{"id":11778760,"date":"2026-02-18T09:43:00","date_gmt":"2026-02-18T13:43:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/?p=11778760"},"modified":"2026-02-18T10:34:02","modified_gmt":"2026-02-18T14:34:02","slug":"tire-o-plastico-dos-pes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/tire-o-plastico-dos-pes\/","title":{"rendered":"Tire o pl\u00e1stico dos p\u00e9s"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>Wilson Aquino &#8211; Jornalista, Professor e Escritor<\/em><\/p>\n\n\n<p style=\"font-weight: 400;\">O homem moderno se orgulha do progresso. Nunca tivemos tanta tecnologia, tanta praticidade e tanta oferta de produtos. Mas uma pergunta inc\u00f4moda precisa ser feita: estamos realmente mais saud\u00e1veis e mais livres&#8230; ou apenas mais dependentes da ind\u00fastria?<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Quem j\u00e1 levou uma pequena descarga el\u00e9trica ao tocar outra pessoa ou encostar em um objeto met\u00e1lico talvez nunca tenha parado para pensar que o pr\u00f3prio estilo de vida moderno pode estar nos isolando da natureza. Pesquisadores v\u00eam estudando o chamado &#8216;Grounding&#8217;, ou &#8216;Aterramento corporal&#8217;, que analisa benef\u00edcios do contato direto do corpo com o solo natural. Ainda que as pesquisas estejam em desenvolvimento, j\u00e1 apresentam resultados promissores e levantam uma reflex\u00e3o inquietante: h\u00e1 poucas d\u00e9cadas, o ser humano mantinha muito mais contato com a terra, com a grama e com o ambiente natural e n\u00e3o enfrentava tantos problemas de sa\u00fade como agora.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Hoje, usamos cal\u00e7ados com solados sint\u00e9ticos, isolantes, praticamente o tempo todo. N\u00e3o se trata de condenar a tecnologia, mas de questionar se cada avan\u00e7o realmente representa evolu\u00e7\u00e3o para a sa\u00fade e o bem-estar humano \u2014 ou apenas para o mercado consumidor. Ao longo do tempo, fomos perdendo algo essencial: a capacidade de questionar.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A alimenta\u00e7\u00e3o talvez seja o exemplo mais evidente dessa transforma\u00e7\u00e3o cultural silenciosa. A chamada &#8220;comida de verdade&#8221; vem sendo substitu\u00edda por produtos ultraprocessados, formula\u00e7\u00f5es industriais criadas para durar mais, vender mais e estimular o consumo cont\u00ednuo. Pesquisas da Universidade de S\u00e3o Paulo associam o consumo elevado desses produtos ao aumento da obesidade, diabetes, doen\u00e7as cardiovasculares, depress\u00e3o e at\u00e9 alguns tipos de c\u00e2ncer.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade mostram que mais da metade da popula\u00e7\u00e3o adulta brasileira est\u00e1 acima do peso, realidade fortemente ligada ao padr\u00e3o alimentar moderno. O consumidor raramente percebe que est\u00e1 inserido em uma engrenagem econ\u00f4mica que estimula o consumo constante. Muitos alimentos apresentam r\u00f3tulos extensos, com ingredientes que grande parte da popula\u00e7\u00e3o sequer reconhece. O alimento deixa de ser nutri\u00e7\u00e3o e passa a ser produto.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Outro fen\u00f4meno crescente \u00e9 o surgimento de alimentos que imitam produtos tradicionais, mas que, na pr\u00e1tica, s\u00e3o formula\u00e7\u00f5es industriais carregadas de aditivos. O iogurte \u00e9 um exemplo emblem\u00e1tico. Tradicionalmente produzido pela fermenta\u00e7\u00e3o natural do leite e reconhecido por seus benef\u00edcios intestinais, hoje muitas vers\u00f5es industrializadas apresentam elevados \u00edndices de a\u00e7\u00facar, espessantes, corantes e os chamados &#8220;aromatizantes sint\u00e9ticos id\u00eanticos ao natural&#8221;. Descri\u00e7\u00e3o que deveria nos deixar apavorados.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">E o iogurte n\u00e3o est\u00e1 sozinho. Cremes e requeij\u00f5es industrializados, queijos processados, achocolatados ricos em a\u00e7\u00facar, sucos industrializados, margarinas ultraprocessadas e carnes embutidas representam apenas algumas vers\u00f5es artificiais de alimentos tradicionais, muitas delas associadas por estudos internacionais ao aumento do risco de doen\u00e7as cr\u00f4nicas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A hist\u00f3ria recente da alimenta\u00e7\u00e3o mostra como percep\u00e7\u00f5es podem ser moldadas por interesses econ\u00f4micos. O ovo j\u00e1 foi tratado como vil\u00e3o do colesterol e hoje integra uma alimenta\u00e7\u00e3o equilibrada. A banha animal foi retirada das cozinhas para dar espa\u00e7o aos \u00f3leos vegetais industrializados, que agora tamb\u00e9m passam por revis\u00f5es e cr\u00edticas cient\u00edficas quanto ao grau de processamento e impactos metab\u00f3licos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O sal refinado, presente em praticamente todas as cozinhas brasileiras, \u00e9 composto basicamente por cloreto de s\u00f3dio, enquanto sais naturais (sal grosso) preservam at\u00e9 mais de 80 minerais ben\u00e9ficos para a sa\u00fade humana.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Talvez o maior risco da sociedade atual n\u00e3o esteja apenas nos produtos que consumimos, mas na passividade com que aceitamos padr\u00f5es impostos. Somos influenciados diariamente por campanhas publicit\u00e1rias sofisticadas, embalagens sedutoras e discursos que associam praticidade \u00e0 felicidade, enquanto pouco se discute sobre os efeitos silenciosos dessas escolhas ao longo dos anos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O ser humano passou a confiar mais na propaganda do que na pr\u00f3pria natureza. N\u00e3o se trata de negar o progresso, mas de compreender que crescimento econ\u00f4mico n\u00e3o pode ser confundido com evolu\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">E quanto ao pl\u00e1stico nos p\u00e9s, surge uma reflex\u00e3o inevit\u00e1vel: se estudos come\u00e7am a indicar que a redu\u00e7\u00e3o dos isolantes pode favorecer o equil\u00edbrio do organismo pela maior integra\u00e7\u00e3o com o ambiente natural, ser\u00e1 que a pr\u00f3pria ind\u00fastria n\u00e3o passar\u00e1 a desenvolver cal\u00e7ados capazes de resgatar essa conex\u00e3o perdida? Quem sabe misturas inteligentes de materiais naturais, como o couro, associadas a componentes sint\u00e9ticos, possam surgir, inclusive no universo esportivo, onde atletas produzem enormes cargas de energia durante provas de alto rendimento, como as maratonas?<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Talvez estejamos diante de uma nova fronteira do desempenho humano. N\u00e3o seria exagero imaginar que, ao permitir que o corpo humano mantenha maior harmonia com as for\u00e7as naturais que regem a vida, novos limites f\u00edsicos possam ser superados. Acredito nisso. Acredito at\u00e9 em novos e incr\u00edveis recordes no mundo dos esportes. Afinal, o ser humano n\u00e3o \u00e9 apenas mat\u00e9ria, mas tamb\u00e9m energia em constante intera\u00e7\u00e3o com o ambiente que o cerca.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Quando essa intera\u00e7\u00e3o acontece de forma plena, o corpo tende a encontrar maior equil\u00edbrio, fluidez e efici\u00eancia. Permitir que essa energia circule livremente, sem os bloqueios artificiais impostos pelo isolamento excessivo, pode significar n\u00e3o apenas ganhos de desempenho esportivo, mas tamb\u00e9m um reencontro natural com a energia universal que sustenta e conecta toda a cria\u00e7\u00e3o \u2014 uma energia que representa a pr\u00f3pria manifesta\u00e7\u00e3o de Deus na natureza.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Wilson Aquino &#8211; Jornalista, Professor e Escritor O homem moderno se orgulha do progresso. 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