A tempestade das últimas cinco horas ultrapassou em 88,8% todo o volume de chuva esperado para o mês de julho em . A média histórica do mês é de 35,7 milímetros, mas choveu 67,4 milímetros entre 5h e 10h desta quinta-feira (30) na Capital, segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia).

Segundo o Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima), a média histórica de chuvas em julho não passa de 35,7 milímetros na Capital. No ano passado, o mês todo acumulou apenas 9,6 milímetros na cidade. Ou seja, apenas as últimas cinco horas já passam de 272% do total registrado no mês de 2025.

No entanto, o El Niño ainda está em formação, e a previsão da meteorologia é de que ele chegue à maior intensidade na primavera, entre setembro e novembro. Ou seja, este é apenas o início dos impactos do fenômeno no Estado, e as mudanças climáticas podem gerar ainda mais calor intenso e chuvas fortes.

Até o momento, ao menos 12 bairros de Campo Grande sofrem com as fortes chuvas na manhã desta quinta-feira. Além disso, pontos como Parati, Lageado, Centenário, Vila Piratininga, Rita Vieira, Los Angeles e Silva Regina registram falta de energia.

Jornal Midiamax registra enchentes em várias vias dos bairros Santo Eugênio, Chácara dos Poderes, Tiradentes, Los Angeles e Centro. Um alagamento embaixo do viaduto que conecta a Avenida Ministro João Arinos à BR-163 deixou diversos veículos, principalmente ônibus do transporte coletivo, parados no trânsito por mais de uma hora.

A Defesa Civil afirmou ao Jornal Midiamax que não previa chuvas dessa intensidade na Capital. “Nós havíamos emitido o alerta ontem, mas nós não havíamos previsto uma intensidade… Aliás, nós não; os institutos [meteorológicos] não haviam previsto uma intensidade de vento e com essa quantidade de chuva para o dia de hoje”, disse Enéas Netto, secretário da Defesa Civil, à reportagem na manhã desta quinta-feira (30).

O El Niño é um fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Ele enfraquece os ventos alísios, altera a circulação atmosférica global e modifica os regimes de chuva e temperatura em várias partes do planeta.

Assim, no trimestre entre julho e setembro, a previsão indica El Niño de intensidade fraca a moderada. No entanto, os modelos climáticos apontam intensificação gradual nos meses seguintes. Entre setembro, outubro, novembro e dezembro, o fenômeno pode atingir intensidade forte a muito forte.

A previsão indica acumulados entre 100 e 200 milímetros na maior parte do Estado, podendo alcançar volumes entre 200 e 300 milímetros no extremo sul. Já nas regiões norte, nordeste e noroeste, a expectativa é de menos chuvas, variando entre 50 e 100 milímetros no trimestre.