{"id":11710297,"date":"2020-11-21T09:20:00","date_gmt":"2020-11-21T13:20:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/?p=11710297"},"modified":"2020-11-21T14:56:29","modified_gmt":"2020-11-21T18:56:29","slug":"patrimonio-cultural-quilombola-de-ms-e-destaque-de-pesquisa-da-uems","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/patrimonio-cultural-quilombola-de-ms-e-destaque-de-pesquisa-da-uems\/","title":{"rendered":"Patrim\u00f4nio cultural quilombola de MS \u00e9 destaque de pesquisa da UEMS"},"content":{"rendered":"<p>A pesquisa<strong>\u00a0<\/strong>intitulada \u201cInvent\u00e1rio do Patrim\u00f4nio Cultural Imaterial das Comunidades Quilombolas de Mato Grosso do Sul\u201d foi institucionalizada no \u00e2mbito da UEMS, em 2019, e enfatiza sobretudo os festejos de comunidades quilombolas sul mato grossenses.\u00a0 A professora da UEMS, dos cursos de Hist\u00f3ria e do PofHist\u00f3ria, Manuela Areias, pesquisa sobre o patrim\u00f4nio cultural imaterial das comunidades quilombolas do estado de MS e trabalhou, at\u00e9 o momento, com tr\u00eas tradi\u00e7\u00f5es: Festa dos Santos Reis, Festa de S\u00e3o Pedro e o saber expresso na produ\u00e7\u00e3o de farinha de mandioca.<\/p>\n<p>O projeto trabalhou com a Festa dos Santos Reis, realizada h\u00e1 mais de cem anos por membros da fam\u00edlia Modesto, moradores do quilombo \u00c1guas de Miranda (Bonito), a Festa de S\u00e3o Pedro, do quilombo Fam\u00edlia Cardoso (Nioaque), e o saber expresso na produ\u00e7\u00e3o da farinha de mandioca, da comunidade quilombola Furnas dos Baianos (Aquidauana).<\/p>\n<p>Manuela Areias destaca que o reconhecimento e a salvaguarda do patrim\u00f4nio cultural quilombola s\u00e3o essenciais para a continuidade de sua reprodu\u00e7\u00e3o cultural, fortalecendo a identidade do grupo e o sentimento de pertencimento de seus moradores.\u00a0\u201cAs express\u00f5es culturais protagonizadas por quilombolas revelam uma mem\u00f3ria da di\u00e1spora africana que deve ser valorizada, lembrada e divulgada. S\u00e3o instrumentos de resist\u00eancia e representam a luta das comunidades quilombolas para garantir seus direitos e a continuidade de suas manifesta\u00e7\u00f5es culturais em terras sul mato-grossenses\u201d.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.uems.br\/assets\/uploads\/noticias\/70f55a1d2314691b322994ceefb429ff\/1_70f55a1d2314691b322994ceefb429ff_2020-11-20_08-57-53.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" \/><\/p>\n<p>Atualmente, o estado de Mato Grosso do Sul re\u00fane um contingente de 18 comunidades remanescentes de quilombos reconhecidas pela FCP (Funda\u00e7\u00e3o Cultural Palmares) e que est\u00e3o com processos abertos no INCRA (Instituto Nacional de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria) \u2013 \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel pelo reconhecimento, identifica\u00e7\u00e3o, delimita\u00e7\u00e3o e titula\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios quilombolas \u2013 nos quais se reivindica a regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria de seus territ\u00f3rios tradicionais.<\/p>\n<p>A pesquisadora ressalta que os quilombos n\u00e3o pertencem somente ao passado escravista. Tampouco se configuram como comunidades isoladas, no tempo e no espa\u00e7o, sem qualquer participa\u00e7\u00e3o em nossa estrutura social. \u201cAo contr\u00e1rio, s\u00e3o quase quatro mil comunidades quilombolas espalhadas pelo territ\u00f3rio brasileiro, que se mant\u00eam vivas e atuantes, lutando pelo direito de propriedade de suas terras, garantido pela Constitui\u00e7\u00e3o Federal desde 1988, entre outras pol\u00edticas p\u00fablicas\u201d, enfatiza.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao patrim\u00f4nio cultural, para Manuela Areias, as festas de santo realizadas nas comunidades quilombolas do estado de Mato Grosso do Sul estabelecem uma rela\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca entre religiosidade, f\u00e9 e mem\u00f3ria da di\u00e1spora africana. \u201cMuitas festas de santo, entre outras pr\u00e1ticas culturais, est\u00e3o relacionadas \u00e0 religiosidade dos africanos da di\u00e1spora, que permaneceram no sul de Mato Grosso\u201d, explicou.<\/p>\n<p>A pesquisadora destaca que essas tradi\u00e7\u00f5es representam a luta de comunidades negras para garantir a continuidade de seus tra\u00e7os culturais em terras sul-mato-grossenses. \u201cA valoriza\u00e7\u00e3o e salvaguarda dessas celebra\u00e7\u00f5es, dos elementos necess\u00e1rios para suas realiza\u00e7\u00f5es (como indument\u00e1rias, rezas, alimentos, instrumentos musicais, entre outros) e dos saberes expressos na produ\u00e7\u00e3o da farinha de mandioca s\u00e3o essenciais para a continuidade e suas reprodu\u00e7\u00f5es culturais nas comunidades, fortalecendo as identidades dos grupos e os sentimentos de pertencimento de seus moradores\u201d, disse.<\/p>\n<p>O projeto conta com o apoio e parceria do IPHAN-MS e com a participa\u00e7\u00e3o do bolsista de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica Yan Prado Almeida, do curso de Hist\u00f3ria da UEMS em Amambai.<\/p>\n<p><strong>Festa dos Santos Reis<\/strong><\/p>\n<p>Localizada a 70 quil\u00f4metros do munic\u00edpio de Bonito, a Comunidade Quilombola Ribeirinha \u00c1guas de Miranda, do distrito \u00c1guas de Miranda, certificada pela Funda\u00e7\u00e3o Cultural Palmares em 2012, realiza anualmente, h\u00e1 mais de 30 anos, a Folia de Reis ou Festa dos Santos Reis. A festa, que re\u00fane cerca de 1.000 pessoas, no primeiro ou segundo final de semana de janeiro, faz parte do calend\u00e1rio de festejos do munic\u00edpio desde 2012.<\/p>\n<p>Inicialmente foi organizada apenas pela fam\u00edlia Modesto, vinda da Bahia para o antigo Mato Grosso, e que mantinha a tradi\u00e7\u00e3o h\u00e1 cerca de 100 anos, de pai para filho. A fam\u00edlia Modesto continua presente na continuidade da folia, que tem como &#8220;Mestre da Bandeira&#8221; seu patriarca, Amar\u00edlio Modesto da Silva.<\/p>\n<p>Durante a programa\u00e7\u00e3o da festa ocorrem diversas atividades, como celebra\u00e7\u00f5es religiosas \u2013 com prociss\u00e3o e missa \u2013 shows, churrasco e torneio de futebol. Can\u00e7\u00f5es tradicionais e instrumentos musicais acompanham os grupos formados pelos tr\u00eas reis magos (representa\u00e7\u00f5es), palha\u00e7os (basti\u00f5es) \u2013 com m\u00e1scaras e apitos, que marcam a chegada e a partida da bandeira \u2013 rainha, coro, mestre (ou embaixador) e bandeireiro ou alferes da bandeira.<\/p>\n<p><strong>Festa de S\u00e3o Pedro<\/strong><\/p>\n<p><strong><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.uems.br\/assets\/uploads\/noticias\/70f55a1d2314691b322994ceefb429ff\/3_70f55a1d2314691b322994ceefb429ff_2020-11-20_08-57-53.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" \/><\/strong><\/p>\n<p>Na Comunidade Quilombola Fam\u00edlia Cardoso, o culto e a festa de S\u00e3o Pedro, realizados anualmente no m\u00eas de junho, foram transmitidos com o passar dos anos para todas as gera\u00e7\u00f5es dos quilombolas do Largo da Ba\u00eda. Durante esta festa tradicional, aberta aos moradores de Nioaque e de outras cidades, a comunidade ressalta a cultura da di\u00e1spora africana por meio de dan\u00e7as no ritmo das batidas dos tambores e roupas t\u00edpicas, conhecidas como \u201camarra\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Todos os anos, moradores das comunidades rurais e do n\u00facleo urbano de Nioaque comparecem para prestigiar o trabalho da fam\u00edlia Cardoso, cujos seus membros ocupam posi\u00e7\u00f5es de festeiros. A festa de S\u00e3o Pedro \u00e9 fundamental para afirma\u00e7\u00e3o da identidade quilombola, e atualmente motiva a reuni\u00e3o das fam\u00edlias da comunidade. \u00c9 uma manifesta\u00e7\u00e3o cultural de resist\u00eancia quilombola na luta pelos seus direitos.<\/p>\n<p><strong>Produ\u00e7\u00e3o artesanal da farinha de mandioca<\/strong><\/p>\n<p><strong><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.uems.br\/assets\/uploads\/noticias\/70f55a1d2314691b322994ceefb429ff\/1_70f55a1d2314691b322994ceefb429ff_2020-11-20_11-02-57.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" \/><\/strong><\/p>\n<p>Sobre a rela\u00e7\u00e3o de trocas culturais e transmiss\u00e3o de saberes expressos no cotidiano das comunidades tradicionais, al\u00e9m das festas santo e dos elementos necess\u00e1rios para suas realiza\u00e7\u00f5es (como indument\u00e1rias, rezas, alimentos, instrumentos musicais, entre outros), destacam-se os saberes relacionados \u00e0 produ\u00e7\u00e3o artesanal da farinha de mandioca da Comunidade Quilombola Furnas dos Baianos. Neste quilombo, que se localiza no distrito de Piraputanga, do munic\u00edpio de Aquidauana, seus moradores mant\u00e9m a tradi\u00e7\u00e3o cultural da produ\u00e7\u00e3o da farinha de mandioca h\u00e1 mais de setenta anos.<\/p>\n<p>Os relatos dos moradores evidenciam que a hist\u00f3ria dessa comunidade se relaciona ao cultivo da mandioca e \u00e0 produ\u00e7\u00e3o artesanal da farinha. No in\u00edcio da d\u00e9cada de 1950, algumas fam\u00edlias de ascend\u00eancia africana, vindas da Bahia, fugindo da seca no Nordeste, chegaram ao distrito de Piraputanga, estabelecendo-se na regi\u00e3o por meio do cultivo de ro\u00e7as para subsist\u00eancia e comercializa\u00e7\u00e3o de produtos. Desde ent\u00e3o, iniciou-se um processo de transmiss\u00e3o de saberes na produ\u00e7\u00e3o de alguns alimentos, como a farinha de mandioca.<\/p>\n<p>A farinha, produzida artesanalmente, era enviada a Corumb\u00e1, importante zona portu\u00e1ria da \u00e9poca, pela estrada de ferro (o \u201cTrem do Pantanal\u201d), sendo escoada para outras cidades. Cabe ressaltar que a Comunidade Furnas dos Baianos foi reconhecida como quilombola pela Funda\u00e7\u00e3o Cultural Palmares em 2007, integrando a rede das 18 comunidades remanescentes de quilombos que fazem parte do estado de Mato Grosso do Sul.<\/p>\n<p>\u201cO saber expresso na produ\u00e7\u00e3o da farinha de mandioca \u00e9 um bem cultural relacionado ao Patrim\u00f4nio Cultural Imaterial do Quilombo Furnas dos Baianos. O patrim\u00f4nio imaterial pode ser caracterizado como um conjunto de pr\u00e1ticas da vida social que se manifestam em saberes, of\u00edcios e modos de fazer, celebra\u00e7\u00f5es, formas de express\u00e3o e nos lugares, que as comunidades reconhecem como parte integrante de sua cultura, sendo transmitido de gera\u00e7\u00e3o para gera\u00e7\u00e3o\u201d ressaltou a pesquisadora Manuela Areias.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pesquisa\u00a0intitulada \u201cInvent\u00e1rio do Patrim\u00f4nio Cultural Imaterial das Comunidades Quilombolas de Mato Grosso do Sul\u201d&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":11710298,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[7,8,10],"tags":[],"class_list":["post-11710297","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-destaque","category-educacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11710297","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11710297"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11710297\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11710299,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11710297\/revisions\/11710299"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11710298"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11710297"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11710297"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11710297"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}