{"id":11713639,"date":"2021-03-30T09:16:00","date_gmt":"2021-03-30T13:16:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/?p=11713639"},"modified":"2021-03-30T10:24:22","modified_gmt":"2021-03-30T14:24:22","slug":"estudo-do-imasul-nao-relaciona-morte-de-peixes-as-queimadas-ocorridas-no-pantanal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/estudo-do-imasul-nao-relaciona-morte-de-peixes-as-queimadas-ocorridas-no-pantanal\/","title":{"rendered":"Estudo do Imasul n\u00e3o relaciona morte de peixes \u00e0s queimadas ocorridas no Pantanal"},"content":{"rendered":"<p>Estudo desenvolvido por t\u00e9cnicos do Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) n\u00e3o relaciona a morte de peixes verificada em fevereiro em algumas regi\u00f5es do Pantanal com as queimadas que assolaram o bioma no ano passado. O problema tem origem em um fen\u00f4meno natural j\u00e1 conhecido da ci\u00eancia \u2013 a dequada (ou decoada) &#8211; que consiste na diminui\u00e7\u00e3o do oxig\u00eanio dissolvido nos rios e tem como causa principal o ac\u00famulo de material org\u00e2nico.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.semagro.ms.gov.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/peixes3.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-112058 alignleft\" src=\"https:\/\/www.semagro.ms.gov.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/peixes3-300x176.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"176\" \/><\/a>O estudo envolveu 10 t\u00e9cnicos do Laborat\u00f3rio de Ictiofauna, do Centro de Controle Ambiental Eni Garcia de Freitas e da Ger\u00eancia de Recursos Pesqueiros e Fauna do Imasul. Os t\u00e9cnicos visitaram regi\u00f5es do Pantanal em que ocorreu morte ou sofrimento de peixes, coletaram amostras da \u00e1gua e de esp\u00e9cies e trouxeram para an\u00e1lises nos laborat\u00f3rios. Foram tr\u00eas campanhas a campo entre 12 e 25 de fevereiro para verifica\u00e7\u00e3o in loco da mortalidade de peixes no rio Miranda, na regi\u00e3o do Passo do Lontra. Ao todo 10 pontos georreferenciados foram amostrados, incluindo as conflu\u00eancias dos rios Vermelho e Miranda e Miranda e Paraguai.<\/p>\n<p>O bi\u00f3logo Heriberto Gimenes Junior, coordenador do Laborat\u00f3rio de Ictiofauna e integrante da equipe que pesquisou o fen\u00f4meno, assegura que \u00e9 poss\u00edvel concluir que as queimadas ocorridas no ano passado n\u00e3o tiveram influ\u00eancia na morte dos peixes. A causa \u00e9, mesmo, o ac\u00famulo de mat\u00e9ria org\u00e2nica no fundo dos rios que, quando entram em decomposi\u00e7\u00e3o, reduzem a quantidade de oxig\u00eanio dissolvido e aumentam a de di\u00f3xido de carbono. \u201cEm outros anos, como em 2017, que n\u00e3o teve queimadas t\u00e3o intensas como as do ano passado, a intensidade da dequada foi mais grave, verificando-se morte de esp\u00e9cies de grande porte\u201d, frisou.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.semagro.ms.gov.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Jaime-Verruck-Live-FCO.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-111836 size-medium alignright\" src=\"https:\/\/www.semagro.ms.gov.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Jaime-Verruck-Live-FCO-e1617045307999-300x275.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"275\" \/><\/a>O Imasul, ali\u00e1s, tem feito trabalho permanente para monitorar a vida nos rios de Mato Grosso do Sul, conforme destacou o secret\u00e1rio de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econ\u00f4mico, Produ\u00e7\u00e3o e Agricultura Familiar (Semagro), Jaime Verruck. \u201cNossa preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 verificar, sempre que h\u00e1 caso de morte de peixes, quais as causas espec\u00edficas. Nessa \u00e9poca do ano sempre ocorre devido \u00e0 dequada, por\u00e9m pode ocorrer por outras motiva\u00e7\u00f5es. Hoje, a Secretaria de Meio Ambiente tem estrutura adequada para fazer o monitoramento da qualidade das \u00e1guas, mostrar \u00e0 sociedade qual a rela\u00e7\u00e3o de causa e efeito e identificar as a\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para se antecipar ao problema. Temos estrutura e equipe competente\u201d, frisou.<\/p>\n<p>O estudo gerou uma Manifesta\u00e7\u00e3o T\u00e9cnica que detalha como ocorre o fen\u00f4meno da dequada. \u201c(&#8230;) quando o n\u00edvel fluviom\u00e9trico do rio Paraguai ultrapassa 3,5m de acordo com a r\u00e9gua de Lad\u00e1rio, localizada no 6\u00ba Distrito Naval, provocando a deple\u00e7\u00e3o do oxig\u00eanio dissolvido (OD &lt; 3,0 mg\/L), alta concentra\u00e7\u00e3o de Di\u00f3xido de Carbono (CO2) e potencial hidrogeni\u00f4nico baixo (pH),\u00a0 adicionalmente podem ser observadas altera\u00e7\u00f5es na cor e odor da \u00e1gua no local do evento\u201d.<\/p>\n<p><strong>Esp\u00e9cies mais afetadas<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.semagro.ms.gov.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/peixes.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-112056 alignleft\" src=\"https:\/\/www.semagro.ms.gov.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/peixes-300x225.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" \/><\/a>O estudo teve import\u00e2ncia substancial porque, pela primeira vez, foi poss\u00edvel identificar quais as esp\u00e9cies que mais s\u00e3o afetadas pelo fen\u00f4meno da dequada, explicou Gimenes. Das 83 esp\u00e9cies registradas na regi\u00e3o pesquisada, verificou-se que os bagres, cascudos e tuviras eram as que mais sentiam os efeitos da redu\u00e7\u00e3o do oxig\u00eanio dissolvido. \u201cS\u00e3o esp\u00e9cies que vivem no fundo dos rios, em que o n\u00edvel de oxig\u00eanio j\u00e1 \u00e9 mais baixo em situa\u00e7\u00e3o normal, e quando ocorre a dequada s\u00e3o as primeiras a sentir\u201d.<\/p>\n<p>Para avaliar a qualidade de \u00e1gua foram analisados os seguintes par\u00e2metros: oxig\u00eanio dissolvido (OD), Potencial Hidrog\u00eanico (pH), temperatura da amostra (\u00b0C), temperatura do ar (\u00b0C), turbidez e condutividade. \u201cAo todo 82 esp\u00e9cies de peixes, pertencentes a sete ordens, 25 fam\u00edlias e 66 g\u00eaneros foram registradas durante o fen\u00f4meno de Dequada no rio Miranda, na regi\u00e3o do Passo do Lontra (Tabela 3). Numerosos indiv\u00edduos de v\u00e1rias esp\u00e9cies foram observados na tentativa de captar OD na interface \u00e1gua\/ar na margem direita do rio Miranda (Figura 1A)\u201d, prossegue o estudo.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.semagro.ms.gov.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/peixe4.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-112059 alignright\" src=\"https:\/\/www.semagro.ms.gov.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/peixe4-300x260.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"260\" \/><\/a>Outra constata\u00e7\u00e3o importante: algumas esp\u00e9cies sofreram muta\u00e7\u00f5es para se adaptar ao meio e conseguir sobreviver mesmo com oxig\u00eanio reduzido. Isso ocorre em peixes de escama, como pacus, sardinhas, lambaris. Eles apresentam uma extens\u00e3o labial que s\u00e3o revers\u00edveis, mas que em tempo de dequada potencializa a capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua de modo a melhorar o fluxo e compensar os baixos \u00edndices de oxig\u00eanio.<\/p>\n<p>Desse modo, o estudo chega \u00e0 seguinte conclus\u00e3o: \u201cFrente ao exposto, a mortalidade dos peixes no rio Miranda, na regi\u00e3o do Passo do Lontra em fevereiro de 2021 est\u00e1 relacionada atrav\u00e9s da deple\u00e7\u00e3o de oxig\u00eanio dissolvido pelo fen\u00f4meno de Decoada, fen\u00f4meno este j\u00e1 registrado e esperado para a regi\u00e3o, conforme dados dispon\u00edveis na literatura. Destacamos que o fen\u00f4meno pode ocorrer em diferentes intensidades e em diferentes meses do ano, pois os efeitos dependem diretamente da intensidade dos ciclos de seca e cheia do Pantanal, e n\u00e3o ocorrem simultaneamente em todos os rios.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo desenvolvido por t\u00e9cnicos do Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul)&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":11713640,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,17],"tags":[],"class_list":["post-11713639","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque","category-meio-ambiente"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11713639","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11713639"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11713639\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11713641,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11713639\/revisions\/11713641"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11713640"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11713639"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11713639"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11713639"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}