{"id":14500,"date":"2018-03-03T10:32:20","date_gmt":"2018-03-03T14:32:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/?p=14500"},"modified":"2018-03-15T14:07:55","modified_gmt":"2018-03-15T18:07:55","slug":"apos-decisao-dos-eua-de-sobretaxar-aco-industria-brasileira-teme-perder-mercado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/apos-decisao-dos-eua-de-sobretaxar-aco-industria-brasileira-teme-perder-mercado\/","title":{"rendered":"Ap\u00f3s decis\u00e3o dos EUA de sobretaxar a\u00e7o, ind\u00fastria brasileira teme perder mercado"},"content":{"rendered":"<p>Com a decis\u00e3o dos Estados Unidos de sobretaxar as exporta\u00e7\u00f5es de a\u00e7o e alum\u00ednio em 25% e 10%, respectivamente, a ind\u00fastria brasileira teme perder espa\u00e7o n\u00e3o s\u00f3 no pa\u00eds norte-americano, mas tamb\u00e9m no pr\u00f3prio mercado interno. Representantes das principais ind\u00fastrias sider\u00fargicas, ouvidos pela\u00a0<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>, avaliam que os demais pa\u00edses afetados pela medida buscar\u00e3o destinar suas vendas a outros consumidores, o que resultar\u00e1 numa forte press\u00e3o comercial sobre as empresas que produzem e empregam no Brasil.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o dois problemas a partir dessa decis\u00e3o. O primeiro \u00e9 perder o principal mercado de exporta\u00e7\u00e3o [EUA], e o segundo \u00e9 que aquele a\u00e7o russo, coreano, japon\u00eas, chin\u00eas que vai buscar outros mercados, e a ind\u00fastria local ser\u00e1 alvo [de concorr\u00eancia]\u201d, avalia Alexandre Lyra, presidente do conselho diretor do Instituto A\u00e7o Brasil, que re\u00fane as principais empresas do setor.<\/p>\n<p>Ao todo, 32% do a\u00e7o exportado pela ind\u00fastria brasileira tem como destino os Estados Unidos. Com isso, o pa\u00eds figura como o segundo maior exportador para o mercado norte-americano, com 4,7 milh\u00f5es de toneladas embarcadas em 2017. S\u00f3 perde para o Canad\u00e1, que exportou 5,8 milh\u00f5es de toneladas ano passado.<\/p>\n<p>Entre os 10 os maiores exportadores de a\u00e7o para os EUA, al\u00e9m de Brasil e Canad\u00e1, est\u00e3o outros parceiros tradicionais do pa\u00eds, como Coreia do Sul (3\u00ba), M\u00e9xico (4\u00ba), Jap\u00e3o (7\u00ba) e Alemanha (8\u00ba). Pa\u00edses como R\u00fassia (5\u00ba) e Turquia (6\u00ba) tamb\u00e9m figuram na lista dos principais exportadores do produto. A China, apesar de ser apenas a 11\u00aa exportadora de a\u00e7o para os EUA, reponde por 50% da produ\u00e7\u00e3o mundial e tem uma capacidade instalada ainda maior, de mais de 400 milh\u00f5es de toneladas, o que poderia inundar os mercados de todos os pa\u00edses com o produto.<\/p>\n<p>No caso do alum\u00ednio, a decis\u00e3o dos EUA de sobretaxar o produto em 10% pode frustrar a expectativa da ind\u00fastria brasileira do crescimento previsto para este ano, ap\u00f3s tr\u00eas anos de quedas sucessivas nas vendas para o mercado interno (entre 2015 e 2017). \u201cA gente estava prevendo um crescimento de 5% no mercado dom\u00e9stico este ano, agora vamos ter que rever isso em fun\u00e7\u00e3o da decis\u00e3o do governo Trump\u201d, lamenta Milton Rego, presidente executivo da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira do Alum\u00ednio (Abal), que representa as empresas do setor.<\/p>\n<p>O presidente da Abal teme exatamente o efeito que a sobretaxa na exporta\u00e7\u00e3o de alum\u00ednio deve ter no deslocamento do mercado dom\u00e9stico pela ind\u00fastria de outros pa\u00edses. \u201cA primeira coisa que tem que ser feita \u00e9 monitorar o que pode acontecer com nossas importa\u00e7\u00f5es. A ind\u00fastria brasileira compete bem com os EUA e a Europa. Com a China, \u00e9 mais complicado, estamos falando de subs\u00eddio cruzado, uma realidade completamente diferente\u201d, observa.<\/p>\n<p>A ind\u00fastria do a\u00e7o tamb\u00e9m deve rever o crescimento de 4% nas vendas que estava previsto para este ano no mercado dom\u00e9stico. \u201cEssa reviravolta [sobretaxa\u00e7\u00e3o do a\u00e7o pelos EUA] vai abrir um flanco para a nossa importa\u00e7\u00e3o em termos de concorr\u00eancia com outros pa\u00edses e vamos ter que ver como nos proteger\u201d, afirma Alexandre Lyra, do Instituto A\u00e7o Brasil.<\/p>\n<p><strong>Rea\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Anunciada na quinta-feira (1\u00ba) pelo presidente norte-americano Donald Trump, a sobretaxa para as importa\u00e7\u00f5es de a\u00e7o e alum\u00ednio pelo pa\u00eds deve come\u00e7ar a valer na pr\u00f3xima semana, com a edi\u00e7\u00e3o de um decreto. Em resposta, o governo brasileiro afirmou que ainda espera chegar a um acordo com os EUA para evitar que o pa\u00eds seja inclu\u00eddo na aplica\u00e7\u00e3o das tarifas. Caso isso n\u00e3o seja poss\u00edvel, o Brasil deve questionar a eleva\u00e7\u00e3o das tarifas em foros globais. \u201cO governo brasileiro n\u00e3o descarta eventuais a\u00e7\u00f5es complementares, no \u00e2mbito multilateral e bilateral, para preservar seus interesses nesse caso concreto\u201d,\u00a0<a href=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/internacional\/noticia\/2018-03\/brasil-pode-contestar-aumento-das-tarifas-de-aco-e-aluminio-nos-eua\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">informou, em nota, o Minist\u00e9rio do Desenvolvimento, Com\u00e9rcio Exterior e Servi\u00e7os (MDIC)<\/a>.<\/p>\n<p>O principal argumento do governo brasileiro e da ind\u00fastria \u00e9 que 80% da exporta\u00e7\u00e3o de a\u00e7o do pa\u00eds para os EUA \u00e9 do produto semiacabado, que chega l\u00e1 para ser reprocessado pelas ind\u00fastrias do pa\u00eds e se tornar mat\u00e9ria-prima para o setor automobil\u00edstico, militar, de petr\u00f3leo. \u201cO a\u00e7o brasileiro n\u00e3o destr\u00f3i emprego nos EUA e ainda complementa a cadeia produtiva deles\u201d, explica Alexandre Lyra.<\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras de a\u00e7o pode causar um efeito colateral para ind\u00fastria de carv\u00e3o mineral dos EUA. Isso porque o Brasil importa mais de US$ 1 bilh\u00e3o por ano de carv\u00e3o norte-americano, que serve de base justamente para a obten\u00e7\u00e3o do a\u00e7o produzido nacionalmente.<\/p>\n<p>Para a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI), a decis\u00e3o norte-americana de impor sobretaxas ao a\u00e7o e alum\u00ednio \u00e9 \u201cinjustificada, ilegal e prejudica o Brasil\u201d. \u201cSe adotadas, as medidas v\u00e3o afetar US$ 3 bilh\u00f5es em exporta\u00e7\u00f5es brasileiras de ferro e a\u00e7o e US$ 144 milh\u00f5es em exporta\u00e7\u00f5es de alum\u00ednio. Isso equivale a uma massa salarial de quase R$ 350 milh\u00f5es e impostos da ordem de R$ 200 milh\u00f5es\u201d, ressaltou a entidade, em nota.<\/p>\n<p>As ind\u00fastrias de a\u00e7o e alum\u00ednio empregam mais de 200 mil trabalhadores no pa\u00eds. Em nota, as principais centrais sindicais do pa\u00eds manifestaram rep\u00fadio \u00e0 decis\u00e3o e afirmam que far\u00e3o atos e manifesta\u00e7\u00f5es em diversos locais. \u201cO an\u00fancio da medida causa enorme preocupa\u00e7\u00e3o de que, se a taxa\u00e7\u00e3o for confirmada, as exporta\u00e7\u00f5es brasileiras de a\u00e7o e alum\u00ednio ser\u00e3o afetadas, com diminui\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o e, consequentemente, dos empregos no Brasil. A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 preservar milhares de empregos que ser\u00e3o perdidos na cadeia produtiva do setor e a cota de exporta\u00e7\u00e3o\u201d, diz um trecho da nota.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com a decis\u00e3o dos Estados Unidos de sobretaxar as exporta\u00e7\u00f5es de a\u00e7o e alum\u00ednio em 25% e 10%, respectivamente, a ind\u00fastria brasileira teme perder espa\u00e7o n\u00e3o s\u00f3 no pa\u00eds norte-americano, mas tamb\u00e9m no pr\u00f3prio mercado interno. 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