Uma mulher morta a cada dez dias. Esse é o cálculo trágico que escancara a violência de gênero em Mato Grosso do Sul neste ano. Na madrugada desta quinta-feira (6), o Estado atingiu a marca de 21 feminicídios em 2026, uma média de quase três mortes por mês. O caso mais recente ocorreu no último dia 5, em Paranhos, marcando o segundo crime registrado em agosto.

Por trás dessa estatística que segue aumentando nas delegacias e plantões policiais, há nomes, histórias interrompidas e famílias destruídas por pretextos fúteis. “Ciúmes” ou “inconformismo com o término” continuam aparecendo nos registros policiais como as justificativas para o crime.

Diferente de outros crimes letais, o feminicídio raramente acontece sem aviso. Ele é o ponto final de uma escalada de violência que, na maioria das vezes, se instala no silêncio de casa.

Uma morte a cada dez dias em Mato Grosso do Sul expõe a complexidade de uma situação que só cresce, tornando o ambiente mais inseguro para as mulheres.

Nas investigações da Polícia Civil, o perfil dos autores se repete: na maioria das vezes, são companheiros ou ex-parceiros. Homens que não aceitam o fim do relacionamento e transformam a rejeição em um ato de violência, encarando a decisão da mulher como uma afronta que deve ser combatida com a morte.

Feminicídios em 2026 em MS:

  • Josefa dos Santos () – 16 de janeiro;
  • Rosana Candia Ohara (Corumbá) – 24 de janeiro;
  • Nilza de Almeida Lima (Coxim) – 22 de fevereiro;
  • Beatriz Benevides (Três Lagoas) – 25 de fevereiro;
  • Liliane de Souza Bonfim Duarte (Ponta Porã) – 6 de março;
  • Leise Aparecida Cruz () – 6 de março;
  • Ereni Benites (Paranhos) – 8 de março;
  • Fátima Aparecida da Silva (Selvíria) – 23 de março;
  • Marlene de Brito Rodrigues (Campo Grande) – 6 de abril;
  • Vera Lúcia da Silva (Eldorado) – 12 de abril;
  • Zelita Rodrigues de Souza (Mundo Novo) – 30 de abril;
  • Fabíola Marcotti (Campo Grande) – 18 de maio;
  • Maria do Carmo de Souza (Naviraí) – 28 de junho;
  • Paula de Souza Conceição (Fátima do Sul) – 11 de julho;
  • Rosenilda de Oliveira Candelario (Nioaque) – 17 de julho;
  • Terezinha Nantes de Arruda (Campo Grande) – 27 de julho;
  • Ana Carolina Goes () – 30 de julho;
  • Adrielle Encarnação Rodrigues (Corumbá) – 31 de julho;
  • Rose Batista Cabreira (Dourados) – 2 de agosto;
  • Adriana Barrios (Paranhos) – 5 de agosto;
  • Nathalia Rodrigues Nogueira (Rio Verde de Mato Grosso) – 6 de agosto.

Estado violento

De acordo com o Anuário da Violência Pública, divulgado no dia 23 de julho, Mato Grosso do Sul ocupa o 4º lugar no ranking de casos de feminicídio no Brasil.

Os dados são referentes aos registros de 2025. Com esse número, MS aumentou em 4% os casos em relação ao ano de 2024. Isso porque, em 2024, foram 34 casos de feminicídio, ante 39 casos em 2025.

Nacionalmente, foram 1.571 feminicídios em 2025.

Entre os casos de maior repercussão em Mato Grosso do Sul, está a morte de Vanessa Eugênio Medeiros e da filha, Sophie Eugênio Borges de Medeiros, de 10 meses. O crime aconteceu em maio de 2025, quando as duas foram assassinadas pelo então ex-companheiro de Vanessa e pai de Sophie.

João Augusto Borges de Almeida foi condenado em maio deste ano a 67 anos e 6 meses de prisão em regime fechado. A motivação do crime seria para não pagar pensão alimentícia após separação.