Estamos vivendo um tempo em que uma única ideia da figura paterna parece ter sido banalizada. Ela é, agora, frequentemente relacionada à negligência, agressividade e alguns outros adjetivos ruins, assim como à certeza de um trauma.


Existem filhos que cresceram ao lado de um pai presente fisicamente, mas ausente em afetos, conversas, escuta, incapazes de oferecer cuidado e segurança. Existem os filhos que conheceram a presença por palavras que feriram, agressões, abandono e indiferença. Por esses filhos, eu sinto muito e desejo que seja possível construir um caminho para essa falta. Algumas ausências não desaparecem, porém não precisam determinar para sempre o tamanho da vida que vocês podem experimentar.


Claro que é importante falar sobre a ausência num país onde mais de 150 mil crianças são registradas sem o nome do pai por ano. Mas também é importante lembrar daqueles que estão presentes. Sobretudo dos que, na medida do possível, tentam!


Pais carregam diferentes histórias, também foram filhos, carregam marcas ou danos das próprias relações, que são experiências e parte da complexidade da vida.


Sabemos que é impossível acertar sempre. Um pai pode errar sem deixar de amar. Pode não perceber e ter atitudes que machucam o filho. E pode reconhecer falhas e com elas aprender, reparar, pedir desculpas e construir uma relação diferente ao longo do caminho.

Ser pai não exige perfeição, exige responsabilidade, presença e disposição para olhar com carinho para aquilo que causamos no outro.


Ser pai é afeto o tempo todo. E é preciso escolher afetar com escuta, conversa, carinho e atenção.