{"id":10597,"date":"2017-10-28T10:10:00","date_gmt":"2017-10-28T13:10:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/?p=10597"},"modified":"2017-10-28T12:03:50","modified_gmt":"2017-10-28T15:03:50","slug":"embrapa-discute-racas-bovinas-crioulas-na-fronteira-com-a-bolivia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/embrapa-discute-racas-bovinas-crioulas-na-fronteira-com-a-bolivia\/","title":{"rendered":"Embrapa discute ra\u00e7as bovinas crioulas na fronteira com a Bol\u00edvia"},"content":{"rendered":"<p>Durante uma palestra realizada em Arroyo Concepci\u00f3n, na Bol\u00edvia \u2013 a cerca de 10 km de Corumb\u00e1 (MS) \u2013 a pesquisadora Raquel Soares, da Embrapa Pantanal, conversou com universit\u00e1rios do pa\u00eds vizinho sobre ra\u00e7as bovinas localmente adaptadas presentes na fronteira. \u201cQueremos ver o que eles conhecem, entender quais s\u00e3o as expectativas e perspectivas para a conserva\u00e7\u00e3o e uso dessas ra\u00e7as no pa\u00eds deles\u201d, afirma a pesquisadora que busca a exist\u00eancia de rebanhos crioulos entre propriet\u00e1rios rurais, universidades e institui\u00e7\u00f5es de pesquisa locais.<\/p>\n<p>O contato com os vizinhos da Bol\u00edvia, diz Raquel, \u00e9 uma forma de procurar \u00b4parentes\u00b4 da ra\u00e7a conhecida como bovino Pantaneiro, encontrada no Pantanal brasileiro, nas ra\u00e7as bovinas crioulas presentes em territ\u00f3rio boliviano. \u201cTenho not\u00edcias por publica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas e por conversas com os moradores daqui que existem pelo menos dois tipos de gado crioulo na regi\u00e3o: o Yacume\u00f1o e o Chiquitano.\u00a0 Mas n\u00e3o sabemos, ainda, qual \u00e9 a proximidade desses animais \u2013 em termos de perfil gen\u00e9tico \u2013 do nosso bovino Pantaneiro\u201d.<\/p>\n<p>O Pantaneiro, bovino que passou por quinhentos anos de sele\u00e7\u00e3o natural em meio aos extremos ambientais do bioma, desenvolveu uma rusticidade caracter\u00edstica da ra\u00e7a. Ele pode pastejar em locais alagados, manter taxas reprodutivas satisfat\u00f3rias mesmo em per\u00edodos com menor disponibilidade de alimentos como a seca, possui baixa exig\u00eancia nutricional, habilidades maternas e diferenciais para a produ\u00e7\u00e3o de carne e leite. Por\u00e9m, existem apenas cerca de 500 animais comprovadamente Pantaneiros no pa\u00eds, atualmente \u2013 o que os coloca em risco de extin\u00e7\u00e3o e aumenta a urg\u00eancia da conserva\u00e7\u00e3o de seu material gen\u00e9tico.<\/p>\n<p>\u201cNos trabalhos que fizemos de genotipagem e compara\u00e7\u00e3o entre as ra\u00e7as, vimos que o bovino Pantaneiro tem uma proximidade com o Pilcomayo, que \u00e9 um gado do Paraguai. Temos uma hist\u00f3ria que justifica isso: o sul de Mato Grosso do Sul (a regi\u00e3o depois da Serra da Bodoquena), que tamb\u00e9m tinha bovinos Pantaneiros, faz divisa com o Paraguai. O gado de Porto Murtinho, por exemplo, provavelmente tem muita influ\u00eancia dos animais desse pa\u00eds. \u00c9 de se esperar, portanto, que a nossa fronteira de Corumb\u00e1 e do Mato Grosso, na regi\u00e3o do Pantanal, tamb\u00e9m tenha alguma interfer\u00eancia gen\u00e9tica entre as ra\u00e7as\u201d, diz a pesquisadora.<\/p>\n<p>Encontrar paralelos gen\u00e9ticos entre os animais do Brasil e da Bol\u00edvia poderia beneficiar a gen\u00e9tica dos animais dos dois pa\u00edses. \u201cA gente pode pensar em aumentar o nosso rebanho \u2013 dependendo da proximidade gen\u00e9tica com o gado crioulo deles \u2013 usando o material gen\u00e9tico que eles tiverem dispon\u00edvel. Podemos utilizar f\u00eameas de ra\u00e7as adaptadas bolivianas e introduzi-las no Brasil para cruzar com os machos Pantaneiros. Assim, ter\u00edamos uma ra\u00e7a pr\u00f3xima, com caracter\u00edsticas adaptativas aproximadas da ra\u00e7a brasileira, com uma poss\u00edvel chance de recupera\u00e7\u00e3o: em cinco gera\u00e7\u00f5es, ela poderia ser absorvida pelo bovino Pantaneiro\u201d.<\/p>\n<p>Os primeiros contatos, como o que foi estabelecido por meio da palestra ministrada aos universit\u00e1rios, representam o in\u00edcio do trabalho de compara\u00e7\u00e3o entre as ra\u00e7as bovinas adaptadas. \u201cQueremos analisar a gen\u00e9tica desses rebanhos atrav\u00e9s de genotipagem por DNA e verificar a possibilidade de troca de animais ou embri\u00f5es para tentar cruzamentos\u201d, diz Raquel. \u201c\u00c9 interessante tamb\u00e9m verificar se a algu\u00e9m na Bol\u00edvia tem interesse de desenvolver o trabalho de conserva\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica do gado crioulo que eles possuem. Assim, podemos desenvolver trabalhos paralelos, mas que t\u00eam uma mesma finalidade, que \u00e9 a conserva\u00e7\u00e3o e o uso de ra\u00e7as localmente adaptadas\u201d.<\/p>\n<p>A Embrapa Pantanal mant\u00e9m desde 1984 um n\u00facleo de conserva\u00e7\u00e3o in situ desses animais, mantido no campo experimental fazenda Nhumirim, no Pantanal da Nhecol\u00e2ndia. Para a pesquisadora, o trabalho em conjunto com os vizinhos bolivianos fortalece a expans\u00e3o de uma linha de pesquisa que, hoje, possui abrang\u00eancia local, principalmente. \u201cAssim, mantemos a diversidade gen\u00e9tica e difundimos melhor as informa\u00e7\u00f5es com as quais trabalhamos\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante uma palestra realizada em Arroyo Concepci\u00f3n, na Bol\u00edvia \u2013 a cerca de 10 km&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":10598,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,8],"tags":[],"class_list":["post-10597","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-agropecuaria","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10597","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10597"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10597\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10599,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10597\/revisions\/10599"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10598"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10597"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10597"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10597"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}