{"id":11787717,"date":"2026-10-27T10:35:00","date_gmt":"2026-10-27T14:35:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/?p=11787717"},"modified":"2026-10-27T10:54:43","modified_gmt":"2026-10-27T14:54:43","slug":"desafios-fortalecem-corpo-e-alma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/desafios-fortalecem-corpo-e-alma\/","title":{"rendered":"Desafios fortalecem corpo e alma"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\"><em>Wilson Aquino &#8211; Jornalista, Professor, Escritor e Publicit\u00e1rio, autor do livro Reflex\u00f5es e Mem\u00f3ria<br><a href=\"mailto:wilsonaquino2012@gmail.com\">wilsonaquino2012@gmail.com<\/a><\/em><\/p>\n\n\n<p>A vida \u00e9 uma batalha constante do indiv\u00edduo contra os obst\u00e1culos do caminho, na busca de objetivos que podem ser tempor\u00e1rios ou permanentes. Felizes os perseverantes que n\u00e3o desistem diante das dificuldades, porque a conquista, para quem insiste, quase sempre chega. Mas h\u00e1 uma verdade mais profunda nessa constata\u00e7\u00e3o, e \u00e9 ela que merece ser dita com clareza: a prova\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas antecede a vit\u00f3ria, ela fabrica o vencedor. Ningu\u00e9m atravessa uma dificuldade real e sai igual ao que entrou. A alma humana n\u00e3o nasce pronta, como uma pe\u00e7a acabada de f\u00e1brica; ela se forma no atrito, no esfor\u00e7o, na resist\u00eancia.<\/p>\n<p>Para entender isso, basta olhar o corpo. O m\u00fasculo n\u00e3o cresce no repouso, cresce na carga. \u00c9 o esfor\u00e7o repetido que rompe as fibras e obriga o organismo a reconstru\u00ed-las mais fortes. O osso, submetido a impacto, torna-se mais denso. O sistema imunol\u00f3gico s\u00f3 amadurece em contato com o mundo, com os germes, com as pequenas batalhas do dia a dia. A natureza tem uma lei silenciosa e implac\u00e1vel: aquilo que \u00e9 poupado, enfraquece; aquilo que \u00e9 desafiado, se fortalece.<\/p>\n<p>A mesma lei governa as \u00e1rvores. Uma \u00e1rvore cultivada em estufa, protegida do vento, cresce depressa e alta, mas produz madeira fr\u00e1gil, e tomba ao primeiro vendaval. A \u00e1rvore que enfrenta o vento todos os dias desenvolve fibras mais densas, ra\u00edzes mais profundas, tronco capaz de vergar sem quebrar. O vento que a castiga \u00e9 o mesmo que a sustenta de p\u00e9. \u00c9 exatamente essa a imagem que as pernas do atleta oferecem: as pernas magras do fundista n\u00e3o carregam a mesma hist\u00f3ria das pernas musculosas do corredor de obst\u00e1culos. Cada m\u00fasculo ali \u00e9 o registro de uma dificuldade vencida.<\/p>\n<p>Vale estender a analogia. O fundista corre em terreno plano e previs\u00edvel; o corredor de obst\u00e1culos treina o corpo para o imprevisto. A vida contempor\u00e2nea, ao contr\u00e1rio do que promete, n\u00e3o \u00e9 plana. Ela \u00e9 um percurso cheio de cercas, valas e barreiras que mudam de lugar. Quem s\u00f3 aprendeu a correr em pista lisa chega despreparado \u00e0 primeira cerca.<\/p>\n<p>Nunca foi t\u00e3o necess\u00e1rio preparar-se para o obst\u00e1culo. Vivemos um tempo de transforma\u00e7\u00e3o acelerada, em que a tecnologia avan\u00e7a a passos largos, substitui of\u00edcios inteiros, obriga profissionais experientes a se reinventarem e transforma em obsoleta, em poucos anos, uma habilidade que parecia eterna. A intelig\u00eancia artificial, a automa\u00e7\u00e3o e a digitaliza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os redesenham o mercado de trabalho com uma velocidade que nenhuma gera\u00e7\u00e3o anterior conheceu. Diante disso, a pergunta deixou de ser se surgir\u00e3o dificuldades, porque elas certamente surgir\u00e3o, e passou a ser quem estar\u00e1 preparado para atravess\u00e1-las.<\/p>\n<p>H\u00e1, por\u00e9m, um paradoxo cruel no nosso tempo. Quanto mais conforto conquistamos, menos toler\u00e2ncia desenvolvemos ao desconforto. Criamos uma cultura que promete uma vida sem atrito, sem espera, sem frustra\u00e7\u00e3o, em que tudo se resolve com um toque na tela. O resultado \u00e9 uma gera\u00e7\u00e3o que sabe pedir, mas n\u00e3o sabe esperar; que sabe conquistar r\u00e1pido, mas n\u00e3o sabe perder; que confunde bem-estar com aus\u00eancia de dor. Os consult\u00f3rios de psicologia e psiquiatria, especialmente entre os jovens, registram o pre\u00e7o dessa conta. A dificuldade n\u00e3o aumentou; a nossa resist\u00eancia a ela \u00e9 que diminuiu.<\/p>\n<p>Por isso o aprendizado precisa come\u00e7ar cedo, e come\u00e7a em casa. Cabe aos pais ensinar aos pequenos, desde os primeiros anos, que a dificuldade faz parte do brincar e do viver. Ensin\u00e1-los a raciocinar, a tentar de novo, a buscar alternativas diante de um brinquedo que n\u00e3o encaixa, de um jogo que n\u00e3o se ganha, de uma tarefa que parece imposs\u00edvel. O pai ou a m\u00e3e que toma a frente e resolve tudo pela crian\u00e7a, acreditando proteg\u00ea-la, na verdade lhe rouba a li\u00e7\u00e3o mais valiosa da inf\u00e2ncia: a descoberta de que ela \u00e9 capaz.<\/p>\n<p>A superprote\u00e7\u00e3o \u00e9 uma forma sutil de crueldade. Ela tem a apar\u00eancia do amor, e \u00e9 justamente por isso que engana. A crian\u00e7a que nunca falhou n\u00e3o aprende a lidar com o fracasso. O adolescente que nunca foi contrariado chega \u00e0 vida adulta sem defesas emocionais. O jovem que nunca precisou esperar por nada tende a desmoronar diante da primeira negativa. H\u00e1 um nome para esse fen\u00f4meno em outros pa\u00edses, e ele j\u00e1 tem nome tamb\u00e9m entre n\u00f3s: a gera\u00e7\u00e3o que n\u00e3o sai de casa, que n\u00e3o assume riscos, que adia indefinidamente a vida adulta porque nunca foi preparada para o atrito do mundo. Ensinar a enfrentar a dificuldade \u00e9 o maior presente que um pai pode dar a um filho, maior do que qualquer facilidade material.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria, brasileira e mundial, est\u00e1 cheia de provas de que a prova\u00e7\u00e3o, quando enfrentada com sentido, forja o car\u00e1ter. N\u00e3o se trata de romantizar a dor, mas de reconhecer o que ela \u00e9 capaz de produzir quando encontra uma pessoa disposta a n\u00e3o se render.<\/p>\n<p>Comecemos por casa. Lu\u00eds Gama nasceu livre em Salvador, em 1830, filho de uma africana e de um portugu\u00eas, e foi vendido como escravo pelo pr\u00f3prio pai, aos dez anos, para pagar d\u00edvidas de jogo. Analfabeto at\u00e9 os dezessete, conquistou a pr\u00f3pria liberdade, aprendeu a ler e a escrever e, impedido de estudar Direito por ser negro, tornou-se advogado autodidata. Usando as brechas da lei, libertou mais de quinhentas pessoas escravizadas. S\u00f3 em 2015, cento e trinta e tr\u00eas anos depois de sua morte, a Ordem dos Advogados do Brasil lhe reconheceu o t\u00edtulo que a cor da pele havia negado. Nenhuma porta se abriu para ele, e ele acabou atravessando as paredes.<\/p>\n<p>Ant\u00f4nio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, nasceu por volta de 1738, filho de um arquiteto portugu\u00eas com uma mulher escravizada. A partir de 1777, uma doen\u00e7a degenerativa que a medicina at\u00e9 hoje discute foi deformando seu corpo e destruindo seus membros, sobretudo as m\u00e3os. Perdeu os dedos dos p\u00e9s e passou a andar de joelhos. Conta-se que amarrava as ferramentas aos pulsos para continuar esculpindo. Foi assim, mutilado e sofrendo dores cont\u00ednuas, que produziu os profetas de Congonhas e as igrejas que fizeram dele o maior nome do barroco mineiro. A doen\u00e7a lhe tirou as m\u00e3os, mas n\u00e3o conseguiu tirar-lhe a obra.<\/p>\n<p>Carolina Maria de Jesus teve dois anos de escola. Negra, pobre, m\u00e3e de tr\u00eas filhos, sobrevivia como catadora de papel na favela do Canind\u00e9, em S\u00e3o Paulo, e escrevia em cadernos que encontrava no lixo. Desses cadernos nasceu Quarto de Despejo, publicado em 1960, traduzido para dezenas de idiomas e transformado em um dos testemunhos mais importantes da literatura brasileira. Ela n\u00e3o escreveu apesar da mis\u00e9ria, mas dentro dela, e transformou a mis\u00e9ria em voz.<\/p>\n<p>Machado de Assis era filho de um pintor mulato e de uma portuguesa, cresceu pobre no Rio de Janeiro, sofreu com crises de epilepsia e estudou quase tudo sozinho. Tornou-se o maior escritor do pa\u00eds e o fundador da Academia Brasileira de Letras. Chiquinha Gonzaga foi obrigada a um casamento de conveni\u00eancia, separou-se quando isso ainda era esc\u00e2ndalo e se tornou a primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil, al\u00e9m de compor a primeira marcha de carnaval. Nise da Silveira foi presa e perseguida por suas ideias, recusou-se a aplicar tratamentos violentos aos doentes mentais e criou um m\u00e9todo que humanizou a psiquiatria brasileira. Herbert de Souza, o Betinho, hemof\u00edlico, contaminado por transfus\u00f5es e depois portador do v\u00edrus da aids, organizou a maior campanha de combate \u00e0 fome da hist\u00f3ria do pa\u00eds. Cada um deles encontrou, na pr\u00f3pria ferida, a raz\u00e3o de sua luta.<\/p>\n<p>No esporte, o Brasil tem uma galeria inteira de provas. Daniel Dias nasceu com m\u00e1-forma\u00e7\u00e3o cong\u00eanita nos bra\u00e7os e na perna direita e se tornou o maior nadador paral\u00edmpico do mundo, com vinte e sete medalhas, catorze delas de ouro. Rebeca Andrade rompeu o ligamento cruzado do joelho tr\u00eas vezes, passou por tr\u00eas cirurgias reconstrutivas e, mesmo assim, se tornou a primeira brasileira a ganhar ouro ol\u00edmpico na gin\u00e1stica. Marta saiu de Dois Riachos, no sert\u00e3o de Alagoas, para ser eleita seis vezes a melhor jogadora do mundo. Pel\u00e9 engraxou sapatos em Bauru antes de se tornar o maior jogador de todos os tempos. Garrincha nasceu com as pernas tortas e uma delas mais curta, e virou o maior driblador que o futebol conheceu. Vin\u00edcius J\u00fanior saiu de S\u00e3o Gon\u00e7alo e enfrentou o racismo nos est\u00e1dios da Europa at\u00e9 se transformar em s\u00edmbolo mundial da luta contra a discrimina\u00e7\u00e3o. Em todos esses casos, a limita\u00e7\u00e3o inicial deixou de ser um ponto final para se tornar um ponto de partida.<\/p>\n<p>Fora do Brasil, os exemplos se multiplicam. Nelson Mandela passou vinte e sete anos na pris\u00e3o, dezoito deles numa cela de Robben Island, e saiu de l\u00e1 sem \u00f3dio, para presidir a na\u00e7\u00e3o que o havia encarcerado. Viktor Frankl sobreviveu a Auschwitz depois de perder a esposa, os pais e o irm\u00e3o, e escreveu, a partir dessa experi\u00eancia, uma das obras mais importantes do s\u00e9culo sobre o sentido da vida. Beethoven ficou surdo e comp\u00f4s, j\u00e1 sem ouvir, a Nona Sinfonia. Helen Keller, cega e surda desde os dezenove meses, formou-se em uma universidade que nenhuma mulher como ela havia frequentado. Frida Kahlo teve a coluna destru\u00edda em um acidente de \u00f4nibus e pintou, da cama, uma obra que atravessou o s\u00e9culo. Stephen Hawking recebeu aos vinte e um anos o diagn\u00f3stico de uma doen\u00e7a degenerativa e viveu at\u00e9 os setenta e seis, tornando-se um dos maiores f\u00edsicos da hist\u00f3ria. Malala Yousafzai levou um tiro na cabe\u00e7a aos quinze anos por defender o direito das meninas de estudar e, dois anos depois, recebeu o Pr\u00eamio Nobel da Paz.<\/p>\n<p>A lista continua. Oprah Winfrey nasceu na pobreza do Mississippi, sofreu abusos na inf\u00e2ncia e se tornou uma das mulheres mais influentes do mundo. J. K. Rowling escreveu o primeiro livro de Harry Potter sendo m\u00e3e solteira e vivendo de aux\u00edlio do governo, depois de ver o original recusado por uma d\u00fazia de editoras. Steve Jobs foi entregue para ado\u00e7\u00e3o ao nascer e demitido da empresa que fundou, antes de voltar e reinvent\u00e1-la. Nick Vujicic nasceu sem bra\u00e7os e sem pernas e se tornou palestrante em dezenas de pa\u00edses. Bethany Hamilton perdeu o bra\u00e7o esquerdo para um tubar\u00e3o aos treze anos e voltou a competir no surfe. Emmanuel Ofosu Yeboah, nascido em Gana sem a t\u00edbia da perna direita, pedalou cerca de seiscentos quil\u00f4metros pelo pa\u00eds para provar que a defici\u00eancia n\u00e3o define ningu\u00e9m. Terry Fox perdeu uma perna para o c\u00e2ncer e correu mais de cinco mil quil\u00f4metros pelo Canad\u00e1 em uma maratona que arrecada milh\u00f5es at\u00e9 hoje. Abraham Lincoln perdeu a m\u00e3e na inf\u00e2ncia, fracassou em neg\u00f3cios e foi derrotado em v\u00e1rias elei\u00e7\u00f5es antes de presidir os Estados Unidos e abolir a escravid\u00e3o. Ray Charles ficou cego aos sete anos e \u00f3rf\u00e3o aos quinze, e se tornou uma lenda da m\u00fasica. Andrea Bocelli perdeu a vis\u00e3o aos doze e se tornou um dos cantores mais ouvidos do planeta.<\/p>\n<p>Mas seria ing\u00eanuo concluir que toda dor enobrece. N\u00e3o enobrece. H\u00e1 sofrimento que destr\u00f3i, que adoece, que quebra uma pessoa para sempre. A diferen\u00e7a entre a prova\u00e7\u00e3o que fortalece e a prova\u00e7\u00e3o que aniquila depende menos do tamanho da dificuldade do que do sentido que se d\u00e1 a ela e do apoio que se tem para atravess\u00e1-la. \u00c9 por isso que a solid\u00e3o \u00e9 t\u00e3o perigosa quanto o obst\u00e1culo, e que a f\u00e9, a fam\u00edlia, os amigos e o exemplo de quem j\u00e1 venceu funcionam como cordas lan\u00e7adas a quem est\u00e1 no fundo do po\u00e7o.<\/p>\n<p>Viktor Frankl formulou isso com precis\u00e3o ao observar, nos campos de concentra\u00e7\u00e3o, que sobreviviam com mais frequ\u00eancia aqueles que tinham um porqu\u00ea. Quem tem uma raz\u00e3o para viver suporta quase qualquer como viver, dizia ele, retomando Nietzsche. O sentido \u00e9 o que transforma a dor em travessia. Sem sentido, a mesma dor se transforma em naufr\u00e1gio.<\/p>\n<p>Os antigos j\u00e1 sabiam disso. S\u00eaneca escreveu que o fogo prova o ouro e a adversidade prova os homens. Marco Aur\u00e9lio, imperador e fil\u00f3sofo, deixou uma frase que resume a sabedoria estoica: o que impede a a\u00e7\u00e3o faz avan\u00e7ar a a\u00e7\u00e3o, e o que est\u00e1 no caminho torna-se o caminho. A sabedoria estoica n\u00e3o consiste em desejar a pedra, mas em compreender que a pedra \u00e9 o pr\u00f3prio ch\u00e3o por onde se anda.<\/p>\n<p>A tradi\u00e7\u00e3o espiritual crist\u00e3, que alimenta a reflex\u00e3o deste artigo, diz a mesma coisa com outras palavras. O ap\u00f3stolo Paulo escreveu aos romanos que a tribula\u00e7\u00e3o produz perseveran\u00e7a, a perseveran\u00e7a produz car\u00e1ter, e o car\u00e1ter produz esperan\u00e7a. Tiago recomendou que se considerasse motivo de alegria passar por prova\u00e7\u00f5es, porque a prova da f\u00e9 gera const\u00e2ncia. Pedro comparou a f\u00e9 provada ao ouro purificado pelo fogo. E a carta aos Hebreus lembra que nenhuma disciplina parece agrad\u00e1vel no momento, mas depois produz fruto de justi\u00e7a em quem foi por ela exercitado. O que se afirma aqui n\u00e3o \u00e9 uma apologia do sofrimento, mas o reconhecimento de que existe uma alquimia poss\u00edvel entre a dor e o crescimento, e que ela depende de como recebemos o que a vida nos imp\u00f5e.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma imagem oriental que traduz tudo isso com uma beleza dif\u00edcil de superar. Chama-se kintsugi, a arte japonesa de consertar cer\u00e2micas quebradas com ouro. Em vez de esconder as rachaduras, o artes\u00e3o as real\u00e7a, e a pe\u00e7a consertada passa a valer mais do que a pe\u00e7a intacta. A fratura deixa de ser defeito e se torna mem\u00f3ria, hist\u00f3ria, identidade. \u00c9 o que acontece com a alma que atravessa a prova\u00e7\u00e3o sem se deixar destruir: as cicatrizes ficam, mas ficam douradas.<\/p>\n<p>Voltemos \u00e0s pernas do corredor de obst\u00e1culos. Elas s\u00e3o o retrato de uma verdade simples e exigente: ningu\u00e9m se torna forte sem resist\u00eancia, e nenhuma alma amadurece sem prova\u00e7\u00e3o. N\u00e3o devemos pedir uma vida sem dificuldades, porque essa vida n\u00e3o existe e, se existisse, produziria pessoas fr\u00e1geis. Devemos pedir, isso sim, a for\u00e7a para atravessar as dificuldades que vierem, a sabedoria para encontrar sentido nelas e a companhia de quem nos estenda a m\u00e3o quando as pernas fraquejarem.<\/p>\n<p>E devemos, sobretudo, ensinar isso a quem vem depois de n\u00f3s. Cada gera\u00e7\u00e3o tem o dever de preparar a seguinte n\u00e3o para um mundo sem obst\u00e1culos, mas para um mundo cheio deles. \u00c9 esse o legado que vale a pena deixar: n\u00e3o a facilidade, mas a capacidade de enfrentar a dificuldade. Porque a alma que atravessou a prova\u00e7\u00e3o sem se render n\u00e3o se torna apenas mais forte: torna-se capaz de sustentar outras. E \u00e9 isso, no fim, que d\u00e1 sentido \u00e0 jornada.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Wilson Aquino &#8211; Jornalista, Professor, Escritor e Publicit\u00e1rio, autor do livro Reflex\u00f5es e Mem\u00f3riawilsonaquino2012@gmail.com A vida \u00e9 uma batalha constante do indiv\u00edduo contra os obst\u00e1culos do caminho, na busca de objetivos que podem ser tempor\u00e1rios ou permanentes. Felizes os perseverantes que n\u00e3o desistem diante das dificuldades, porque a conquista, para quem insiste, quase sempre chega. 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