{"id":11773295,"date":"2025-09-08T17:53:40","date_gmt":"2025-09-08T21:53:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/?p=11773295"},"modified":"2025-09-08T17:53:42","modified_gmt":"2025-09-08T21:53:42","slug":"crise-climatica-ameaca-cultivo-de-alface-em-campo-aberto-diz-embrapa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/crise-climatica-ameaca-cultivo-de-alface-em-campo-aberto-diz-embrapa\/","title":{"rendered":"Crise clim\u00e1tica amea\u00e7a cultivo de alface em campo aberto, diz Embrapa"},"content":{"rendered":"\n<p>O aumento da temperatura provocado pelas&nbsp;mudan\u00e7as clim\u00e1ticas&nbsp;pode&nbsp;tornar invi\u00e1vel o cultivo de alface em campos abertos no pa\u00eds durante o ver\u00e3o&nbsp;daqui a cerca de 50 anos. O alerta est\u00e1 em um estudo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa), ligada ao Minist\u00e9rio da Agricultura e Pecu\u00e1ria.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1657626&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1657626&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo pesquisadores, <strong>em um cen\u00e1rio otimista de aquecimento global, nos \u00faltimos 30 anos deste s\u00e9culo, 97% do territ\u00f3rio brasileiro ter\u00e1 risco clim\u00e1tico alto ou muito alto para cultivo de alface em campo aberto durante o ver\u00e3o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para chegar \u00e0 conclus\u00e3o, t\u00e9cnicos da Embrapa analisaram como diversos cen\u00e1rios de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas podem afetar o cultivo da hortali\u00e7a, considerada vulner\u00e1vel a altas temperaturas.<\/p>\n\n\n\n<p>O engenheiro-agr\u00f4nomo F\u00e1bio Suinaga, pesquisador em Melhoramento Gen\u00e9tico da Embrapa Hortali\u00e7as, explica que do ponto de vista evolutivo,<strong> a alface depende de temperatura amena e boa umidade para se desenvolver plenamente.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs n\u00fameros projetados s\u00e3o preocupantes porque a adapta\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie \u00e0s altas temperaturas \u00e9 m\u00ednima, especialmente se considerar que as sementes de alface exigem temperaturas inferiores a 22\u00b0C para haver germina\u00e7\u00e3o\u201d, avalia.<br><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Cen\u00e1rios otimista e pessimista<\/h2>\n\n\n\n<p>Os pesquisadores cruzaram informa\u00e7\u00f5es de proje\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), vinculado ao Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00f5es, e do Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC, na sigla em ingl\u00eas), um \u00f3rg\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas.<\/p>\n\n\n\n<p>O levantamento considerou dois cen\u00e1rios,&nbsp;um otimista (RCP 4.5) e um pessimista (RCP 8.5), em rela\u00e7\u00e3o a quanto a temperatura vai subir na compara\u00e7\u00e3o com o clima do per\u00edodo hist\u00f3rico de 1961 a 1990.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Proje\u00e7\u00e3o otimista:<\/strong> h\u00e1 um controle das emiss\u00f5es de gases do efeito estufa, causadores do aquecimento global. Isso resultaria em um aumento da temperatura do planeta entre\u00a02\u00b0 Celsius (C) e\u00a03\u00b0C, na janela de 2071 a 2100.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Proje\u00e7\u00e3o pessimista:\u00a0<\/strong>as emiss\u00f5es de gases continuam crescendo at\u00e9 2100, resultando em aumento de at\u00e9 4,3\u00b0C na temperatura do planeta.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Os t\u00e9cnicos utilizaram modelos que projetam temperaturas m\u00ednima, m\u00e9dia e m\u00e1xima para todas as \u00e9pocas do ano. A esta\u00e7\u00e3o mais cr\u00edtica \u00e9 o ver\u00e3o, quando a temperatura pode ultrapassar os 40\u00b0C em boa parte do pa\u00eds, patamar considerado bem acima do ideal para o desenvolvimento da alface, que exige clima ameno e umidade equilibrada.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Cen\u00e1rio otimista:<\/strong> entre 2071 e 2100, faixa de temperatura durante o ver\u00e3o de 23,4\u00b0C a 41,2\u00b0C. Dessa forma, 79,6% do territ\u00f3rio nacional apresentar\u00e1 risco clim\u00e1tico alto; e 17,4%, muito alto.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Cen\u00e1rio pessimista:<\/strong>\u00a0temperatura no ver\u00e3o de 25,4\u00b0C a 45\u00b0C, deixando 11,8% do territ\u00f3rio com risco alto; e 87,7%, muito alto.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Nos dois&nbsp;casos, praticamente todo o territ\u00f3rio se aproximar\u00e1 do n\u00edvel invi\u00e1vel para cultivo de alface em campo aberto no ver\u00e3o<\/strong>, sendo que, no cen\u00e1rio pessimista, a propor\u00e7\u00e3o de \u201cmuito alto\u201d \u00e9 muito maior que a de \u201calto\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, a maior parte do cultivo de alface no Brasil se d\u00e1 nos campos abertos, e a&nbsp;menor parte \u00e9 feita nos chamados ambientes protegidos ou controlados, como estufas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Efeito do calor<\/h2>\n\n\n\n<p>Um dos efeitos causados pelo calor&nbsp;na alface \u00e9 a queima de borda, tamb\u00e9m conhecida como&nbsp;<em>tipburn<\/em>, uma desordem relacionada \u00e0 defici\u00eancia do mineral c\u00e1lcio nas folhas.<\/p>\n\n\n\n<p>A Embrapa explica que, em condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas desfavor\u00e1veis, como altas temperaturas e excesso de umidade, como acontece nos cultivos de ver\u00e3o, as folhas crescem rapidamente, e o deslocamento de c\u00e1lcio na planta fica comprometido, o que ocasiona manchas escuras na borda das folhas.<\/p>\n\n\n\n<p>Temperaturas m\u00e9dias acima de 25\u00ba tamb\u00e9m causam florescimento (pendoamento) precoce. Com isso, a alface perde qualidade e o padr\u00e3o comercial, pois h\u00e1 o alongamento do caule, a redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de folhas e maior produ\u00e7\u00e3o de l\u00e1tex, que d\u00e1 o sabor amargo \u00e0 hortali\u00e7a.Import\u00e2ncia do estudo<\/p>\n\n\n\n<p>O engenheiro-ambiental Carlos Eduardo Pacheco, pesquisador em Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas Globais da Embrapa, enfatiza que <strong>entender como as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas podem afetar a produ\u00e7\u00e3o de alface \u00e9 essencial para desenvolver estrat\u00e9gias de adapta\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cIsso permite antecipar impactos e evitar preju\u00edzos\u201d, diz. \u201cOs mapas evidenciam a urg\u00eancia de pensarmos em sistemas produtivos adaptados ao clima, especialmente para hortali\u00e7as, que s\u00e3o mais sens\u00edveis que as grandes culturas como milho ou soja\u201d, acrescenta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os mapas resultantes do estudo ilustram que, do melhor ao pior cen\u00e1rio, todas as regi\u00f5es do Brasil apresentam risco clim\u00e1tico alto, com exce\u00e7\u00e3o de uma \u00e1rea pequena no sul do pa\u00eds, com risco moderado. <\/strong>No pior cen\u00e1rio, o territ\u00f3rio brasileiro \u00e9 todo tomado pelo risco muito alto, e somente a faixa litor\u00e2nea tem risco alto.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs mapas tornam mais f\u00e1cil a visualiza\u00e7\u00e3o do impacto da temperatura na cultura da alface e evidenciam a urg\u00eancia em se pensar n\u00e3o mais sobre mitiga\u00e7\u00e3o, e, sim, sobre adapta\u00e7\u00e3o dos sistemas produtivos de hortali\u00e7as \u00e0s mudan\u00e7as do clima\u201d, diz Pacheco.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/xLHPjUf9INalWEfPAj_FwflirFo=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2025\/09\/08\/ilustracao_2_-_divulgacao_embrapa.jpg?itok=SmUZwUcY\" alt=\"Bras\u00edlia (DF), 08\/09\/2025 - Aquecimento global pode tornar invi\u00e1vel cultivo de alface no campo. Foto: Embrapa\/Divulga\u00e7\u00e3o\" title=\"EMBRAPA\/Divulga\u00e7\u00e3o\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Mapa produzido pela Embrapa mostra risco muito alto para cultivo de alface em cen\u00e1rio pessimista de aquecimento global&nbsp;<strong>EMBRAPA\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como se adaptar<\/h2>\n\n\n\n<p>A Embrapa foi criada, na d\u00e9cada de 70, para desenvolver solu\u00e7\u00f5es agropecu\u00e1rias e proporcionar maior produtividade ao campo brasileiro. Uma das linhas de pesquisa \u00e9 o desenvolvimento de tipos de alface com maior toler\u00e2ncia ao calor e de sistemas de produ\u00e7\u00e3o para garantir a sustentabilidade do cultivo diante de condi\u00e7\u00f5es adversas. As pesquisas priorizam materiais gen\u00e9ticos mais tolerantes ao calor.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTemos, atualmente, em nosso portf\u00f3lio, cultivares com diferentes mecanismos para resistir melhor ao calor, como a alface BRS Mediterr\u00e2nea que, por ser mais precoce, fica menos dias no campo at\u00e9 obter um padr\u00e3o comercial, ficando menos exposta \u00e0s oscila\u00e7\u00f5es da temperatura\u201d, detalha o engenheiro-agr\u00f4nomo F\u00e1bio Suinaga.<\/p>\n\n\n\n<p>A empresa tamb\u00e9m trabalha no desenvolvimento de esp\u00e9cies com sistema radicular (ra\u00edzes) vigoroso, capazes de aproveitar melhor \u00e1gua e nutrientes do solo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Al\u00e9m da observa\u00e7\u00e3o de como o calor afeta o cultivo de alface, os pesquisadores planejam ampliar os estudos para outras hortali\u00e7as, como tomate, batata e cenoura.<\/strong> Os t\u00e9cnicos adotam o uso de intelig\u00eancia artificial (IA) para automatizar o processo de gera\u00e7\u00e3o dos mapas de risco clim\u00e1tico e conseguir maior escala e agilidade no desenvolvimento dos levantamentos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Produ\u00e7\u00e3o de alface<\/h2>\n\n\n\n<p>De acordo com o \u00faltimo Censo Agropecu\u00e1rio, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) em 2017, o Brasil tinha produ\u00e7\u00e3o anual de 671,5 mil toneladas de alface. O principal produtor era S\u00e3o Paulo, com 268,1 mil toneladas, seguido por Rio de Janeiro (98,3 mil), Paran\u00e1 (51,7 mil) e Minas Gerais (49,8 mil).<\/p>\n\n\n\n<p>A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), ligada ao vinculada ao Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Agr\u00e1rio e Agricultura Familiar (MDA), tem dados mais recentes, mas relativos apenas \u00e0 produ\u00e7\u00e3o que chega \u00e0s Centrais de Abastecimento (Ceasa).<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/conab\/pt-br\/atuacao\/informacoes-agropecuarias\/hortigranjeiros-prohort\/boletim-hortigranjeiro\/boletins-hortigranjeiros-2025\/boletim-hortigranjeiro-agosto-2025.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Boletim Hortigranjeiro<\/a>&nbsp;de agosto de 2025, <strong>as 11 Ceasas que possuem sistemas integrados ao da Conab comercializaram 4,6 mil toneladas de alface<\/strong>, sendo os principais volumes em S\u00e3o Paulo (2,2 mil), Curitiba (870,7 mil) e Fortaleza (558,6 mil).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O aumento da temperatura provocado pelas&nbsp;mudan\u00e7as clim\u00e1ticas&nbsp;pode&nbsp;tornar invi\u00e1vel o cultivo de alface em campos abertos&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":11773297,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-11773295","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-meio-ambiente"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11773295","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11773295"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11773295\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11773298,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11773295\/revisions\/11773298"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11773297"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11773295"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11773295"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11773295"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}