{"id":11761483,"date":"2025-01-28T09:06:00","date_gmt":"2025-01-28T13:06:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/?p=11761483"},"modified":"2025-01-28T10:01:11","modified_gmt":"2025-01-28T14:01:11","slug":"parceria-do-ihp-no-pantanal-vai-permitir-aprimorar-monitoramento-das-oncas-dagua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/parceria-do-ihp-no-pantanal-vai-permitir-aprimorar-monitoramento-das-oncas-dagua\/","title":{"rendered":"Parceria do IHP no Pantanal vai permitir aprimorar monitoramento das on\u00e7as d\u2019\u00e1gua"},"content":{"rendered":"<div class=\"elementToProof\">O Instituto Homem Pantaneiro (IHP) estabeleceu parceria com a empresa Log Nature para ampliar os esfor\u00e7os de monitoramento realizado no Pantanal a fim de gerar informa\u00e7\u00f5es que ajudem na conserva\u00e7\u00e3o das ariranhas, ou como tamb\u00e9m s\u00e3o chamadas, as on\u00e7as d&#8217;\u00e1gua. Esse trabalho conjunto vai permitir a instala\u00e7\u00e3o de armadilhas fotogr\u00e1ficas em diferentes \u00e1reas, principalmente na regi\u00e3o da Serra do Amolar. As analistas ambientais do IHP come\u00e7aram esse trabalho no final de 2024 e em breve os primeiros dados ser\u00e3o divulgados.<\/div>\n<div><\/div>\n<div class=\"elementToProof\">Tal como a on\u00e7a-pintada, a ariranha tamb\u00e9m \u00e9 considerada uma esp\u00e9cie guarda-chuva e atua como uma esp\u00e9cie bioindicadora da qualidade ambiental. Isso porque ela est\u00e1 no topo da cadeia alimentar e depende muito da qualidade do ambiente aqu\u00e1tico e de locais em volta dele para sobreviver. Estimativas apontam para uma redu\u00e7\u00e3o em at\u00e9 40% da distribui\u00e7\u00e3o regional dessa esp\u00e9cie no Brasil.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Esse trabalho conjunto com a Log Nature tamb\u00e9m permite que o IHP contribua com o Plano de A\u00e7\u00e3o Nacional para a Conserva\u00e7\u00e3o das Ariranhas, o PAN Ariranha. Esse plano \u00e9 coordenado pelo Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBIo) \u2013 portaria ICMBio 2.902\/2024, atrav\u00e9s do CENAP (Centro Nacional de Pesquisa e Conserva\u00e7\u00e3o de Mam\u00edferos Carn\u00edvoros) \u2013 e o IHP integra as a\u00e7\u00f5es, que formatam pol\u00edticas p\u00fablicas no Brasil.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A analista ambiental no Instituto, Mariana Queiroz, que integra diretamente a equipe de monitoramento no territ\u00f3rio pantaneiro, explica que a Log Nature permitiu ampliar as estrat\u00e9gias de estudo das esp\u00e9cies amea\u00e7adas no Pantanal com o uso de novas armadilhas fotogr\u00e1ficas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>&#8220;Essa parceria com a Log Nature \u00e9 um avan\u00e7o importante para nossas iniciativas de monitoramento, pois nos permitir\u00e1 um acompanhamento mais eficaz das esp\u00e9cies amea\u00e7adas e em \u00e1reas de dif\u00edcil acesso. O uso das armadilhas fotogr\u00e1ficas tamb\u00e9m vai integrar os relat\u00f3rios t\u00e9cnicos ambientais elaborados pelo time de pesquisadoras do IHP, fornecendo imagens e v\u00eddeos que ajudar\u00e3o na identifica\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias e seus comportamentos. Estamos monitorando as ariranhas agora e temos uma previs\u00e3o de fazer um rod\u00edzio de monitoramento das esp\u00e9cies amea\u00e7adas e tamb\u00e9m acompanhar o tatu-canastra, a anta, e o gato-mourisco.&#8221;<\/div>\n<div><\/div>\n<div class=\"elementToProof\">A CEO da Log Nature, Juliana Kleinsorge, destaca a import\u00e2ncia de parcerias para gerar impacto positivo na conserva\u00e7\u00e3o do Pantanal. &#8220;A gente est\u00e1 muito animado com essa parceria, porque acreditamos que a uni\u00e3o das nossas compet\u00eancias vai gerar um impacto significativo para a conserva\u00e7\u00e3o do Pantanal. Com a experi\u00eancia do Instituto Homem Pantaneiro na gest\u00e3o das \u00e1reas protegidas, no desenvolvimento das pesquisas locais, somada \u00e0 tecnologia dos equipamentos e solu\u00e7\u00f5es que a gente oferece aqui na Log Nature, podemos potencializar as a\u00e7\u00f5es de monitoramento, prote\u00e7\u00e3o da fauna e preserva\u00e7\u00e3o desse bioma t\u00e3o diverso.&#8221;<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Nessa amplia\u00e7\u00e3o de monitoramento, as analistas que atuam em campo e fizeram a instala\u00e7\u00e3o de armadilhas fotogr\u00e1ficas ap\u00f3s mapearem \u00e1reas priorit\u00e1rias para estudo, tamb\u00e9m tiveram apoio de pesquisadores do Projeto Ariranhas, que foi criado em 2019, pela bi\u00f3loga Caroline Leuchtenberger. Entre os desafios nesse trabalho est\u00e1 a atua\u00e7\u00e3o muito pr\u00f3xima das locais onde ficam os animais, por\u00e9m com atividades que tentam interferir o m\u00ednimo poss\u00edvel na paisagem e h\u00e1bitos dos animais. Tamb\u00e9m s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel agir ap\u00f3s a identifica\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o h\u00e1 ariranhas pr\u00f3ximas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Sobre as ariranhas<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Conforme dados do PAN Ariranha, essa esp\u00e9cie, que tem nome cient\u00edfico de Pteronura brasiliensis, \u00e9 um mam\u00edfero carn\u00edvoro membro da fam\u00edlia Mustelidae, da qual fazem parte animais comuns em regi\u00f5es temperadas como o Vison, o Fur\u00e3o e o Texugo. No Brasil esta fam\u00edlia \u00e9 representada por seis esp\u00e9cies, entre elas os fur\u00f5es (Galictis cuja e G. vittata), a Irara (Eira barbara), e a doninha-amaz\u00f4nica (Mustela africana).<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Com possibilidade de avistamento em Corumb\u00e1 e Lad\u00e1rio, na regi\u00e3o portu\u00e1ria dessas cidades, a ariranha \u00e9 um animal semi-aqu\u00e1tico, ou seja, vive tanto em ambientes terrestres quanto aqu\u00e1ticos e \u00e9 dotado de uma not\u00e1vel habilidade de nata\u00e7\u00e3o e mergulho. Tamb\u00e9m \u00e9 um voraz predador e possui um intenso repert\u00f3rio vocal. \u00c9 a maior esp\u00e9cie conhecida da fam\u00edlia Mustelidae e, assim como as demais esp\u00e9cies deste grupo, foi amplamente ca\u00e7ada para abastecer o mercado de peles para confec\u00e7\u00e3o de vestu\u00e1rio e ornamentos.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>&#8220;Em fun\u00e7\u00e3o disso, a esp\u00e9cie experimentou uma grande redu\u00e7\u00e3o em seus tamanhos populacionais, tendo desaparecido em determinadas \u00e1reas e \u00e9 considerada regionalmente extinta em alguns estados. Embora tenha ocorrido redu\u00e7\u00e3o na press\u00e3o de ca\u00e7a, diversos fatores de origem antr\u00f3pica representam grandes amea\u00e7as \u00e0 esp\u00e9cie e, por ser um animal que depende de corpos d&#8217;\u00e1gua para sobreviver, explorando neles grande parte dos recursos necess\u00e1rios \u00e0 sua subsist\u00eancia, a degrada\u00e7\u00e3o dos rios e das matas ciliares representa hoje um fator particularmente significativo, assim como, de maneira associada, a diminui\u00e7\u00e3o de estoques pesqueiros causada pela sobrepesca&#8221;, detalha a pol\u00edtica do PAN Ariranhas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Outras amea\u00e7as para a esp\u00e9cie envolvem a constru\u00e7\u00e3o de barragens para fins de aproveitamento hidrel\u00e9trico. Por alterar a hidrologia dos rios, a rota migrat\u00f3ria dos peixes e obviamente impedir fisicamente a passagem de ariranhas, essas constru\u00e7\u00f5es geram profundas mudan\u00e7as locais na paisagem, podendo tamb\u00e9m afetar diretamente os grupos que ali residem.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Ariranhas e o equil\u00edbrio no territ\u00f3rio<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Os dados j\u00e1 computados a partir do PAN Ariranhas e outros estudos conduzidos sobre a esp\u00e9cie identificaram que esses animais t\u00eam um papel fundamental no equil\u00edbrio dos ambientes aqu\u00e1ticos pelo controle de popula\u00e7\u00f5es de outras esp\u00e9cies animais, principalmente peixes, inclusive esp\u00e9cies invasoras e pragas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>As ariranhas vivem em grupos familiares de at\u00e9 17 indiv\u00edduos, formados por um casal dominante e seus descendentes dos dois ou tr\u00eas \u00faltimos anos, podendo tamb\u00e9m ser vistas solit\u00e1rias, dependendo da \u00e9poca do ano. H\u00e1 informa\u00e7\u00f5es escassas quanto ao tamanho dos territ\u00f3rios dos grupos. Dados do PAN Ariranha sugerem varia\u00e7\u00f5es em dimens\u00f5es de acordo com caracter\u00edsticas dos h\u00e1bitats (ex., abund\u00e2ncia de presas, regime hidrol\u00f3gico, entre outras) e com a densidade de ariranhas na \u00e1rea.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Em regi\u00f5es sazonalmente alagadas, como Pantanal, e partes da Amaz\u00f4nia, a \u00e1rea de vida e o territ\u00f3rio dos grupos de ariranhas tendem a mudar drasticamente na \u00e9poca de cheia, uma vez que as tocas das margens dos rios usadas durante a seca s\u00e3o inundadas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>As f\u00eameas normalmente ficam reprodutivas apenas uma vez por ano, podendo, excepcionalmente, no caso de perda da prole, entrar no cio duas vezes no mesmo ano. Ap\u00f3s uma gesta\u00e7\u00e3o de aproximadamente 60 dias, nascem de um a cinco filhotes por ninhada, os quais atingem maturidade sexual entre os 2 e 3 anos de vida, quando deixam o grupo familiar para formar os seus pr\u00f3prios grupos.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Sobre a Log Nature<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A Log Nature nasceu em 2010 com o prop\u00f3sito de trazer solu\u00e7\u00f5es e ferramentas de trabalho para o dia a dia dos profissionais atuantes na consultoria ambiental e pesquisa para a conserva\u00e7\u00e3o do meio bi\u00f3tico. Evolu\u00edmos ao longo desses anos e hoje dedicamos o nosso espa\u00e7o a todos aqueles que s\u00e3o apaixonados pela natureza como n\u00f3s! Seja profissional da \u00e1rea, ou para aqueles que tem sua curiosidade e paix\u00e3o despertados pela natureza. Isso nos motiva a inovar e trazer produtos para potencializar novas descobertas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O Brasil abriga a maior biodiversidade do planeta e pesquisar \u00e9 permitir conhecer para preservar de maneira adequada toda essa riqueza. Buscamos novas tecnologias para solucionar e facilitar a rotina de quem se dedica a conhecer um pouco mais esses diferentes ecossistemas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div class=\"elementToProof\">Sobre o IHP<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O Instituto Homem Pantaneiro (IHP) \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o da sociedade civil, sem fins lucrativos. Fundado em 2002, em Corumb\u00e1 (MS), atua na conserva\u00e7\u00e3o e preserva\u00e7\u00e3o do bioma Pantanal e da cultura local. Entre as atividades desenvolvidas pela institui\u00e7\u00e3o destacam-se a gest\u00e3o de \u00e1reas protegidas, o<\/div>\n<div><\/div>\n<div class=\"elementToProof\">desenvolvimento e apoio a pesquisas cient\u00edficas e a promo\u00e7\u00e3o de di\u00e1logo entre os atores com interesse na \u00e1rea. As a\u00e7\u00f5es priorit\u00e1rias do IHP s\u00e3o feitas nos pilares para prote\u00e7\u00e3o da biodiversidade, mitiga\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e atua\u00e7\u00e3o conjunta com comunidades tradicionais e de povos origin\u00e1rios para apoiar o desenvolvimento sustent\u00e1vel. Saiba mais em https:\/\/institutohomempantaneiro.org.br\/. O IHP tamb\u00e9m integra o Observat\u00f3rio Pantanal.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Instituto Homem Pantaneiro (IHP) estabeleceu parceria com a empresa Log Nature para ampliar os&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":11761486,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,17],"tags":[209],"class_list":["post-11761483","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque","category-meio-ambiente","tag-meio-ambiente"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11761483","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11761483"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11761483\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11761487,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11761483\/revisions\/11761487"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11761486"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11761483"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11761483"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11761483"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}