{"id":14702,"date":"2018-03-08T08:29:37","date_gmt":"2018-03-08T12:29:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/?p=14702"},"modified":"2018-03-15T14:07:03","modified_gmt":"2018-03-15T18:07:03","slug":"dados-apontam-reducao-de-mulheres-em-presidios-de-mato-grosso-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/dados-apontam-reducao-de-mulheres-em-presidios-de-mato-grosso-do-sul\/","title":{"rendered":"Dados apontam redu\u00e7\u00e3o de mulheres em pres\u00eddios de Mato Grosso do Sul"},"content":{"rendered":"<header class=\"entry-header\">\n<div class=\"entry-meta\">As mulheres representam 6,59% da popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria de Mato Grosso do Sul custodiada pela Ag\u00eancia Estadual de Administra\u00e7\u00e3o do Sistema Penitenci\u00e1rio (Agepen). Segundo dados do Mapa Carcer\u00e1rio referente a janeiro deste ano, s\u00e3o 1.054 detentas cumprindo pena em regimes fechado, semiaberto e aberto, de um total de 15.991 presos.<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"entry-content\">\n<p>Nos \u00faltimos cinco anos, houve um aumento de 37% do n\u00famero total de presos no Estado, mas, em contrapartida, teve uma redu\u00e7\u00e3o de mais de 4% de mulheres em situa\u00e7\u00e3o de pris\u00e3o, j\u00e1 que em 2013 havia 1.099\u00a0detentas. O tr\u00e1fico de drogas continua sendo a principal causa, correspondendo a quase oito de cada 10 ocorr\u00eancias de pris\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo a coordenadora das unidades penais femininas da Agepen, Jane Stradiotti, apesar de ainda n\u00e3o estarem consolidados os dados do \u00faltimo Mapa Carcer\u00e1rio, referente ao m\u00eas de fevereiro, j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel observar uma redu\u00e7\u00e3o ainda maior no n\u00famero de detentas nos pres\u00eddios do Estado, somando 970 mulheres no total, conforme levantamento realizado pelo seu setor, o que representa uma diminui\u00e7\u00e3o de 11,73% no comparativo com cinco anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p>\u201cIsso se deve, principalmente, \u00e0s audi\u00eancias de cust\u00f3dia, que t\u00eam contribu\u00eddo para que mulheres presas em flagrante fiquem menos tempo detidas, em conformidade com o que estabelece o devido processo legal. Al\u00e9m da concess\u00e3o de pris\u00f5es domiciliares com uso de tornozeleiras\u201d, pontua, destacando tamb\u00e9m as importantes a\u00e7\u00f5es de ressocializa\u00e7\u00e3o praticadas pela Agepen.<\/p>\n<p>Jane acredita que a redu\u00e7\u00e3o dever\u00e1 ser ainda mais expressiva devido ao\u00a0<em>Habeas Corpus<\/em>\u00a0coletivo concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que determina a substitui\u00e7\u00e3o da pris\u00e3o preventiva por domiciliar de mulheres presas, em todo o territ\u00f3rio nacional, que sejam gestantes ou m\u00e3es de crian\u00e7as de at\u00e9 12 anos ou de pessoas com defici\u00eancia.<\/p>\n<p>Grande parte das hist\u00f3rias das detentas revela casos de mulheres usadas como \u201cmulas\u201d por traficantes, ou seja, no transporte da droga, que, por envolvimento emocional com os bandidos ou diante das dificuldades financeiras, se aventuram no mundo do crime.<\/p>\n<p>Muitas s\u00e3o m\u00e3es precoces e quase sem estudo. O \u00edndice de custodiadas que n\u00e3o conclu\u00edram nem mesmo o ensino fundamental chega a 56%. Al\u00e9m disso, 50% das presas recebem uma senten\u00e7a de em m\u00e9dia 4 a 8 anos de pris\u00e3o.<\/p>\n<p>A maior parte das internas do Sistema Penitenci\u00e1rio do Estado \u00e9 de jovens que possuem entre 18 e 29 anos. J\u00e1 as detentas com mais de 45 anos chegam a representar apenas 10% do total.<\/p>\n<div id=\"attachment_200832\" class=\"wp-caption alignnone\">\n<p><a href=\"http:\/\/www.ms.gov.br\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2018\/03\/interna-juliana-jaskulski.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-200832 size-large\" src=\"http:\/\/www.ms.gov.br\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2018\/03\/interna-juliana-jaskulski-1024x766.jpg\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"http:\/\/www.ms.gov.br\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2018\/03\/interna-juliana-jaskulski-1024x766.jpg 1024w, http:\/\/www.ms.gov.br\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2018\/03\/interna-juliana-jaskulski-300x224.jpg 300w, http:\/\/www.ms.gov.br\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2018\/03\/interna-juliana-jaskulski-768x574.jpg 768w\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"766\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\"><em>Ap\u00f3s idas e vindas, a interna Juliana Jaskulski\u00a0decidiu se dedicar aos estudos dentro do pres\u00eddio e hoje, est\u00e1 completando o terceiro ano do ensino m\u00e9dio.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<p>Juliana Jaskulski faz parte dessa estat\u00edstica. Com 27 anos de idade, est\u00e1 presa h\u00e1 cinco anos no Estabelecimento Penal Feminino Irm\u00e3 Irma Zorzi (EPFIIZ), em Campo Grande, por tr\u00e1fico de entorpecentes.<\/p>\n<p>Na ilus\u00e3o de ganhar dinheiro f\u00e1cil e o envolvimento com amizades e relacionamentos errados, Juliana acabou entrando no mundo do crime. Quando foi presa pela primeira vez aos 18 anos, a reeducanda n\u00e3o tinha terminado nem mesmo o ensino fundamental.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s idas e vindas, Juliana decidiu se dedicar aos estudos dentro do pres\u00eddio e hoje, est\u00e1 completando o terceiro ano do ensino m\u00e9dio. \u201cDesde que fui presa, eu quis ocupar meu tempo e minha mente, por isso procurei fazer alguma atividade. Atualmente, trabalho na secretaria da escola aqui da unidade e a tarde eu estudo. Assim n\u00e3o tenho tempo de ficar com a mente vazia\u201d, conta.<\/p>\n<p>Mas ela, assim como praticamente todas as internas que conversamos, garante que pretende trilhar um novo caminho. \u201cQuando sair daqui, quero fazer uma faculdade e ter uma vida digna e honesta\u201d, afirma. \u201cPretendo ajudar outros jovens que est\u00e3o passando o que passei e orientar que o mundo do crime n\u00e3o compensa, sei que o meu testemunho pode fazer a diferen\u00e7a na vida de muitas pessoas\u201d, completa.<\/p>\n<p><strong>Oportunidade<\/strong><\/p>\n<p>Mesmo o percentual de reincid\u00eancia entre as mulheres sendo pequeno, na opini\u00e3o do diretor-presidente da Agepen (Ag\u00eancia Estadual de Administra\u00e7\u00e3o do Sistema Penitenci\u00e1rio), Aud de Oliveira Chaves, o \u00edndice poderia ser ainda menor se n\u00e3o fosse o preconceito que ainda ocorre por parte da sociedade em geral no oferecimento de emprego.<\/p>\n<p>Para driblar essa dificuldade, segundo ele, a Agepen investe no estabelecimento de parcerias que garantem trabalho para custodiados tanto do regime fechado, quanto aos dos regimes mais brandos; al\u00e9m da realiza\u00e7\u00e3o de cursos profissionalizantes, que, no caso das mulheres, t\u00eam enfoque principal em \u00e1reas como embelezamento pessoal, culin\u00e1ria, confeitaria e inform\u00e1tica.<\/p>\n<p>O dirigente destaca que n\u00e3o basta apenas garantir o cumprimento da pena, \u00e9 necess\u00e1rio que sejam fornecidos mecanismos que realmente provoquem a reinser\u00e7\u00e3o social: \u201c\u00c9 preciso que as pessoas percebam que ao dar oportunidade a um interno de qualquer regime \u2013 fechado ou n\u00e3o \u2013 toda a popula\u00e7\u00e3o \u00e9 beneficiada\u201d.<\/p>\n<p><strong>Supera\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Um exemplo de supera\u00e7\u00e3o e que endossa as afirma\u00e7\u00f5es do diretor-presidente da Agepen \u00e9 Cl\u00e1udia da Silva Mendes, de 31 anos. Ap\u00f3s cumprir pena no pres\u00eddio da Capital, montou seu pr\u00f3prio neg\u00f3cio gra\u00e7as a capacita\u00e7\u00f5es realizadas enquanto estava reclusa. \u201cFoi durante meu cumprimento de pena que tive a chance de aperfei\u00e7oar minhas t\u00e9cnicas na \u00e1rea da est\u00e9tica, encontrei ali uma porta aberta e pessoas que acreditam em nossa recupera\u00e7\u00e3o\u201d, conta.<\/p>\n<div id=\"attachment_197291\" class=\"wp-caption alignnone\">\n<p><a href=\"http:\/\/www.ms.gov.br\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2018\/03\/ex_detenta1_claudia_fazendo-unha.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-197291\" src=\"http:\/\/www.ms.gov.br\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2018\/03\/ex_detenta1_claudia_fazendo-unha.jpg\" sizes=\"auto, (max-width: 856px) 100vw, 856px\" srcset=\"http:\/\/www.ms.gov.br\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2018\/03\/ex_detenta1_claudia_fazendo-unha.jpg 672w, http:\/\/www.ms.gov.br\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2018\/03\/ex_detenta1_claudia_fazendo-unha-300x166.jpg 300w\" alt=\"\" width=\"856\" height=\"474\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\"><em>Cl\u00e1udia Mendes fez v\u00e1rias capacita\u00e7\u00f5es na \u00e1rea da beleza e possui diversos certificados de cursos na \u00e1rea.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<p>Em meio aos percal\u00e7os, Cl\u00e1udia decidiu colocar em pr\u00e1tica tudo que aprendeu nos cursos profissionalizantes no Estabelecimento Penal Feminino \u201cIrm\u00e3\u00a0Irma Zorzi\u201d e, como alternativa para mudar sua trajet\u00f3ria resolveu trabalhar por conta pr\u00f3pria. \u201cDecidi ter uma vida diferente, longe do crime e criar meu filho honestamente, que hoje j\u00e1 est\u00e1 com 15 anos\u201d, ressalta a manicure que trabalha por conta pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>Segundo ela, para mudar de vida \u00e9 preciso querer e abra\u00e7ar as oportunidades: \u201cTracei um objetivo, me esforcei e agora vivo bem e crio meu filho de maneira decente\u201d, comemora e incentiva as pessoas que est\u00e3o vivendo o que ela j\u00e1 passou um dia.<\/p>\n<p><strong>Pol\u00edticas P\u00fablicas<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com a Diretoria de Assist\u00eancia Penitenci\u00e1ria da Agepen (DAP), em todas as unidades prisionais do Estado s\u00e3o garantidas as assist\u00eancias religiosa, educacional, jur\u00eddica, nutricional, psicossocial, familiar, de sa\u00fade, trabalho e atividades culturais.<\/p>\n<p>A diretora da DAP, Elaine Arima Xavier Castro, ressalta que, no caso das unidades femininas, al\u00e9m dos trabalhos assistenciais assegurados a toda popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria, existe toda uma preocupa\u00e7\u00e3o com as especificidades de g\u00eanero, como a necessidade de acompanhamentos ginecol\u00f3gicos e exist\u00eancia de ber\u00e7\u00e1rios.<\/p>\n<p>Segundo a diretora, a ag\u00eancia penitenci\u00e1ria junto ao Departamento Penitenci\u00e1rio Nacional tamb\u00e9m desenvolve o projeto \u201cMaterno-Infantil\u201d, que est\u00e1 em fase de estrutura\u00e7\u00e3o e aquisi\u00e7\u00e3o de equipamentos e visa estruturar e equipar ainda mais esses espa\u00e7os, al\u00e9m da instala\u00e7\u00e3o de brinquedotecas em pres\u00eddios femininos para atender os filhos das reeducandas, conforme proposta do Governo Federal.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As mulheres representam 6,59% da popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria de Mato Grosso do Sul custodiada pela Ag\u00eancia Estadual de Administra\u00e7\u00e3o do Sistema Penitenci\u00e1rio (Agepen). 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