{"id":11763046,"date":"2025-02-18T11:29:22","date_gmt":"2025-02-18T15:29:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/?p=11763046"},"modified":"2025-02-18T11:29:53","modified_gmt":"2025-02-18T15:29:53","slug":"sindrome-de-asperger-entenda-por-que-o-termo-nao-e-mais-usado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/sindrome-de-asperger-entenda-por-que-o-termo-nao-e-mais-usado\/","title":{"rendered":"S\u00edndrome de Asperger: entenda por que o termo n\u00e3o \u00e9 mais usado"},"content":{"rendered":"\n<p>Autismo leve ou autismo de alta funcionalidade s\u00e3o algumas express\u00f5es populares informais associadas \u00e0 s\u00edndrome de Asperger. O que poucos sabem \u00e9 que a pr\u00f3pria nomenclatura oficial deixou de ser utilizada do ponto de vista m\u00e9dico desde 2013, quando a maioria das pessoas com o diagn\u00f3stico foi enquadrada no transtorno do espectro autista (TEA) como autista n\u00edvel 1 de suporte.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1630788&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1630788&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>Em entrevista \u00e0&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>, o psic\u00f3logo Leandro Cunha explicou que a s\u00edndrome de Asperger era uma condi\u00e7\u00e3o caracterizada por dificuldades na intera\u00e7\u00e3o social, al\u00e9m de padr\u00f5es de comportamento repetitivos e interesses restritos, conhecidos como hiperfocos. Distinguia-se do autismo cl\u00e1ssico por n\u00e3o apresentar atraso cognitivo global e porque a comunica\u00e7\u00e3o verbal se fazia presente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPor isso, muitas vezes, Asperger era associada a termos como autismo leve ou autismo de alta funcionalidade\u201d, destacou.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cComportamentos antes atribu\u00eddos \u00e0 s\u00edndrome ainda s\u00e3o observados no diagn\u00f3stico de TEA. O que mudou foi a aus\u00eancia de uma separa\u00e7\u00e3o formal, considerando que o espectro varia em intensidade e frequ\u00eancia de caracter\u00edsticas. Isso permite uma abordagem mais flex\u00edvel e individualizada\u201d, explica.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/9TWUFFeY64JocUCmmYaIqTabg8I=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2025\/02\/18\/transtorno_do_espectro_autista_tea02.jpg?itok=TDCRujiD\" alt=\"Bras\u00edlia (DF) 18\/02\/2025 - Psic\u00f3logo Leandro Cunha fala sobre transtorno do espectro autista\u00a0(TEA).\nFoto: Leandro Cunha\/Arquivo pessoal\" style=\"width:320px;height:auto\" title=\"Leandro Cunha\/Arquivo pessoal\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Psic\u00f3logo Leandro Cunha explica que a s\u00edndrome de Asperger era uma condi\u00e7\u00e3o caracterizada por dificuldades na intera\u00e7\u00e3o social &#8211; Foto: Leandro Cunha\/Arquivo pessoal<\/h6>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Entenda<\/h2>\n\n\n\n<p>A&nbsp;<strong>s\u00edndrome de Asperger<\/strong>&nbsp;foi descrita inicialmente pelo&nbsp;<strong>pediatra austr\u00edaco Hans Asperger<\/strong>, em 1944, ap\u00f3s&nbsp;<strong>observar pacientes com dificuldades de intera\u00e7\u00e3o social<\/strong>. Anos depois, a condi\u00e7\u00e3o passaria a figurar como uma categoria diagn\u00f3stica distinta. Desde 2013, entretanto, a s\u00edndrome deixou de existir isoladamente e passou a integrar o escopo do TEA.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi por meio da quinta edi\u00e7\u00e3o do&nbsp;<em>Manual Diagn\u00f3stico e Estat\u00edstico de Transtornos Mentais<\/em>, elaborado pela Associa\u00e7\u00e3o Americana de Psiquiatria, que surgiu o termo transtorno do espectro autista. A publica\u00e7\u00e3o passou a enquadrar tanto o chamado autismo cl\u00e1ssico como a s\u00edndrome de Asperger como uma \u00fanica condi\u00e7\u00e3o, mas com um grande espectro de caracter\u00edsticas e sintomas.<\/p>\n\n\n\n<p>Algo semelhante aconteceu com a Classifica\u00e7\u00e3o Internacional de Doen\u00e7as (CID), que cont\u00e9m cerca de 55 mil c\u00f3digos para les\u00f5es e doen\u00e7as. A CID-10, que vigorou de 1993 a 2021, classificava o autismo dentro dos transtornos globais do desenvolvimento e codificava separadamente a s\u00edndrome de Asperger. J\u00e1 na CID-11, em vigor desde janeiro de 2022, Asperger deixa de existir isoladamente e passa a fazer parte do TEA.<\/p>\n\n\n\n<p>Caracter\u00edsticas que antes integravam a s\u00edndrome, portanto, permanecem como padr\u00f5es a serem observados ao diagnosticar uma pessoa com TEA.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cA mudan\u00e7a \u00e9 positiva porque reconhece o autismo como um espectro, evitando divis\u00f5es r\u00edgidas que dificultavam o diagn\u00f3stico e o acesso ao suporte adequado. Al\u00e9m disso, promove uma vis\u00e3o mais inclusiva da condi\u00e7\u00e3o\u201d, avalia a psic\u00f3loga e psicanalista S\u00edlvia Oliveira.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>\u201cA nova classifica\u00e7\u00e3o reconhece o TEA como um espectro cont\u00ednuo, no qual os sintomas variam em intensidade e impacto na vida do indiv\u00edduo, sem barreiras artificiais entre os diagn\u00f3sticos\u201d, completou a especialista.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Hist\u00f3rias<\/h2>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/5YiwDVALUVrd0Acv8p_KjReV_ag=\/365x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2025\/02\/18\/transtorno_do_espectro_autista_tea01.jpg?itok=Qn9IVyVe\" alt=\"Bras\u00edlia (DF) 18\/02\/2025 - Ana Karoline Freitas, 21 anos, diagnosticada aos 19 como autista n\u00edvel\u00a01.\nFoto: Ana Karoline Freitas\/Arquivo pessoal\" style=\"width:181px;height:auto\" title=\"Ana Karoline Freitas\/Arquivo pesssoal\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Ana Karoline Freitas, 21 anos de idade, foi diagnosticada como autista aos 19 anos &#8211; Foto: Ana Karoline Freitas\/Arquivo pessoal<\/h6>\n\n\n\n<p>Leonardo Sampaio tem 22 anos&nbsp;e \u00e9 estudante de psicologia. H\u00e1 cerca de um ano, foi diagnosticado como autista n\u00edvel 1 de suporte. Como a identifica\u00e7\u00e3o foi feita recentemente, ele n\u00e3o chegou a ouvir de especialistas a express\u00e3o s\u00edndrome de Asperger. A suspeita inicial era de transtorno do d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o com hiperatividade (TDAH), mas, ao longo da investiga\u00e7\u00e3o, outras caracter\u00edsticas apontaram para o TEA.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cO diagn\u00f3stico de autismo raramente vem isolado e foi muito importante para entender meus limites e barreiras sociais, al\u00e9m de aprender a lidar melhor com eles&#8221;, disse.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>&#8220;O entendimento de muitas quest\u00f5es que antes n\u00e3o faziam sentido sem o diagn\u00f3stico foi fundamental. Aprender a lidar consigo mesmo e descobrir que posso ser mais funcional dessa forma melhorou muito minha autoestima\u201d, completou.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o jovem, a mudan\u00e7a de nomenclaturas era necess\u00e1ria. \u201cCriava uma esp\u00e9cie de hierarquiza\u00e7\u00e3o e diferencia\u00e7\u00e3o dentro do diagn\u00f3stico, algo que, n\u00e3o \u00e0 toa, quando analisamos a raiz do nome, descobrimos que o termo s\u00edndrome de Asperger foi uma homenagem a um m\u00e9dico que colaborou com o regime nazista e com a ideia de eugenismo, na busca pela ra\u00e7a perfeita\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAcredito que uma s\u00edndrome separada fortalecia a cren\u00e7a popular de que o indiv\u00edduo com Asperger tem menos preju\u00edzos do que uma pessoa com autismo. Isso atrapalhava reivindica\u00e7\u00f5es por acessibilidade, pesquisa e direitos. Enxergar o autismo como um espectro \u00e9 importante para enfatizar que, independentemente do grau de suporte da pessoa, ela segue com crit\u00e9rios diagn\u00f3sticos que devem ser respeitados\u201d, avalia.<\/p>\n\n\n\n<p>Ana Karoline Freitas, 21 anos, tamb\u00e9m foi diagnosticada como autista n\u00edvel 1 de suporte, recentemente.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cMeu diagn\u00f3stico foi tardio, aos 19 anos, mas mudou minha vida completamente. Eu estava h\u00e1 2 anos em tratamento psiqui\u00e1trico e psicol\u00f3gico, sem conseguir nenhuma melhora efetiva porque os m\u00e9dicos tratavam apenas como depress\u00e3o e ansiedade.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Sobre a mudan\u00e7a na nomenclatura de Asperger para TEA, ela tamb\u00e9m avalia a decis\u00e3o como importante.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMostra que n\u00f3s, autistas, somos diferentes, mas continuamos autistas. A distin\u00e7\u00e3o, seja por nome ou por n\u00edvel de suporte, faz as pessoas acreditarem que exista algu\u00e9m mais ou menos autistas. Muitos invalidam adultos autistas por terem um n\u00edvel de suporte menor ou por terem sido classificados antes como Asperger\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOutra coisa importante \u00e9 a desvincula\u00e7\u00e3o do TEA de uma terminologia problem\u00e1tica, que veio de um m\u00e9dico nazista que acreditava em autistas funcionais, reiterando a ideia de que uma pessoa s\u00f3 \u00e9 importante se estiver de acordo com padr\u00f5es impostos de socializa\u00e7\u00e3o, trabalho e comportamento\u201d, pontuou a jovem.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cJ\u00e1 ouvi muitas vezes que n\u00e3o era autista de verdade, que agora todos s\u00e3o n\u00edvel 1 de suporte e que n\u00e3o mere\u00e7o direitos por ser um pouquinho mais autista que o resto das pessoas\u201d, disse.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Autismo leve ou autismo de alta funcionalidade s\u00e3o algumas express\u00f5es populares informais associadas \u00e0 s\u00edndrome&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":11763048,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[14,21],"tags":[],"class_list":["post-11763046","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-saude"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11763046","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11763046"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11763046\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11763052,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11763046\/revisions\/11763052"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11763048"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11763046"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11763046"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11763046"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}