{"id":10395,"date":"2017-10-24T10:30:25","date_gmt":"2017-10-24T13:30:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/?p=10395"},"modified":"2017-10-24T10:42:38","modified_gmt":"2017-10-24T13:42:38","slug":"a-escravidao-do-trabalhador-rural","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/a-escravidao-do-trabalhador-rural\/","title":{"rendered":"A escravid\u00e3o do trabalhador rural"},"content":{"rendered":"<div>\n<p class=\"x_x_MsoNormal\">&#8220;Nada mais permanente que a mudan\u00e7a&#8221;. Her\u00e1clito (S\u00e9c. VI a.C). Vivemos uma era de aceleradas e cont\u00ednuas mudan\u00e7as, e o ser humano n\u00e3o pode ser tratado\u00a0 como na \u00e9poca do &#8220;pelourinho&#8221;. As mudan\u00e7as de comportamentos com a sociedade t\u00eam que come\u00e7ar a evoluir. Daqui n\u00e3o se leva nada, portanto, por que tanta maldade dos afortunados ruralistas com os seus indefesos\u00a0prestadores de servi\u00e7os?<\/p>\n<p class=\"x_x_MsoNormal\">Como sempre, grupos poderosos tentam impor a sua forma de agir sem se importar com o lado social prejudicado. E isso n\u00e3o pode mais continuar. O cidad\u00e3o brasileiro, das camadas mais miser\u00e1veis, tem que ser respeitado.<\/p>\n<p class=\"x_x_MsoNormal\">A recente pol\u00eamica acerca da explora\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra por ruralistas que n\u00e3o desejam ser fiscalizados \u00e0 luz do disposto no artigo 149 do C\u00f3digo Penal, alterado por lei de 2003, que diz ser crime \u201creduzir algu\u00e9m a condi\u00e7\u00e3o an\u00e1loga \u00e0 de escravo, quer submetendo-o a trabalhos for\u00e7ados ou jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condi\u00e7\u00f5es degradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer meio sua locomo\u00e7\u00e3o em raz\u00e3o de d\u00edvida contra\u00edda com o empregador ou prepostos\u201d, suscitou inusitada d\u00favida sobre o que \u00e9 exatamente \u201cjornada exaustiva\u201d ou condi\u00e7\u00f5es degradantes\u201d.<\/p>\n<p class=\"x_x_MsoNormal\">A pena ao desrespeito \u00e0 norma pode\u00a0 chegar a oito anos de cadeia e os acusados s\u00e3o inclu\u00eddos\u00a0 na \u201clista suja do trabalho escravo\u201d, cadastro de empregadores flagrados mantendo funcion\u00e1rios em condi\u00e7\u00f5es tidas como an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o. Quem tem o nome sujo fica impedido de obter cr\u00e9dito na pra\u00e7a.<\/p>\n<p class=\"x_x_MsoNormal\">Pois bem, sem entrar no campo da hermen\u00eautica jur\u00eddica, n\u00e3o tem sentido, em pleno s\u00e9culo XXI, que uma lei seja institu\u00edda para ser diversamente\u00a0 interpretada\u00a0 ao bel-prazer de interesses outros, inclusive por doutos profissionais do direito. Ou a lei \u00e9 mal redigida, ou ela \u00e9 elaborada de forma capciosa para atingir finalidades escusas, ou n\u00e3o sendo nem uma coisa e nem outra, a lei \u00e9\u00a0para ser cumprida por todos: \u201cdura lex, sed lex\u201d.<\/p>\n<p class=\"x_x_MsoNormal\">No caso em quest\u00e3o, o Minist\u00e9rio do Trabalhou, dia 16, publicou\u00a0 portaria, alterando diversas regras do combate ao trabalho escravo, que, a nosso ver, colide com a inten\u00e7\u00e3o do legislador. E tudo isso para proteger interesses solertes de ruralistas e render votos a Temer na C\u00e2mara Federal, quarta-feira pr\u00f3xima.<\/p>\n<p class=\"x_x_MsoNormal\">Pelo texto da portaria, o trabalho escravo\u00a0 estar\u00e1 caracterizado apenas quando houver cerceamento de liberdade. Trata-se de enorme retrocesso \u00e0 fiscaliza\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es desumanas a que s\u00e3o submetidos indefesos trabalhadores por produtores rurais inescrupulosos.<\/p>\n<p class=\"x_x_MsoNormal\">J\u00falio C\u00e9sar Cardoso<\/p>\n<p class=\"x_x_MsoNormal\">Bacharel em Direito e servidor federal aposentado<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Nada mais permanente que a mudan\u00e7a&#8221;. Her\u00e1clito (S\u00e9c. VI a.C). Vivemos uma era de aceleradas&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":10213,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-10395","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10395","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10395"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10395\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10397,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10395\/revisions\/10397"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10213"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10395"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10395"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10395"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}