{"id":17856,"date":"2018-05-28T15:15:44","date_gmt":"2018-05-28T19:15:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/?p=17856"},"modified":"2018-05-28T15:56:53","modified_gmt":"2018-05-28T19:56:53","slug":"quebra-torto-com-letras-discute-literatura-regional-e-poesia-como-critica-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/quebra-torto-com-letras-discute-literatura-regional-e-poesia-como-critica-social\/","title":{"rendered":"Quebra-torto com Letras discute literatura regional e poesia como cr\u00edtica social"},"content":{"rendered":"<p>Um poeta e ativista da periferia paulista, um soci\u00f3logo boliviano do altiplano, um poeta campo-grandense, um ambientalista defensor da Amaz\u00f4nia e uma poeta e ilustradora corumbaense. Nesta salada cultural para todos os gostos, no segundo dia do Quebra-torto com Letras do Festival Am\u00e9rica do Sul, no s\u00e1bado, 26, no Instituto Moinho Cultural, quem ganhou foi o p\u00fablico, que teve acesso a debates diversificados e com forte carga de cr\u00edtica social.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O poeta e escritor S\u00e9rgio Vaz trocou Minas Gerais para morar em Cap\u00e3o Redondo, um dos bairros mais violentos do mundo, de acordo com relat\u00f3rio da ONU. Em Tabo\u00e3o da Serra, cidade sat\u00e9lite de S\u00e3o Paulo, ele criou a Cooperativa da Artistas da Periferia (Cooperifa) e organizou a Semana de Arte Moderna da Periferia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Criou projetos usando a poesia contra a viol\u00eancia. Cita Carolina de Jesus, Pl\u00ednio Marcos e Concei\u00e7\u00e3o Evaristo como refer\u00eancias de uma literatura de ra\u00edzes. \u201cPrecisamos dessacralizar a literatura para que o escritor possa ser visto como um trabalhador comum\u201d, afirmou. \u201cCriamos a Cooperifa, dentro de um bar, para falar de poesia\u201d, diz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>S\u00e9rgio conta que ao conhecer Racionais MC pela primeira vez ouviu uma poesia que falava do seu bairro. At\u00e9 ali aprendera que a periferia s\u00f3 virava not\u00edcia nos programas policiais de Gil Gomes e Datena. \u201cCriamos um projeto usando o rap para estudantes do EJA, os alunos estranharam porque achavam que rap n\u00e3o era poesia. Ent\u00e3o eu toquei Racionais MC e eles se identificaram. \u201cSe rap \u00e9 poesia ent\u00e3o n\u00f3s gostamos de poesia\u201d, disseram.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para S\u00e9rgio Vaz a poesia tem o poder de liberta\u00e7\u00e3o, porque por meio dela tudo \u00e9 poss\u00edvel. \u201cDescobrimos que na favela da Rocinha a comunidade tamb\u00e9m faz sarau de poesia\u201d, contou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O soci\u00f3logo e escritor boliviano Marcelo Sarzuri defende a ideia de \u201cdescoloniza\u00e7\u00e3o do corpo\u201d, a mesma linha seguida pelo teatr\u00f3logo Ivan Nogales e outros intelectuais de seu pa\u00eds, preocupados em reconstruir os valores da ancestralidade \u2013 seja aimar\u00e1, como a dele, ou quechua, as duas maiores etnias do pa\u00eds \u2013 como forma de autenticidade. Esses valores, segundo Sarzuri, foram se perdendo na medida em que as comunidades trocaram o campo pela cidade, chegando ao ponto de estudantes terem vergonha de suas m\u00e3es que usavam as poleras (saias rodadas t\u00edpicas bolivianas). \u201cA coloniza\u00e7\u00e3o \u00e9 uma estrutura de desprezo (pelos valores de identidade) que chega \u00e0 fam\u00edlia\u201d, destacou o soci\u00f3logo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo Sarzuri, natural de El Alto, descolonizar o corpo \u00e9 \u201ccriar comunidades, trabalhar a autoestima, refigurar a identidade, democratizar e fazer circular os bens culturais, educar o sentimento dos jovens e usar as mesmas ferramentas do capitalismo (como as redes sociais) para atingir um p\u00fablico massivo, visando o bem comum\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Sand\u00e1lias de Frei Mariano<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o da poeta e artista pl\u00e1stica Marlene Mour\u00e3o, a Peninha, teve seu auge quando uma volunt\u00e1ria saiu da plateia para recitar os versos da marchinha \u201cAs Sand\u00e1lias de Frei Mariano\u201d, tema do recente livro lan\u00e7ado pela escritora corumbaense. No Quebra-torto com Letras, Peninha relan\u00e7ou a obra ilustrada \u201cUm altar para as valorosas sand\u00e1lias do Frei Mariano\u201d e voltou a falar de sua personagem mais conhecida, Mariadad\u00f4, focalizada em um livro de charge.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ganhador do Pr\u00eamio Sesc de Literatura 2017, ativista ambiental e empreendedor social, Jo\u00e3o Meirelles Filho lembrou que h\u00e1 20 anos trabalha com o Instituto Peabiru, que atua no campo dos direitos sociais e ambientais. E deu detalhes sobre o livro de contos \u201cO Abridor de Letras\u201d, sua primeira incurs\u00e3o no campo da fic\u00e7\u00e3o depois de 35 anos como escritor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Poeta, escritor e compositor, Rubenio Marcelo respondeu sobre seus trabalhos, doze livros publicados e tr\u00eas CDs. \u201cVias do infinito ser\u201d, com 113 poemas, lan\u00e7ado h\u00e1 um ano, foi o d\u00e9cimo primeiro livro dele. Na semana passada, ele lan\u00e7ou em Campo Grande a obra \u201cPalavras em plenitude \u2013 prosa e cr\u00edtica cultural\u201d, pela editora Life e apoio do FMIC, com texto em prosa, resenhas, cr\u00f4nicas e ensaios com enfoque na cr\u00edtica cultural.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Literatura regional<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Quebra-torto com Letras reuniu um time de escritores e poetas de primeira grandeza em um grande momento para a literatura, na manh\u00e3 da sexta-feira, na sede do Instituto Moinho Cultural Sul-Americano, no segundo dia do Festival Am\u00e9rica do Sul Pantanal. E dessa vez com um enfoque mais intenso na literatura regional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Poeta corumbaense com participa\u00e7\u00e3o em 50 colet\u00e2neas no Brasil e no exterior, ativista cultural, Benedito C.G.Lima abriu o evento recitando um de seus poemas preferidos, &#8220;Quem disse que sou poeta?&#8221;. No primeiro verso, ele diz: &#8220;Quem disse que sou poeta\/Deve ser que se enganou!\/Poeta, \u00e9 aquele que ouve as estrelas;\/Que conversa com as pedras;\/Que esgar\u00e7a as frases nas asas da gar\u00e7a;\/Que Urucumeia o c\u00e9u do Pantanal\/Na escrita crepuscular do poente!&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Trata-se de um poema com forte influ\u00eancia de Manoel de Barros, como se observa no estilo e na tem\u00e1tica de outros poetas regionais. Fundador da Academia Corumbaense de Letras e a Academia de Literatura e Estudos de Corumb\u00e1 (ALEC), Benedito resumiu a sua trajet\u00f3ria, desde os tempos como aluno da Escola Estadual Maria Leite, depois como professor de Hist\u00f3ria, compositor nos Festivais da Can\u00e7\u00e3o de Corumb\u00e1 e agora como coordenador de colet\u00e2neas de poetas corumbaenses &#8211; a mais recente delas, &#8220;Floril\u00e9gio da Esperan\u00e7a&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 comum Benedito reencontrar antigos alunos, agora j\u00e1 formados, que o param para agradecer os conselhos e ensinamentos. E no Quebra-torto com Letras n\u00e3o foi diferente: Ana L\u00facia de Oliveira Francellino Galv\u00e3o, de 30 anos, sua ex-aluna na Escola Rotary Club, levou um abra\u00e7o ao mestre. &#8220;Se hoje sou professora de Hist\u00f3ria devo muito a ele, que me inspirou&#8221;, contou Ana Maria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Jornalista, produtora cultural e mestre em Estudos Fronteiri\u00e7os pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), L\u00edvia Gaetner estreou na mesa de debates como escritora e poeta. E apresentou um de seus poemas, inspirado em uma de seus passeios pelo Jardim Independ\u00eancia, \u00e1rea verde moldurada pelo coreto e antigas estatuetas, no cora\u00e7\u00e3o de Corumb\u00e1.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Diz o poema: &#8220;O velho coreto alem\u00e3o sonda minha solid\u00e3o\/Encurvada num banco de concreto,\/Na manh\u00e3 da pra\u00e7a quando tudo por ela passa,\/Tra\u00e7ando um rastro no meu reduzido horizonte que, outrora foi amplid\u00e3o:\/Senhoras pardas com enormes bolsas,\/Jovens e seus apressados sonhos.\/Ou\u00e7o vendedor de picol\u00e9 anunciando novos sabores,\/Homem nervoso ao falar no celular;\/Doidos perdidos em tiques e solil\u00f3quios;\/O antigo balan\u00e7o rangendo no parque;\/E l\u00e1 vem curioso o c\u00e3o a passear encoleirado;\/Crian\u00e7as uniformizadas rumo \u00e0 escola;\/Rodas de bicicleta em sincronia;\/Garis e vassouras recolhendo o que sobrou da madrugada,\/Talvez o papel de bala fosse de beijo de namorados;\/Eis que vem chegando um senhor, dois, tr\u00eas, &#8230;\/Para formar a mesa de domin\u00f3\/E eu seguindo ali\/Como est\u00e1tua de her\u00f3i da Guerra do Paraguai\/Observando, apenas observando&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O escritor corumbaense Henrique de Medeiros, publicit\u00e1rio e jornalista, presidente da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, revisitou suas principais obras \u201cO Azul Invis\u00edvel do M\u00eas que Vem\u201d, \u201cPir\u00e2mide de Palavras\u201d e \u201cQue as Dores se Transformem em Cores\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A Bruxa da Sapol\u00e2ndia<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Outro destaque foi o escritor campo-grandense Andr\u00e9 Alvez, diretor regional da Uni\u00e3o Brasileira de Escritores, que leu alguns trechos do romance rec\u00e9m-lan\u00e7ado pela Editora Chiado, &#8220;A Bruxa da Sapol\u00e2ndia&#8221;, baseado em fatos reais. &#8220;Nos anos 60, havia no antigo bairro da Sapol\u00e2ndia, em Campo Grande, uma mulher conhecida como bruxa que fazia trabalhos malignos, que matava crian\u00e7as, que acabou sendo presa durante dois anos e foi inocentada&#8221;, contou Alvez. &#8220;Me baseei no processo contra ela para fazer a pesquisa&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Andr\u00e9 Alvez contou que busca inspira\u00e7\u00e3o em tr\u00eas grandes autores que escrevem dentro do estilo do \u201crealismo fant\u00e1stico\u201d que tanto aprecia: Gabriel Garcia Marquez nos romances, J\u00falio Cort\u00e1zar nos contos e Rubem Braga nas cr\u00f4nicas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O poeta e jornalista paraguaio M\u00e1rio Rub\u00e9n Alvarez relatou que costuma escrever seus livros em guarani e espanhol, buscando diversificar a linguagem e atingir um p\u00fablico maior. Como pesquisador de arte popular publicou a colet\u00e2nea \u201cLas Voces de La Memoria\u201d e o livro \u201cFolklore Paraguayo\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A media\u00e7\u00e3o do Quebra-torto com Letras foi de Edson Silva, doutor em Comunica\u00e7\u00e3o e Jornalismo pela Universidade Aut\u00f4noma de Barcelona, Espanha, e professor no curso de jornalismo da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, e da doutora em sociolingu\u00edstica e colunista Ros\u00e2ngela Villa, autora e organizadora de livros e da coluna semanal Coisas da L\u00edngua no jornal Di\u00e1rio Corumbaense.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na plateia, muitos estudantes, que no final puderam saborear o quebra-torto, pr\u00e1tico t\u00edpico da comitiva pantaneira \u2013 arroz de carreteiro, feij\u00e3o gordo, pa\u00e7oca, mandioca &#8211; produzido pela equipe culin\u00e1ria do Moinho Cultural. As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o da Assessoria de Comunica\u00e7\u00e3o FASP.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um poeta e ativista da periferia paulista, um soci\u00f3logo boliviano do altiplano, um poeta campo-grandense,&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":17857,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,104],"tags":[],"class_list":["post-17856","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque","category-fasp"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17856","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17856"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17856\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17858,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17856\/revisions\/17858"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17857"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17856"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17856"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17856"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}