Em noite de festa seresta homenageia mulheres ladarenses e lembra a todos das lutas por igualdade e dignidade

A noite desta sexta-feira (06) foi de festa e homenagem as mulheres em Ladário. Já sendo uma tradição no município, as serestas que homenageiam datas especiais se tornaram grandes festas onde a grande família ladarense se reúne para ouvir boa música, dançar e se divertir.

A festa teve início às 20:30hs no coreto da praça “2 de setembro” ao som de Miltinho e banda, que com um repertório especial para homenagear as mulheres ladarenses, encantou todos os presentes.

Nos intervalos, houve sorteio de vários brindes entre as presentes. Como forma de prestigiar a belíssima presença feminina no evento.

Dora Arruda chegou às 22:30 com muito samba. Representante feminina da cultura ladarense, a intérprete que canta desde a infância, sendo campeã de diversos festivais de canções. Levantou a plateia presente e contagiou a todos com alegria e irreverencia.

Para Cleber de Miranda, Diretor Presidente da Fundação de Cultura do município. A festa preparada com carinho pela fundação e a Superintendência de Articulações de Políticas Públicas para Mulher é apenas uma parte de um processo de valorização da mulher ladarense na cultura de nosso município. “A seresta de hoje é o começo de um grande trabalho de valorização das mulheres na cultura ladarense. Temos uma raiz cultural muito forte, e as mulheres foram partes fundamentais na construção de nossa identidade. No que tange a fundação, nas próximas edições das serestas e nos grandes eventos da cidade, buscaremos mostrar a histórias destas mulheres e valorizar a presença feminina nestes eventos”. Completou.

Creusa Elisabeth da Mata, Superintendente de Articulações de Políticas Públicas para as Mulheres. Destacou a forte parceria com a administração municipal através das secretarias e fundações na promoção de ações alusivas ao dia 8 de março, que é um marco mundial na luta das mulheres pela igualdade de direitos e contra toda e qualquer tipo de violência. “Durante o mês da Mulher, a SPPM, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, Secretaria Municipal de Saúde, Secretaria Municipal de Assistência Social, estará promovendo várias ações, alusivas ao dia 8 de março, que é o dia internacional da mulher. Em parceria com a Fundação de Cultura, pudemos dar início à programação proposta para este mês, com a seresta em homenagem a Mulher. Acreditamos, que dessa forma, além de podermos estar desfrutando de bons momentos proporcionados pela apresentação dos artistas da terra, tenha sido uma oportunidade para refletirmos mais uma vez sobre os avanços e as conquistas da mulher, que é motivo de comemoração neste 8 de março. A nível do nosso município, uma grande conquista foi a confirmação da criação de uma sala lilás na Delegacia da Polícia Civil. Ladário não dispõe de uma Delegacia da Mulher, mas disporá de uma sala lilás, para atender as mulheres, em situação de violência, na Polícia Civil”. Disse.

O Dia Internacional da Mulher existe, enquanto data comemorativa, como resultado da luta das mulheres por meio de manifestações, greves, comitês etc. Essa mobilização política, ao longo do século XX, deu importância para o 8 de março como um momento de reflexão e de luta. A construção dessa data está relacionada a uma sucessão de acontecimentos.

Uma primeira história que ficou muito conhecida como fundadora desse dia narra que, em 8 de março de 1857, 129 operárias morreram carbonizadas em um incêndio ocorrido nas instalações de uma fábrica têxtil na cidade de Nova York. Supostamente, esse incêndio teria sido intencional, causado pelo proprietário da fábrica, como forma de repressão extrema às greves e levantes das operárias, por isso teria trancado suas funcionárias na fábrica e ateado fogo nelas. Essa história, contudo, é falsa e, por isso, o 8 de março não está ligado a ela.

Existe, no entanto, outra história que remonta a um incêndio que de fato aconteceu em Nova York, no dia 25 de março de 1911. Esse incêndio aconteceu na Triangle Shirtwaist Company e vitimou 146 pessoas, 125 mulheres e 21 homens, sendo a maioria dos mortos judeus. Essa história é considerada um dos marcos para o estabelecimento do Dia das Mulheres.

As causas desse incêndio foram as péssimas instalações elétricas associadas à composição do solo e das repartições da fábrica e, também, à grande quantidade de tecido presente no recinto, o que serviu de combustível para o fogo. Além disso, alguns proprietários de fábricas da época, incluindo o da Triangle, trancavam seus funcionários na fábrica durante o expediente como forma de conter motins e greves. No momento em que a Triangle pegou fogo, as portas estavam trancadas.

O acontecimento em Nova York é significativo, pois evidenciou a precariedade do trabalho no contexto da Revolução Industrial. Isso, no entanto, não pode apagar a influência da luta operária e dos movimentos políticos organizados pelas mulheres. Sendo assim, é importante afirmar que o Dia Internacional da Mulher não foi criado por influência de uma tragédia, mas sim por décadas de engajamento político das mulheres pelo reconhecimento de sua causa.

A mobilização política de mulheres trabalhadoras contra a desigualdade de gênero, no âmbito profissional, foi uma das grandes influências para o 8 de março.

Em 1910, na cidade de Copenhague, ocorreu o II Congresso Internacional de Mulheres Socialistas, que foi apoiado pela Internacional Comunista. Nesse evento, Clara Zetkin, membro do Partido Comunista Alemão, propôs a criação de um Dia Internacional da Mulher, sem, entretanto, estipular uma data específica.

Essa proposta era fruto tanto do feminismo, que ascendia naquela época, quanto das correntes revolucionárias de esquerda, como o comunismo e o anarquismo. Clara Zetkin era engajada com campanhas que defendiam o direito das mulheres no âmbito trabalhista. Sua proposta visava a possibilitar que o movimento operário pudesse dar maior atenção à causa das mulheres trabalhadoras.

O incêndio de 1911 viria a ser sugerido, nos EUA, como dia simbólico das mulheres (tal como sugerido por Clara Zetkin). A maioria dos movimentos reivindicavam melhorias nas condições de trabalho nas fábricas e, por conseguinte, a concessão de direitos trabalhistas e eleitorais (entre outros) para as mulheres.

Vários protestos e greves já ocorriam na Europa e nos Estados Unidos desde a segunda metade do século XIX. O movimento feminista e as demais associações de mulheres capitalizaram essas manifestações, de modo a enquadrá-las, por vezes, à agenda revolucionária. Foi o que aconteceu em 08 de março de 1917, na Rússia.

O ano de 1917, na Rússia, foi fortemente marcado pelo ciclo revolucionário que derrubou a monarquia czarista. Nesse clima de agitação revolucionária, as mulheres trabalhadoras do setor de tecelagem entraram em greve, no dia 8 de março, e reivindicaram a ajuda dos operários do setor de metalurgia. Essa data entrou para a história como um grande feito de mulheres operárias e também como prenúncio da Revolução Bolchevique.

Após a Segunda Guerra Mundial, o dia 08 de março tornou-se aos poucos o símbolo principal de homenagens às mulheres (em virtude da greve das russas). Também foi associado ao mês de março, a partir de então, o evento do incêndio em Nova York, ocorrido no dia 25, como narrado anteriormente.

A partir dos anos 1960, a comemoração do dia 8 de março já tinha se tornado tradicional, mas foi oficializada pela ONU apenas em 1975, quando essa organização declarou o Ano Internacional das Mulheres, como uma ação voltada ao combate das desigualdades e discriminação de gênero em todo mundo. Como parte desses esforços, o dia 8 de março foi oficializado como o Dia Internacional da Mulher.

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