{"id":11712860,"date":"2021-03-08T09:07:00","date_gmt":"2021-03-08T13:07:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/?p=11712860"},"modified":"2021-03-08T12:03:06","modified_gmt":"2021-03-08T16:03:06","slug":"trabalhadoras-da-industria-falam-desafio-de-conciliar-casa-e-trabalho-durante-a-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/trabalhadoras-da-industria-falam-desafio-de-conciliar-casa-e-trabalho-durante-a-pandemia\/","title":{"rendered":"Trabalhadoras da ind\u00fastria falam desafio de conciliar casa e trabalho durante a pandemia"},"content":{"rendered":"<p class=\"x_MsoNoSpacing\">Todo dia ela faz tudo sempre igual. Fazia. No meio do caminho surgiu uma pandemia, que virou toda a rotina de cabe\u00e7a para baixo e obrigou todo mundo a se reinventar e se readequar ao \u201cnovo normal\u201d, ao trabalho remoto, aos filhos fora da escola, tendo aulas pela internet, e a um caminh\u00e3o de emo\u00e7\u00f5es, que oscilam rapidamente entre medo, ansiedade e tristeza.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNoSpacing\">\n<p class=\"x_MsoNoSpacing\">N\u00e3o foi e n\u00e3o est\u00e1 f\u00e1cil para ningu\u00e9m, no entanto um estudo realizado pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Cl\u00ednicas da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de S\u00e3o Paulo) apontou que as mulheres foram as mais afetadas emocionalmente durante a pandemia, respondendo por 40,5% de sintomas de depress\u00e3o, 34,9% de ansiedade e 37,3% de estresse.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNoSpacing\">\n<p class=\"x_MsoNoSpacing\">Embora a pesquisa n\u00e3o tenha detalhado as raz\u00f5es que levaram as mulheres a terem mais sofrimento ps\u00edquico, \u00e9 poss\u00edvel perceber que s\u00e3o elas que cumprem dupla jornada, ficando respons\u00e1veis por todo ou maior parte do trabalho dom\u00e9stico mesmo que trabalhem fora, acompanham o desenvolvimento escolar dos filhos e ainda foram obrigadas a ainda tiveram de enfrentar todas as preocupa\u00e7\u00f5es relacionadas ao coronav\u00edrus, como o medo da contamina\u00e7\u00e3o, necessidade de mudan\u00e7as de h\u00e1bitos de higiene e redu\u00e7\u00e3o do conv\u00edvio social.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNoSpacing\">\n<p class=\"x_MsoNoSpacing\">Segundo a psic\u00f3loga Caroline Gomes Xavier, que atua na Gest\u00e3o em SST (Sa\u00fade e Seguran\u00e7a do Trabalho) do Sesi, as queixas apresentadas por pacientes mulheres durante a pandemia tiveram algumas semelhan\u00e7as, especialmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s adapta\u00e7\u00f5es diante de uma nova rotina pela necessidade de isolamento.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNoSpacing\">\n<p class=\"x_MsoNoSpacing\">\u201cEram comuns queixas relacionadas \u00e0 ansiedade do momento e do futuro incerto, medo perante um v\u00edrus letal, medo de se infectar e passar para pessoas queridas, a sobrecarga da nova rotina, que era mais significativa em mulheres que tinham filhos. Tamb\u00e9m ocorreram queixas como irritabilidade, des\u00e2nimo, dificuldades para dormir, sentimento de incapacidade, aumento de peso e conflitos relacionais\u201d, afirmou Caroline Xavier.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNoSpacing\">\n<p class=\"x_MsoNoSpacing\">Ela acredita que as mulheres foram mais afetadas do que os homens e h\u00e1 pesquisas da USP e da Fiocruz que confirmam essa diferen\u00e7a. \u201cCreio que as mulheres possuem historicamente muitas \u2018lutas\u2019 que as colocam em risco de vulnerabilidades emocionais, inclusive coletivamente. Al\u00e9m disso, as mulheres s\u00e3o naturalmente multitarefas, assumem e absorvem com mais facilidades as atividades dom\u00e9sticas, inclusive o cuidado com os filhos, com os pais ou entes queridos\u201d, completou.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNoSpacing\">\n<p class=\"x_MsoNoSpacing\">Para conseguir reduzir os impactos emocionais da pandemia, a psic\u00f3loga sugere t\u00e9cnicas de respira\u00e7\u00e3o e medita\u00e7\u00e3o, que possibilitam o estado de relaxamento, favorecem o sono, entre outros benef\u00edcios. \u201cExistem bons aplicativos dispon\u00edveis e gratuitos, mas independente da t\u00e9cnica, \u00e9 importante que essas mulheres encontrem pr\u00e1ticas que fa\u00e7am sentido. Tamb\u00e9m vale estabelecer dentro da rotina momentos para o autocuidado e lazer\u201d, elencou.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNoSpacing\">\n<p class=\"x_MsoNoSpacing\">No entanto, se nenhuma dessas dicas apresentarem resultados positivos, \u00e9 importante saber a hora de pedir ajuda, que al\u00e9m de ser um ato de coragem \u00e9 um gesto de amor pr\u00f3prio. \u201c\u00c9 fundamental reconhecer seus pr\u00f3prios limites e buscar profissionais especializados\u201d, finaliza Caroline Xavier.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNoSpacing\">\n<p class=\"x_MsoNoSpacing\"><b>Reorganiza\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p class=\"x_MsoNoSpacing\">\n<p class=\"x_MsoNoSpacing\">Para a auxiliar administrativa da Agosto Confec\u00e7\u00f5es, ind\u00fastria do vestu\u00e1rio localizada na Capital, Nathany de Arruda Maja, de 33 anos, a pandemia trouxe p\u00e2nico, apreens\u00e3o e ang\u00fastia j\u00e1 nos primeiros dias. \u201cFoi desesperador. A gente parou por alguns dias naquele lockdown que teve em Campo Grande, mas a linha de produ\u00e7\u00e3o continuou funcionando. Foi muito dif\u00edcil aquele momento de incertezas, sem saber se ter\u00edamos emprego, se a empresa conseguiria continuar de portas abertas\u201d, recorda.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNoSpacing\">\n<p class=\"x_MsoNoSpacing\">Logo em seguida, veio o desafio de trabalhar de casa ao mesmo tempo em que foi obrigada a cuidar dos dois filhos de 8 anos e de 1 ano e nove meses. \u201cA menor j\u00e1 ficava na minha sogra enquanto eu trabalhava e o maior ia para a escola, mas com as aulas presenciais suspensas, o jeito foi ficar todo mundo em casa. Eu e meu marido tentamos nos dividir, enquanto um trabalhava o outro ficava com as crian\u00e7as, mas nem sempre dava t\u00e3o certo assim. Foi um grande desafio e extremamente estressante. Tenho pedidos de clientes at\u00e9 hoje que est\u00e3o tudo rabiscados, desenhados, com marca de m\u00e3ozinha suja\u201d, conta.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNoSpacing\">\n<p class=\"x_MsoNoSpacing\">Quando j\u00e1 estava quase adaptada \u00e0 rotina de trabalho, filhos e atividades dom\u00e9sticas praticamente ao mesmo tempo e no mesmo espa\u00e7o, Nathany voltou ao trabalho presencial e veio uma nova ang\u00fastia: o que fazer com as crian\u00e7as? Como a sogra j\u00e1 ajudava com a filha mais nova, foi a ela novamente que recorreu. \u201cEu me sinto um pouco culpada, porque sei o quanto \u00e9 dif\u00edcil cuidar de uma crian\u00e7a, de duas nem se fale! Sei que ela fica cansada, mas agora o mais velho voltou para a escola e as coisas est\u00e3o se ajeitando\u201d, declara.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNoSpacing\">\n<p class=\"x_MsoNoSpacing\">Para a auxiliar administrativa, ter uma rede de apoio \u00e9 motivo de comemora\u00e7\u00e3o. \u201cTenho sorte por ter com quem contar, mas penso nas mulheres com filhos e que n\u00e3o t\u00eam ningu\u00e9m para ajudar. Com todo esse apoio que tive j\u00e1 foi dif\u00edcil, me senti mais ansiosa, descontei na comida, estou estressada. Imagina essas outras mulheres\u201d, finaliza.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNoSpacing\">\n<p class=\"x_MsoNoSpacing\"><b>Inseguran\u00e7a e ansiedade<\/b><\/p>\n<p class=\"x_MsoNoSpacing\">\n<p class=\"x_MsoNoSpacing\">J\u00e1 para a costureira da Agosto Confec\u00e7\u00f5es, Fabiana da Silva Franco, de 23 anos, o maior medo assim que a pandemia do coronav\u00edrus chegou ao Brasil, foi de se infectar e acabar contaminando a m\u00e3e e o filho de tr\u00eas anos, com quem mora. Esse medo era alternado com o receio constante de ser demitida em plena pandemia, com boa parte das empresas suspendendo as atividades presenciais e reduzindo o quadro de funcion\u00e1rios.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNoSpacing\">\n<p class=\"x_MsoNoSpacing\">\u201cComo eu iria arrumar emprego no meio de toda essa crise? Detalhe que eu comecei a trabalhar aqui em fevereiro de 2020 e pandemia come\u00e7ou em mar\u00e7o. Eu ainda estava no per\u00edodo de experi\u00eancia e seria a op\u00e7\u00e3o mais barata para a confec\u00e7\u00e3o me demitir se fosse necess\u00e1rio fazer cortes. Foi horr\u00edvel! Fora o medo de ficar doente, de contaminar quem a gente ama, de precisar ser afastada do trabalho. \u00c9 uma ang\u00fastia muito grande\u201d, relembra Fabiana.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNoSpacing\">\n<p class=\"x_MsoNoSpacing\">Ela ainda comenta que mesmo empregada e sem precisar reduzir a jornada de trabalho, as despesas acabaram aumentando consideravelmente em casa. \u201cEu tenho um sal\u00e1rio razo\u00e1vel, mas meu filho de tr\u00eas anos de idade deixou de ir para a creche e eu precisei pagar uma bab\u00e1, porque minha m\u00e3e tamb\u00e9m trabalha fora e n\u00e3o tinha como me ajudar com ele. Foi um baque financeiro que dura at\u00e9 hoje, porque ele ainda n\u00e3o voltou para a escola, ent\u00e3o continuo pagando a bab\u00e1\u201d, comenta.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNoSpacing\">\n<p class=\"x_MsoNoSpacing\">Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s atividades dom\u00e9sticas, Fabiana disse que n\u00e3o sentiu tanta diferen\u00e7a, porque como trabalha na linha de produ\u00e7\u00e3o e as ind\u00fastrias n\u00e3o paralisaram as atividades, o tempo no trabalho e o tempo em casa sempre ficou muito bem dividido. \u201cO administrativo no come\u00e7o foi para a casa e acho que foi mais dif\u00edcil para quem fez teletrabalho, mas para mim n\u00e3o houve diferen\u00e7a. O que impactou mesmo foi o medo, o estresse e a despesa que tive para pagar uma pessoa para cuidar do meu filho\u201d, conclui.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todo dia ela faz tudo sempre igual. Fazia. 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