{"id":11746969,"date":"2024-03-04T09:00:00","date_gmt":"2024-03-04T13:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/?p=11746969"},"modified":"2024-03-04T08:18:17","modified_gmt":"2024-03-04T12:18:17","slug":"com-fluxo-diario-de-150-mil-veiculos-ponte-rio-niteroi-faz-50-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/com-fluxo-diario-de-150-mil-veiculos-ponte-rio-niteroi-faz-50-anos\/","title":{"rendered":"Com fluxo di\u00e1rio de 150 mil ve\u00edculos, Ponte Rio-Niter\u00f3i faz 50 anos"},"content":{"rendered":"\n<p>Quatrocentas mil pessoas em 150 mil ve\u00edculos. Esse \u00e9 o fluxo di\u00e1rio que atravessa os 13 quil\u00f4metros da Ponte-Rio Niter\u00f3i, que completa 50 anos de inaugura\u00e7\u00e3o nesta segunda-feira (4). J\u00e1 considerada a maior ponte do Hemisf\u00e9rio Sul e da Am\u00e9rica Latina, ela \u00e9 um trecho da BR-101 e uma liga\u00e7\u00e3o vi\u00e1ria vital para o estado do Rio de Janeiro, encurtando o caminho que antes exigia contornar a Ba\u00eda de Guanabara ou usar balsas.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1583867&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1583867&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>O conceito de uma ponte suspensa entre os dois munic\u00edpios data de 1875, mas somente em 1963 foi criado um grupo de trabalho para estudar um projeto para a sua constru\u00e7\u00e3o. Em 23 de agosto de 1968, o general Arthur Costa e Silva, ent\u00e3o presidente da ditadura militar, assinou decreto autorizando o projeto de sua constru\u00e7\u00e3o. Apesar de sucessivas tentativas de mudan\u00e7a, at\u00e9 hoje \u00e9 o ditador que d\u00e1 o nome oficial da Ponte Rio-Niter\u00f3i, a Ponte Presidente Costa e Silva.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Marco da engenharia nacional, a ponte tem o maior v\u00e3o em viga reta cont\u00ednua do mundo, o V\u00e3o Central, com 300 metros de comprimento e 72 metros de altura. Outro n\u00famero que impressiona \u00e9 o total de 1.152 vigas ao longo de sua estrutura.<\/p>\n\n\n\n<p>O presidente do Clube de Engenharia, Marcio Gir\u00e3o, lembra que, antes de sua constru\u00e7\u00e3o, para fazer a travessia entre Rio de Janeiro e Niter\u00f3i, levava-se mais de duas horas de espera, e o transporte de ve\u00edculos era feito em balsas. Ele destaca que a maior parte da ponte foi desenvolvida com engenharia nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNa \u00e9poca, a Noronha Engenharia, sediada no Rio, \u00e9 que preparou o projeto. Depois, v\u00e1rias empresas nacionais, em cons\u00f3rcio, constru\u00edram a ponte. Somente o v\u00e3o central, que tinha a estrutura met\u00e1lica, teve o projeto contratado a uma empresa norte-americana. A gente n\u00e3o tinha muita experi\u00eancia nessa \u00e1rea. Mas todo o resto da ponte, em concreto armado, foi todo feito pela engenharia brasileira.\u201d<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/xggjN6GNKPt9q2Znw-mf8Rjwcns=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/atoms\/image\/949366-ponte%20rio%20niteroi.jpg?itok=lyl01jjP\" alt=\"Ponte Rio-Niter\u00f3i (Tomaz Silva\/Ag\u00eancia Brasil)\" title=\"Tomaz Silva\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Ponte Rio-Niter\u00f3i\u00a0tem 1.152 vigas ao longo de sua estrutura &#8211;\u00a0<strong>Tomaz Silva\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>A firma Howard, Needles, Tammen and Bergendorf, dos Estados Unidos, projetou o trecho dos v\u00e3os principais em estrutura de a\u00e7o, incluindo as funda\u00e7\u00f5es e os pilares. Os engenheiros respons\u00e1veis pelo projeto da ponte de concreto foram Ant\u00f4nio Alves de Noronha Filho e Benjamin Ernani Diaz, enquanto o engenheiro respons\u00e1vel pela ponte de a\u00e7o foi o americano James Graham.<\/p>\n\n\n\n<p>Para M\u00e1rcio Gir\u00e3o, a Ponte Rio-Niter\u00f3i \u00e9 uma realiza\u00e7\u00e3o importante da engenharia brasileira, que j\u00e1 foi uma das mais capazes do mundo. O presidente do Clube de Engenharia lamentou que a engenharia nacional tenha ca\u00eddo muito de 1980 para c\u00e1. \u201cHouve uma destrui\u00e7\u00e3o da engenharia nacional, principalmente a engenharia consultiva, ou de projetos, por falta de pol\u00edticas p\u00fablicas. A engenharia brasileira precisa ser realavancada. A engenharia precisa voltar\u201d, defende.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Trabalhadores mortos<\/h2>\n\n\n\n<p>A grandiosidade celebrada pela engenharia tamb\u00e9m envolveu desfechos tr\u00e1gicos para muitos trabalhadores respons\u00e1veis por ela. O professor aposentado do Programa de Engenharia de Transportes do Instituto Alberto Luiz Coimbra de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o e Pesquisa de Engenharia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe\/UFRJ), Ronaldo Balassiano, tem mem\u00f3rias da fase final da constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda jovem, Ronaldo Balassiano era calouro na universidade e tinha um professor que dava consultoria para a gigantesca obra.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cEle contava para n\u00f3s as coisas absurdas que aconteciam durante a constru\u00e7\u00e3o. Era uma obra grande, pioneira para n\u00f3s, aqui no Brasil, em que muita gente morreu. Alguns trabalhadores morreram, inclusive concretados dentro desses pilares. \u00c9 um fato sabido. Este foi um ponto negativo da constru\u00e7\u00e3o\u201d, avalia Balassiano.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>O presidente do Clube de Engenharia, Marcio Gir\u00e3o, tamb\u00e9m aponta o lado tr\u00e1gico da constru\u00e7\u00e3o que teve oficialmente 33 mortes registradas. Mas&nbsp;as estimativas da \u00e9poca, n\u00e3o oficiais, alcan\u00e7avam 400 \u00f3bitos, incluindo oper\u00e1rios e engenheiros, conta ele. \u201cA gente sabe que o registro oficial sempre est\u00e1 aqu\u00e9m do real.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">AI-5<\/h2>\n\n\n\n<p>Para a professora do Departamento de Hist\u00f3ria da Universidade Federal Fluminense (UFF)&nbsp;Samantha Viz Quadrat, um ponto importante na constru\u00e7\u00e3o da ponte \u00e9 que ela come\u00e7a com o Ato Institucional N\u00famero Cinco (AI-5) e termina com o in\u00edcio da transi\u00e7\u00e3o no Brasil, em 1974. \u201cEla \u00e9 constru\u00edda ao longo do per\u00edodo com maior \u00edndice de viol\u00eancia da ditadura brasileira. A maior concentra\u00e7\u00e3o de mortos e desaparecidos foi no decorrer de toda a constru\u00e7\u00e3o da ponte\u201d, aponta.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse per\u00edodo de maior viol\u00eancia, a historiadora conta que uma das formas de a ditadura angariar aprova\u00e7\u00e3o popular foi por meio da constru\u00e7\u00e3o de grandes obras, como a Ponte Rio-Niter\u00f3i, a Usina Hidrel\u00e9trica de Itaipu e a Rodovia Transamaz\u00f4nica, que j\u00e1 eram uma pauta brasileira discutida desde o s\u00e9culo 19.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cElas s\u00e3o tamb\u00e9m obras de propaganda, dentro do contexto de um pa\u00eds que vai para a frente. O pr\u00f3prio M\u00e9dici [ex-presidente da ditadura militar, de 1969 a 1974] fala que \u00e9 a ponte do futuro, que o Brasil j\u00e1 est\u00e1 dando certo. A ponte entra dentro desse contexto.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O AI-5 foi elaborado em 13 de dezembro de 1968, pelo ent\u00e3o ministro da Justi\u00e7a, Lu\u00eds Ant\u00f4nio da Gama e Silva, e entrou em vigor durante o governo do presidente Costa e Silva, em resposta a fatos anteriores, como uma passeata de mais de 100 mil pessoas no Rio de Janeiro em protesto contra o assassinato do estudante Edson Lu\u00eds de Lima Souto por um integrante da Pol\u00edcia Militar. Esse foi o quinto de 17 grandes decretos emitidos pela ditadura militar nos anos que se seguiram ao golpe de Estado de 1964, e \u00e9 considerado uma vit\u00f3ria dos militares mais radicais, que exigiam do governo poderes para eliminar opositores por meio de medidas como pris\u00f5es, puni\u00e7\u00e3o de dissidentes, suspens\u00e3o de direitos pol\u00edticos e cassa\u00e7\u00e3o de mandatos.<\/p>\n\n\n\n<p>Samantha lembra que esse foi um per\u00edodo de grande repress\u00e3o, de censura pr\u00e9via aos \u00f3rg\u00e3os de comunica\u00e7\u00e3o e persegui\u00e7\u00e3o aos movimentos oper\u00e1rios e de trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cA obra \u00e9 constru\u00edda dentro desse quadro de viol\u00eancia, em que n\u00e3o se tinha como fazer den\u00fancias sobre quest\u00f5es trabalhistas. As popula\u00e7\u00f5es diretamente atingidas pela ponte n\u00e3o t\u00eam a quem recorrer \u00c9 uma obra que, de fato, vem de cima para baixo\u201d, diz a professora.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Mudan\u00e7a de nome<\/h2>\n\n\n\n<p>Se a hist\u00f3ria vinculada ao per\u00edodo autorit\u00e1rio n\u00e3o pode ser mudada, o nome Presidente Costa e Silva foi alvo de diferentes iniciativas nos \u00faltimos anos. Em 2012, atendendo a pedido de movimentos de direitos humanos, o deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ) apresentou projeto propondo a mudan\u00e7a do nome da ponte para o do soci\u00f3logo Herbert de Souza, o Betinho.<\/p>\n\n\n\n<p>Em entrevista \u00e0&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>, Chico Alencar disse que a mudan\u00e7a do nome para o do soci\u00f3logo se justificava por \u201cser uma pessoa cuja vida foi dedicada a construir pontes entre os que t\u00eam fome e os saciados, entre os sens\u00edveis e os insens\u00edveis, entre os que t\u00eam consci\u00eancia dos sentimentos do mundo e os que n\u00e3o t\u00eam, para dar uma dimens\u00e3o nova \u00e0 pol\u00edtica, com esse respaldo social\u201d.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignright\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/txpUSGM8h-GB0T1UTqsgUxhZWxY=\/463x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2024\/03\/02\/_dsc4240.jpg?itok=EPKk4-cf\" alt=\"Rio de Janeiro (RJ), 27\/02\/2024 \u2013 Ponte Presidente Costa e Silva (Rio-Niter\u00f3i) completa 50 anos. Foto: Tomaz Silva\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"Tomaz Silva\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Ponte Rio-Niter\u00f3i\u00a0completa 50 anos nesta segunda-feira &#8211;\u00a0<strong>Tomaz Silva\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Apesar disso, o parlamentar admite que h\u00e1 muitos obst\u00e1culos. O projeto j\u00e1 tem um parecer na Comiss\u00e3o de Constitui\u00e7\u00e3o e Justi\u00e7a (CCJ), da deputada Tal\u00edria Petrone (PSOL-RJ). \u201cMas eu sei que, para passar, se j\u00e1 era dif\u00edcil na \u00e9poca, ainda \u00e9 mais dif\u00edcil agora, que a C\u00e2mara mudou, e o Congresso ficou mais conservador ainda.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Outra tentativa de mudan\u00e7a foi por via judicial, mas, em janeiro de 2015, a Justi\u00e7a Federal no Rio de Janeiro negou pedido formulado pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF). Segundo a decis\u00e3o, a medida deveria ser decidida pela sociedade, de forma coletiva, por meio de seus representantes no Legislativo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em maio de 2021, foi protocolado na C\u00e2mara Federal projeto de lei do deputado federal Chico D\u2019Angelo (PDT-RJ), pedindo que a ponte passasse a se chamar Ponte Ator Paulo Gustavo, para homenagear o ator que nasceu em Niter\u00f3i e morreu de covid-19 naquele m\u00eas, em um hospital do Rio.<\/p>\n\n\n\n<p>A historiadora Samantha Viz Quadrat considera lament\u00e1vel que ainda haja homenagens p\u00fablicas, em espa\u00e7os p\u00fablicos, a ditadores.&nbsp;\u201cA ditadura n\u00e3o merece homenagem de nenhum tipo em local p\u00fablico, seja universidade, escola, rua, ainda mais uma constru\u00e7\u00e3o como a da Ponte Rio-Niter\u00f3i, que \u00e9 uma obra representativa do que a ditadura foi em termos de viol\u00eancia, de repress\u00e3o, de persegui\u00e7\u00e3o aos trabalhadores, de m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es de trabalho, de censura.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Melhorias<\/h2>\n\n\n\n<p>Com o objetivo de proporcionar maior seguran\u00e7a ao usu\u00e1rio, muitas melhorias foram efetuadas ao longo destes 50 anos. No ano 2000, por exemplo, o asfalto no v\u00e3o central foi substitu\u00eddo por um piso de concreto de elevada resist\u00eancia, enquanto a superestrutura met\u00e1lica foi refor\u00e7ada internamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2004, o Instituto Alberto Luiz Coimbra de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o e Pesquisa de Engenharia (Coppe\/UFRJ) desenvolveu para a rodovia os atenuadores din\u00e2micos sincronizados (ADS). Esse \u00e9 um conjunto de massa e mola de 32 pe\u00e7as e pesos de grandes propor\u00e7\u00f5es que funciona como um amortecedor para a estrutura do v\u00e3o central. Em eventos com fortes ventos, a ponte teve uma redu\u00e7\u00e3o de 90% de sua oscila\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/gJVAC1LtM6KKfGfo8fjJeuR8Ps0=\/463x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2024\/03\/02\/_dsc4215.jpg?itok=xjR3O4xz\" alt=\"Rio de Janeiro (RJ), 27\/02\/2024 \u2013 Ponte Presidente Costa e Silva (Rio-Niter\u00f3i) completa 50 anos. Foto: Tomaz Silva\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"Tomaz Silva\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Ponte Rio-Niter\u00f3i\u00a0\u00e9 considerada a maior do Hemisf\u00e9rio Sul e da Am\u00e9rica Latina\u00a0\u00a0&#8211;\u00a0<strong>Tomaz Silva\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>No ano de 2009, depois de efetuados estudos de seguran\u00e7a vi\u00e1ria, a ponte ganhou um reordenamento de faixas, que aumentaram de tr\u00eas para quatro, o que contribuiu para ampliar sua capacidade operacional. Em 2016, j\u00e1 sob administra\u00e7\u00e3o da Ecoponte, a pra\u00e7a de ped\u00e1gio foi aumentada, a via ganhou ilumina\u00e7\u00e3o de LED e lamelas antiofuscantes, sistema que utiliza defensas met\u00e1licas para eliminar o ofuscamento durante a noite causado pela ilumina\u00e7\u00e3o dos far\u00f3is.<\/p>\n\n\n\n<p>No dia 1\u00ba de junho de 1995, foi feita a primeira concorr\u00eancia para concess\u00e3o da administra\u00e7\u00e3o da Ponte Rio-Niter\u00f3i \u00e0 iniciativa privada, vencida pelo cons\u00f3rcio Ponte S\/A, empresa do Grupo CCR. Essa foi a primeira grande estrutura rodovi\u00e1ria concedida para o setor privado no pa\u00eds. Desde 2015, por\u00e9m, a ponte est\u00e1 concedida \u00e0 Ecoponte.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Movimento pendular<\/h2>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de fazer parte da hist\u00f3ria do Brasil e ser um marco de sua engenharia, a Ponte Rio-Niter\u00f3i tamb\u00e9m \u00e9 parte da rotina de milhares de moradores da regi\u00e3o metropolitana do Rio de Janeiro. A fot\u00f3grafa Iane Filgueiras, de 34 anos, construiu sua carreira profissional indo e voltando na ponte diariamente, desde que era estagi\u00e1ria, em 2009. Moradora de S\u00e3o Gon\u00e7alo, cidade da regi\u00e3o metropolitana, ela trabalha na zona norte do Rio.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cMinha rela\u00e7\u00e3o com a ponte \u00e9 de amor e \u00f3dio como todo mundo que atravessa a ponte diariamente. Acho uma constru\u00e7\u00e3o incr\u00edvel com uma extens\u00e3o inacredit\u00e1vel sobre a ba\u00eda. Vi muitas vezes o sol nascer e se p\u00f4r. Tamb\u00e9m j\u00e1 peguei muito temporal em que a ponte balan\u00e7a. Mas \u00e9 uma dificuldade ter tr\u00e2nsito todo dia, com 40 minutos para atravessar a ponte\u201d, conta Iane.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>A circula\u00e7\u00e3o intensa \u00e9 fiscalizada diariamente pela Pol\u00edcia Rodovi\u00e1ria Federal (PRF), que usa sistemas de videomonitoramento, recursos tecnol\u00f3gicos como drones&nbsp;e c\u00e2meras de alta resolu\u00e7\u00e3o para o acompanhamento de todo o trecho sob sua compet\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cFisicamente h\u00e1 uma delegacia e uma unidade operacional ao longo de toda a ponte, s\u00e3o atendidos cidad\u00e3os durante todo o dia, ve\u00edculos s\u00e3o fiscalizados, h\u00e1 o combate ao crime, com um trabalho incessante de intelig\u00eancia \u00e9 poss\u00edvel hoje ter diversas tentativas criminosas frustradas sem grande impacto na fluidez do tr\u00e2nsito e risco \u00e0 sociedade que trafega pela via\u201d, destaca nota da PRF.<\/p>\n\n\n\n<p>As ocorr\u00eancias que envolvem a ponte s\u00e3o as mais variadas que se pode imaginar. Uma das mais inusitadas ocorreu em 14 de novembro de 2022, quando o navio graneleiro S\u00e3o Luiz, ancorado desde 2016 na Ba\u00eda de Guanabara, colidiu com a estrutura, levando ao fechamento da via nos dois sentidos at\u00e9 que sua integridade fosse avaliada. O congestionamento provocado pelo acidente superou 19 quil\u00f4metros na primeira hora do fechamento. A via sentido Niter\u00f3i foi liberada tr\u00eas horas depois, mas\u00a0a movimenta\u00e7\u00e3o no sentido Rio de Janeiro ficou restrita a duas pistas at\u00e9 o dia seguinte, para reparos no guarda-corpo.<\/p>\n\n\n\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Juliana Andrade<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quatrocentas mil pessoas em 150 mil ve\u00edculos. 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