Escola aposta em ensino acessível e foco na conversação para atrair alunos de diferentes perfis
No centro de Corumbá, um prédio erguido como morada segue cumprindo o seu propósito: ser lar; hoje, para funcionários, pais e alunos da KNN Corumbá. A escola de idiomas da fachada roxa completou um ano neste mês de março. Nesse período, quadruplicou o número de matriculados interessados em aprimorar as suas capacidades linguísticas com aulas de inglês e espanhol.
A diretora geral, Ana Beatriz Feitosa, afirma que só tem a agradecer por todos que colaboraram com a instituição neste primeiro ano. Ela, que é formada em letras pela UFMS, atua na área da educação há pelo menos dez anos e leva consigo o sonho de transformar vidas através do ensino de qualidade. Apesar disso, conta que por um momento as formas de concretizar esse desejo pareciam não fazer mais sentido e “tudo parecia se desintegrar”.
Foi então que, em uma madrugada, ao final de 2024, sentou em frente ao computador e resolveu pesquisar sobre escolas de inglês, nacionais e internacionais. “Talvez eu estivesse procurando motivos para ir embora da cidade”.
Nascida em Corumbá, Ana Beatriz já havia experienciado a vida longe deste torrão. Estudou por alguns meses na Inglaterra, onde conheceu novas pessoas, culturas e desenvolveu as suas habilidades. Estas que a levaram a eleger a KNN em meio a tantas outras opções disponíveis na internet. “Eu vi que essa KNN estava em várias cidades do Mato Grosso do Sul e fiquei bem impressionada, porque tinha uma unidade na cidade do meu pai, Mundo Novo, que é muito pequena. Aí me perguntei: será então que ela vai ter em outras cidades? E eu fui vendo outras cidadezinhas, como Bataguassu, Sete Quedas, Jardim. E pensei ‘por quê não em Corumbá?’. E preenchi um formulário no site, falando que era daqui e queria saber mais sobre. No outro dia, eles enviaram uma mensagem para marcar uma reunião e, eu, mesmo tendo em minha cabeça que não abriria nada, aceitei”.
O encontro virtual se transformou em encontros, a professora foi se apaixonando pela ideia da KNN. “Era aquela escola viva, jovem, colorida, divertida e com foco na conversação. Eu vi que os valores e objetivos da franquia eram iguais aos meus”. A partir deste contato, Ana encontrou um motivo para não só continuar residindo, mas investir na educação da cidade branca. Até hoje, ela repete o slogan da franquia com os olhos brilhantes: “Aprender um idioma é um ato de liberdade”.

Assim que o acordo entre a diretora e a franquia foi selado, começaram as buscas pelo local e colaboradores, de repente, já era 15 de março de 2025, o dia da inauguração da KNN Corumbá. O início da escola de idiomas foi celebrado intensamente, uma nova esperança nascia para todos, da franquia à equipe local que contava com sete colaboradores, além da diretora. Um ano depois, essas pessoas têm propriedade para falar sobre a empresa, o ensino e os alunos – para quem olham com tamanha dedicação.
O sonho de Ana Beatriz de desmistificar a ideia de que o inglês é para uma “elite” vem sendo concretizado. A gerente comercial, Estefany Queiroz, menciona que uma das dificuldades ao ofertar às vagas é, justamente, provar aos clientes que a escola enquanto empresa não fará alterações de valores durante o andamento do curso. “A gente aposta nos nossos alunos, queremos manter a qualidade e o custo-benefício para eles”. A demonstração de que a instituição busca democratizar a educação é percebida com a constante presença da equipe comercial em ações realizadas no centro da cidade, nas feiras, escolas públicas e demais locais em que circulam diferentes tipos de pessoas.
O reservista e comerciário, Oswaldo de Oliveira, tem 52 anos e é aluno da KNN Corumbá. Ele afirma que a questão financeira “pesou muito” na hora de escolher a escola. “Eu não conhecia a escola, eles me deram várias opções [modalidade de cursos], e o fator predominante foi o valor que é bem acessível”. Já a permanência do estudante atravessa outros fatores, da recepção ao aprendizado. “Quando você chega, as pessoas te cumprimentam com sorriso […] e também tem o carinho das professoras com o aluno, isso é muito importante”. Oliveira assume que sempre teve vontade de aprender o idioma, agora, tem a oportunidade e tempo de praticar com constância.

A comunidade KNN cresce e com ela a responsabilidade das professoras. Ao todo, são seis mulheres incentivadas a desenvolver suas técnicas de ensino pela evolução dos seus alunos. Quando questionadas sobre o que faz com que elas sigam na profissão, a resposta é ouvida em uníssono: os alunos. As aulas são preparadas diferentemente para cada turma, ainda que eles estejam aprendendo as mesmas coisas e isto porque cada aluno tem um perfil próprio. “Tudo depende de como eles se comportam, absorvem o conteúdo e de como está a progressão individual, que é o foco da KNN” afirma Marianela Lambert.
As professoras foram apresentadas à língua inglesa ainda na infância por meio da influências de outras professoras, como suas mães; e da cultura pop, na qual o idioma tem maior destaque, elas se encantavam por filmes, jogos e músicas. Por entenderem que a cultura e as artes refletem na busca pelo conhecimento, a equipe se compromete a planejar aulas diferentes para além dos livros como as talking classes¹, que reúne turmas de faixas etárias parecidas para apresentar e discutir um tema específico, a última ocorreu em novembro e foi sobre K-pop, a cultura pop sul-coreana que tem alcançado cada vez mais todo o globo.
Mas não são só nesses momentos específicos que os estudantes da KNN Corumbá se divertem. A professora Mariana Souza diz que a aula das crianças têm que ser pensada para ser legal e lúdica, mas não é por isso que os adultos não recebem a mesma atenção com a inserção de músicas, jogos, debates e role play² nas suas atividades.
O aluno Oswaldo de Oliveira não entrava em uma sala de aula há 40 anos, embora lembre com carinho da sua professora de inglês da infância tentando ensinar o verbo to be³, ressalta que a experiência vivida na KNN é diferente. “Você aprende a escrever [uma palavra] de um jeito, a pronúncia [da mesma] é outra e fica um pouco acanhado, mas você tem que quebrar essa vergonha de falar errado, é normal para os alunos e as professoras sabem disso. A forma que elas ensinam te deixa mais à vontade, você aprende de uma forma gostosa”.
A emoção de quem ensina é perceber que o seu aluno consegue se comunicar com autonomia. Elas se orgulham quando os estudantes contam que interagiram com um estrangeiro ou ouviram alguma mídia e entenderam ou quando inserem as próprias expressões na hora da conversação em sala. A professora Tharyssa Silva revela ainda que fica muito feliz quando os alunos, que já tinham conhecimento prévio do inglês antes de entrar na KNN, mas apenas escreviam e liam, dizem “Poxa, teacher⁴, eu sabia como escrever e agora eu consigo falar!”. Para ela, “é muito legal ver o progresso, eles aprenderem a falar e tirar o que queriam do papel”.
Os filhos sentem a motivação e as famílias, a segurança. Segundo Keila Oliveira é o equilíbrio entre o ambiente, organizado e acolhedor, e os profissionais, capacitados que garantem essa sensação. Em adição, a diretora geral menciona que é a resposta do trabalho que coloca cada criança ou adolescente em destaque, uma vez que além das preparações de aula, as reuniões também têm foco no indivíduo. “É a política da escola. Existem famílias que, infelizmente, não participam ativamente e a gente entende; por outro lado, têm pais que passaram a vir com frequência na escola. Alguns dizem que é a primeira vez que sabem o nome da professora, qual nota ele tirou, se faz ou não tarefa…”.
As motivações dos estudantes são similares às dos brasileiros em geral. De acordo com a pesquisa Idiomas e Habilidades (2025), as pessoas desejam aprender outro idioma para ter desenvolvimento profissional, por interesse cultural e para viajar. Na KNN Corumbá, a maior parte das turmas de espanhol são formadas com foco no turismo. Para a maestra⁵ argentina Lambert, esse preparo é “super importante pois somos parte da América Latina, e também moramos em região de fronteira, temos que nos comunicar além do ‘portunhol maroto’. É assim que vamos viver as melhores experiências e realizar grandes sonhos ”.

Saiba o que é
¹Talking classes: Aulas de conversação.
²Role play: Prática de simulação em que os participantes assumem papéis fictícios em um cenário imaginário.
³To be: verbo ser ou estar.
⁴Teacher: Professor/a em inglês.
⁵Maestra: Professor/a em espanhol.

