{"id":11732410,"date":"2023-04-07T11:15:00","date_gmt":"2023-04-07T15:15:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/?p=11732410"},"modified":"2023-04-08T08:01:24","modified_gmt":"2023-04-08T12:01:24","slug":"dia-do-jornalista-como-frear-escalada-da-violencia-contra-profissao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/dia-do-jornalista-como-frear-escalada-da-violencia-contra-profissao\/","title":{"rendered":"Dia do jornalista: como frear escalada da viol\u00eancia contra profiss\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Gritos, empurr\u00f5es, socos. Mentiras, amea\u00e7as e\u00a0intimida\u00e7\u00f5es.\u00a0Jornalistas passaram a sofrer, em pleno expediente ou at\u00e9 fora dele, viol\u00eancias de diferentes tipos que tentavam\u00a0calar quem trabalha com a palavra e com a imagem.<\/p>\n<p>No ano de 2022, segundo o\u00a0<a href=\"https:\/\/abraji-bucket-001.s3.sa-east-1.amazonaws.com\/uploads\/publication_info\/details_file\/4d6cb1b2-ca1a-4d7b-9c7b-1edcea1bb294\/ABRAJI_Monitoramento_de_ataques_a_jornalistas_no_Brasil_2022__PT_.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">mais recente relat\u00f3rio divulgado\u00a0pela Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji)<\/a>, profissionais no pa\u00eds foram v\u00edtimas de\u00a0557 ataques, 23% a mais do que no ano anterior, o que demonstrou uma escalada \u201csem precedentes\u201d de viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Entidades que defendem a categoria avaliam que \u00e9 urgente e poss\u00edvel reverter esse cen\u00e1rio com a participa\u00e7\u00e3o de diferentes setores da sociedade e de medidas do Poder P\u00fablico. Neste s\u00e1bado, 7 de abril, \u00e9 comemorado o Dia do Jornalista, data\u00a0institu\u00edda\u00a0pela\u00a0Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Imprensa (ABI)\u00a0que completa hoje 115 anos.<\/p>\n<p>O ano de 2022 foi marcado pela viol\u00eancia pol\u00edtica contra profissionais, com 31,6% das agress\u00f5es relacionadas diretamente \u00e0 cobertura eleitoral. Na maior parte das ocasi\u00f5es (56,7%), segundo o documento, agressores foram agentes estatais, como gestores p\u00fablicos eleitos ou funcion\u00e1rios p\u00fablicos, como as for\u00e7as de seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cO relat\u00f3rio de monitoramento da\u00a0<a href=\"https:\/\/abraji.org.br\/publicacoes\/monitoramento-de-ataques-a-jornalistas-no-brasil-relatorio-2022\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Abraji<\/a>\u00a0mostra muito claramente esse crescimento. \u00c9 importante dizer que esse fen\u00f4meno n\u00e3o \u00e9 uma exclusividade brasileira, mas, no Brasil, h\u00e1 particularidades\u201d, explica a presidente da Abraji, Katia Brembatti.<\/p>\n<p>Descredibilizar a imprensa para que n\u00e3o seja um um fiscal efetivo de governo (uma das fun\u00e7\u00f5es da atividade) teve uma pr\u00f3pria trajet\u00f3ria no pa\u00eds. \u201cFoi mais acentuado a partir das jornadas de junho de 2013 e nos anos seguintes a partir de discursos pol\u00edticos. Mas o que a gente viu a partir da campanha eleitoral de 2018 n\u00e3o tem precedentes\u201d, explica.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia foi incorporada por pessoas comuns tamb\u00e9m. \u201cHouve uma rela\u00e7\u00e3o entre as a\u00e7\u00f5es dos apoiadores ao discurso do ent\u00e3o presidente da Rep\u00fablica Jair Bolsonaro (2018-2022). Muitas vezes, os apoiadores n\u00e3o ficavam s\u00f3 nos discursos, o que j\u00e1 \u00e9 grave, mas passavam para a agress\u00e3o f\u00edsica\u201d, afirma\u00a0Katia Brembatti.<\/p>\n<p>De acordo com a presidente da\u00a0<a href=\"https:\/\/fenaj.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos Jornalistas<\/a>, Samira de Castro, as agress\u00f5es por parte das for\u00e7as do estado contra jornalistas a partir das jornadas de junho de 2013 serviram de\u00a0estopim perigoso.<\/p>\n<p>\u201cDepois vimos crescer uma viol\u00eancia que a gente pode caracterizar como generalizada na sociedade. S\u00e3o pessoas comuns que agridem jornalistas. Essas pessoas\u00a0querem se basear em informa\u00e7\u00f5es fraudulentas repassadas pelas redes de mensagens\u201d, avalia.<\/p>\n<h2>\u201c\u00c9 poss\u00edvel reverter\u201d<\/h2>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">\n<div class=\"shadow overflow-hidden rounded-lg d-block zoom-on-hover-sm shadow-hover w-100\"><img decoding=\"async\" class=\"flex-fill img-cover\" title=\"Fabio Rodrigues-Pozzebom\/ Ag\u00eancia Brasil\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/FEeMeibPahPDsy_gwQgQZJoPHuU=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/06042023-pzzb6613.jpg?itok=yUQKPHbC\" alt=\"Bras\u00edlia (DF) 06\/04\/2023 Dia do jornalista \u00e9 comemorado no dia 7 de Abril  Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom\/ Ag\u00eancia Brasil\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<div class=\"meta\">Dia do jornalista \u00e9 comemorado no dia 7 de abril. Foto:\u00a0<strong>Fabio Rodrigues-Pozzebom\/ Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>As entidades avaliam que a escalada da viol\u00eancia \u00e9 revers\u00edvel, ainda que reconhe\u00e7am que o cen\u00e1rio de agress\u00f5es n\u00e3o vai acabar de um dia para o outro.<\/p>\n<blockquote><p><em>\u201cUma forma de reverter \u00e9 trabalhar pela sensibiliza\u00e7\u00e3o dos poderes e de toda a sociedade. As discord\u00e2ncias deveriam ser embasadas em argumentos e n\u00e3o com a pr\u00e1tica de crimes. Outra mudan\u00e7a urgente \u00e9 lutar contra a impunidade\u201d, diz a presidente da Abraji.<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>Para as entidades, os setores devem agir tanto em conjunto quanto isoladamente. \u201cA gente tamb\u00e9m precisa de pol\u00edticas p\u00fablicas\u201d, diz a presidente da Abraji, em entrevista \u00e0\u00a0<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>.<\/p>\n<p>As entidades avaliam como positiva\u00a0<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/politica\/noticia\/2023-02\/ministerio-cria-observatorio-de-combate-violencia-contra-jornalistas#:~:text=Entre%20as%20compet%C3%AAncias%20do%20observat%C3%B3rio,atos%20de%20viol%C3%AAncia%20contra%20esses\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">a cria\u00e7\u00e3o do Observat\u00f3rio Nacional da Viol\u00eancia contra Jornalistas e Comunicadores Sociais<\/a>\u00a0instalado pelo Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Katia Brembatti entende que esse observat\u00f3rio deve ser mais do que um contador de casos, ou enumerador de estat\u00edsticas, mas tamb\u00e9m uma pol\u00edtica de tomada de provid\u00eancias.<\/p>\n<p>Para a presidente da Fenaj, Samira de Castro, a cria\u00e7\u00e3o do observat\u00f3rio foi um primeiro passo importante. \u201cEsse observat\u00f3rio vai ter um poder importante de avaliar as estat\u00edsticas, os casos, as den\u00fancias que chegam e, a partir desse levantamento,\u00a0produzir um diagn\u00f3stico para viabilizar essas pol\u00edticas p\u00fablicas\u201d. Por isso, entende que essa medida ajuda a chancelar um protocolo nacional de seguran\u00e7a em prol da categoria e contra a impunidade. \u201cPodem, por exemplo, fazer articula\u00e7\u00f5es junto ao Congresso Nacional para que se aprove uma lei federalizando as investiga\u00e7\u00f5es de crimes contra jornalistas\u201d<\/p>\n<p>Para a presidente da Abraji, o Brasil precisa que a pol\u00edcia, o Minist\u00e9rio P\u00fablico e o Poder Judici\u00e1rio estejam atentos para o fato de que esses casos n\u00e3o s\u00e3o viol\u00eancias comuns.<\/p>\n<blockquote><p><em>\u201cQuando voc\u00ea ataca uma profissional de imprensa, se ataca o que essa pessoa faz e a democracia.\u00a0Para uma revers\u00e3o do cen\u00e1rio, \u00e9 preciso\u00a0que exista uma rede de suporte para as pessoas atacadas porque elas precisam saber quais s\u00e3o os seus direitos e saber como recorrer.<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>Estar atento \u00e0s vulnerabilidades das regi\u00f5es tamb\u00e9m \u00e9 fundamental. \u201cO que a gente percebe \u00e9 que os principais alvos est\u00e3o em cidades pequenas, em que a disputa pol\u00edtica costuma ser muito acirrada&#8221;, afirma.<\/p>\n<blockquote><p><em>&#8220;At\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s, o Brasil n\u00e3o era, em geral, um lugar perigoso para ser jornalista. Hoje virou quase uma quest\u00e3o de guerra ir pra rua\u201d, diz a presidente da Abraji.<\/em><\/p><\/blockquote>\n<h2>Viol\u00eancia contra a mulher<\/h2>\n<p>No ano de 2022, foram registrados 145 ataques expl\u00edcitos de g\u00eanero com agress\u00f5es contra mulheres jornalistas. As presidentes das entidades entendem que, al\u00e9m dos n\u00fameros,\u00a0\u00a0\u00e9 necess\u00e1rio contextualizar que a gravidade da agress\u00e3o \u00e9 mais cruel e virulenta. ]<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 ataques contra a reputa\u00e7\u00e3o das mulheres jornalistas e especialmente contra as mulheres jornalistas pretas. Elas s\u00e3o v\u00edtimas de agress\u00f5es recorrentes graves e que v\u00e3o minando a sa\u00fade mental dessas profissionais.\u201d<\/p>\n<p>Um divisor de \u00e1guas\u00a0a respeito da escalada da viol\u00eancia ocorreu nos atos terroristas de 8 de janeiro.\u00a0<a href=\"http:\/\/https\/\/abraji-bucket-001.s3.sa-east-1.amazonaws.com\/uploads\/publication_info\/details_file\/d8031103-bfff-4ed0-94df-504bf7debd7a\/Relat_rio_de_atentados_contra_jornalistas_e_comunicadores_de_08_a_11-01-2023.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Um outro dossi\u00ea publicado neste ano pela Abraji<\/a>\u00a0contabilizou,\u00a0ao menos, 45 agress\u00f5es\u00a0contra jornalistas da data dos atentados at\u00e9 o dia 11 daquele m\u00eas .<\/p>\n<p>\u201cAquele dia foi tr\u00e1gico. Espero que seja um dia hist\u00f3rico e que jamais se repita. A gente sabe que esse movimento de amplia\u00e7\u00e3o das agress\u00f5es, que foi constru\u00eddo ano a ano, n\u00e3o desaparece do dia pra noite, mas temos esperan\u00e7a que isso diminua\u201d, avalia K\u00e1tia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gritos, empurr\u00f5es, socos. Mentiras, amea\u00e7as e\u00a0intimida\u00e7\u00f5es.\u00a0Jornalistas passaram a sofrer, em pleno expediente ou at\u00e9 fora&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":11732411,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[14],"tags":[],"class_list":["post-11732410","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11732410","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11732410"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11732410\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11732412,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11732410\/revisions\/11732412"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11732411"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11732410"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11732410"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11732410"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}