{"id":14682,"date":"2018-03-07T16:54:59","date_gmt":"2018-03-07T20:54:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/?p=14682"},"modified":"2018-03-15T14:07:04","modified_gmt":"2018-03-15T18:07:04","slug":"marias-do-ifms-estimulam-a-participacao-da-mulher-na-area-de-tecnologia-da-informacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/marias-do-ifms-estimulam-a-participacao-da-mulher-na-area-de-tecnologia-da-informacao\/","title":{"rendered":"\u201cMarias\u201d do IFMS estimulam a participa\u00e7\u00e3o da mulher na \u00e1rea de Tecnologia da Informa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, a inser\u00e7\u00e3o da mulher em \u00e1reas predominantemente masculinas no mundo do trabalho avan\u00e7ou. Por\u00e9m, elas ainda s\u00e3o minoria em alguns segmentos, como o da Inform\u00e1tica, por exemplo. No Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS), os cursos da \u00e1rea totalizam 2.508 estudantes, dos quais apenas 32% s\u00e3o do sexo feminino.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>No Campus Aquidauana, esta realidade come\u00e7ou a mudar. Al\u00e9m de ter um grupo de rob\u00f3tica formado s\u00f3 por alunas da Inform\u00e1tica, as &#8220;Marias&#8221;, a participa\u00e7\u00e3o do sexo feminino na \u00e1rea de TI virou tema de Trabalho de Conclus\u00e3o de Curso (TCC), o \u201cDeveloper Girls: website de iniciativas de mulheres na TI e relato de experi\u00eancias\u201d.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>La\u00eds Hara e Geovanna da Silva, ambas com 17 anos, est\u00e3o desenvolvendo um site para incentivar mulheres a atuar na \u00e1rea de TI. A previs\u00e3o \u00e9 que o trabalho seja apresentado em julho.<\/div>\n<div><\/div>\n<p>\u201cO site vai trazer informa\u00e7\u00f5es sobre a trajet\u00f3ria de mulheres importantes na \u00e1rea da Inform\u00e1tica. Uma delas \u00e9 Ada Lovelace, respons\u00e1vel pela cria\u00e7\u00e3o do algoritmo usado no primeiro computador da hist\u00f3ria. Com esses modelos, n\u00f3s pretendemos estimular mulheres a atuar nessa \u00e1rea\u201d, explicou a estudante La\u00eds.<\/p>\n<ul class=\"rslides rslides3\">\n<li id=\"rslides3_s0\" class=\"last-item rslides3_on\">\n<p><div style=\"width: 728px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.ifms.edu.br\/noticias\/imagens\/imagens-noticias\/mulher-ti-estudo\/02\/@@images\/f5d34745-3835-471e-8e3d-ee4863589de3.jpeg\" alt=\"Geovanna e La\u00eds querem incentivar mulheres a atuar na \u00e1rea de TI com a cria\u00e7\u00e3o de um site, trabalho de TCC\" width=\"718\" height=\"513\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Geovanna e La\u00eds querem incentivar mulheres a atuar na \u00e1rea de TI com a cria\u00e7\u00e3o de um site, trabalho de TCC<\/p><\/div><\/li>\n<\/ul>\n<p>Em uma das etapas do estudo, as estudantes aplicaram um question\u00e1rio com 164 estudantes e profissionais da \u00e1rea de TI de Aquidauana, entre homens e mulheres. Alguns dados refor\u00e7am a desigualdade de g\u00eanero na \u00e1rea.<\/p>\n<p>\u201cAs respostas mostram que os homens entram na \u00e1rea porque j\u00e1 tinham interesse, j\u00e1 a maioria das mulheres cai de paraquedas nos cursos de Inform\u00e1tica. Algumas estudantes e profissionais tamb\u00e9m relataram que se sentem isoladas, e que veem uma diferen\u00e7a de tratamento entre homens e mulheres\u201d, destacou a estudante do IFMS.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio orientador do TCC, Diego Sant&#8217;Ana, confirma o baixo interesse de mulheres em cursos de gradua\u00e7\u00e3o na \u00e1rea.<\/p>\n<p>\u201cQuando entrei na faculdade de tecnologia em Sistemas para Internet, em 2007, a turma era formada por 40 estudantes, dos quais apenas oito eram mulheres. Por ser uma gradua\u00e7\u00e3o bastante puxada e que exige dedica\u00e7\u00e3o, poucos se formam. Na minha sala, s\u00f3 tr\u00eas conclu\u00edram os dois anos e meio de curso, sendo que nenhuma aluna chegou ao final\u201d.<\/p>\n<p>Ao pesquisar o assunto, as estudantes encontraram duas explica\u00e7\u00f5es para a predomin\u00e2ncia de homens no setor de TI. &#8220;Culturalmente, meninas sempre foram estimuladas a brincar de casinha e os meninos a usar o racioc\u00ednio l\u00f3gico. Al\u00e9m disso, quando o computador foi criado, a propaganda era voltada ao p\u00fablico masculino&#8221;.<\/p>\n<p>La\u00eds e Geovanna resolveram se aprofundar no tema porque fazem parte de um grupo de rob\u00f3tica formado s\u00f3 por meninas, e nas competi\u00e7\u00f5es observaram a baixa participa\u00e7\u00e3o feminina.<\/p>\n<div class=\"slider-ifms\">\n<ul class=\"rslides rslides4\">\n<li id=\"rslides4_s0\" class=\"last-item rslides4_on\">\n<p><div style=\"width: 758px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.ifms.edu.br\/imagens\/imagens-noticias\/mulher-ti-estudo\/04\/@@images\/b549b7d7-90b2-4e71-91a3-4b37dca4855e.jpeg\" alt=\"As &quot;Marias&quot; receberam medalhas pelo 8\u00ba lugar na Olimp\u00edada Brasileira de Rob\u00f3tica (OBR) de 2017\" width=\"748\" height=\"498\" \/><p class=\"wp-caption-text\">As &#8220;Marias&#8221; receberam medalhas pelo 8\u00ba lugar na Olimp\u00edada Brasileira de Rob\u00f3tica (OBR) de 2017<\/p><\/div><\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>&#8220;Marias&#8221;<\/strong>\u00a0&#8211;\u00a0O grupo de rob\u00f3tica do Campus Aquidauana do IFMS, batizado de \u201cMarias\u201d pela primeira professora que o orientou, tamb\u00e9m tem como participantes as estudantes de Inform\u00e1tica Caroline Dias, 17, e Nath\u00e1lia Melo, 16.<\/p>\n<p>Desde 2016, o grupo se dedica ao desenvolvimento de Mariazinha, um rob\u00f4 que precisa seguir por uma trilha, vencer obst\u00e1culos, subir uma rampa e, ao final, tem o desafio de resgatar uma bolinha.<\/p>\n<p>As \u201cMarias\u201d j\u00e1 participaram de duas edi\u00e7\u00f5es da fase estadual da Olimp\u00edada Brasileira de Rob\u00f3tica (OBR). Em 2016, era o \u00fanico grupo s\u00f3 de meninas na competi\u00e7\u00e3o e Mariazinha chegou \u00e0 semifinal. No ano passado, elas chegaram \u00e0 final e ficaram em 8\u00b0 lugar.<\/p>\n<p>\u201cO fato de ser um grupo feminino n\u00e3o importa, o importante \u00e9 que somos unidas e temos uma boa comunica\u00e7\u00e3o. Este ano, vamos disputar a OBR de novo e queremos melhorar ainda mais o desempenho do rob\u00f4\u201d, comentou La\u00eds.<\/p>\n<p>Diego, que desde o ano passado orienta as \u201cMarias\u201d, destaca que o perfil das meninas \u00e9 bastante diferenciado.\u00a0\u201cAs quatro querem fazer faculdade e trabalhar na \u00e1rea, e todas se dedicam muito aos estudos. Para se ter uma ideia, elas moram no munic\u00edpio de Miranda e percorrem, todos os dias para ir e voltar do IFMS, cerca de 180 quil\u00f4metros&#8221;.<\/p>\n<div class=\"slider-ifms\">\n<ul class=\"rslides rslides5\">\n<li id=\"rslides5_s0\" class=\"last-item rslides5_on\">\n<p><div style=\"width: 778px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.ifms.edu.br\/noticias\/imagens\/imagens-noticias\/mulher-ti-estudo\/paula-e-maria-duas-geracoes-de-mulheres-que-enfrentam-o-preconceito-pelo-amor-a-metalurgia.jpg\/@@images\/c00e3563-a254-4ffa-9bfe-00ac0d7b71bd.jpeg\" alt=\"Maria e Paula, duas gera\u00e7\u00f5es de mulheres que enfrentam o preconceito pelo amor \u00e0 Metalurgia\" width=\"768\" height=\"512\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Maria e Paula, duas gera\u00e7\u00f5es de mulheres que enfrentam o preconceito pelo amor \u00e0 Metalurgia<\/p><\/div><\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Metalurgia<\/strong>\u00a0\u2013 Outra Maria com o desafio de vencer em uma \u00e1rea predominantemente masculina \u00e9 aluna do curso t\u00e9cnico em Metalurgia do Campus Corumb\u00e1 do IFMS.<\/p>\n<p>Entre 2015 e 2017, Maria Aparecida da Silva, 18, fez est\u00e1gio na Votorantim, multinacional que produz cimento na regi\u00e3o. No ambiente de trabalho, percebeu a desigualdade de g\u00eanero.\u00a0\u201cDos 120 funcion\u00e1rios, s\u00f3 12 eram mulheres. E a maioria delas trabalhava na \u00e1rea administrativa. No campo, onde \u00e9 feita a extra\u00e7\u00e3o, eram s\u00f3 duas mulheres trabalhando\u201d, relembrou.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Pelo bom desempenho na an\u00e1lise de controle da qualidade de produtos, a estudante do IFMS recebeu a proposta de ser contratada para trabalhar na unidade de Bras\u00edlia (DF).<\/p>\n<p>\u201cEles queriam preencher a vaga de imediato, e eu optei por continuar em Corumb\u00e1 para terminar o curso no IFMS. Al\u00e9m disso, pretendo seguir com os estudos na \u00e1rea, vou tentar ingressar no curso superior de Engenharia Metal\u00fargica, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, ou Processos Metal\u00fargicos, aqui no IFMS\u201d, planejou Maria.<\/p>\n<p>A estudante tem como modelo as tr\u00eas professoras de Metalurgia do IFMS, de um total de nove docentes da \u00e1rea. Uma delas \u00e9 Paula da Silva Fernandes, que d\u00e1 aulas de Metalurgia Extrativa.<\/p>\n<p>Graduada no curso de tecnologia em Materiais\/Fabrica\u00e7\u00e3o Mec\u00e2nica pelo Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), Paula fez mestrado e doutorado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS). O interesse pela \u00e1rea tem uma forte rela\u00e7\u00e3o com uma mem\u00f3ria da inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>\u201cMeu pai fazia muitas viagens para mineradoras e trazia amostras de minerais, o que me encantava. Al\u00e9m disso, nas duas faculdades que fiz \u2013 Materiais, no IFRN, e Ecologia, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte \u2013 eu me interessei por geologia e minera\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>No mercado de trabalho, Paula sentiu o preconceito na pele. \u201cOuvi de homens da \u00e1rea que, por ser mulher, eu n\u00e3o eu aguentaria as viagens e o trabalho em regi\u00f5es \u00e1ridas. Esse cen\u00e1rio mudou um pouco, mas ainda precisa avan\u00e7ar. E n\u00f3s, professoras da \u00e1rea, temos que servir de modelo para nossas estudantes\u201d, pontuou.<\/p>\n<p>Em uma tentativa de reduzir essa desigualdade de g\u00eanero, Paula desenvolveu, em 2014, o projeto \u201cCombatendo a Invisibilidade Feminina nas \u00c1reas Exatas e Tecnol\u00f3gicas e no Mercado de Trabalho\u201d, que contou com a colabora\u00e7\u00e3o da professora de Sociologia, Carmem Moretzsohn Rocha, atualmente em atua\u00e7\u00e3o no Campus Dourados do IFMS.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, estudantes dos n\u00edveis m\u00e9dio e superior do Corumb\u00e1 foram convidadas a debater a quest\u00e3o, e tinham contato com profissionais bem-sucedidas na \u00e1rea, o que Paula chama de \u2018modelos inspiradores\u2019.<\/p>\n<p>\u201dUm dos desafios \u00e9 melhorar a autoestima das meninas que querem ingressar na \u00e1rea da Metalurgia. Sempre digo \u00e0s minhas alunas que n\u00e3o desistam, e que sejam as melhores na equipe que forem atuar\u201d, refor\u00e7ou Paula.<\/p>\n<div id=\"plone-content\">\n<div id=\"portal-columns\" class=\"row\">\n<div id=\"portal-column-content\" class=\"cell width-3:4 position-1:4\">\n<div class=\"\">\n<div id=\"content\">\n<article>\n<div>\n<div class=\"slider-ifms\">\n<div class=\"slider-ifms\">\n<div class=\"slider-ifms\">\n<p>Atualmente, dos 202 alunos matriculados nos cursos da \u00e1rea de Metalurgia do IFMS, 44% s\u00e3o do sexo feminino.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/article>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, a inser\u00e7\u00e3o da mulher em \u00e1reas predominantemente masculinas no mundo do trabalho avan\u00e7ou. Por\u00e9m, elas ainda s\u00e3o minoria em alguns segmentos, como o da Inform\u00e1tica, por exemplo. 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