{"id":10455,"date":"2017-10-25T17:27:37","date_gmt":"2017-10-25T20:27:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/?p=10455"},"modified":"2017-10-25T18:50:30","modified_gmt":"2017-10-25T21:50:30","slug":"povo-das-aguas-resgata-casal-em-situacao-analoga-a-escravidao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/povo-das-aguas-resgata-casal-em-situacao-analoga-a-escravidao\/","title":{"rendered":"Povo das \u00c1guas resgata casal em situa\u00e7\u00e3o an\u00e1loga \u00e0 escravid\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Comendo isca de peixe, pescando piranhas com peneira improvisada, racionando arroz para sobreviver, sem acesso a barco, estrada ou contato telef\u00f4nico, foi como o Povo das \u00c1guas encontrou o casal. O defensor p\u00fablico Vagner Fabr\u00edcio Vieira Flausino, que participou do programa social, verificou que as v\u00edtimas estavam em situa\u00e7\u00e3o an\u00e1loga \u00e0 escravid\u00e3o. A situa\u00e7\u00e3o foi flagrada em fazenda abandonada pertencente ao munic\u00edpio de Pocon\u00e9, do lado do Estado de Mato Grosso. A condi\u00e7\u00e3o estava ainda mais dif\u00edcil para a mulher, que foi violentada sexualmente. A abordagem aconteceu por volta das 08h30 de 20 de outubro, pen\u00faltimo dia da quinta edi\u00e7\u00e3o do programa na regi\u00e3o alta do Rio Paraguai e Rio S\u00e3o Louren\u00e7o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Defensoria P\u00fablica, por meio do Dr. Vagner Flausino, participou do Povo das \u00c1guas com a finalidade de prestar servi\u00e7os na \u00e1rea jur\u00eddica, levando informa\u00e7\u00f5es sobre quest\u00f5es envolvendo fam\u00edlia, registro civil e viol\u00eancia contra mulher, crian\u00e7a e adolescente. Ele realizou 34 atendimentos e proferiu 06 palestras. Conforme o cronograma do programa, a equipe multidisciplinar estava atendendo \u00e0 regi\u00e3o do Rio S\u00e3o Louren\u00e7o no dia 20, com servi\u00e7os no Porto Mangueiral e Porto Novo Horizonte. O defensor p\u00fablico estava no Porto Mangueiral quando recebeu informa\u00e7\u00e3o que um casal estaria em situa\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria em uma fazenda. O caso foi passado por um ribeirinho \u00e0 coordena\u00e7\u00e3o do programa. A fazenda estava do outro lado do rio, na regi\u00e3o do Rio Cuiab\u00e1, pertencente ao Estado de Mato Grosso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dr. Vagner pegou embarca\u00e7\u00e3o com piloteiro e o ribeirinho at\u00e9 a fazenda, que ficava a dez minutos de barco do Porto Mangueiral. Ao aproximar-se do local, o defensor percebeu que a fazenda estava abandonada, sem telhado, com portas quebradas, banheiros destru\u00eddos. \u201cVerificamos que eles estavam em situa\u00e7\u00e3o de extrema vulnerabilidade. O homem e sua esposa foram contratados por um intermedi\u00e1rio na cidade de Pocon\u00e9, que se apresentou como empregado da fazenda. A ideia era que o casal fosse cuidar da fazenda com a promessa de que ganhariam R$ 1.500,00 mil por m\u00eas. Eles sa\u00edram de Pocon\u00e9 at\u00e9 o Porto Jofre e de l\u00e1 pegariam barco para ir \u00e0 fazenda\u201d, explicou Dr. Vagner Flausino. O casal ficaria respons\u00e1vel por fazer a capinagem da sede da fazenda e de uma pista de avi\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No entanto, o intermedi\u00e1rio estava devendo dinheiro a algu\u00e9m do Porto Jofre, mas como se negou a pagar, houve confus\u00e3o generalizada que acabou envolvendo o casal rec\u00e9m-contratado. Homens sa\u00edram correndo atr\u00e1s do devedor e do senhor de Pocon\u00e9 com uma faca, deixando a mulher para tr\u00e1s. O homem para quem o empregado da fazenda devia pegou a mulher, dando-lhe socos na nuca e tapas na cabe\u00e7a. Ele batia dizendo que ela pagaria por \u201celes\u201d e acabou sendo violentada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.corumba.ms.gov.br\/public\/fotos\/61282-foto-divulgacao-a.jpg\" alt=\"\" width=\"591\" height=\"386\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Depois da confus\u00e3o, os tr\u00eas se deslocaram de barco at\u00e9 a fazenda, onde o empregado deixou os subcontratados com pouco de arroz, feij\u00e3o, farinha, \u00f3leo, sab\u00e3o e um litro de gasolina para ser usado na ro\u00e7adeira, duas colheres, dois pratos pl\u00e1sticos, uma faquinha e mais nada. O homem ficou de retornar uma semana depois para levar a bomba d\u2019\u00e1gua, para tentar tirar \u00e1gua do po\u00e7o que estava inutilizado e levar mais alimentos. No entanto, deu 40 dias e o empregado n\u00e3o apareceu e n\u00e3o fez o pagamento combinado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Depois da abordagem, o defensor convenceu o casal de sair do local. Chegando \u00e0 embarca\u00e7\u00e3o do Povo das \u00c1guas, as v\u00edtimas conseguiram tomar banho, comer e descansar. \u201cEu me recordo que quando a mulher foi se alimentar, fazia tanto tempo que eles n\u00e3o haviam comido uma refei\u00e7\u00e3o, que ela chegou a passar mal e quase desmaiou\u201d, disse defensor p\u00fablico. Dr. Vagner tentou contato com autoridades do Mato Grosso, mas em v\u00e3o, j\u00e1 que o local \u00e9 de dif\u00edcil acesso a telefone. Em seguida, o barco com a equipe do programa foi at\u00e9 a sede da Reserva do Pantanal Mato-Grossense, para tentar passar r\u00e1dio \u00e0 Pol\u00edcia, mas tamb\u00e9m sem sucesso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cFizemos uma reuni\u00e3o no barco com Elisama, coordenadora do programa, L\u00edlia, gestora do CRAS Itinerante, e o comandante do barco para resolver o que far\u00edamos com o casal. A decis\u00e3o foi que eles iriam conosco at\u00e9 Corumb\u00e1 para que a Defensoria P\u00fablica pudesse ajud\u00e1-los a voltar para casa por terra e dar entrada \u00e0s investiga\u00e7\u00f5es. N\u00e3o t\u00ednhamos mais o que fazer, n\u00e3o poder\u00edamos deix\u00e1-los l\u00e1 porque estavam em extrema vulnerabilidade e em situa\u00e7\u00e3o an\u00e1loga ao trabalho escravo\u201d, afirmou Dr. Vagner. \u201cEles estavam bebendo \u00e1gua de rio e improvisando ton\u00e9is sujos para pegar \u00e1gua da chuva que ca\u00eda do telhado depois das chuvas. O homem estava com infec\u00e7\u00e3o gastrointestinal ao ponto de defecar sangue\u201d, relatou o defensor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ao chegar a Corumb\u00e1, o casal foi recebido pela Assist\u00eancia Social do Munic\u00edpio. Permaneceu no albergue e foi assistido em todas as necessidades com roupas, cal\u00e7ados e com documenta\u00e7\u00e3o feita pela Defensoria P\u00fablica. Encaminhado tamb\u00e9m ao exame de corpo de delito e \u00e0 Delegacia de Pol\u00edcia Civil para lavramento de ocorr\u00eancia de explora\u00e7\u00e3o de trabalho e viol\u00eancia sexual. O defensor solicitou passagens de \u00f4nibus para o casal, pedido logo atendido pelo secret\u00e1rio municipal de Assist\u00eancia Social, Haroldo Cavassa. O casal j\u00e1 est\u00e1 a caminho de casa, retornando para Pocon\u00e9.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Elisama de Freitas Cabalhero, coordenadora do Povo das \u00c1guas, destacou a ajuda do respons\u00e1vel pela embarca\u00e7\u00e3o. \u201cO comandante acolheu muito bem o casal, deu lugar para dormir, liberou as refei\u00e7\u00f5es para eles, o casal foi muito bem recebido no barco\u201d, disse. O defensor frisou que a Rede de Prote\u00e7\u00e3o do Munic\u00edpio funcionou muito bem em parceria com a Defensoria P\u00fablica, devolvendo a dignidade \u00e0s v\u00edtimas e assistindo de maneira r\u00e1pida \u00e0s suas necessidades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Programa Social Povo das \u00c1guas \u00e9 realizado pela Prefeitura Municipal de Corumb\u00e1 para levar assist\u00eancia m\u00e9dica, odontol\u00f3gica, educacional, prestar servi\u00e7os socioassistenciais, cestas b\u00e1sicas, kits de higiene e o m\u00e1ximo de servi\u00e7os dispon\u00edveis no Munic\u00edpio aos moradores das regi\u00f5es ribeirinhas de Corumb\u00e1. Essa foi a quinta edi\u00e7\u00e3o deste ano do programa que acontece desde 2005, tornando-se Lei Municipal em agosto de 2012. O resgate do casal aconteceu na edi\u00e7\u00e3o do programa de 15 a 21 de outubro de 2017.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>*Os nomes das v\u00edtimas foram preservados na mat\u00e9ria, bem como imagem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Comendo isca de peixe, pescando piranhas com peneira improvisada, racionando arroz para sobreviver, sem acesso&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[14],"tags":[],"class_list":["post-10455","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10455","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10455"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10455\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10456,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10455\/revisions\/10456"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10455"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10455"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10455"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}