{"id":22558,"date":"2018-09-14T09:00:24","date_gmt":"2018-09-14T13:00:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/?p=22558"},"modified":"2018-09-14T09:24:08","modified_gmt":"2018-09-14T13:24:08","slug":"em-dois-meses-preco-de-massas-e-paes-subiu-10-no-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/em-dois-meses-preco-de-massas-e-paes-subiu-10-no-pais\/","title":{"rendered":"Em dois meses, pre\u00e7o de massas e p\u00e3es subiu 10% no pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<p>Desde julho, os pre\u00e7os de produtos \u00e0 base de trigo, como massas aliment\u00edcias, p\u00e3es e biscoitos, al\u00e9m da pr\u00f3pria farinha de trigo, j\u00e1 aumentaram em at\u00e9 10%, segundo\u00a0estimativas de entidades que representam a ind\u00fastria do setor no pa\u00eds. O percentual representa cerca de 40 vezes a varia\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o m\u00e9dia dos \u00faltimos dois meses,\u00a0medida pelo \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA), que subiu 0,24% entre julho e agosto.<\/p>\n<p>A principal explica\u00e7\u00e3o para a infla\u00e7\u00e3o dos alimentos \u00e0 base de trigo est\u00e1 na depend\u00eancia externa que o Brasil tem do produto combinada com as recentes oscila\u00e7\u00f5es do\u00a0d\u00f3lar e do pre\u00e7o do produto no mercado internacional. O trigo \u00e9 um dos poucos gr\u00e3os que o Brasil tem que importar de outros pa\u00edses para abastecer o mercado dom\u00e9stico.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-grande_6colunas type-image atom-align-left\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">\n<figure class=\"mejs-fotoh-wrapper\">\n<p><div style=\"width: 473px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"img-responsive full full\" title=\"Marcello Casal Jr.\/Ag\u00eancia Brasil\" src=\"http:\/\/imagens.ebc.com.br\/HcgJkcrlUJGcDLqjCdcJ52kB9VY=\/463x0\/smart\/http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/paoagenciabrasil14102011mca3441.jpg?itok=cN6Rl4cq\" alt=\"Produtos \u00e0 base de trigo, como os p\u00e3es, est\u00e3o sofrendo com a alta dos pre\u00e7os.\" width=\"463\" height=\"309\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Produtos \u00e0 base de trigo, como p\u00e3o, macarr\u00e3o e biscoito, est\u00e3o sofrendo com a alta dos pre\u00e7os (Marcello Casal Jr.\/Ag\u00eancia Brasil)<\/p><\/div><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Pelos dados mais recentes da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o pa\u00eds deve produzir 5,2 milh\u00f5es de toneladas de trigo em 2018 e comprar do exterior mais 6,3\u00a0milh\u00f5es de toneladas, a maior parte oriunda da Argentina, seguida de pa\u00edses como Estados Unidos, Paraguai, Uruguai e R\u00fassia.<\/p>\n<h2>Oscila\u00e7\u00e3o de pre\u00e7o<\/h2>\n<p>Economistas confirmam o cen\u00e1rio descrito pelos produtores do setor. &#8220;No caso do trigo, o Brasil importa mais da metade da demanda interna. Assim, maiores taxas de c\u00e2mbios ter\u00e3o impacto direto sobre os mercados atacadista e\u00a0varejista. Al\u00e9m disso, no primeiro semestre de 2018, os pre\u00e7os internacionais subiram, diante da menor oferta mundial. O Brasil tamb\u00e9m foi impactado pelos maiores\u00a0pre\u00e7os na Argentina, diante das incertezas quanto ao tamanho da safra desta temporada&#8221;, explica o professor Luc\u00edlio Alves, pesquisador do Centro de Estudos Avan\u00e7ados\u00a0em Economia Aplicada (Cepe), ligado \u00e0 Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP).<\/p>\n<p>O pre\u00e7o do trigo, que \u00e9 um dos principais produtos negociados na Bolsa de Chicago (CME Group), nos EUA, chegou a atingir US$ 197,80 (R$ 819) por tonelada em agosto, o\u00a0maior valor desde julho de 2015. Na parcial de setembro, o pre\u00e7o caiu um pouco, para US$ 181 (R$ 749,34), mas ainda bem superior \u00e0 m\u00e9dia do in\u00edcio do ano (US$\u00a0158,91\/ton em janeiro).<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, como o pre\u00e7o internacional do produto \u00e9 calculado em d\u00f3lar, a desvaloriza\u00e7\u00e3o do real aumenta seu custo de importa\u00e7\u00e3o. No ano, o d\u00f3lar se valorizou ante ao\u00a0real em 22,86%, no acumulado at\u00e9 agosto. Somente no m\u00eas passado, essa valoriza\u00e7\u00e3o foi de 8,45%.<\/p>\n<h2>Pre\u00e7o por produto<\/h2>\n<p>De acordo com Cl\u00e1udio Zan\u00e3o, presidente-executivo da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira das Ind\u00fastrias de Biscoitos, Massas Aliment\u00edcias, P\u00e3es e Bolos industrializados (Abimapi),\u00a0os maiores aumentos acumulados desde julho afetam principalmente o macarr\u00e3o e o p\u00e3o de forma, que tiveram cerca de 10% de aumento no per\u00edodo. Esses alimentos foram os\u00a0mais afetados porque o volume da farinha de trigo empregada na produ\u00e7\u00e3o representa entre 60% e 70% do custo final do produto.<\/p>\n<p>No caso do biscoito, cuja farinha de trigo representa cerca de 30% do custo, o aumento no pre\u00e7o foi de cerca de 5% nesse per\u00edodo, de acordo com Zan\u00e3o. Segundo ele,\u00a0esses aumentos foram, em m\u00e9dia, o repasse da ind\u00fastria e dos supermercados para o consumidor final no varejo. O dirigente tamb\u00e9m afirmou que a eleva\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o do\u00a0trigo ainda n\u00e3o se estabilizou.<\/p>\n<p>\u201cInfelizmente, a m\u00e1 not\u00edcia \u00e9 essa. O trigo aumentou, mas n\u00e3o quer dizer que [o aumento] j\u00e1 acabou. Se o mercado internacional continuar oscilando e o c\u00e2mbio tamb\u00e9m\u00a0continuar oscilando para cima, os pre\u00e7os tendem a aumentar mais\u201d, acrescenta Zan\u00e3o, para quem esses aumentos j\u00e1 devem estar repercutindo no bolso do consumidor. \u201cQuando voc\u00ea aumenta pre\u00e7o no varejo, diminui o consumo, por isso que supermercado n\u00e3o gosta de aumentar pre\u00e7o, mas j\u00e1 foram reduzidas todas as margens e o repasse\u00a0come\u00e7a a ser inevit\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p>O repasse da alta do trigo ao consumidor tamb\u00e9m est\u00e1 sendo absorvido, em parte, pelos moinhos. \u201cHouve um pequeno repasse no custo do trigo para\u00a0o mercado interno, mas \u00e9 dif\u00edcil porque impacta no consumo e a economia ainda est\u00e1 desacelerada\u201d, reconhece Rubens Barbosa, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da\u00a0Ind\u00fastria do Trigo (Abitrigo).<\/p>\n<p>O empres\u00e1rio diz ainda que s\u00f3 n\u00e3o houve uma disparada maior nos pre\u00e7os porque este m\u00eas come\u00e7a a colheita da safra brasileira do produto nos estados Paran\u00e1 e no Rio\u00a0Grande do Sul, que s\u00e3o os dois principais produtores do pa\u00eds.<\/p>\n<h2>Outros custos<\/h2>\n<p>Para o setor de padarias, que comercializa o tradicional p\u00e3ozinho franc\u00eas, a oscila\u00e7\u00e3o no pre\u00e7o do trigo, apesar de importante, n\u00e3o \u00e9 a principal preocupa\u00e7\u00e3o no\u00a0momento. Segundo dados da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria de Panifica\u00e7\u00e3o e Confeitaria (Abip), o gasto com m\u00e3o de obra representa atualmente 40,6% do custo do\u00a0setor. Gastos com energia el\u00e9trica (14,4%) e impostos (15,2%) tamb\u00e9m s\u00e3o apontados como fatores de custo relevantes nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>A Abip diz ainda que n\u00e3o orienta o repasse de nenhum tipo de aumento de pre\u00e7o ao consumidor final, j\u00e1 que essa decis\u00e3o cabe exclusivamente aos donos de padaria. Ainda\u00a0segundo a entidade, mais de 41 milh\u00f5es de pessoas passam pelas 70 mil padarias do pa\u00eds, diariamente. O segmento emprega 2,6 milh\u00f5es de trabalhadores direta e\u00a0indiretamente.<\/p>\n<h2>Crise na Argentina<\/h2>\n<p>Outro fator que preocupa a ind\u00fastria brasileira \u00e9 o agravamento da crise econ\u00f4mica na Argentina, que vive superdesvaloriza\u00e7\u00e3o de sua moeda, o peso, o que fez com o que\u00a0o governo de l\u00e1 decidisse aplicar um imposto de exporta\u00e7\u00e3o ao setor agr\u00edcola. Mais de 80% do trigo importado pelo Brasil v\u00eam justamente do pa\u00eds vizinho.<\/p>\n<p>\u201cA situa\u00e7\u00e3o continua incerta. At\u00e9 dois dias atr\u00e1s, ainda n\u00e3o estava certo se os contratos que tinham sido negociados antes dessas medidas do governo argentino seriam\u00a0afetados ou n\u00e3o\u201d, aponta Rubens Barbosa, da Abitrigo.<\/p>\n<p>Na semana passada, o presidente da Argentina, Maur\u00edcio Macri anunciou a cria\u00e7\u00e3o de um novo\u00a0<a href=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/internacional\/noticia\/2018-09\/argentina-reduz-numero-de-ministerios-e-cria-imposto-sobre-exportacoes\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">imposto aos\u00a0exportadores de produtos prim\u00e1rios<\/a>, como gr\u00e3o e min\u00e9rios, que dever\u00e3o pagar ao governo quatro pesos para cada d\u00f3lar vendido. Os exportadores dos demais produtos\u00a0pagar\u00e3o uma taxa menor, de tr\u00eas pesos para cada d\u00f3lar obtido.<\/p>\n<h2>Tabela do frete<\/h2>\n<p>Al\u00e9m da crise na Argentina, os impactos da nova tabela do frete (Lei n\u00ba 13.703\/2018) ainda podem ampliar a infla\u00e7\u00e3o dos produtos \u00e0 base de trigo. \u201cO pessoal n\u00e3o est\u00e1\u00a0correlacionando muito isso, mas a nova tabela pode ter impacto no pre\u00e7o do trigo tamb\u00e9m\u201d, aponta Barbosa.<\/p>\n<p>Segundo o professor Luc\u00edlio Alves, da Esalq\/USP, &#8220;as incertezas sobre o impacto que a nova tabela ter\u00e1 sobre os custos da produ\u00e7\u00e3o travaram as negocia\u00e7\u00f5es em praticamente\u00a0todo o mercado de gr\u00e3os e fibras, impactando tamb\u00e9m os pre\u00e7os no atacado e varejo&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde julho, os pre\u00e7os de produtos \u00e0 base de trigo, como massas aliment\u00edcias, p\u00e3es e biscoitos, al\u00e9m da pr\u00f3pria farinha de trigo, j\u00e1 aumentaram em at\u00e9 10%, segundo\u00a0estimativas de entidades que representam a ind\u00fastria do setor no pa\u00eds. O percentual representa cerca de 40 vezes a varia\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o m\u00e9dia dos \u00faltimos dois meses,\u00a0medida pelo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-22558","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22558","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22558"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22558\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":22559,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22558\/revisions\/22559"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22558"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22558"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22558"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}