{"id":11756372,"date":"2024-09-20T08:38:00","date_gmt":"2024-09-20T12:38:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/?p=11756372"},"modified":"2024-09-20T09:34:43","modified_gmt":"2024-09-20T13:34:43","slug":"monitoramento-mostra-que-99-dos-incendios-sao-por-acao-humana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/monitoramento-mostra-que-99-dos-incendios-sao-por-acao-humana\/","title":{"rendered":"Monitoramento mostra que 99% dos inc\u00eandios s\u00e3o por a\u00e7\u00e3o humana"},"content":{"rendered":"<p>Apenas uma parte \u00ednfima dos inc\u00eandios florestais que se proliferam pelo pa\u00eds \u00e9 iniciada por causas naturais. A constata\u00e7\u00e3o \u00e9 da doutora em geoci\u00eancias Renata Libonati, coordenadora do Laborat\u00f3rio de Aplica\u00e7\u00f5es de Sat\u00e9lites Ambientais (Lasa) da Universidade Federal do Rio de Janeiro.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1613037&amp;o=node\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1613037&amp;o=node\" \/><\/p>\n<p>\u201cDe todos os inc\u00eandios que acontecem no Brasil, cerca de 1% \u00e9 originado por raio. Todos os outros 99% s\u00e3o de a\u00e7\u00e3o humana\u201d, afirma.<\/p>\n<p>A pesquisadora \u00e9 respons\u00e1vel pelo\u00a0<a href=\"https:\/\/alarmes.lasa.ufrj.br\/sobre\/\">sistema Alarmes<\/a>, um monitoramento di\u00e1rio por meio de imagens de sat\u00e9lite e emiss\u00e3o de alertas sobre presen\u00e7a de fogo na vegeta\u00e7\u00e3o. Ao relacionar os dados com a\u00a0<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2024-09\/ministra-defende-endurecimento-da-pena-por-fogo-intencional\">proibi\u00e7\u00e3o vigente<\/a>\u00a0de colocar fogo em vegeta\u00e7\u00e3o, ela afirma que \u201ctodos esses inc\u00eandios, mesmo que n\u00e3o tenham sido intencionais, s\u00e3o de alguma forma criminosos\u201d, disse em entrevista \u00e0\u00a0<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>.<\/p>\n<p>Com base em dados que ficam dispon\u00edveis a cada 24h, a professora constata que \u201ca situa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito cr\u00edtica\u201d nos tr\u00eas biomas analisados, sendo a pior j\u00e1 registrada na Amaz\u00f4nia. Em rela\u00e7\u00e3o ao Cerrado e o Pantanal, ela ressalta que a presen\u00e7a das chamas est\u00e1 \u201cmuito pr\u00f3xima do m\u00e1ximo hist\u00f3rico\u201d.<\/p>\n<p>Renata Libonati associa o fogo que consome vegeta\u00e7\u00e3o em diversas regi\u00f5es brasileiras a atividades econ\u00f4micas. \u201cA ocorr\u00eancia dos inc\u00eandios no Brasil est\u00e1 intimamente relacionada ao uso da terra\u201d.<\/p>\n<p>Com o olhar de quem acompanha cada vez mais eventos clim\u00e1ticos extremos, a pesquisadora percebe um ultimato: \u201cNosso estilo de vida atual \u00e9 incompat\u00edvel com o bem-estar da nossa sociedade no futuro\u201d.<\/p>\n<p><strong>Acompanhe os principais trechos da entrevista:<\/strong><\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-grande_6colunas type-image atom-align-right\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">\n<div class=\"shadow overflow-hidden rounded-lg d-block w-100\"><img decoding=\"async\" class=\"flex-fill img-cover\" title=\"Environmental Justice Foundation\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/X3bDKXm-0bDNhzl7PKtrJpO4NMA=\/463x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2024\/09\/19\/pesquisadora_renata_libonati_creditos_para_environmental_justice_foundation_1.jpeg?itok=gUa7KdWG\" alt=\"Rio de Janeiro (RJ), 19\/07\/2024 \u2013 Pesquisadora Renata Libonati. Foto: Environmental Justice Foundation\/Divulga\u00e7\u00e3o\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<h6 class=\"meta\">A pesquisadora Renata Libonati\u00a0associa o fogo que consome vegeta\u00e7\u00e3o em diversas regi\u00f5es brasileiras a atividades econ\u00f4micas.\u00a0Foto:\u00a0<strong>Environmental Justice Foundation<\/strong><\/h6>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong>\u00a0A partir do monitoramento realizado pelo sistema Alarmes, \u00e9 poss\u00edvel tra\u00e7ar um retrato de como est\u00e1 a situa\u00e7\u00e3o no pa\u00eds?<br \/>\n<strong>Renata Libonati:<\/strong>\u00a0O sistema Alarmes monitora atualmente os tr\u00eas principais biomas do Brasil: Amaz\u00f4nia, Cerrado e o Pantanal. Principais no sentido dos que mais queimam. No Pantanal, do in\u00edcio do ano at\u00e9 18 de setembro, j\u00e1 teve cerca de 12,8% da sua \u00e1rea queimada. Fazendo um comparativo com 2020, o pior ano j\u00e1 registrado, 2020 queimou no ano todo cerca de 30% do bioma.<\/p>\n<p>A m\u00e9dia anual que o Pantanal queima \u00e9 em torno de 8%. Ent\u00e3o, 2020 foi muito acima e 2024 tamb\u00e9m ultrapassou a m\u00e9dia de porcentagem di\u00e1ria atingida. Isso representa cerca de 1,9 milh\u00e3o de hectares queimados em 2024 [para efeito de compara\u00e7\u00e3o, o estado do Sergipe tem quase 2,2 milh\u00e3o de hectares]. Esse acumulado est\u00e1 abaixo do que queimou em 2020 no mesmo per\u00edodo, mas at\u00e9 o in\u00edcio de setembro, o acumulado era maior que o mesmo per\u00edodo de 2020.<\/p>\n<p>A Amaz\u00f4nia j\u00e1 teve cerca de 10 milh\u00f5es de hectares queimados [o que equivale a mais que o estado de Santa Catarina]. Como a Amaz\u00f4nia \u00e9 muito grande, isso representa em torno de 2,5% da sua \u00e1rea queimada. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito cr\u00edtica. Esse \u00e9 o pior ano j\u00e1 registrado desde que a gente tem medi\u00e7\u00e3o aqui no nosso sistema, em 2012.<\/p>\n<p>O Cerrado j\u00e1 queimou cerca de 11 milh\u00f5es de hectares, o que corresponde a quase 6% da sua \u00e1rea. Esse valor est\u00e1 ligeiramente abaixo do ano que mais queimou, que foi em 2012.<\/p>\n<p>De uma forma geral, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito cr\u00edtica nos tr\u00eas biomas. A Amaz\u00f4nia no m\u00e1ximo hist\u00f3rico; e nos outros biomas, muito pr\u00f3xima do m\u00e1ximo hist\u00f3rico.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:\u00a0<\/strong>Com os dados coletados, notam-se ind\u00edcios de a\u00e7\u00f5es criminosas e\/ou coordenadas?<br \/>\n<strong>Renata Libonati:<\/strong>\u00a0O monitoramento por sat\u00e9lite n\u00e3o permite fazer distin\u00e7\u00e3o de que tipo de igni\u00e7\u00e3o originou determinado inc\u00eandio. O que posso dizer \u00e9 que existem duas formas de iniciarmos um inc\u00eandio. A primeira \u00e9 a forma humana, seja intencional ou criminosa. A segunda \u00e9 a causa natural, que seriam os raios.<\/p>\n<p>Percebemos um padr\u00e3o que, de todos os inc\u00eandios que acontecem no Brasil, cerca de 1% \u00e9 originado por raio. Todos os outros 99% s\u00e3o originados de a\u00e7\u00e3o humana. Desde maio at\u00e9 agora, n\u00e3o teve nenhuma ocorr\u00eancia no Pantanal de inc\u00eandio come\u00e7ado por raio. Isso monitorado por sat\u00e9lite e com dados de descargas atmosf\u00e9ricas.<\/p>\n<p>Isso nos indica que \u00e9 fogo humano. Sabendo que existe decreto que tem proibido o uso do fogo em todas essas regi\u00f5es devido \u00e0 crise clim\u00e1tica que a gente est\u00e1 vivendo esse ano, todos esses inc\u00eandios, mesmo que n\u00e3o tenham sido intencionais, s\u00e3o de alguma forma criminosos. Exceto quando \u00e9 acidental.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong>\u00a0S\u00e3o liga\u00e7\u00f5es com atividades econ\u00f4micas, mais notadamente a agropecu\u00e1ria?<br \/>\n<strong>Renata Libonati:\u00a0<\/strong>Existem v\u00e1rios fatores que est\u00e3o relacionados a esses in\u00edcios de inc\u00eandio. Por exemplo, o desmatamento, um fator que fica muito ligado ao in\u00edcio de inc\u00eandio, porque, em geral, utiliza-se o fogo em algumas situa\u00e7\u00f5es de desmatamento.<\/p>\n<p>A ocorr\u00eancia dos inc\u00eandios no Brasil est\u00e1 intimamente relacionada ao uso da terra, \u00e0s atividades econ\u00f4micas, principalmente, ligadas ao desmatamento para abrir \u00e1reas de pastagem e agricultura e, quando j\u00e1 est\u00e1 consolidado, muitas vezes se utiliza o fogo por v\u00e1rias raz\u00f5es, e isso causa os grandes inc\u00eandios que estamos observando.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:\u00a0<\/strong>O fogo, que j\u00e1 foi um grande aliado da humanidade, est\u00e1 cada vez mais se tornando um inimigo?<br \/>\n<strong>Renata Libonati:\u00a0<\/strong>\u00c9 muito importante n\u00e3o esquecer que o fogo nem sempre \u00e9 ruim. Regi\u00f5es como o Cerrado e parte do Pantanal, que s\u00e3o constitu\u00eddas basicamente de regi\u00f5es sav\u00e2nicas, s\u00e3o o que chamamos de dependentes do fogo. Precisam da ocorr\u00eancia anual do fogo para manter a sua biodiversidade e padr\u00e3o ecossist\u00eamico. O que ocorre \u00e9 justamente isso que voc\u00ea comentou, a a\u00e7\u00e3o humana alterou completamente o regime de fogo natural dessas regi\u00f5es para um regime atual que \u00e9 muito mais agressivo, no sentido que os inc\u00eandios s\u00e3o mais intensos, mais extensos e mais duradouros. Isso tem um efeito muito ruim mesmo em regi\u00f5es que s\u00e3o dependentes do fogo.<\/p>\n<p>\u00c9 diferente da Amaz\u00f4nia e de qualquer floresta tropical, que a gente chama de ecossistemas sens\u00edveis ao fogo. Quando ocorre, \u00e9 altamente prejudicial. \u00c9 sempre bom fazer essa distin\u00e7\u00e3o entre o Cerrado, Pantanal e Amaz\u00f4nia, porque as rela\u00e7\u00f5es que cada ecossistema tem com o fogo s\u00e3o diferentes, e o uso do fogo precisa ou n\u00e3o ser tratado de forma diferente de acordo com o ecossistema.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image atom-align-center\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">\n<div class=\"shadow overflow-hidden rounded-lg d-block w-100\"><img decoding=\"async\" class=\"flex-fill img-cover\" title=\"Lasa\/Reprodu\u00e7\u00e3o\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/dA4INxq7ONCMNk8jH7qNdJIrRSs=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2024\/09\/19\/sistema_alarmes_-_lasa_ufrj_-_reproducao.jpg?itok=HiwXUXmT\" alt=\"Rio de Janeiro (RJ), 19\/07\/2024 \u2013 Sistema de alarme de queimadas. Foto: Lasa\/Reprodu\u00e7\u00e3o\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<div class=\"meta\">Rio de Janeiro (RJ), 19\/07\/2024 \u2013 Sistema de alarme de queimadas. Foto: Lasa\/Reprodu\u00e7\u00e3o &#8211;\u00a0<strong>Lasa\/Reprodu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:\u00a0<\/strong>Como o sistema Alarmes faz o monitoramento?<br \/>\n<strong>Renata Libonati:\u00a0<\/strong>O sistema Alarmes foi lan\u00e7ado em 2020. At\u00e9 aquela \u00e9poca, o monitoramento de \u00e1rea queimada por sat\u00e9lite era feito com atraso que podia chegar a tr\u00eas meses para a gente ter estimativas de quanto e de onde queimou. O sistema Alarmes veio para trazer uma informa\u00e7\u00e3o que era muito requerida pelos \u00f3rg\u00e3os de combate e preven\u00e7\u00e3o, que era informa\u00e7\u00e3o da \u00e1rea queimada de alguma forma r\u00e1pida, em tempo quase real, para fazer as a\u00e7\u00f5es de planejamento do combate.<\/p>\n<p>N\u00f3s utilizamos imagens de sat\u00e9lite da Nasa [ag\u00eancia espacial americana], aprendizado de m\u00e1quina profundo [um m\u00e9todo de intelig\u00eancia artificial] e informa\u00e7\u00f5es de focos de calor. Isso nos permitiu criar esses alertas r\u00e1pidos. Enquanto antes n\u00f3s precis\u00e1vamos esperar de um a tr\u00eas meses para ter essas localiza\u00e7\u00f5es do que queimou, n\u00f3s temos essa informa\u00e7\u00e3o no dia seguinte que queimou. Ele \u00e9 atualizado diariamente com novas informa\u00e7\u00f5es e vem sendo aprimorado atrav\u00e9s da colabora\u00e7\u00e3o com entidades p\u00fablicas, privadas e at\u00e9 da sociedade. Nos ajudam a validar os nossos alertas e a qualidade dos nossos dados, por exemplo, atrav\u00e9s do sistema Fogoteca.<\/p>\n<p>Brigadistas que est\u00e3o combatendo tiram fotografias georreferenciadas e inserem isso no sistema como uma forma de saber que os nossos alertas est\u00e3o corretos no tempo e no espa\u00e7o. A Fogoteca vem crescendo desde ent\u00e3o, nos auxiliando a melhorar essas estimativas com informa\u00e7\u00e3o de campo, que \u00e9 muito importante para validar e verificar a acur\u00e1cia do monitoramento que fazemos por sat\u00e9lite.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:\u00a0<\/strong>Houve uma atualiza\u00e7\u00e3o esta semana no Alarmes, para aumentar a precis\u00e3o.<br \/>\n<strong>Renata Libonati:\u00a0<\/strong>Essa diferen\u00e7a de dar a \u00e1rea queimada com atraso de tr\u00eas meses ou de um dia vai fazer com que voc\u00ea tenha uma melhor precis\u00e3o quando tem mais tempo para trabalhar aquelas imagens do que quando voc\u00ea tem que fazer uma coisa muito r\u00e1pida, quando perde um pouco a precis\u00e3o. \u00c9 aquele cobertor curto, quando eu tenho um processamento r\u00e1pido, eu perco qualidade, mas ganho agilidade. Quando eu tenho um processamento lento, eu perco em agilidade, mas ganho em qualidade.<\/p>\n<p>Os nossos alertas, por terem essa capacidade de identificar rapidamente o que que aconteceu, t\u00eam uma qualidade mais restrita que um dado mais lento. O que fizemos para atualizar isso foi juntar os dados mais lentos com os mais r\u00e1pidos, de forma a diminuir essas imprecis\u00f5es: efeitos de borda e omiss\u00f5es em casos espec\u00edficos<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-grande_6colunas type-image atom-align-left\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">\n<div class=\"shadow overflow-hidden rounded-lg d-block w-100\"><img decoding=\"async\" class=\"flex-fill img-cover\" title=\"Environmental Justice Foundation\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/j0UNMzoff5XcRuQwBzoPmwBWD-U=\/463x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2024\/09\/19\/pesquisadora_renata_libonati_creditos_para_environmental_justice_foundation_2.jpeg?itok=eDXzjTPT\" alt=\"Rio de Janeiro (RJ), 19\/07\/2024 \u2013 Pesquisadora Renata Libonati. Foto: Environmental Justice Foundation\/Divulga\u00e7\u00e3o\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<h6 class=\"meta\">&#8220;O que estamos vivenciando hoje \u00e9 um resultado do que a humanidade vem fazendo ao longo de v\u00e1rias d\u00e9cadas&#8221;, afirma a pesquisadora Renata Libonati. Foto:\u00a0<strong>Environmental Justice Foundation<\/strong><\/h6>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:\u00a0<\/strong>O sistema Alarmes \u00e9 uma ferramenta. Para conter a prolifera\u00e7\u00e3o de inc\u00eandios no pa\u00eds s\u00e3o necess\u00e1rias a\u00e7\u00f5es da sociedade e governos. Como especialista no assunto, sugere caminhos?<br \/>\n<strong>Renata Libonati:\u00a0<\/strong>A gest\u00e3o do inc\u00eandio n\u00e3o passa apenas pelo combate. Muito pelo contr\u00e1rio, o pilar precisa ser a preven\u00e7\u00e3o. Passa, por exemplo, por uma gest\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o antes da \u00e9poca de fogo, fazer aceiros [terreno sem vegeta\u00e7\u00e3o que serve como barreira para impedir a propaga\u00e7\u00e3o do fogo], diminuir material combust\u00edvel seco, muitas vezes atrav\u00e9s de queimas prescritas, quando se usa o que chamamos de &#8220;fogo frio&#8221;, antes da \u00e9poca de fogo, quando a \u00e1rea ainda est\u00e1 \u00famida. Fragmentar a paisagem para quando chegar a \u00e9poca de fogo, ele n\u00e3o ter para onde ir porque voc\u00ea j\u00e1 tirou aquela biomassa dali, contendo o inc\u00eandio.<\/p>\n<p>Essas t\u00e9cnicas de preven\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m englobam maior conscientiza\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o ambiental sobre o uso do fogo. Maior fiscaliza\u00e7\u00e3o. A\u00e7\u00f5es que precisam ser feitas de forma continuada ao longo de v\u00e1rios anos.<\/p>\n<p>Diante das condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas que estamos vivenciando nas \u00faltimas d\u00e9cadas e, principalmente, nos \u00faltimos anos, observamos que esses eventos extremos, como grandes secas e ondas de calor est\u00e3o cada vez mais frequentes, duradouros e persistentes e essas s\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es que levam a grandes inc\u00eandios. Ent\u00e3o qualquer igni\u00e7\u00e3o vai se propagar de uma forma muito r\u00e1pida, muito intensa, e o combate \u00e9 muito dif\u00edcil.<\/p>\n<p>Mesmo que tenhamos um empenho muito grande, como est\u00e1 acontecendo este ano por parte dos governos federal e estaduais empenhados no combate, mesmo assim essas condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas s\u00e3o muito desfavor\u00e1veis ao combate. \u00c9 muito dif\u00edcil combater, por isso que \u00e9 preciso sempre priorizar a preven\u00e7\u00e3o. O Brasil deu um primeiro passo para isso, que foi a lei do\u00a0<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/politica\/noticia\/2024-07\/lula-sanciona-politica-para-uso-controlado-do-fogo\">Manejo Integrado do Fogo<\/a>, aprovada o final de julho, sancionada pelo presidente da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>Essa lei vai permitir uma mudan\u00e7a de paradigma na forma em que o Brasil realiza a sua gest\u00e3o de inc\u00eandios, permitindo um pilar muito forte na preven\u00e7\u00e3o do que propriamente no combate. J\u00e1 demos um primeiro passo.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:\u00a0<\/strong>Pode se dizer que mudan\u00e7as clim\u00e1ticas s\u00e3o uma amea\u00e7a n\u00e3o para o planeta, e, sim, para a vida humana?<br \/>\n<strong>Renata Libonati:\u00a0<\/strong>O que estamos vivenciando hoje \u00e9 um resultado do que a humanidade vem fazendo ao longo de v\u00e1rias d\u00e9cadas. Realmente \u00e9 preciso fazer uma mudan\u00e7a na forma que a gente utiliza o planeta porque o nosso estilo de vida atual \u00e9 incompat\u00edvel com o bem-estar da nossa sociedade no futuro.<\/p>\n<p>Se continuarmos a emitir gases do efeito estufa na mesma faixa que estamos hoje, vamos ter, os modelos clim\u00e1ticos indicam, nos 2050 at\u00e9 2100, ocorr\u00eancias muito mais frequentes de ondas de calor, de secas, enchentes como a que a gente viu no Rio Grande do Sul. Isso vai impactar diretamente a vida humana. \u00c9 importante chamar aten\u00e7\u00e3o que sempre as pessoas que vivem em maior vulnerabilidade s\u00e3o aquelas que v\u00e3o ser as mais impactadas.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:\u00a0<\/strong>Voltando ao sistema Alarmes, \u00e9 uma mostra de que a academia est\u00e1 centrada para as necessidades atuais da sociedade?<br \/>\n<strong>Renata Libonati:\u00a0<\/strong>Essa ideia de que a universidade vive fechada nas suas quatro paredes j\u00e1 n\u00e3o procede. As universidades p\u00fablicas, h\u00e1 algumas d\u00e9cadas, mudaram a forma de fazer ci\u00eancia, passando por uma ci\u00eancia que visa auxiliar na solu\u00e7\u00e3o dos problemas que a nossa sociedade tem hoje. O Alarmes \u00e9, de fato, um bom exemplo de que todo o conhecimento gerado na academia pode ser utilizado na forma de trazer um benef\u00edcio para a solu\u00e7\u00e3o desses problemas. No caso, a gest\u00e3o dos inc\u00eandios, que vai levar tamb\u00e9m a uma melhoria da qualidade do ar.<\/p>\n<p>No caso do Alarmes, o desenvolvimento foi poss\u00edvel por conta de uma aproxima\u00e7\u00e3o do Prevfogo [Centro Nacional de Preven\u00e7\u00e3o e Combate aos Inc\u00eandios Florestais] do Ibama [Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis], que financiou um edital no CNPq [Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico]. Foi um edital in\u00e9dito e eles trouxeram os principais problemas que eles tinham. Um desses problemas era o monitoramento mais r\u00e1pido da \u00e1rea queimada. Ent\u00e3o \u00e9 muito importante que haja investimentos p\u00fablicos na universidade para que a gente possa ter condi\u00e7\u00f5es de desenvolver e melhorar cada vez mais a inova\u00e7\u00e3o que podemos ter.<\/p>\n<p>N\u00f3s tivemos tamb\u00e9m muitos investimentos de ONGs [organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais], como Greenpeace, Wetlands Internacional, WWF, CEPF, Terra Brasilis. Uma s\u00e9rie de ONGs preocupadas com a quest\u00e3o ambiental e que fomentaram algumas melhorias no sistema.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apenas uma parte \u00ednfima dos inc\u00eandios florestais que se proliferam pelo pa\u00eds \u00e9 iniciada por&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":11756373,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,17],"tags":[209],"class_list":["post-11756372","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque","category-meio-ambiente","tag-meio-ambiente"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11756372","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11756372"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11756372\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11756375,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11756372\/revisions\/11756375"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11756373"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11756372"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11756372"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11756372"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}