{"id":11758670,"date":"2024-11-20T08:57:00","date_gmt":"2024-11-20T12:57:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/?p=11758670"},"modified":"2024-11-20T08:26:39","modified_gmt":"2024-11-20T12:26:39","slug":"consciencia-negra-o-legado-de-luta-e-os-desafios-contemporaneos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/consciencia-negra-o-legado-de-luta-e-os-desafios-contemporaneos\/","title":{"rendered":"Consci\u00eancia Negra: O legado de luta e os desafios contempor\u00e2neos"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>\u00c9 um ensolarado 20 de novembro, Dia da Consci\u00eancia Negra no Brasil.<\/strong>&nbsp;O clima \u00e9 desafiador quando o assunto \u00e9 justi\u00e7a, igualdade e empoderamento dos negros que lutam contra diversas formas de opress\u00e3o. A data homenageia Zumbi dos Palmares, o mais proeminente l\u00edder da resist\u00eancia contra a escravid\u00e3o e um s\u00edmbolo da luta pela liberdade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A consci\u00eancia negra \u00e9 uma transcend\u00eancia que conecta gera\u00e7\u00f5es, e seu apelo \u00e9 forte entre os jovens. Recentemente, a prova do Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio (Enem) trouxe o tema&nbsp;<em>\u201cDesafios para a valoriza\u00e7\u00e3o da heran\u00e7a africana no Brasil\u201d<\/em>, permitindo a reflex\u00e3o dos estudantes sobre os obst\u00e1culos enfrentados para manter viva a identidade afrodescendente.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/al.ms.gov.br\/upload\/News\/2024\/11\/2024_11_11_09_17_45_5789b408-d873-4fb5-850c-777c4a670f5b.jpeg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/al.ms.gov.br\/upload\/News\/2024\/11\/2024_11_11_09_17_45_5789b408-d873-4fb5-850c-777c4a670f5b.jpeg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Para Maria Fernanda, a&nbsp;luta \u00e9 cont\u00ednua contra a injusti\u00e7a e discrimina\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>&#8220;O tema \u00e9 atual e importante para reafirmar o lugar de direito dos nossos antepassados na narrativa da hist\u00f3ria do Brasil. Ainda que na condi\u00e7\u00e3o de escravizados, os negros foram civilizadores e, com sua cultura cheia de cores e sabores, encheram a vida dos brasileiros de alegria africana. Aos seus descendentes restou encontrar sua identidade como brasileiros, construindo um imenso legado. Os ensinamentos do povo africano servem como uma luz a guiar os movimentos de justi\u00e7a social hoje. As ideias de Zumbi dos Palmares continuam a permear gera\u00e7\u00f5es e nos lembram de que a luta \u00e9 cont\u00ednua contra a injusti\u00e7a, a desigualdade social e a discrimina\u00e7\u00e3o que ainda prevalecem no pa\u00eds&#8221;<\/em>, disse a estudante Maria Fernanda Dionello.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para entender o significado dessa luta, \u00e9 preciso perguntar: os negros se livraram dos grilh\u00f5es que os prendem ao racismo estrutural? A aposentada Rosilda Alves da Silva afirma que n\u00e3o.&nbsp;<em>\u201cO Brasil foi o \u00faltimo pa\u00eds da Am\u00e9rica a abolir a escravid\u00e3o. Tardou demais. Na \u00e9poca da minha m\u00e3e, as mulheres negras n\u00e3o tinham direito ao voto nem mesmo de escolher o marido. Temos muitas coisas para mudar, pois ainda existem problemas na admiss\u00e3o de funcion\u00e1rios negros, que ficam por \u00faltimo a ser avaliados, mesmo tendo p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e mestrado. Infelizmente, os estere\u00f3tipos ligados \u00e0 marginalidade, criminalidade e prostitui\u00e7\u00e3o continuam a ser associados \u00e0 popula\u00e7\u00e3o negra. Mesmo com a pol\u00edtica de cotas, o Brasil ainda \u00e9 profundamente desigual\u201d<\/em>, afirmou Rosilda.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/al.ms.gov.br\/upload\/News\/2024\/11\/2024_11_11_07_12_52_48bd86bb-a5e3-4553-bf16-ee31f8a82792.jpeg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/al.ms.gov.br\/upload\/News\/2024\/11\/2024_11_11_07_12_52_48bd86bb-a5e3-4553-bf16-ee31f8a82792.jpeg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Rosilda, ao lado da m\u00e3e, disse que o Brasil ainda \u00e9 profundamente desigual<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a opini\u00e3o de Rosilda. Os dados comprovam que muito precisa ser feito para que os negros \u2013 aproximadamente 56% da popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) \u2013 tenham seus direitos respeitados. Estudo da Rede de Observat\u00f3rios da Seguran\u00e7a revela que, entre 4.025 pessoas mortas por policiais em 2023, 87,8% eram negras. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios (Pnad), crian\u00e7as e adolescentes pretos ou pardos representam 65,2% dos jovens em situa\u00e7\u00e3o de trabalho infantil no pa\u00eds. O mesmo instituto mostra que, no ano passado, a popula\u00e7\u00e3o negra apresentou taxas de desemprego superiores \u00e0 m\u00e9dia nacional em compara\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o branca, cuja taxa foi de 5,9%.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conforme o relat\u00f3rio do Atlas da Viol\u00eancia, divulgado em junho pelo Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea) e pelo F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, entre os anos de 2012 e 2022, dos 609.697 homic\u00eddios registrados, 445.442 das v\u00edtimas eram pretas e pardas, o que corresponde a 73% do total de mortes no Brasil, sendo mais da metade delas jovens com idades entre 15 e 29 anos. O estudo aponta ainda que, no Brasil, 111 pessoas negras foram mortas por dia, uma soma 2,7 vezes maior do que o n\u00famero de pessoas n\u00e3o negras assassinadas no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/al.ms.gov.br\/upload\/News\/2024\/11\/2024_11_11_07_15_41_7a8c4638-65a4-4c7f-bcdd-57cc7394d3df.JPG\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/al.ms.gov.br\/upload\/News\/2024\/11\/2024_11_11_07_15_41_7a8c4638-65a4-4c7f-bcdd-57cc7394d3df.JPG\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Em seu livro, Raquel faz uma&nbsp;releitura do processo escravocrata no Brasil<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vulner\u00e1veis e sem emprego, infelizmente, aqueles que constru\u00edram os alicerces da na\u00e7\u00e3o ainda se encontram dela exclu\u00eddos. Se os abolicionistas do s\u00e9culo XIX estivessem vivos hoje, provavelmente teriam uma rea\u00e7\u00e3o de indigna\u00e7\u00e3o e fariam um novo movimento, inclusive utilizando o mesmo tema da \u00e9poca:&nbsp;<em>\u201cA oportunidade para os negros\u201d<\/em>. Tamb\u00e9m ficariam frustrados com a pouca presen\u00e7a de negros em espa\u00e7os de poder, com a viol\u00eancia e a persist\u00eancia do racismo. Por outro lado, comemorariam os avan\u00e7os dos movimentos negros e da luta pela igualdade, das organiza\u00e7\u00f5es de defesa dos direitos humanos, bem como as vit\u00f3rias pol\u00edticas e culturais que celebram a identidade negra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>&#8220;Eles veriam que, apesar do fim da escravid\u00e3o, a igualdade de oportunidades ainda n\u00e3o foi plenamente alcan\u00e7ada, com muitos negros enfrentando desafios em \u00e1reas como educa\u00e7\u00e3o, emprego e seguran\u00e7a. Provavelmente, defenderiam a import\u00e2ncia do m\u00e9rito e da responsabilidade individual para o progresso. Destacariam o papel da fam\u00edlia e dos valores culturais na supera\u00e7\u00e3o das desigualdades, sugerindo pol\u00edticas que reforcem esses aspectos e ajudariam a construir uma sociedade mais justa. Eles veriam o Estado como um aliado importante, mas enfatizariam tamb\u00e9m o papel de institui\u00e7\u00f5es privadas, religiosas e comunit\u00e1rias\u201d<\/em>, destacou a assessora jur\u00eddica da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS), Raquel Correia, autora do livro&nbsp;<em>\u201cEscravid\u00e3o: uma face da dor\u201d<\/em>, uma releitura do processo escravocrata no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A\u00e7\u00f5es legislativas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neste ano, pela primeira vez, o Dia da Consci\u00eancia Negra ser\u00e1 feriado nacional. At\u00e9 o ano passado, a folga para o trabalhador neste dia dependia de leis municipais ou estaduais. Mas, em 29 de novembro de 2023, os deputados federais aprovaram&nbsp;o&nbsp;<ins><a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2023-2026\/2023\/lei\/l14759.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">projeto de lei<\/a><\/ins>&nbsp;que declarou o dia 20 de novembro feriado nacional. A medida foi sancionada pelo presidente Lula em dezembro.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/al.ms.gov.br\/upload\/News\/2024\/11\/2024_11_11_07_17_17_97b8054c-ffd2-45ac-9d63-da7aed8923c7.png\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/al.ms.gov.br\/upload\/News\/2024\/11\/2024_11_11_07_17_17_97b8054c-ffd2-45ac-9d63-da7aed8923c7.png\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Capa do livro produzido pela Ger\u00eancia de Site e M\u00eddias Sociais<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em Mato Grosso do Sul, a&nbsp;<a href=\"http:\/\/aacpdappls.net.ms.gov.br\/appls\/legislacao\/secoge\/govato.nsf\/1b758e65922af3e904256b220050342a\/7a11a6fb5ec67bf00425724800524e7d?OpenDocument\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lei Estadual 3.318 de 2006<\/a>, de autoria do ex-deputado Humberto Teixeira, instituiu a mesma data para as comemora\u00e7\u00f5es estaduais, determinando que&nbsp;<em>\u201cdever\u00e3o ser divulgadas a cultura negra, a origem de seus povos, os efeitos da coloniza\u00e7\u00e3o, seus m\u00e1rtires, a contribui\u00e7\u00e3o na forma\u00e7\u00e3o e desenvolvimento do nosso pa\u00eds, a situa\u00e7\u00e3o atual dos povos e seus descendentes da \u00c1frica no Brasil e no resto do mundo\u201d<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para tanto, o portal da ALEMS re\u00fane as iniciativas parlamentares ao longo das legislaturas, na p\u00e1gina multim\u00eddia especial&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.al.ms.gov.br\/Paginas\/771\/alems-antirracista\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALEMS Antirracista<\/a>, produzida pela Ger\u00eancia de Site e M\u00eddias Sociais, da equipe de Comunica\u00e7\u00e3o Institucional, com um vasto material que pode ser acessado gratuitamente&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.al.ms.gov.br\/Paginas\/771\/alems-antirracista\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">aqui<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro produto da Comunica\u00e7\u00e3o da Casa de Leis voltado ao enfrentamento do racismo \u00e9 o livro infantil&nbsp;<em>\u201cPreta, rainha nascida do c\u00e9u e da terra: uma hist\u00f3ria sobre a beleza da diversidade\u201d&nbsp;<\/em>(clique&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.al.ms.gov.br\/upload\/Pdf\/2021_11_18_07_44_26_preta-rainha-nascida-do-ceu-e-da-terra.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">aqui<\/a>&nbsp;e confira o livro)<em>.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 um ensolarado 20 de novembro, Dia da Consci\u00eancia Negra no Brasil.&nbsp;O clima \u00e9 desafiador quando o assunto \u00e9 justi\u00e7a, igualdade e empoderamento dos negros que lutam contra diversas formas de opress\u00e3o. A data homenageia Zumbi dos Palmares, o mais proeminente l\u00edder da resist\u00eancia contra a escravid\u00e3o e um s\u00edmbolo da luta pela liberdade. 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