{"id":11753079,"date":"2024-07-08T08:20:00","date_gmt":"2024-07-08T12:20:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/?p=11753079"},"modified":"2024-07-08T09:49:47","modified_gmt":"2024-07-08T13:49:47","slug":"na-franca-esquerda-vence-eleicoes-e-freia-ascensao-da-direita-radical-com-ajuda-do-centro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/na-franca-esquerda-vence-eleicoes-e-freia-ascensao-da-direita-radical-com-ajuda-do-centro\/","title":{"rendered":"Na Fran\u00e7a, esquerda vence elei\u00e7\u00f5es e freia ascens\u00e3o da direita radical com ajuda do centro"},"content":{"rendered":"<p>A Nova Frente Popular (NFP), coaliz\u00e3o de socialistas, comunistas, verdes e da esquerda radical, surpreendeu e ficou em primeiro lugar no segundo turno das elei\u00e7\u00f5es legislativas antecipadas na Fran\u00e7a. A vit\u00f3ria deixou o Reagrupamento Nacional (RN), o partido de direita radical liderado por Marine Le Pen e Jordan Bardella, em terceiro lugar, atr\u00e1s da coaliz\u00e3o de centro liderada pelo presidente, Emmanuel Macron, que ficou em segundo.<\/p>\n<p>Nenhum dos principais blocos pol\u00edticos obteve maioria absoluta na Assembleia Nacional. A quest\u00e3o do futuro governo permanece sem solu\u00e7\u00e3o ap\u00f3s o segundo turno na noite de domingo, 7. Os acordos t\u00e1citos entre o governo de Emmanuel Macron, de centro, e a coaliz\u00e3o de esquerda, concentrando o voto no candidato com mais chances de derrotar o RN em cada circunscri\u00e7\u00e3o, frustraram a vit\u00f3ria da direita radical, mas n\u00e3o deram aos esquerdistas uma maioria absoluta, o que aumenta a incerteza sobre o futuro da Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>O pleito foi marcado pelo forte comparecimento \u00e0s urnas, com 67% de participa\u00e7\u00e3o, o maior desde 1981. Contra todas as expectativas, a NFP sai na frente e deve obter ao menos 181 assentos na Assembleia Nacional (podendo chegar a 192), seguida pela coaliz\u00e3o Juntos, do presidente Emmanuel Macron, com 166 cadeiras, e pela antes favorita Reuni\u00e3o Nacional (RN), da direita radical, com 143 deputados.<\/p>\n<p>Para o cientista pol\u00edtico e pesquisador John Crowley, o resultado foi &#8220;uma surpresa para todo mundo&#8221; e se deve, sem d\u00favida, \u00e0s desist\u00eancias de candidatos entre o primeiro e o segundo turnos para barrar o crescimento do RN nas urnas. &#8220;N\u00e3o era \u00f3bvio que os votos do centro poderiam ir para a esquerda ou vice-versa, mas eles conseguiram. A estrat\u00e9gia da barragem deu certo e fez o RN perder assentos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s primeiras estimativas, que davam at\u00e9 a maioria absoluta para o partido de Bardella (289 cadeiras)&#8221;, diz o pesquisador.<\/p>\n<p>Mas, de acordo com ele, a forma\u00e7\u00e3o de um novo governo &#8220;vai ser extremamente complicada&#8221;. &#8220;A esquerda chegou na frente, mas longe de conseguir uma maioria. O presidente da Rep\u00fablica tem o poder de nomear o primeiro-ministro, ele pode nomear quem ele quiser. Provavelmente, haver\u00e1 muita negocia\u00e7\u00e3o nos pr\u00f3ximos dias&#8221;, explica.<\/p>\n<p>Com isso, a Fran\u00e7a pode estar caminhando para um impasse pol\u00edtico duradouro. O caminho imediato a seguir n\u00e3o est\u00e1 claro, disseram especialistas, mas o pa\u00eds pode estar caminhando para meses de instabilidade pol\u00edtica, com Emmanuel Macron enfrentando um Parlamento dividido, incluindo dois blocos que se op\u00f5em firmemente ao presidente .<\/p>\n<p>Mas assim que o presidente Emmanuel Macron convocou novas elei\u00e7\u00f5es, ele encampou a lideran\u00e7a da coaliz\u00e3o. Foi o primeiro a discursar no domingo, 7, ap\u00f3s as proje\u00e7\u00f5es de vit\u00f3ria da esquerda, e afirmou que Macron dever\u00e1 admitir a derrota nas elei\u00e7\u00f5es e criar alguma rela\u00e7\u00e3o com o NFP para formar um governo.<\/p>\n<p>M\u00e9lenchon, de 72 anos, est\u00e1 na cena pol\u00edtica francesa h\u00e1 d\u00e9cadas. Ex-membro do Partido Socialista, ocupou cargos ministeriais em governos anteriores. At\u00e9 2012, M\u00e9lenchon era um candidato marginal, mas o cen\u00e1rio pol\u00edtico mudou radicalmente desde ent\u00e3o, tornando-o popular entre os eleitores mais jovens, nas redes sociais e tamb\u00e9m com um canal popular no YouTube. Ele se tornou l\u00edder do Fran\u00e7a Insubmissa (LFI), um partido com ideias de esquerda mais radicais.<\/p>\n<p>Ele se tornou uma figura divisiva na pol\u00edtica francesa, atraindo tanto entusiasmo quanto cr\u00edticas por suas propostas incendi\u00e1rias de impostos e gastos do governo, sua ret\u00f3rica sobre luta de classes e suas posi\u00e7\u00f5es controversas em pol\u00edtica externa, especialmente em rela\u00e7\u00e3o a Gaza. Cr\u00edticos o acusam de antissemitismo, acusa\u00e7\u00e3o que ele nega.<\/p>\n<p>Desde o ataque de 7 de outubro a Israel, M\u00e9lenchon expressou descaradamente opini\u00f5es pr\u00f3-palestinas, recusou-se a chamar o Hamas de organiza\u00e7\u00e3o terrorista e denunciou com veem\u00eancia a opera\u00e7\u00e3o militar de Israel em Gaza como &#8220;genoc\u00eddio&#8221;. Ele classificou uma grande manifesta\u00e7\u00e3o contra o antissemitismo, com a presen\u00e7a de dois ex-presidentes franceses, como um encontro para &#8220;os amigos do apoio incondicional ao massacre&#8221;.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de M\u00e9lenchon, outras lideran\u00e7as da coaliz\u00e3o devem disputar o posto de primeiro-ministro. Marine Tondelier, a jovem l\u00edder dos Ecologistas, Raphael Glucksmann, cofundador do partido de centro-esquerda Place Publique e Laurent Berger, ex-l\u00edder sindical da poderosa Confedera\u00e7\u00e3o Democr\u00e1tica Francesa do Trabalho (CFTD), al\u00e9m do pr\u00f3prio ex-presidente Fran\u00e7ois Hollande.<\/p>\n<p>O ex-primeiro-ministro \u00c9douard Philippe se colocou \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para reunir um conjunto de for\u00e7as pol\u00edticas e formar um novo governo. Desde a dissolu\u00e7\u00e3o da AN, tanto Philippe quanto outras lideran\u00e7as de centro e da direita moderada se dissociaram da imagem de Macron para tentar assumir a lideran\u00e7a do campo governista.<\/p>\n<p>O presidente Emmanuel Macron, que decidiu dissolver a AN na noite do dia 9 de junho, ap\u00f3s a vit\u00f3ria do RN na Fran\u00e7a nas elei\u00e7\u00f5es europeias, preferiu n\u00e3o falar publicamente na noite deste domingo, 7.<\/p>\n<p>O atual primeiro-ministro, Gabriel Attal, eleito deputado pelo departamento Hauts-de-Seine disse que vai entregar a sua demiss\u00e3o na manh\u00e3 desta segunda-feira, 8, mas que estaria disposto a ficar no cargo o tempo que fosse preciso.<\/p>\n<p>Diante da dificuldade em se formar um governo sem maioria absoluta, Crowley acredita que &#8211; um fato in\u00e9dito na tradi\u00e7\u00e3o francesa &#8211; \u00e9 poss\u00edvel que Macron espere passar o ver\u00e3o e os Jogos Ol\u00edmpicos para nomear um novo primeiro-ministro. &#8220;Na tradi\u00e7\u00e3o francesa, o primeiro-ministro \u00e9 nomeado por volta do meio-dia de segunda-feira. Desta vez, eu acredito que nada vai se passar t\u00e3o rapidamente. Ele vai ganhar tempo e deve formar um novo governo para a volta das f\u00e9rias, em setembro. A Fran\u00e7a faria algo que acontece com frequ\u00eancia em pa\u00edses como a Alemanha, a Espanha e os pa\u00edses n\u00f3rdicos, que podem levar meses em negocia\u00e7\u00f5es at\u00e9 a forma\u00e7\u00e3o de um novo governo&#8221;, explica.<\/p>\n<h2>RN lamenta n\u00e3o poder &#8220;endireitar o pa\u00eds&#8221;<\/h2>\n<p>Qualificado em 441 zonas eleitorais no segundo turno, depois de j\u00e1 ter eleito 39 deputados desde o primeiro turno, o RN e os seus aliados pareciam capazes de obter a maioria na Assembleia Nacional pela primeira vez. Mas depois das in\u00fameras desist\u00eancias ocorridas entre as duas rodadas, o partido de Marine Le Pen e Jordan Bardella perdeu a aposta.<\/p>\n<p>Jordan Bardella falou em nome de seu partido na noite de domingo. Ele saudou o resultado in\u00e9dito de seu partido nas legislativas, mas lamentou que, com o &#8220;cord\u00e3o sanit\u00e1rio&#8221; feito pela alian\u00e7a entre o centro e a esquerda, seu partido n\u00e3o tenha conseguido a maioria para &#8220;endireitar o pa\u00eds&#8221;.<\/p>\n<p>A reportagem do Estad\u00e3o conversou com eleitores que votaram no domingo. Em Paris, o \u00fanico distrito em que o RN tinha um candidato no segundo turno foi o 16\u00ba, gra\u00e7as a uma alian\u00e7a local entre o partido de direita Os Republicanos (LR) e o RN, o que \u00e9 algo in\u00e9dito numa cidade que tem tradi\u00e7\u00e3o de votar \u00e0 esquerda &#8211; e o 16\u00ba distrito tem uma tradi\u00e7\u00e3o de votar LR.<\/p>\n<p>Fran\u00e7ois S\u00e9tin, que vota no 16\u00ba h\u00e1 mais de 20 anos e \u00e9 um leitor contumaz do LR, se disse surpreso com esta alian\u00e7a e decidiu ir votar, junto com a sua fam\u00edlia, no candidato governista do Juntos!, que concorria com o candidato LR-RN. &#8220;Nos sempre diz\u00edamos que, se a direita n\u00e3o passasse no 16\u00ba, seria o fim, e desta vez nos deparamos com isso&#8221;, disse, decepcionado.<\/p>\n<p>&#8220;Eu sou contra esta alian\u00e7a, o RN n\u00e3o reflete nem um pouco os valores republicanos do LR. Ali\u00e1s, eu at\u00e9 contesto o termo &#8216;extrema direita&#8217; para o RN, porque acho que eles n\u00e3o t\u00eam nada a ver com a direita, s\u00e3o apenas extremistas&#8221;, afirma. Para ele, a dissolu\u00e7\u00e3o da AN por Macron, que causou esta crise pol\u00edtica, foi &#8220;um erro, uma heresia&#8221;.<\/p>\n<p>A franco-argelina Barisa D., que tamb\u00e9m vota no 16\u00ba, conta que foi votar de manh\u00e3 cedo e ficou inquieta ao ver a confus\u00e3o das pessoas mais velhas ao verem o candidato do LR e do RN na mesma c\u00e9dula. &#8220;Eu acho que eles ficaram confusos, porque t\u00eam o h\u00e1bito de votar no LR, mas n\u00e3o no RN e n\u00e3o sabiam para quem votar, alguns pediam instru\u00e7\u00f5es aos mes\u00e1rios, tentando entender&#8221;, relata. \/ COM NYT<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Nova Frente Popular (NFP), coaliz\u00e3o de socialistas, comunistas, verdes e da esquerda radical, surpreendeu&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":11753081,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[15],"tags":[281],"class_list":["post-11753079","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-internacional","tag-internacional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11753079","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11753079"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11753079\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11753083,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11753079\/revisions\/11753083"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11753081"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11753079"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11753079"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11753079"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}