Quem dirige o Carnaval

16 de fevereiro de 2026

O asfalto ainda guarda o calor da noite anterior na avenida General Rondon. Enquanto os desfiles seguem movimentando o Carnaval de Corumbá, há quem viva a festa de um ângulo diferente, quase ao nível do chão.


Carlos Henrique é motorista do carro alegórico da Escola de Samba Major Gama, terceira escola a desfilar na noite anterior. Há dois anos consecutivos, ele assume o volante da estrutura que cruza a passarela.
Não existe treinamento específico para a função. A primeira vez que dirigiu foi no ensaio técnico. “Eu não treino. Eu venho no dia. A primeira vez foi no ensaio mesmo”, conta.


Apesar de ter volante como um carro comum, a experiência é diferente. O carro alegórico é mais baixo, balança bastante e exige atenção constante. “Balança muito, é bem embaixo. Dá até um pouco de enjoo.”


Sobre a diferença da função de puxador do carro alegórico, ele resume com simplicidade: “Eu fico sentado no volante. Quem faz força lá atrás são eles. O volante não é pesado, mas ali é quente.” Ainda assim, a responsabilidade de conduzir a alegoria no ritmo do desfile é toda sua.


Fora do Carnaval, Carlos trabalha com serviços variados. Na avenida, a função representa uma renda extra que, segundo ele, acaba sendo investida na própria festa.
O dinheiro que ganha ajudando a colocar o desfile na rua retorna para o Carnaval.


A festa, além de cultural, também movimenta a economia. Dados divulgados pela Prefeitura de Corumbá apontam que o Carnaval de 2025 movimentou cerca de R$ 14,7 milhões na economia local, com geração de empregos temporários e impacto no comércio, na rede hoteleira e entre ambulantes.


As pessoas que sustentam o espetáculo com o próprio trabalho também movimentam a economia.


Do volante, sob o calor e o balanço da estrutura, Carlos conduz mais do que um carro alegórico, ele participa de uma cadeia que faz o Carnaval girar dentro e fora da avenida.

Por corumbaonline