrônica, escrita, radiofônica e televisada, a partir de decisão proferida por membro do Tribunal de Justiça Desportiva na data de 13 de abril último passado”.

Suspenso, Yatros será investigado por uma comissão investigativa formada por três auditores e tem um prazo de 30 dias para apresentar um parecer. A decisão tomada pelo procurador, no entanto, está mantida por enquanto, já que essa só poderá ser derrubada por uma liminar, o que deve ser solicitado pelos clubes interessados e analisada pelo Tribunal.

Entenda

Eduardo Arroz foi suspenso pelo TJD-MS por três partidas após o termino do Campeonato Estadual 2016 quando o volante defendeu o campeão Sete de Dourados. Como havia cumprido um jogo na suspensão automática, restavam dois para serem cumpridos em competição posterior organizada pela Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul (FFMS).

Neste ano, Arroz foi contratado pelo Operário e jogou todos as partidas do clube no Estadual, não pagando, portanto, a pena que trazia da competição anterior. O erro só foi apontado pelo Comercial após os jogos das quartas de final e pelo Urso de Mundo Novo, derrotado pelo Galo na disputa por um lugar na semifinal. O Corumbaense, adversário do Operário, também se manifestou, mas o argumento do departamento jurídico do Galo, de que a punição estava prescrita foi aceito pelo procurador Thiago Yatros, que arquivou o caso.

Após a decisão notícias sobre a ligação entre o procurador e o advogado do clube dominaram os veículos especializados. Primeiro uma foto com os dois, provavelmente acompanhando uma partida do Operário em 2014 publicada em página de rede social de um diretor do clube chamou atenção.

Em seguida, matéria do site Esporte MS mostrou que ambos eram sócios em um escritório de advocacia em Campo Grande, a MYVS Advogados. De acordo com o Código de Ética da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), nos Artigos 17 e 18, “os advogados integrantes da mesma sociedade profissional, ou reunidos em caráter permanente para cooperação recíproca, não podem representar em juízo clientes com interesses opostos”. Assim, confirmada a sociedade, o procurador deveria relatar impedido para julgar o caso, mas como não o fez, a acusação pode pedir anulação do resultado.

Autor:
GazetaMS