Fundador da Qualicorp é preso em operação que investiga caixa 2 em campanha de Serra

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira a operação Paralelo 23 , a terceira fase da Lava Jato em parceria com a Justiça Eleitoral de São Paulo. As investigações envolvem o senador José Serra (PSDB-SP) —ex-governador do Estado de São Paulo—, suspeito de ter recebido 5 milhões de reais em doações não contabilizadas (caixa dois) nas eleições de 2014.

O senador tucano, que foi alvo de outra operação da Lava Jato no início do mês sob a acusação de lavagem de dinheiro, lamentou a “espetacularização” da ação. Por meio de nota, disse que “jamais recebeu vantagens indevidas ao longo dos seus 40 anos de vida pública e sempre pautou sua carreira política na lisura e austeridade em relação aos gastos públicos.” Também ressaltou que as contas de sua campanha foram aprovadas pela Justiça Eleitoral.

Um dos mandados de prisão cumpridos nesta manhã é contra o empresário José Seripieri Filho, fundador e ex-presidente da Qualicorp. Segundo a Folha de S.Paulo, o empresário, conhecido como Júnior, foi preso nesta manhã. A prisão de Seripieri é temporária. Ele também foi alvo de uma operação de busca e apreensão em sua casa. Em nota, a empresa confirmou que houve busca e apreensão em sua sede administrativa e disse que “a nova administração da empresa fará uma apuração completa dos fatos narrados nas notícias divulgadas na imprensa e está colaborando com as autoridades públicas competentes.” Já o advogado de Seripieri afirmou que irá se manifestar assim que tiver acesso aos autos.

No total, são cumpridos quatro mandados de prisão temporária e 15 mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo, Itatiba e Itu, além de Brasília, inclusive em endereços de Serra. Outros alvos de prisão temporária são o empresário Mino Mattos Mazzamati (Titans Group), Rosa Maria Garcia e Arthur Azevedo Filho. A Justiça Eleitoral determinou o bloqueio judicial de contas bancárias dos investigados.

Em nota, a Polícia Federal afirma que o inquérito policial foi remetido à primeira instância da Justiça Eleitoral de São Paulo ainda em meados de 2019, com a colaboração espontânea de pessoas que teriam sido contratadas no ano de 2014 para estruturar e operacionalizar os pagamentos de doações eleitorais não contabilizadas, efetuados supostamente a mando de acionista controlador de importante grupo empresarial do ramo da comercialização de planos de saúde.

Ainda segundo a PF, as investigações apontam a “existência de outros pagamentos, em quantias também elevadas e efetuados por grandes empresas, uma delas do setor de nutrição e outra do ramo da construção civil, todos destinados a uma das empresas supostamente utilizadas pelo então candidato para a ocultação do recebimento das doações”, diz a PF. Os fatos ocorreram também perto das eleições de 2014.

Os investigados podem responder pelos crimes de associação criminosa, falsidade ideológica eleitoral e lavagem de dinheiro, com penas de três a dez anos de prisão. “Por se tratar de parlamentar no exercício do mandato de Senador Federal, as investigações em primeira instância se restringem, em relação a ele, aos fatos apurados no ano de 2014”, afirma a nota da PF. Por estar no exercício de mandato no Senado, Serra tem direito a foro privilegiado.

Lavagem de dinheiro

O senador José Serra (SP) foi acusado no início do mês pela força-tarefa da Operação em São Paulo pelo crime de lavagem de dinheiro. Sua filha Verônica também foi alvo da denúncia, que contou com oito mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao parlamentar. Segundo o Ministério Público Federal, o tucano “se valeu de cargo e de influência política para receber, da Odebrecht, pagamentos indevidos em troca de benefícios relacionados às obras do Rodoanel Sul”, fatos que teriam tido origem em 2006. Os valores pagos podem superar 4,5 milhões de reais.

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