{"id":11730790,"date":"2023-02-02T09:14:00","date_gmt":"2023-02-02T13:14:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/?p=11730790"},"modified":"2023-02-02T11:39:13","modified_gmt":"2023-02-02T15:39:13","slug":"mortalidade-prematura-por-cancer-no-brasil-deve-cair-ate-2030","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/mortalidade-prematura-por-cancer-no-brasil-deve-cair-ate-2030\/","title":{"rendered":"Mortalidade prematura por c\u00e2ncer no Brasil deve cair at\u00e9 2030"},"content":{"rendered":"<p>A mortalidade prematura por c\u00e2ncer no Brasil dever\u00e1 diminuir no per\u00edodo de 2026\/2030. A proje\u00e7\u00e3o foi feita por pesquisadores do Instituto Nacional de C\u00e2ncer (Inca), em compara\u00e7\u00e3o \u00e0 mortalidade prematura observada entre 2011 e 2015, para a faixa et\u00e1ria de 30 a 69 anos de idade, com dados do Sistema Nacional de Informa\u00e7\u00f5es sobre Mortalidade (SIM). Apesar disso, a redu\u00e7\u00e3o prevista ficar\u00e1 ainda distante da Meta 3.4 dos Objetivos do Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS) da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), que estabeleceu at\u00e9 2030 diminui\u00e7\u00e3o do risco de morte prematura de um ter\u00e7o para doen\u00e7as cr\u00f4nicas n\u00e3o transmiss\u00edveis (DCNTs), que incluem os diversos tipos de c\u00e2ncer.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1507523&amp;o=node\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1507523&amp;o=node\" \/><\/p>\n<p>A pesquisadora Marianna Cancela, da Coordena\u00e7\u00e3o de Preven\u00e7\u00e3o e Vigil\u00e2ncia do Inca (Conprev), informou \u00e0\u00a0<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>\u00a0que, para certos tipos de c\u00e2ncer, h\u00e1 previs\u00e3o de aumento e, para outros, de queda. Para 2026\/2030, a previs\u00e3o \u00e9 de uma redu\u00e7\u00e3o nacional de 12% na taxa de mortalidade padronizada por idade por c\u00e2ncer prematuro entre os homens e uma queda menor, de 4,6%, entre as mulheres. Em termos regionais, h\u00e1 uma varia\u00e7\u00e3o de 2,8% entre as mulheres, na Regi\u00e3o Norte, a 14,7% entre os homens, na Regi\u00e3o Sul. As previs\u00f5es foram calculadas usando o\u00a0<em>software<\/em>\u00a0Nordpred, desenvolvido pelo Registro de C\u00e2ncer da Noruega, e amplamente utilizado para fazer previs\u00f5es de longo prazo sobre a incid\u00eancia e mortalidade por c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>Marianna explicou que, quando se fala em n\u00famero de casos, todos os tipos de c\u00e2ncer ter\u00e3o aumento no per\u00edodo compreendido entre 2026 e 2030 por duas raz\u00f5es. A primeira envolve o aumento da popula\u00e7\u00e3o e mudan\u00e7a na estrutura populacional, com o envelhecimento de boa parcela dos brasileiros, para quem a maioria das DCNTs s\u00e3o mais prevalentes; a segunda raz\u00e3o \u00e9 o aumento dos fatores de risco.<\/p>\n<p>De acordo com o artigo do Inca\u00a0<em>Os Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel para o C\u00e2ncer Podem Ser Cumpridos no Brasil?<\/em>, publicado na revista cient\u00edfica<em>\u00a0Frontiers in Oncology<\/em>\u00a0no \u00faltimo dia 10 de janeiro, as DCNTs responderam por 15 milh\u00f5es de mortes prematuras na faixa de 30 a 69 anos, em todo o mundo, em 2016, sendo que mais de 85% dessas mortes ocorreram em pa\u00edses de baixa e m\u00e9dia renda. O c\u00e2ncer foi respons\u00e1vel por 9 milh\u00f5es de mortes anualmente, perdendo apenas para as doen\u00e7as cardiovasculares (17,9 milh\u00f5es de mortes\/ano), considerada a principal causa de morte por DCNT no mundo. A perspectiva \u00e9 que as DCNTs continuem a aumentar em pa\u00edses de baixa e m\u00e9dia renda, contribuindo para perdas econ\u00f4micas associadas a mortes prematuras da ordem de US$ 7 trilh\u00f5es nesses pa\u00edses,\u00a0nos pr\u00f3ximos 15 anos.<\/p>\n<h2>Maior aumento<\/h2>\n<p>De acordo com o estudo do Inca, o c\u00e2ncer de intestino, ou colorretal, \u00e9 o que dever\u00e1 apresentar maior aumento de risco de \u00f3bitos prematuros para homens e mulheres at\u00e9 2030, no Brasil, de cerca de 10%. Por regi\u00f5es, o Norte do pa\u00eds deve mostrar\u00a0o maior aumento (52%) entre os homens, seguido pelo Nordeste (37%), Centro-Oeste (19,3%), Sul (13,2%) e Sudeste (4,5%). Segundo Marianna Cancela, a incid\u00eancia mais alta \u201c\u00e9 consequ\u00eancia da chamada ocidentaliza\u00e7\u00e3o, dos h\u00e1bitos de vida, maior obesidade, sedentarismo, a quest\u00e3o da alimenta\u00e7\u00e3o, com prefer\u00eancia por consumir produtos industrializados\u201d. Nas regi\u00f5es onde a incid\u00eancia est\u00e1 mais baixa atualmente, \u00e9 previsto um aumento maior. Entre as mulheres, o Nordeste lidera, com proje\u00e7\u00e3o de expans\u00e3o de 38%, seguido por Sudeste (7,3%), Norte (2,8%), Centro-Oeste (2,4%) e Sul (0,8%).<\/p>\n<p>O c\u00e2ncer de intestino \u00e9 o segundo tipo mais incidente no pa\u00eds, ficando atr\u00e1s do de pr\u00f3stata entre os homens, e do\u00a0de mama, entre as mulheres. O Inca estima que, em cada ano do tri\u00eanio 2023\/2025, ser\u00e3o diagnosticados cerca de 46 mil casos novos de c\u00e2ncer colorretal, correspondendo a cerca de 10% do total de tumores diagnosticados no Brasil, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o do c\u00e2ncer de pele n\u00e3o melanoma.<\/p>\n<h2>Outros tipos de c\u00e2ncer<\/h2>\n<p>Marianna Cancela informou que o c\u00e2ncer de pulm\u00e3o entre os homens foi o que apresentou maior proje\u00e7\u00e3o de queda, pr\u00f3ximo de 30%, evidenciando a efetividade de todas as pol\u00edticas contra o tabagismo implementadas desde a d\u00e9cada de 1980. Para as mulheres, a proje\u00e7\u00e3o \u00e9 de aumento de probabilidade de morte prematura de 1,1%.<\/p>\n<p>No c\u00e2ncer de colo de \u00fatero, observou-se queda na mortalidade prematura em todas as regi\u00f5es. \u201cS\u00f3 que, mesmo com essa queda, a taxa de mortalidade prematura na Regi\u00e3o Norte continua sendo extremamente elevada, na compara\u00e7\u00e3o aos outros lugares e \u00e0 m\u00e9dia nacional\u201d. No Norte do Brasil, a mortalidade prematura era mais alta do pa\u00eds entre 2011\/2015: 28 mortes por 100 mil pessoas, contra m\u00e9dia nacional de 16 \u00f3bitos por 100 mil.<\/p>\n<p>A proje\u00e7\u00e3o para 2026\/2030 na Regi\u00e3o Norte \u00e9 de 24 mortes por 100 mil, enquanto a m\u00e9dia brasileira fica em 11 \u00f3bitos por 100 mil. \u201cMesmo com essa queda, continua sendo muito elevada\u201d, avalia\u00a0Marianna. A pesquisadora\u00a0destacou, que al\u00e9m de ser uma regi\u00e3o complicada em termos de log\u00edstica, existe no Norte brasileiro um vazio assistencial. \u201cPara certos tipos de c\u00e2ncer, a gente v\u00ea exatamente isso que, mesmo com queda, o n\u00famero continua extremamente alto.\u201d<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao c\u00e2ncer de mama, as proje\u00e7\u00f5es para at\u00e9 2030 s\u00e3o de queda no Sudeste, certa estabilidade no Brasil e na Regi\u00e3o Sul e aumento nas regi\u00f5es Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Marianna esclareceu que, nesse tipo de c\u00e2ncer, h\u00e1 fatores hormonais que tornam complicado evitar\u00a0a doen\u00e7a. A diminui\u00e7\u00e3o do n\u00famero de filhos por mulher e o fato de uma mulher n\u00e3o ter tido filhos aumentam o risco de c\u00e2ncer de mama. \u201cA amamenta\u00e7\u00e3o \u00e9 um fator protetor\u201d. Tal como acontece com o c\u00e2ncer colorretal, aumentam o risco de c\u00e2ncer de mama a quest\u00e3o da alimenta\u00e7\u00e3o, p sedentarismo e o consumo de \u00e1lcool. Outro fator que aumenta o risco \u00e9 o fato de as mulheres ficarem gr\u00e1vidas mais velhas, adiando a maternidade. \u201cTudo isso acaba resultando em aumento do risco.\u201d<\/p>\n<p>Sobre o c\u00e2ncer de est\u00f4mago, apesar de ser projetada queda, a mortalidade prematura continua alta na Regi\u00e3o Norte. \u00c9 um c\u00e2ncer de origem infecciosa, que acomete mais homens que mulheres. \u201cA gente tem a\u00ed uma mistura de c\u00e2ncer de pa\u00edses em desenvolvimento com c\u00e2ncer de pa\u00edses desenvolvidos que resulta nessa dupla carga de doen\u00e7a\u201d. Entre 2011\/2015, a mortalidade prematura de c\u00e2ncer de est\u00f4mago no Brasil estava em 20 \u00f3bitos por 100 mil pessoas. No Norte, eram 21 mortes por 100 mil, no Sudeste, 23; e no Sul, 24. \u201cS\u00f3 que a queda [projetada]\u00a0nas outras regi\u00f5es foi muito mais acentuada\u201d. A Regi\u00e3o Norte tem queda prevista at\u00e9 2030 para 19 \u00f3bitos por 100 mil habitantes; Sudeste e Sul, para 13 casos, cada, e Brasil, para 12. Ou seja, a queda \u00e9 mais acentuada nas regi\u00f5es mais ricas do pa\u00eds, constatou o estudo.<\/p>\n<h2>Pol\u00edticas p\u00fablicas<\/h2>\n<p>O c\u00e2ncer respondeu, em 2019, por 232.040 \u00f3bitos no Brasil, em todas as idades. Na faixa de 30 a 69 anos, foram 121.264 mortes. \u201cNo geral, a gente tem visto uma leve queda\u201d, disse a pesquisadora. Entre 2011\/2015, eram 145,8 casos por 100 mil entre homens e 118,3 casos por 100 mil entre mulheres. Para 2026\/2030, a proje\u00e7\u00e3o \u00e9 de 127,1 \u00f3bitos por 100 mil entre homens (queda de 14,8%), e 113 casos entre mulheres, por 100 mil (-4,7%). Isso foi observado em todas as regi\u00f5es, exceto no Norte, onde se prev\u00ea um ligeiro aumento (1,3% nos homens e 3,5% nas mulheres). Marianna reiterou que, mesmo com essa queda, vai ter aumento de casos porque acaba acompanhando o envelhecimento populacional.<\/p>\n<p>O artigo do Inca conclui que h\u00e1 necessidade de pol\u00edticas p\u00fablicas, especialmente para preven\u00e7\u00e3o do c\u00e2ncer, de maneira multissetorial. \u201cTem que ter um acesso mais eficaz a todas as fases de controle do c\u00e2ncer: preven\u00e7\u00e3o, diagn\u00f3stico precoce, tratamento, para poder garantir que tenha uma diminui\u00e7\u00e3o\u201d, destacou a\u00a0pesquisadora.<\/p>\n<p>Ela ponderou, que tal como ocorreu em rela\u00e7\u00e3o ao c\u00e2ncer de pulm\u00e3o, os esfor\u00e7os t\u00eam que ser cont\u00ednuos e de longo prazo, porque o c\u00e2ncer \u00e9 uma doen\u00e7a que tem uma lat\u00eancia longa, ou seja, precisa de anos de exposi\u00e7\u00e3o para\u00a0se desenvolver. Por isso, precisa de pol\u00edticas de preven\u00e7\u00e3o junto \u00e0 popula\u00e7\u00e3o durante anos, para que possa haver queda nos n\u00fameros.<\/p>\n<p>Para prevenir o aparecimento de c\u00e2ncer, os especialistas recomendam n\u00e3o fumar, n\u00e3o beber, praticar atividade f\u00edsica, evitar o sedentarismo, dar prefer\u00eancia a alimentos n\u00e3o processados. As pessoas devem sempre prestar aten\u00e7\u00e3o a sinais que o corpo d\u00e1 e n\u00e3o hesitar em procurar atendimento m\u00e9dico, recomendou a pesquisadora do Inca.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A mortalidade prematura por c\u00e2ncer no Brasil dever\u00e1 diminuir no per\u00edodo de 2026\/2030. 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