{"id":11767403,"date":"2025-05-01T09:20:00","date_gmt":"2025-05-01T13:20:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/?p=11767403"},"modified":"2025-05-01T10:23:54","modified_gmt":"2025-05-01T14:23:54","slug":"entenda-as-origens-do-1o-de-maio-dia-do-trabalhador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/entenda-as-origens-do-1o-de-maio-dia-do-trabalhador\/","title":{"rendered":"Entenda as origens do 1\u00ba de maio, Dia do Trabalhador"},"content":{"rendered":"<p>Mais do que comemorativo, o 1\u00ba de maio \u00e9 uma data de luta. Foi assim em sua origem, em 1886, durante uma greve em Chicago, nos Estados Unidos, quando trabalhadores foram agredidos, presos e executados, em meio a reivindica\u00e7\u00f5es por redu\u00e7\u00e3o de jornadas di\u00e1rias, que duravam at\u00e9 14 horas.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1641139&amp;o=node\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1641139&amp;o=node\" \/><\/p>\n<p>Historiador e professor da Escola Dieese de Ci\u00eancias do Trabalho, Samuel Fernando de Souza explica que o\u00a0<strong>epis\u00f3dio \u00e9 conhecido como a \u201ctrag\u00e9dia de Haymarket\u201d<\/strong>. Os trabalhadores reivindicavam uma jornada de 8 horas e faziam manifesta\u00e7\u00f5es contra espa\u00e7os de trabalho insalubres.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cEsses trabalhadores foram duramente reprimidos, e v\u00e1rios l\u00edderes foram condenados \u00e0 morte, por conta dessa revolta. E, durante a Internacional Socialista de 1889, decidiu-se a data de 1\u00ba de maio como dia de luta da classe trabalhadora, bem como de homenagem aos trabalhadores\u201d, explicou o historiador.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Pesquisadora do Departamento de Sociologia da Universidade de Bras\u00edlia (UnB) e autora de pesquisas voltadas a entender os desafios do trabalho no mundo contempor\u00e2neo, Laura Valle Gontijo lembra que a manifesta\u00e7\u00e3o pela redu\u00e7\u00e3o da jornada em Chicago culminou com a explos\u00e3o de uma bomba no local.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cIsso acabou sendo usado como justificativa para a pol\u00edcia [de Chicago] atirar contra os manifestantes, deixando quatro mortos e centenas de presos e feridos. Oito trabalhadores foram acusados de conspira\u00e7\u00e3o, mesmo sem evid\u00eancias diretas; sete foram condenados \u00e0 morte; e outros v\u00e1rios a uma pena de 15 anos de pris\u00e3o. Um dos condenados \u00e0 morte suicidou-se na pris\u00e3o e outros quatro foram enforcados. \u00c9 em mem\u00f3ria a esses trabalhadores que se comemora a data\u201d, explica Laura Valle Gontijo.<\/p>\n<h2>S\u00edmbolo<\/h2>\n<p><strong>No Brasil, a data come\u00e7ou a ser comemorada por volta de 1891 em algumas cidades do Rio de Janeiro e, na sequ\u00eancia, em Porto Alegre.<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>\u201cSempre foi um s\u00edmbolo do movimento dos trabalhadores organizados, mas posteriormente a data foi bastante disputada, na tentativa de reapropri\u00e1-la simbolicamente\u201d, disse o historiador Samuel Fernando de Souza.<\/p><\/blockquote>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-grande_6colunas type-image atom-align-left\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><img decoding=\"async\" title=\"Samuel Fernando\/Arquivo Pessoal\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/imdjLh8Bcqh3TcNf6bSH8VMhNc4=\/463x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2025\/04\/30\/whatsapp_image_2025-04-30_at_17.05.13.jpeg?itok=r5IIOH6e\" alt=\"Bras\u00edlia (DF), 30\/04\/2025 - Samuel Fernando De Souza, professor da Escola Dieese de Ci\u00eancias do Trabalho. Foto: Samuel Fernando\/Arquivo Pessoal\" \/><\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<h6 class=\"meta\">Samuel Fernando De Souza, professor da Escola Dieese de Ci\u00eancias do Trabalho. Foto:\u00a0<strong>Samuel Fernando\/Arquivo Pessoal<\/strong><\/h6>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>De acordo com Samuel,\u00a0<strong>a ideia era a de dar ao 1\u00ba de maio uma conota\u00e7\u00e3o mais comemorativa ao trabalho do que em defesa do trabalhador<\/strong>, \u201ca ponto de, logo ap\u00f3s o golpe de 1964 ter esvaziado o movimento sindical, ser transformada em uma data de comemora\u00e7\u00e3o, uma data festiva, esvaziada do conte\u00fado pol\u00edtico naquele momento que era de luta da classe trabalhadora\u201d.<\/p>\n<p>Durante o primeiro governo de Get\u00falio Vargas, de 1930 a 1945, o 1\u00ba de maio, at\u00e9 ent\u00e3o Dia do Trabalhador, passou a ser apropriado como Dia do Trabalho, data em que, inclusive, Vargas apresentou as leis de prote\u00e7\u00e3o ao trabalho e, em especial, a pr\u00f3pria Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho (CLT).<\/p>\n<blockquote><p>\u201cNa d\u00e9cada de 1950, quando Vargas volta ao poder, ele continua se utilizando dessa data, normalmente para anunciar o aumento do sal\u00e1rio m\u00ednimo\u201d, acrescentou Samuel.<\/p><\/blockquote>\n<h2>Novo sindicalismo<\/h2>\n<p>De acordo com o historiador, o uso da data volta a ser revertido no final dos anos 1970, quando ocorreu, no Brasil, um amplo movimento conhecido como Novo Sindicalismo.<\/p>\n<p>\u201cFoi ali que foram retomados muitos dos s\u00edmbolos da classe trabalhadora, em meio aos movimentos do ABC e dos metal\u00fargicos, que fizeram surgir o Lula [posteriormente eleito presidente do Brasil] como uma figura principal e lideran\u00e7a naquele momento de lutas pela classe trabalhadora.\u00a0<strong>A data voltou a ser reapropriada durante v\u00e1rios atos contra ditadura e em prol da abertura da pol\u00edtica\u201d, detalhou o historiador.<\/strong><\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><img decoding=\"async\" title=\"Paulo Pinto\/Ag\u00eancia Brasil\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/D7b_DMfu-ZIUtlH4eBqsWfSLz7c=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2025\/03\/14\/pint8523.jpg?itok=VVgWBuW0\" alt=\"S\u00e3o Bernardo do Campo (SP), 14\/03\/2025 - Metal\u00fargicos do ABC fazem ato junto com movimentos sociais da regi\u00e3o com o intuito de chamar a aten\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o e pressionar o Congresso Nacional para a vota\u00e7\u00e3o de medidas que influenciam diretamente a vida da classe trabalhadora.\nFoto: Paulo Pinto\/Ag\u00eancia Brasil\" \/><\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<h6 class=\"meta\">Metal\u00fargicos do ABC fazem ato junto com movimentos sociais &#8211; Foto:\u00a0<strong>Paulo Pinto\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/h6>\n<\/div>\n<\/div>\n<h2>Trabalho ou trabalhador?<\/h2>\n<p>A pesquisadora Laura Gontijo explica que, ao tentar transformar o Dia do Trabalhador em Dia do Trabalho, as classes dominantes do Brasil tentaram evitar que os trabalhadores tivessem ci\u00eancia da data enquanto luta por direitos trabalhistas.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cTentaram transformar o 1\u00ba de maio em uma data sem sentido e sem conte\u00fado, como se fosse uma mera celebra\u00e7\u00e3o de algo que, tamb\u00e9m, n\u00e3o fica muito claro o que \u00e9. O que seria o Dia do Trabalho? E por que se teria feriado no Dia do Trabalho? Isso n\u00e3o faria sentido\u201d, complementou.<\/p><\/blockquote>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-grande_6colunas type-image atom-align-left\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><img decoding=\"async\" title=\"Laura Valle Gontijo\/Arquivo Pessoal\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/58omrSVD5Jt9faTkuvo3-lWz5tg=\/463x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2025\/04\/30\/whatsapp_image_2025-04-30_at_16.27.44.jpeg?itok=GgYUF0Fm\" alt=\"Bras\u00edlia (DF), 30\/04\/2025 - Pesquisadora do Departamento de Sociologia da Universidade de Bras\u00edlia - UnB, e autora de pesquisas voltadas a entender os desafios do trabalho no mundo contempor\u00e2neo, Laura Valle Gontijo. Foto: Laura Valle Gontijo\/Arquivo Pessoal\" \/><\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<h6 class=\"meta\">Professora da UnB Laura Gontijo \u00e9 pesquisadora do Departamento de Sociologia e autora de pesquisas voltadas a entender os desafios do trabalho no mundo contempor\u00e2neo. Foto: Laura Valle Gontijo\/Arquivo Pessoal<\/h6>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Segundo a pesquisadora da UnB, algo similar acontece com o Dia das Mulheres.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cTentam transform\u00e1-lo em uma data de celebra\u00e7\u00e3o da mulher, em vez de uma pauta de luta por demandas concretas. No caso dos trabalhadores, a data atualmente visa fortalecer a luta pela redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho; por melhores sal\u00e1rios; e pelo fim da escala 6&#215;1, entre outras demandas\u201d, argumentou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Demandas<\/h2>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o da pesquisadora, as demandas atuais dos trabalhadores abrangem dois espectros em especial. O primeiro deles, segundo ela, \u00e9 a manuten\u00e7\u00e3o de direitos que t\u00eam sido constantemente atacados pelas elites do pa\u00eds.\u00a0<strong>H\u00e1 tamb\u00e9m lutas visando a amplia\u00e7\u00e3o de direitos, exemplifica.<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>\u201cVeja essa discuss\u00e3o que est\u00e1 tendo agora no STF [Supremo Tribunal Federal], em rela\u00e7\u00e3o a pejotiza\u00e7\u00e3o. Esse trabalhador contratado como pessoa jur\u00eddica n\u00e3o est\u00e1 protegido pela legisla\u00e7\u00e3o trabalhista, que determina, por exemplo, a limita\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho\u201d, lembra Laura Gontijo.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Ela cita tamb\u00e9m a situa\u00e7\u00e3o daqueles que prestam servi\u00e7o por meio de plataformas digitais.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o h\u00e1 qualquer regulamenta\u00e7\u00e3o dessas plataformas que colocam o indiv\u00edduo para trabalhar o tempo todo, enquanto o corpo tiver condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas para o trabalho\u201d, alerta.<\/p>\n<p><strong>Tendo por base uma pesquisa feita em 2022, Laura Gontijo disse que os entregadores de aplicativo trabalhavam em m\u00e9dia 47,6 horas semanais.<\/strong><\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><img decoding=\"async\" title=\"Marcelo Camargo\/Ag\u00eancia Brasil\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/UwbPnrxnkr6iKJwpKDlK54ynpVg=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/09_07_2020_teletrabalho-6.jpg?itok=A5SWOX4w\" alt=\"Teletrabalho, home office ou trabalho remoto.\" \/><\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<h6 class=\"meta\">Teletrabalho, home office ou trabalho remoto &#8211; Foto:\u00a0<strong>Marcelo Camargo\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/h6>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>\u201cMas em entrevistas com os trabalhadores, constatamos jornadas de at\u00e9 80 horas semanais, algo que \u00e9 muito pr\u00f3ximo ao que era feito no auge da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, quando voc\u00ea n\u00e3o tinha nenhum tipo de regulamenta\u00e7\u00e3o do trabalho\u201d.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cVemos, nesses casos, que a demanda dos trabalhadores continua a mesma. Na verdade, a gente observa at\u00e9 um certo retrocesso nessa legisla\u00e7\u00e3o e na situa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores. Dois s\u00e9culos se passaram e continuamos vendo trabalhadores fazendo uma jornada extremamente longa e excessiva, muito al\u00e9m das 44 horas semanais previstas na legisla\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou a pesquisadora.<\/p><\/blockquote>\n<p>Ainda segundo a pesquisadora, muito se deve ao retrocesso que o poder sindical teve nas \u00faltimas d\u00e9cadas, o que resultou tamb\u00e9m no aumento do n\u00famero de ass\u00e9dios no ambiente de trabalho, bem como de doen\u00e7as f\u00edsicas e ps\u00edquicas.<\/p>\n<h2>6&#215;1<\/h2>\n<p>E \u00e9 nesse cen\u00e1rio que se ampliaram as discuss\u00f5es como a da escala 6&#215;1, acrescenta, ao se referir \u00e0 medida prevista em projeto de lei que tramita no Congresso Nacional, prevendo 2 dias de repouso semanal, em vez de 1 dia.<\/p>\n<p>\u201cO que \u00e9 esse debate nesse cen\u00e1rio de tantas empresas, com\u00e9rcios e ind\u00fastrias com trabalhadores na escala 6&#215;1?\u00a0<strong>Em muitos casos, n\u00e3o h\u00e1 sequer um dia fixo para a folga.<\/strong>\u00a0Isso inviabiliza at\u00e9 mesmo o dia para que o trabalhador fique com sua fam\u00edlia, para ele descansar ou mesmo para cuidar dos afazeres dom\u00e9sticos. Isso \u00e9 insustent\u00e1vel. A escala 6&#215;1 n\u00e3o possibilita minimamente qualquer atividade social ou de lazer\u201d, argumentou Laura Gontijo.<\/p>\n<p>O resultado dessa jornada de trabalho, segundo a pesquisadora da UnB, s\u00e3o trabalhadores desvalorizados, desmotivados e submetidos a condi\u00e7\u00f5es de trabalho extremamente ruins.<\/p>\n<h2>Redu\u00e7\u00e3o da jornada<\/h2>\n<blockquote><p>\u201cNos \u00faltimos anos vivemos um cen\u00e1rio de desvaloriza\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica do sal\u00e1rio m\u00ednimo. O trabalhador brasileiro recebe muito pouco e trabalha demais. Sem contar as muitas horas gastas diariamente com deslocamento, principalmente nas metr\u00f3poles, algo que deveria ser contado como parte da jornada de trabalho\u201d, disse a pesquisadora.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Por esses motivos, segundo a pesquisadora, os debates t\u00eam avan\u00e7ado tamb\u00e9m na dire\u00e7\u00e3o de uma redu\u00e7\u00e3o da jornada di\u00e1ria de trabalho para 35 horas ou 36 horas semanais.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cEssa \u00e9 uma pauta fundamental da atualidade. N\u00e3o adianta apenas voc\u00ea colocar o fim da escala 6&#215;1 sem estabelecer um limite da jornada di\u00e1ria\u201d, acrescentou.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><img decoding=\"async\" title=\"04 19:58:25\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/38z-LS_FJqAWFjE_i-MUlN6uSAw=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/atoms\/image\/917472-congresso.jpg?itok=iOrNelNb\" alt=\"Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho; Dieese; CSP-Conlutas; e Centrais Sindicais lan\u00e7am Campanha pela Redu\u00e7\u00e3o da Jornada de Trabalho para 40 horas semanais (Valter Campanato\/Ag\u00eancia Brasil)\" \/><\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<h6 class=\"meta\">Centrais Sindicais lan\u00e7am campanha pela redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho para 40 horas semanais &#8211; Foto: Valter Campanato\/Ag\u00eancia Brasil<\/h6>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>\u201cAt\u00e9 porque na escala 5&#215;2 [com dois dias de descanso semanal] h\u00e1 o risco de [os patr\u00f5es] aumentarem o n\u00famero de horas trabalhadas por dia, para ter, como resultado, o mesmo n\u00famero de horas trabalhadas [na semana]\u201d, complementou Laura Gontijo, ao defender que se estabele\u00e7am limites semanal e, tamb\u00e9m, di\u00e1rio, visando uma escala de 36 horas semanais sem corte de sal\u00e1rios.<\/p>\n<h2>Resist\u00eancia<\/h2>\n<p><strong>A exemplo do que ocorreu quando o Brasil p\u00f4s fim \u00e0 escravid\u00e3o, muitas empresas se mostram resistentes \u00e0s mudan\u00e7as que visam tornar a legisla\u00e7\u00e3o trabalhista brasileira \u201cmenos desumana\u201d.<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>\u201cH\u00e1 muita campanha das empresas dizendo que v\u00e3o quebrar, e que tais mudan\u00e7as causariam grandes problemas.\u00a0<strong>Mas veja o exemplo na Fran\u00e7a, que desde 1998 tem uma jornada de 35 horas semanais de trabalho<\/strong>, possibilitando, aos trabalhadores, mais tempo livre, seja para estudar, praticar atividades f\u00edsicas, ou para conviver com os filhos e ter qualidade de vida com a fam\u00edlia\u201d, explica a pesquisadora.<\/p><\/blockquote>\n<h2>Tecnologias e mais-valia<\/h2>\n<p>A verdade, segundo a pesquisadora, \u00e9 que, com as novas tecnologias, as empresas ficaram mais produtivas, mas essa benesse acabou n\u00e3o sendo repassada a seus funcion\u00e1rios.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><img decoding=\"async\" title=\"National Cancer Institute\/Unsplash\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/xD1U4OMFdYJ2X9_6YFErNRGM5Q0=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2024\/03\/21\/national-cancer-institute-nfvdkihxylu-unsplash.jpg?itok=xDvrVmKr\" alt=\"M\u00e9dica digita no computador, tendo seu estetosc\u00f3pio ao lado. Foto: National Cancer Institute\/Unsplash\" \/><\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<h6 class=\"meta\">M\u00e9dica digita no computador, tendo seu estetosc\u00f3pio ao lado &#8211; Foto:\u00a0<strong>National Cancer Institute\/Unsplash\/proibida reprodu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h6>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>\u201cO n\u00edvel de produtividade das empresas tem sido cada vez maior com o desenvolvimento das tecnologias e com as inova\u00e7\u00f5es. Isso deveria mostrar que \u00e9 poss\u00edvel manter a produ\u00e7\u00e3o, mesmo com uma diminui\u00e7\u00e3o da quantidade de horas trabalhadas. No entanto, o que vemos \u00e9 que isso n\u00e3o est\u00e1 beneficiando o trabalhador. A jornada de trabalho est\u00e1 aumentando ainda mais\u201d, disse Laura Gontijo.<\/p>\n<p><strong>\u201cA quantidade de mais-valia [diferen\u00e7a entre o que \u00e9 produzido pelo trabalhador e o que \u00e9 pago pelo patr\u00e3o ao trabalhador] fica ainda maior, porque os trabalhadores est\u00e3o trabalhando muito mais horas e a produtividade tem sido muito maior\u201d.<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>\u201cIsso comprova que a tecnologia n\u00e3o tem sido utilizada para melhorar as condi\u00e7\u00f5es de vida da popula\u00e7\u00e3o, mas para aumentar essa explora\u00e7\u00e3o\u201d, afirma.<\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais do que comemorativo, o 1\u00ba de maio \u00e9 uma data de luta. 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