{"id":11757126,"date":"2024-10-14T08:30:00","date_gmt":"2024-10-14T12:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/?p=11757126"},"modified":"2024-10-14T09:33:25","modified_gmt":"2024-10-14T13:33:25","slug":"reposicao-de-estoque-do-aquifero-guarani-e-insuficiente-mostra-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/reposicao-de-estoque-do-aquifero-guarani-e-insuficiente-mostra-estudo\/","title":{"rendered":"Reposi\u00e7\u00e3o de estoque do Aqu\u00edfero Guarani \u00e9 insuficiente, mostra estudo"},"content":{"rendered":"<p>Uma pesquisa conduzida pelo\u00a0Instituto\u00a0de Geoci\u00eancias da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Rio Claro percebeu que a reposi\u00e7\u00e3o de \u00e1guas do Aqu\u00edfero Guarani est\u00e1 abaixo do necess\u00e1rio para garantir a manuten\u00e7\u00e3o da quantidade dispon\u00edvel no reservat\u00f3rio, que se estende por \u00e1reas do Sul e Sudeste do pa\u00eds, al\u00e9m de Paraguai, Uruguai e Argentina. O reservat\u00f3rio atende 90 milh\u00f5es de pessoas, sendo respons\u00e1vel pela manuten\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de rios e lagos em algumas \u00e1reas do interior paulista durante o per\u00edodo de seca.\u00a0<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1615293&amp;o=node\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1615293&amp;o=node\" \/><\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0\u00a0<strong>Ag\u00eancia Brasil,<\/strong>\u00a0o pesquisador Didier Gastmans, do Centro de Estudos Ambientais da Unesp Rio Claro, explicou que a pesquisa buscou\u00a0entender a import\u00e2ncia da chuva na entrada de \u00e1guas novas no aqu\u00edfero, nas \u00e1reas de afloramento (superf\u00edcie), e que foi poss\u00edvel confirmar esse papel. Ele acompanha o tema desde 2002, em seu doutorado, e todas as pesquisas desde ent\u00e3o apontam que os efeitos de superexplora\u00e7\u00e3o do reservat\u00f3rio s\u00e3o constantes, cont\u00ednuos e tem piorado com a mudan\u00e7a de distribui\u00e7\u00e3o das chuvas na \u00e1rea de afloramento, que alimenta o aqu\u00edfero. O problema causa preocupa\u00e7\u00e3o em \u00e1reas de grande produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e popula\u00e7\u00e3o, como Ribeir\u00e3o Preto, no norte paulista, onde os primeiros efeitos s\u00e3o sentidos desde a d\u00e9cada de 1990. &#8220;Agora come\u00e7ou a aumentar muito o n\u00famero de po\u00e7os e isso come\u00e7a a dar sinais em diversas regi\u00f5es do interior&#8221;, disse Gastmans.<\/p>\n<p>O ge\u00f3logo afirmou\u00a0que os ind\u00edcios de superexplora\u00e7\u00e3o est\u00e3o claros no monitoramento dos po\u00e7os e do n\u00edvel dos reservat\u00f3rios, atingindo aqueles pr\u00f3ximos das regi\u00f5es de afloramento, que t\u00eam n\u00edveis de dois a tr\u00eas metros mais baixos, em m\u00e9dia, mas tamb\u00e9m os grandes po\u00e7os de explora\u00e7\u00e3o para ind\u00fastria e agroneg\u00f3cio, nos quais o rebaixamento atinge m\u00e9dias de 60 a 70 metros em dez\u00a0anos. Nessa din\u00e2mica &#8220;a \u00e1gua tem uma determinada profundidade no po\u00e7o\u00a0e vai baixando, o que demanda po\u00e7os mais profundos e bombas mais potentes. Na por\u00e7\u00e3o oeste (do estado de S\u00e3o Paulo) a gente fala de grandes produtores e sistemas para abastecimento p\u00fablico. Pequenos produtores j\u00e1 sentem esse impacto em algumas regi\u00f5es pr\u00f3ximas da \u00e1rea de afloramento&#8221;, esclareceu.<\/p>\n<p>Esse rebaixamento dos n\u00edveis chega, em determinados pontos, a at\u00e9 100 metros, consider\u00e1vel at\u00e9 para as dimens\u00f5es do Aqu\u00edfero, que tem n\u00edveis com 450 metros de espessura do reservat\u00f3rio, chegando a at\u00e9 1 quil\u00f4metro de profundidade. A maior parte do consumo do Guarani \u00e9 para o abastecimento urbano, e ao menos 80% dela se concentram no estado de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Um dos fatores que preocupa no curto prazo \u00e9 que a chuva nas regi\u00f5es de superf\u00edcie, a partir das quais h\u00e1 recarga no aqu\u00edfero, s\u00e3o muito concentradas, situa\u00e7\u00e3o na qual apenas uma pequena parcela de chuva infiltra para o subsolo e ocorre\u00a0um escoamento maior e infiltra\u00a0menos. Tamb\u00e9m h\u00e1 impacto do aumento da evapora\u00e7\u00e3o nas \u00e1reas de superf\u00edcie, causado pelo aumento da m\u00e9dia de temperatura nas regi\u00f5es.<\/p>\n<p>Gastmans criticou a falta de um conjunto claro de a\u00e7\u00f5es por parte dos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, afirmando\u00a0que a\u00a0primeira a\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria \u00e9 conhecer os usu\u00e1rios. &#8220;\u00c9 necess\u00e1ria a implanta\u00e7\u00e3o de um sistema de monitoramento em tempo quase real, para conhecer e dimensionar os atendimentos e as pol\u00edticas de curto e m\u00e9dio prazo&#8221;. O segundo \u00e9 consorciar \u00e1gua subterr\u00e2nea e \u00e1gua superficial, para usar de maneira integrada de acordo com a disponibilidade sazonal. &#8220;Tamb\u00e9m se faz necess\u00e1rio pensar no planejamento futuro: sempre se fala em desenvolvimento, mas os gestores parecem ignorar que n\u00e3o existe desenvolvimento plenamente sustent\u00e1vel, pois todo desenvolvimento tem um impacto e essas pessoas precisam come\u00e7ar a se antecipar aos problemas&#8221;. O pesquisador da Unesp defendeu ainda a necessidade de pensar no uso de\u00a0\u00e1guas de melhor qualidade para abastecimento p\u00fablico e de \u00e1guas de menor\u00a0qualidade\u00a0para outros usos, como irriga\u00e7\u00e3o de \u00e1reas extensas do setor sucroalcooleiro e de c\u00edtricos e uso industrial.<\/p>\n<p>Procurada pela reportagem,\u00a0 a\u00a0Ag\u00eancia de \u00c1guas do Estado de S\u00e3o Paulo (SP \u00c1guas) informou que monitora todos os estudos relacionados \u00e0 recarga do Aqu\u00edfero Guarani e dos demais corpos d&#8217;\u00e1gua do estado. Segundo o \u00f3rg\u00e3o &#8220;a gest\u00e3o do aqu\u00edfero \u00e9 realizada de maneira integrada com outros recursos h\u00eddricos, visando garantir o equil\u00edbrio entre as demandas de uso e a preserva\u00e7\u00e3o ambiental&#8221;. A maior parte da capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua no estado de S\u00e3o Paulo se concentra em fontes superficiais (rios e lagos), sendo a capta\u00e7\u00e3o em po\u00e7os profundos, que acessam o Aqu\u00edfero Guarani, a menor parcela do total dos recursos h\u00eddricos. &#8220;Toda capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua no estado est\u00e1 sujeita \u00e0 outorga, concedida somente ap\u00f3s criteriosa an\u00e1lise t\u00e9cnica&#8221;.<\/p>\n<h2>Origem das \u00e1guas<\/h2>\n<p>A pesquisa conduzida pela\u00a0Unesp, com o apoio da Fapesp, ag\u00eancia paulista de amparo \u00e0 pesquisa, usou o monitoramento de is\u00f3topos est\u00e1veis de hidrog\u00eanio e oxig\u00eanio como marcadores para identificar a origem das \u00e1guas que comp\u00f5em o reservat\u00f3rio, o que permitiu perceber as \u00e1reas de superf\u00edcie que colaboram para a manuten\u00e7\u00e3o dos n\u00edveis do Aqu\u00edfero Guarani. Tamb\u00e9m usaram um processo de data\u00e7\u00e3o com is\u00f3topos dos gases cript\u00f4nio e h\u00e9lio para datar a \u00e1gua de alguns po\u00e7os, o que permitiu detectar idades variando de 2.600 anos, em Pederneiras, at\u00e9 127 mil anos em Bebedouro, 230 mil anos em Ribeir\u00e3o Preto e 720 mil anos no Paran\u00e1.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma pesquisa conduzida pelo\u00a0Instituto\u00a0de Geoci\u00eancias da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Rio Claro percebeu que a reposi\u00e7\u00e3o de \u00e1guas do Aqu\u00edfero Guarani est\u00e1 abaixo do necess\u00e1rio para garantir a manuten\u00e7\u00e3o da quantidade dispon\u00edvel no reservat\u00f3rio, que se estende por \u00e1reas do Sul e Sudeste do pa\u00eds, al\u00e9m de Paraguai, Uruguai e Argentina. 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