{"id":11567,"date":"2017-11-29T11:35:51","date_gmt":"2017-11-29T14:35:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/?p=11567"},"modified":"2017-11-29T11:42:05","modified_gmt":"2017-11-29T14:42:05","slug":"tragedia-da-chapecoense-um-ano-do-acidente-que-uniu-o-futebol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/tragedia-da-chapecoense-um-ano-do-acidente-que-uniu-o-futebol\/","title":{"rendered":"Trag\u00e9dia da Chapecoense: um ano do acidente que uniu o futebol"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por Raphael Costa<\/strong><\/p>\n<p>O dia 29 de novembro est\u00e1 eternizado no calend\u00e1rio do futebol brasileiro. N\u00e3o por um jogo hist\u00f3rico, gol de placa, jogada incr\u00edvel, t\u00e3o pouco o nascimento de algum g\u00eanio da bola, mas sim pelo sentimento de tristeza e como\u00e7\u00e3o que atingiu todos os brasileiros, n\u00e3o somente f\u00e3s de futebol. Na manh\u00e3 do fat\u00eddico dia, uma ter\u00e7a-feira, o Brasil acordava com a not\u00edcia de que o avi\u00e3o da empresa boliviana LaMia, que levava a equipe da Chapecoense para a disputa da final da Sul-Americana, havia ca\u00eddo. Na aeronave, al\u00e9m dos atletas, toda a diretoria da equipe, comiss\u00e3o t\u00e9cnica, jornalistas e os tripulantes haviam sido v\u00edtimas de um erro que custou o sonho de um time, de uma cidade, de um pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Sonho de longa data<\/strong><\/p>\n<p>Era o \u00e1pice do sonho. Fundada em 1973, a equipe alviverde de Chapec\u00f3, cidade do oeste de Santa Catarina, chegava ao ponto m\u00e1ximo de sua hist\u00f3ria: a disputa de um t\u00edtulo continental. Algo inimagin\u00e1vel para um clube que em 2009 disputava a s\u00e9rie D do campeonato brasileiro.<\/p>\n<p>Com uma administra\u00e7\u00e3o que montava equipes competitivas, mas sem comprometer a sa\u00fade financeira do clube, a Chape foi acumulando vit\u00f3rias e acessos, at\u00e9 que em 2014 chegou \u00e0 elite do futebol nacional, onde se firmou. Em 44 anos de hist\u00f3ria, o time n\u00e3o possui nenhum rebaixamento.<\/p>\n<p>Em 2016, depois de ser eliminada na Copa do Brasil para o Atl\u00e9tico Paranaense, a Chapecoense foi disputar a Sul-Americana, como previa o regulamento do mata-mata nacional.<br \/>\nCome\u00e7ou a competi\u00e7\u00e3o batendo o modesto Cuiab\u00e1 Esporte Clube. Depois, partiu para um desafio enorme, enfrentar o Independiente da Argentina, um dos maiores campe\u00f5es continentais da Am\u00e9rica do Sul. Conseguiu a classifica\u00e7\u00e3o. Passou pelo J\u00fanior Barranquilla nas quartas de final e nas semis encarou o San Lorenzo, time do Papa Francisco. Chegar at\u00e9 a final n\u00e3o foi f\u00e1cil. Uma defesa monumental do goleiro Danilo, caprichosamente no \u00faltimo minuto da partida, deu a Chape a oportunidade de disputar seu primeiro t\u00edtulo internacional.<br \/>\nAl\u00e9m dos quase 210 mil habitantes da cidade de Chapec\u00f3, segundo o levantamento feito pelo IBGE este ano, a Chapecoense conquistava o Brasil com sua determina\u00e7\u00e3o, profissionalismo e carisma. Com a Arena Cond\u00e1, casa do Alviverde, sempre cheia, a equipe modesta, comparada a outros times da elite nacional, dava uma aula de comprometimento e trabalho bem feito, dentro e fora dos campos.<br \/>\nPara conquistar a ta\u00e7a da Sul-Americana de 2016, a Chapecoense tinha pela frente um time que at\u00e9 ent\u00e3o parecia invenc\u00edvel: o Atl\u00e9tico Nacional, campe\u00e3o colombiano e da Libertadores daquele ano.<\/p>\n<p><strong>A trag\u00e9dia<\/strong><\/p>\n<p>Depois da classifica\u00e7\u00e3o, a expectativa para uma poss\u00edvel conquista hist\u00f3rica dominou o pa\u00eds. A equipe ganhava a torcida de quase todos os brasileiros. A partida seria a primeira final que o clube disputaria fora do Brasil. Seria.<\/p>\n<p>Depois de embarcar na segunda-feira, dia 28 de novembro, no aeroporto de Guarulhos, na Grande S\u00e3o Paulo, a equipe parou na cidade de Santa Cruz de La Sierra, onde a delega\u00e7\u00e3o enfim entrou no avi\u00e3o da empresa Lamia, com destino a Medell\u00edn, onde disputaria a primeira partida. No entanto, o pouso na capital colombiana nunca ocorreu. A aeronave, por falta de combust\u00edvel, caiu em uma regi\u00e3o serrana, bem pr\u00f3xima a cidade colombiana. O local de dif\u00edcil acesso dificultou o resgate das equipes de busca.<br \/>\nAo todo, mais de 70 pessoas morreram, entre atletas, comiss\u00e3o t\u00e9cnica, membros da diretoria do clube, jornalistas que fariam a cobertura da partida e tripulantes.<\/p>\n<p>Apenas cinco pessoas sobreviveram ao acidente. Entre os atletas, o goleiro, Jackson Follman, o lateral, Alan Ruschel e o zagueiro Neto. Tamb\u00e9m resistiram a queda da aeronave, o jornalista Raphael Henzel e a comiss\u00e1ria Ximena Suarezs. O goleiro titular da Chape, Danilo, foi resgatado com vida, mas n\u00e3o sobreviveu aos ferimentos.<\/p>\n<p>A final da Copa Sul-Americana foi cancelada. No dia da partida, o Atl\u00e9tico Nacional, advers\u00e1rio da Chape na ocasi\u00e3o, prestou a primeira homenagem \u00e0s v\u00edtimas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da homenagem, o Atl\u00e9tico Nacional abriu m\u00e3o do t\u00edtulo. A Chapecoense foi declarada campe\u00e3 da Copa Sul-Americana de 2016. Com o t\u00edtulo, o clube ganhou a classifica\u00e7\u00e3o para a Libertadores da Am\u00e9rica de 2017.<\/p>\n<p>Chapecoense e Atl\u00e9tico Nacional, que utilizam as cores verde e branca em seus uniformes, tornaram-se equipes irm\u00e3s. As homenagens prestadas pelos colombianos aproximaram a popula\u00e7\u00e3o dos dois pa\u00edses, quebrando todas as barreiras geogr\u00e1ficas.<\/p>\n<p><strong>Reconstru\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Para se manter viva em 2017, a Chapecoense contou com o apoio e solidariedade de muitos parceiros. Diversos times brasileiros disponibilizaram jogadores para o clube remontar o elenco, torcedores de outras equipes se associaram ao Verd\u00e3o do Oeste para ajudar o clube financeiramente, al\u00e9m de doa\u00e7\u00f5es organizadas por diversas frentes e entidades. Naquele momento, a Chapecoense tinha se tornado uma esp\u00e9cie de filho do futebol brasileiro, onde todos se sentiam respons\u00e1veis diante dos acontecimentos.<\/p>\n<p>E logo, a magia que parece cercar a Arena Cond\u00e1, est\u00e1dio da Chapecoense, come\u00e7ou a aparecer. A equipe foi campe\u00e3 do campeonato Catarinense de 2017, quebrando todas as expectativas com rela\u00e7\u00e3o a um poss\u00edvel e natural fracasso, devido \u00e0s condi\u00e7\u00f5es em que a time come\u00e7ou a temporada.<\/p>\n<p>Neste ano, a Chape disputou tr\u00eas competi\u00e7\u00f5es internacionais. A Recopa, contra o pr\u00f3prio Atl\u00e9tico Nacional, a Libertadores e a Sul-Americana novamente. N\u00e3o teve sucesso em nenhuma das tr\u00eas, mas aparentemente, o que poderia abater a equipe, fortaleceu. No campeonato brasileiro, a Chapecoense chegou a ficar na zona de rebaixamento por algumas rodadas, mas reverteu a situa\u00e7\u00e3o. A uma rodada do fim do Brasileir\u00e3o, o Verd\u00e3o est\u00e1 na nona posi\u00e7\u00e3o, com chances de se classificar para Libertadores.<\/p>\n<p>Como uma f\u00eanix, a Chapecoense teve que perder tudo para renascer com uma for\u00e7a ainda maior do que a que tinha, quando chegou a seu maior momento esportivo. A equipe deixou de ser um time modesto do oeste catarinense para se tornar um time mundial, reconhecido em qualquer lugar do mundo e respeitado por todos. Para a Chape, ta\u00e7as e tempo de clube n\u00e3o s\u00e3o, necessariamente, sin\u00f4nimos de grandeza. Na Arena Cond\u00e1, cada dia vivido, superado e renascido representa um novo t\u00edtulo. Que o grito que ecoou na voz de muitos torcedores permane\u00e7a no cora\u00e7\u00e3o de todos os brasileiros: Vamos, vamos, Chape!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Raphael Costa O dia 29 de novembro est\u00e1 eternizado no calend\u00e1rio do futebol brasileiro&#8230;.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":11568,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-11567","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11567","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11567"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11567\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11569,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11567\/revisions\/11569"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11568"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11567"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11567"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11567"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}