{"id":11776773,"date":"2025-12-09T08:21:00","date_gmt":"2025-12-09T12:21:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/?p=11776773"},"modified":"2025-12-09T07:58:19","modified_gmt":"2025-12-09T11:58:19","slug":"profissionais-do-sus-receberao-treinamento-em-cuidados-paliativos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/profissionais-do-sus-receberao-treinamento-em-cuidados-paliativos\/","title":{"rendered":"Profissionais do SUS receber\u00e3o treinamento em cuidados paliativos"},"content":{"rendered":"<p>Profissionais de\u00a0servi\u00e7os de aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria \u00e0 sa\u00fade ser\u00e3o treinados para atuar em cuidados paliativos, com o objetivo de proporcionar mais qualidade de vida \u00e0s pessoas com doen\u00e7as graves. O novo ciclo do Projeto Cuidados Paliativos\u00a0come\u00e7a em 2026\u00a0em 20 estados. O projeto \u00e9 uma parceria do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e do Hospital S\u00edrio-Liban\u00eas, por meio do\u00a0Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (Proadi-SUS).\u00a0<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1671317&amp;o=node\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1671317&amp;o=node\" \/><\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0\u00a0Ag\u00eancia Brasil, a paliativista e coordenadora m\u00e9dica do projeto no S\u00edrio-Liban\u00eas, Maria Perez, informou que o primeiro encontro com as\u00a020 secretarias estaduais de Sa\u00fade j\u00e1 foi realizado. Ela explicou\u00a0que a compreens\u00e3o mais frequente sobre os cuidados paliativos \u00e9 que eles s\u00e3o utilizados apenas em pacientes terminais, sem chance de cura. Mas isso n\u00e3o \u00e9 correto.<\/p>\n<p>De acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), essa \u00e9 uma abordagem que foca a quest\u00e3o de qualidade de vida, olhando n\u00e3o s\u00f3 os sintomas f\u00edsicos, mas tamb\u00e9m quest\u00f5es emocionais, sociais, espirituais dos pacientes e seus familiares, ben\u00e9fica a todos os portadores de\u00a0doen\u00e7as graves. Esses cuidados devem ser oferecidos junto com o tratamento espec\u00edfico para a doen\u00e7a de base que o paciente tiver<\/p>\n<blockquote><p>\u201cQuando a gente fala em abordagem de cuidados paliativos, n\u00e3o necessita necessariamente que seja um especialista em cuidados paliativos atuando. Mas que tenha esse olhar, pensando na qualidade de vida, trazendo a pessoa para o centro do cuidado, ter sempre uma aten\u00e7\u00e3o na comunica\u00e7\u00e3o e no manejo de sintomas&#8221;, afirmou Maria Perez.<\/p><\/blockquote>\n<p>Para ela, isso deveria acontecer desde o diagn\u00f3stico de uma doen\u00e7a amea\u00e7adora da vida. &#8220;Os pacientes precisam muito dessa abordagem de cuidados paliativos. Que ela seja ofertada no momento da terminalidade, mas n\u00e3o s\u00f3\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>O projeto Cuidados Paliativos, via Proadi-SUS, come\u00e7ou a ser desenvolvido no Hospital S\u00edrio-Liban\u00eas em 2020, envolvendo profissionais de hospitais, ambulat\u00f3rios de especialidades e servi\u00e7os de atendimento domiciliar. Mais de 10\u00a0mil profissionais de sa\u00fade do SUS participaram de capacita\u00e7\u00f5es ofertadas por meio do projeto e mais de 12 mil pacientes com demandas de cuidados paliativos foram identificados por esses servi\u00e7os de sa\u00fade.<\/p>\n<p>A iniciativa \u00e9 focada na capacita\u00e7\u00e3o e na implementa\u00e7\u00e3o de novos protocolos para atender a esse perfil de paciente.\u00a0Em 2024, ap\u00f3s o lan\u00e7amento da Pol\u00edtica Nacional de Cuidados Paliativos, o programa foi reformulado, transformando-se em projeto de apoio \u00e0 pol\u00edtica.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cA\u00ed, a gente passou a trabalhar n\u00e3o s\u00f3 hospitais, ambulat\u00f3rios de especialidades e servi\u00e7os de atendimento, mas tamb\u00e9m unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e Servi\u00e7os de Atendimento M\u00f3vel de Urg\u00eancia (Samus), que t\u00eam atua\u00e7\u00e3o mais pr\u00f3xima \u00e0s secretarias estaduais de Sa\u00fade&#8221;, disse<\/p><\/blockquote>\n<p>No ciclo iniciado em 2024, mais de 150 servi\u00e7os de sa\u00fade de 19 estados e do Distrito Federal participaram do projeto, entre eles UPAs e servi\u00e7os de Atendimento M\u00e9dico de Urg\u00eancia (Samus).\u00a0Como se tratam de servi\u00e7os de atendimento emergencial, Maria Perez conta que a primeira impress\u00e3o foi de estranhamento. &#8220;Mas \u00e0 medida que as equipes foram entendendo o conceito correto de cuidados paliativos, foram percebendo que j\u00e1 atendiam essas pessoas, com crises de dor e falta de ar e que acionam o Samu&#8221;, acrescentou.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cA gente teve a participa\u00e7\u00e3o de 49 hospitais, 54 servi\u00e7os de atendimento domiciliar, 11 ambulat\u00f3rios, 19 UPAs e 16 Samus espalhados pelo Brasil. Agora, estamos esperando a indica\u00e7\u00e3o das secretarias sobre quais s\u00e3o os servi\u00e7os que v\u00e3o participar no pr\u00f3ximo ano\u201d, disse a especialista. A expectativa \u00e9 que, ao final de 2026, o projeto dever\u00e1 alcan\u00e7ar um ter\u00e7o das macrorregi\u00f5es do pa\u00eds.<\/p><\/blockquote>\n<p>A partir de agora, com a a\u00e7\u00e3o mais pr\u00f3xima \u00e0s secretarias estaduais de Sa\u00fade, a ideia \u00e9 fortalecer o trabalho em toda a rede. \u201cPorque da\u00ed a gente consegue garantir ou buscar essa continuidade de cuidado, essa qualidade assistencial\u201d, disse ainda Maria Perez.<\/p>\n<h2>Pioneirismo<\/h2>\n<p>Um dos primeiros servi\u00e7os a receber o projeto foi o Samu 192 &#8211; Regional do Alto Vale do Para\u00edba, no estado de S\u00e3o Paulo. Para Rita de C\u00e1ssia Duarte, enfermeira e supervisora do\u00a0Servi\u00e7o de Atendimento M\u00f3vel de Urg\u00eancia\u00a0(Samu) no Vale do Para\u00edba, a iniciativa \u00a0foi um divisor de \u00e1guas, trazendo benef\u00edcios para o servi\u00e7o, para a popula\u00e7\u00e3o e toda a aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cPara os profissionais que atuam com urg\u00eancia e emerg\u00eancia, cuidados paliativos eram algo muito novo. De maneira geral, o foco desse profissional sempre foi salvar vidas e lidar com situa\u00e7\u00f5es de risco imediato, e n\u00e3o acompanhar pacientes com condi\u00e7\u00f5es irrevers\u00edveis. Havia uma dificuldade em entender que h\u00e1 limita\u00e7\u00e3o e que, em alguns casos, n\u00e3o haver\u00e1 interven\u00e7\u00f5es curativas, mas, ainda assim, haver\u00e1 cuidado, acolhimento e aten\u00e7\u00e3o a um perfil espec\u00edfico de paciente\u201d, disse\u00a0Rita de C\u00e1ssia.<\/p><\/blockquote>\n<h2>Avan\u00e7os<\/h2>\n<p>Maria Perez avaliou que o Brasil tem avan\u00e7ado muito na pauta de cuidados paliativos. \u201cAntigamente, a gente falava e a pessoa n\u00e3o sabia nem do que est\u00e1vamos falando. Hoje em dia, como o assunto tem estado mais na m\u00eddia, os profissionais t\u00eam procurado entender\u201d.<\/p>\n<p>De acordo com a especialista, um dos principais pontos trabalhados na capacita\u00e7\u00e3o \u00e9 a identifica\u00e7\u00e3o da demanda, para que os profissionais consigam identificar os pacientes que precisam desses cuidados e qual a melhor forma de oferec\u00ea-los. A forma\u00e7\u00e3o parte de ferramentas com base cient\u00edfica,\u00a0mas tamb\u00e9m ressalta a import\u00e2ncia de haver\u00a0 &#8220;um momento para conversar com o paciente e familiares para entender as condi\u00e7\u00f5es biogr\u00e1ficas e de valores, do que \u00e9 importante para o paciente, o que \u00e9 qualidade de vida para ele\u201d, enfatizou.<\/p>\n<p>Juntando essas informa\u00e7\u00f5es com o paciente e a fam\u00edlia, o profissional poder\u00e1 entender qual \u00e9 o melhor tratamento para aquela pessoa. \u201c\u00c9 o que a gente chama de cuidado centrado na pessoa: tem a ver com a hist\u00f3ria de vida do paciente e seus valores,\u00a0n\u00e3o s\u00f3 com quest\u00f5es biol\u00f3gicas&#8221;. A partir da\u00ed, o profissional deve fazer o planejamento de cuidados, considerando a doen\u00e7a de base do paciente e as possibilidades de tratamento, com a rela\u00e7\u00e3o risco benef\u00edcio de cada uma delas.<\/p>\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) orienta que cuidados paliativos constituem uma abordagem voltada para reduzir o sofrimento de pacientes com doen\u00e7as que amea\u00e7am a vida, proporcionando a melhor qualidade de vida, inclusive no final da exist\u00eancia dessa pessoa. Estima-se que mais de 73 milh\u00f5es de pessoas no mundo necessitam de cuidados paliativos a cada ano. Ainda de acordo com a OMS, cerca de 20 milh\u00f5es de pessoas morrem anualmente com dor e sofrimento devido \u00e0 falta de acesso a cuidados paliativos e ao al\u00edvio da dor.<\/p>\n<p>O projeto resultou na produ\u00e7\u00e3o e publica\u00e7\u00e3o de um Manual de Cuidados Paliativos, adotado como refer\u00eancia na apresenta\u00e7\u00e3o da nova pol\u00edtica no SUS, publicado em 2023.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Profissionais de\u00a0servi\u00e7os de aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria \u00e0 sa\u00fade ser\u00e3o treinados para atuar em cuidados paliativos, com&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":11776774,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21],"tags":[222],"class_list":["post-11776773","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-saude","tag-saude"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11776773","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11776773"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11776773\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11776775,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11776773\/revisions\/11776775"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11776774"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11776773"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11776773"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11776773"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}