{"id":27063,"date":"2019-01-16T17:45:35","date_gmt":"2019-01-16T20:45:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/?p=27063"},"modified":"2019-01-16T16:10:02","modified_gmt":"2019-01-16T19:10:02","slug":"argentina-registra-em-2018-inflacao-de-476-a-mais-alta-em-27-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/argentina-registra-em-2018-inflacao-de-476-a-mais-alta-em-27-anos\/","title":{"rendered":"Argentina registra em 2018 infla\u00e7\u00e3o de 47,6%, a mais alta em 27 anos"},"content":{"rendered":"<p>Os pre\u00e7os na\u00a0Argentina\u00a0subiram 2,6% em dezembro. Isso situa a infla\u00e7\u00e3o anual de 2018 em 47,6%, a maior desde 1991, e lan\u00e7a uma grande sombra de d\u00favida sobre a capacidade do Governo de cumprir sua meta de infla\u00e7\u00e3o de 23% em 2019. No momento, os pre\u00e7os s\u00e3o a vari\u00e1vel mais fora do controle no quadro macroecon\u00f4mico.<\/p>\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\" data-google-query-id=\"COv5_u3_8t8CFcN3wQod428BCA\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/internacional\/intext_0__container__\">Durante a campanha eleitoral que o levou \u00e0 presid\u00eancia, no final de 2015,\u00a0Mauricio Macri\u00a0afirmou que a infla\u00e7\u00e3o era a prova da incapacidade dos governantes de um pa\u00eds. Ele se referia aos aumentos de pre\u00e7os que caracterizaram o fim do mandato de\u00a0Cristina Kirchner, maquiados na contabilidade nacional, mas evidentes na rua. Macri herdou uma infla\u00e7\u00e3o de pouco mais de 20% ao ano. Em 2016 n\u00e3o houve dados oficiais, por causa da chamada &#8220;emerg\u00eancia estat\u00edstica&#8221;. Em 2017, subiu para 24,8%. E em 2018 estourou, acompanhada de uma crise cambial em rela\u00e7\u00e3o ao d\u00f3lar e um d\u00e9ficit comercial que o obrigaram a\u00a0pedir ajuda ao Fundo Monet\u00e1rio Internacional\u00a0(FMI).<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<p>Argentina e\u00a0Venezuela, um caso extremo, s\u00e3o os \u00fanicos pa\u00edses latino-americanos com os pre\u00e7os fora de controle. Para a Argentina, trata-se de um problema cr\u00f4nico desde 1945, quando as melhorias sociais do peronismo foram financiadas com a impress\u00e3o de c\u00e9dulas. Nas d\u00e9cadas seguintes, com exce\u00e7\u00f5es ocasionais (como a paridade do peso com o d\u00f3lar definida por Carlos Menem, que provocou defla\u00e7\u00e3o e terminou em colapso econ\u00f4mico), o d\u00e9ficit fiscal levou os Governos a recorrerem regularmente \u00e0s gr\u00e1ficas do Banco Central. Os pre\u00e7os seguiram quase continuamente para cima e o peso, para baixo.<\/p>\n<p>O que aconteceu em 2018? Primeiro, o Governo Macri abrandou sua meta de infla\u00e7\u00e3o para o ano, de 12% para 15%, em nome de sua pol\u00edtica de &#8220;ajustes graduais&#8221;. Isso foi considerado um mau sinal pelos investidores, que correram para trocar pesos por d\u00f3lares. Muitos cidad\u00e3os fizeram o mesmo. A desvaloriza\u00e7\u00e3o deu asas \u00e0 infla\u00e7\u00e3o. A d\u00edvida externa do Estado voltava a ser perigosamente alta (agora se aproximando de 80% do PIB, o dobro de quando Macri assumiu o cargo), o d\u00e9ficit comercial se tornou galopante e, em maio, com os mercados financeiros internacionais fechados \u00e0s demandas da Argentina, n\u00e3o houve rem\u00e9dio a n\u00e3o ser recorrer ao FMI e aplicar um ajuste recessivo. Em setembro, foi necess\u00e1rio obter do FMI um aumento no empr\u00e9stimo, de 50 bilh\u00f5es de d\u00f3lares (186 bilh\u00f5es de reais) para 57 bilh\u00f5es (213 bilh\u00f5es de reais), e um per\u00edodo mais curto nos desembolsos.<\/p>\n<p>A partir desse momento, o Banco Central aplicou uma pol\u00edtica de juros alt\u00edssimos, de at\u00e9 70%, e empreendeu a retirada de pesos do mercado, a fim de deter a crise cambial. Esse objetivo, no momento, parece ter sido alcan\u00e7ado: o d\u00f3lar permanece em torno de 37 pesos. A consequ\u00eancia \u00e9 a recess\u00e3o. Estima-se que em 2018 a economia tenha se contra\u00eddo em 2,5% e, se tudo correr bem, em 2019 sofrer\u00e1 uma nova contra\u00e7\u00e3o, um pouco mais leve, de 2%.<\/p>\n<p>Agora, a grande quest\u00e3o \u00e9 se Mauricio Macri ser\u00e1 capaz de manter um ajuste t\u00e3o duro no ano em que disputa a reelei\u00e7\u00e3o. Os sal\u00e1rios sofreram uma perda de poder de compra pr\u00f3xima a 10%, a mais s\u00e9ria desde o colapso de 2002, e pode-se supor que os sindicatos pressionar\u00e3o o m\u00e1ximo poss\u00edvel para conseguir um reajuste compat\u00edvel com a infla\u00e7\u00e3o. Macri resistir\u00e1 \u00e0 press\u00e3o? O FMI exige que o fa\u00e7a. Um aumento salarial generalizado melhoraria as condi\u00e7\u00f5es de vida dos argentinos (um ter\u00e7o vive na pobreza), mas provavelmente daria novo impulso \u00e0 infla\u00e7\u00e3o e provocaria novas desvaloriza\u00e7\u00f5es e o retorno ao ponto inicial da atual crise.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio FMI e analistas privados indicam que, se a Argentina cumprir as condi\u00e7\u00f5es impostas com o empr\u00e9stimo de setembro, os cidad\u00e3os ter\u00e3o que esperar at\u00e9 2024 para recuperar os n\u00edveis de bem-estar (medidos em consumo privado) de 2017. Ou seja, s\u00f3 no final do mandato do pr\u00f3ximo presidente, seja Macri ou outro, os supostos benef\u00edcios do ajuste atual come\u00e7ariam a ser sentidos.<\/p>\n<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os pre\u00e7os na\u00a0Argentina\u00a0subiram 2,6% em dezembro. 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