{"id":11754453,"date":"2024-08-11T09:00:00","date_gmt":"2024-08-11T13:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/?p=11754453"},"modified":"2024-08-11T10:47:44","modified_gmt":"2024-08-11T14:47:44","slug":"dia-dos-pais-tecnologias-podem-aproximar-ou-afastar-os-filhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/dia-dos-pais-tecnologias-podem-aproximar-ou-afastar-os-filhos\/","title":{"rendered":"Dia dos Pais: tecnologias podem aproximar ou afastar os filhos"},"content":{"rendered":"<p>\u201cQuando eu chegar da faculdade, eu ligo\u201d. Nenhuma mensagem que chega ao telefone \u00e9 trivial para o pipoqueiro Gil Lopes, de 58 anos, pai de seis filhos. \u201cTudo o que vem deles \u00e9 importante\u201d. O potiguar, radicado em Bras\u00edlia, mant\u00e9m no ouvido o fone em que ouve as mensagens de \u00e1udio e as novidades simples do dia a dia, uma forma de lidar com as saudades, desde que os rapazes e as mo\u00e7as come\u00e7aram a sair de casa para mudar de cidade e casar. Ele recebe mais mensagens do que liga\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o se incomoda. \u201cA vida deles \u00e9 corrida\u201d, lamenta.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1607339&amp;o=node\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1607339&amp;o=node\" \/><\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">\n<div class=\"shadow overflow-hidden rounded-lg d-block w-100\"><img decoding=\"async\" class=\"flex-fill img-cover\" title=\"Valter Campanato\/Ag\u00eancia Brasil\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/y3FSuNLIytiEUkllp_b0HI0wUYc=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2024\/08\/08\/vac_abr0808246710.jpg?itok=tGP9y8pz\" alt=\"Bras\u00edlia, (DF) , 08\/08\/2024 - Personagem - Gil Lopes (Pipoqueiro). Foto Valter Campanato\/Ag\u00eancia Brasil.\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<h6 class=\"meta\">Bras\u00edlia, (DF) , 08\/08\/2024 &#8211; Enquanto vende pipoca, Gil Lopes usa os fones para ouvir mensagens dos filhos\u00a0&#8211;\u00a0<strong>Valter Campanato\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/h6>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Diante do carrinho da pipoca, ele diz que a tecnologia do celular \u00e9 o que garante a tranquilidade para trabalhar. Ele s\u00f3 tira o fone de ouvido para atender os clientes. O pipoqueiro, que mora na regi\u00e3o administrativa de S\u00e3o Sebasti\u00e3o (DF), recorda que j\u00e1 foi mais preocupado com o que a tecnologia poderia causar. De fato, a tecnologia mexe tamb\u00e9m com a paternidade ativa.<\/p>\n<p>De acordo com pesquisadores ouvidos pela\u00a0<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>, as evolu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas do celular e internet\u00a0alteraram, de variadas formas, as rela\u00e7\u00f5es familiares, incluindo de pai e filhos. Um desses caminhos \u00e9 positivo, j\u00e1 que a tecnologia ajudou a propiciar proximidades, conforme avalia o neurologista pedi\u00e1trico Eduardo Jorge Cust\u00f3dio da Silva, membro do Grupo de Trabalho Sa\u00fade Digital da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).<\/p>\n<p>\u201cO pai pode estar viajando e \u00e9 poss\u00edvel v\u00ea-lo por um v\u00eddeo. A tecnologia pode ser fundamental. A gente tem um site chamado Esse Mundo Digital, que \u00e9 para conscientizar sobre o uso da internet de forma \u00e9tica, saud\u00e1vel, segura e educativa\u201d, afirma.<\/p>\n<h2>Tempo de presen\u00e7a<\/h2>\n<p>Segundo a pesquisadora Sandra R\u00fabia da Silva, professora da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em comunica\u00e7\u00e3o na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), os pais precisam encontrar tempo para participar das atividades com os filhos, seja online ou fora das telas.<\/p>\n<p>\u201cNa minha pesquisa, a gente conseguiu observar que os pais veem que o uso do celular est\u00e1 atrelado \u00e0 preocupa\u00e7\u00e3o com a seguran\u00e7a dos filhos\u201d. Mas, os filhos veem, segundo a pesquisadora, a utiliza\u00e7\u00e3o da tecnologia como uma oportunidade de utiliza\u00e7\u00e3o das redes sociais, que colocaram as rela\u00e7\u00f5es familiares em \u201cum novo patamar, de diversas formas, tanto troca de saberes, quanto especialmente essas trocas de afeto\u201d, afirma a professora. Ela \u00a0investiga, com uma abordagem antropol\u00f3gica, as pr\u00e1ticas relacionadas ao consumo de telefones celulares em periferias urbanas.<\/p>\n<p>\u201cVeja quantas mensagens de Dia dos Pais v\u00e3o estar nas redes sociais agora neste domingo\u201d. Inclusive, que acarretam o fen\u00f4meno de que pais que n\u00e3o s\u00e3o homenageados com postagens podem sair magoados. \u201cImaginemos, por exemplo, um pai e um filho que se afastaram. A tecnologia pode facilitar, por exemplo, uma aproxima\u00e7\u00e3o. Pode, enfim, resgatar ou afastar.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cA tecnologia, em si, n\u00e3o faz nada. Afastar ou se aproximar tem a ver com os comportamentos humanos\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<h2>Excesso de telas<\/h2>\n<p>Para a professora Sandra R\u00fabia da Silva, da UFSM, \u00e9 necess\u00e1rio que os pais estejam atentos para que, quando presentes fisicamente, n\u00e3o estejam \u201causentes\u201d e apenas ligados \u00e0s redes sociais. Da mesma forma, os filhos devem ser chamados ao mundo longe das telas, segundo explica o neurologista pedi\u00e1trico Eduardo Jorge Cust\u00f3dio da Silva, da SBP.<\/p>\n<p>Ele exemplifica que se tornou comum a cena de pais e crian\u00e7as (e at\u00e9 beb\u00eas) com dispositivos m\u00f3veis na mesma mesa. E nenhuma palavra entre eles.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cEssa \u00e9 uma imagem assustadora. A internet e as telas podem ser capazes de aproximar os distantes. E, em compensa\u00e7\u00e3o, afastar quem est\u00e1 pr\u00f3ximo\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<p>O neurologista faz parte do grupo que elaborou um documento cient\u00edfico da entidade intitulado \u201cMenos Telas e Mais Sa\u00fade\u201d, no per\u00edodo da pandemia, e que deve ter uma nova vers\u00e3o no ano que vem.<\/p>\n<blockquote><p>\u201c\u00c9 muito importante que a crian\u00e7a, no seu desenvolvimento, utilize o toque: veja, ou\u00e7a, sinta o gosto, prove o cheiro, abrace, caia no ch\u00e3o e viva como crian\u00e7a\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<h2>Contato e riscos<\/h2>\n<p>O m\u00e9dico explica que o contato f\u00edsico e o di\u00e1logo s\u00e3o fundamentais. \u201cHistoricamente, os pais sempre foram um pouco mais afastados na rela\u00e7\u00e3o com os filhos. Mas isso mudou. Estar com a crian\u00e7a \u00e9 muito importante. E a tela n\u00e3o pode ser a \u00fanica forma de media\u00e7\u00e3o de nenhum contato\u201d.<\/p>\n<p>Essa aus\u00eancia pode gerar riscos emocionais na constru\u00e7\u00e3o da personalidade.<\/p>\n<blockquote><p>\u201c\u00c9 importante sair com as crian\u00e7as e deixar o celular para tr\u00e1s. Colocar o telefone dentro de uma caixa por pelo menos por uma hora. \u00c9 preciso criar momentos de \u2018detox\u2019\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<p>Isso inclui, segundo o neurologista da SBP, por exemplo, contar para o filho como foi o dia e abra\u00e7ar sempre que poss\u00edvel.<\/p>\n<p>O neurologista alerta para a necessidade das fam\u00edlias estarem atentas \u00e0 possibilidade de depend\u00eancia digital dos filhos. \u201cIsso j\u00e1 \u00e9 uma doen\u00e7a. A autoridade paterna e materna \u00e9 importante desde o in\u00edcio do processo. A gente tem que ter autoridade e as crian\u00e7as e os adolescentes querem autoridade\u201d, aponta. E essa autoridade deve ser exercida, segundo os especialistas ouvidos, com o di\u00e1logo. \u201cA depend\u00eancia digital caracteriza-se por preju\u00edzos na vida social, escolar ou emocional. \u00c9 preciso\u00a0 um apoio psicol\u00f3gico, mas tamb\u00e9m familiar\u201d.<\/p>\n<h2>Aproxima\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>A psic\u00f3loga e professora Leila Cury Tardivo, da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), tamb\u00e9m reitera que os pais devem utilizar a tecnologia para se aproximar. Como coordenadora de\u00a0 um projeto de atendimento social em S\u00e3o Paulo, o Apoiar, a pesquisadora, desde a pandemia, constatou a necessidade das crian\u00e7as e adolescentes se sentirem mais acolhidos. \u201cOs pais n\u00e3o s\u00e3o obrigados a resolver tudo. Mas a aproxima\u00e7\u00e3o e o di\u00e1logo ajudam muito\u201d. Na paternidade ativa, por exemplo, ela defende que sejam respeitadas as dores, d\u00favidas e inseguran\u00e7as pr\u00f3prias das faixas et\u00e1rias.<\/p>\n<p>A professora destaca que a sociedade vive um\u00a0contexto de diferentes constitui\u00e7\u00f5es familiares, e a participa\u00e7\u00e3o da paternidade ativa \u00e9 o esperado para encarar os desafios.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cO pai pode ser muito importante na vida do filho. N\u00e3o tem mais um lugar definido, mas precisa compartilhar responsabilidades\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<p>\u00c9 isso o que diz acreditar tamb\u00e9m o agricultor e servidor p\u00fablico aposentado Am\u00e9rico Oliveira, de 63 anos, tamb\u00e9m pai de seis filhos. Morador de \u00e1rea rural na regi\u00e3o administrativa do Gama (DF), esperava o \u00f4nibus para ir para casa e ficava atento ao celular para esperar qualquer \u201coi\u201d dos filhos.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">\n<div class=\"shadow overflow-hidden rounded-lg d-block w-100\"><img decoding=\"async\" class=\"flex-fill img-cover\" title=\"Valter Campanato\/Ag\u00eancia Brasil\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/gh1nnHOX50CNr5r_rgeOINhOrko=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2024\/08\/08\/vac_abr0808246709.jpg?itok=a9qGNrCK\" alt=\"Bras\u00edlia, (DF) , 08\/08\/2024 - Personagem - Americo Oliveira ( Aposentado). Foto Valter Campanato\/Ag\u00eancia Brasil.\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<h6 class=\"meta\">Bras\u00edlia, (DF) , 08\/08\/2024 &#8211; Americo Oliveira tenta fazer com que filho brinque com p\u00e9s na terra\u00a0&#8211;\u00a0<strong>Valter Campanato\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/h6>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Os mais velhos partiram para \u00e1reas urbanas e hoje tem em casa a esposa e o ca\u00e7ula de 11 anos. Ele tenta fazer com que o menino brinque de p\u00e9s no ch\u00e3o na terra e de bola. \u201cL\u00f3gico que ele pede o celular para joguinhos. Mas fico feliz que ele usa tamb\u00e9m para me mandar mensagens. \u00c9 uma luta di\u00e1ria, mas gosto de sentar ao lado dele para conversar sobre o que ele viu na tela\u201d, sorri o pai.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cQuando eu chegar da faculdade, eu ligo\u201d. 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