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Um governo sem músculos para reformas

 
O governo do presidente Michel Temer deverá sofrer a sua grande derrota no Congresso, quando estiver em pauta a medida provisória que retarda o reajuste salarial e aumenta a contribuição previdenciária do funcionalismo federal. Isso deverá ocorrer porque, ao lado da tramitação da MP, acontecerão greves e outros movimentos contestatórios promovidos pela classe. Mais do que a pressão em favor próprio, a ação dos servidores federais servirá também de modelo para os estaduais e até municipais de onde os governantes não vêm cumprindo o dever constitucional de pelo menos repor anualmente aos salários a inflação oficialmente registrada no período. A tendência é começarmos o ano eleitoral sob protestos dos servidores de todos os níveis contra os seus governantes e a classe política.
Enquanto o funcionalismo se arma, verifica-se a movimentação dos sindicatos pela reedição da contribuição sindical, extinta no âmbito da recém aprovada reforma trabalhista. Setores governamentais acenam com a possibilidade de recriar a contribuição através de projeto-de-lei a ser enviado ao Congresso. Dessa forma, anula-se o benefício ao trabalhador  que, pela reforma, viu-se liberto da obrigação de destinar todo ano um dia de trabalho para o sindicato de sua categoria, mesmo não sendo sindicalizado e nem conhecendo a entidade e seus serviços.
Passado o embate, onde conseguiu se livrar da segunda denúncia de Janot (que o queria processar por obstrução à justiça e participação em organização criminosa), o presidente e seus áulicos ainda sonham com uma reforma previdenciária, mesmo que mínima. Alguns falam até em nova legislação tributária e política, mesmo sabendo que o governo não dispõe de músculos para bancar essas empreitadas. Soaria como extrema traição ao povo, retardar o tempo de aposentadoria do trabalhador e nada fazer em relação aos marajás ao tipo da ministra dos Direitos Humanos que, além de receber os R$ 33 mil mensais de teto do cofre público, se valem de artifícios para alcançar outras verbas e ainda se consideram “escravos”.
Já estamos em novembro. Apenas 11 meses nos separam das eleições gerais. A grande corrida já começou com o surgimento dos primeiros nomes até dos que sonham com a presidência da República. Temer, com certeza, sabe que pouco ou nada e faz num ano eleitoral. Melhor seria apenas bater bola até o final do seu mandato para, com isso, evitar que suas ações, além da não renderem dividendos, ainda possam trazer más influências ao desempenho da economia que, apesar da crise política, tem pontos positivos e sinaliza para a estabilidade. O projeto de passar para a história como estadista-reformador, é bom lembrar, não passou de um sonho de curta duração…
Promover reformas é tarefa para um governo inteiro (ou até mais). O ideal será que os candidatos em campanha façam a proposta ao eleitorado. Se o povo votar nessa direção, o eleito chegará ao governo com a representatividade que Temer nunca reuniu para fazer  mudanças…
 
Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) 
aspomilpm@terra.com.br                                                
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