{"id":28195,"date":"2019-02-11T17:26:31","date_gmt":"2019-02-11T20:26:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/?p=28195"},"modified":"2019-02-11T17:26:34","modified_gmt":"2019-02-11T20:26:34","slug":"mourao-entra-em-campo-contra-os-antiglobalistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/mourao-entra-em-campo-contra-os-antiglobalistas\/","title":{"rendered":"Mour\u00e3o entra em campo contra os antiglobalistas"},"content":{"rendered":"<p>Fica cada vez mais evidente que a estrat\u00e9gia da pol\u00edtica externa brasileira, articulada pelo chanceler Ernesto Ara\u00fajo, o presidente Bolsonaro e seu filho Eduardo, est\u00e1 deixando inseguros investidores internacionais e outros governos. Ara\u00fajo \u00e9 visto como ideol\u00f3gico demais (algo que os investidores sempre temem, n\u00e3o importa se a ideologia \u00e9 de esquerda ou de direita). J\u00e1 Eduardo, que atua como um ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores informal, passa a imagem de ignorante e muito radical para inspirar confian\u00e7a no exterior, mesmo por parte de funcion\u00e1rios do governo dos EUA, que veem com bons olhos o Governo Bolsonaro. O p\u00e9ssimo discurso de Bolsonaro em Davos pareceu resumir a atua\u00e7\u00e3o da turma antiglobalista at\u00e9 agora, desapontando investidores que tinham aguardado uma fala mais s\u00e9ria\u00a0\u2013 e que, de certa maneira, estavam torcendo para o novo presidente.<\/p>\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\" data-google-query-id=\"COq4y7vBtOACFY0MswAdSKMGvA\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/opinion\/intext_0__container__\"><iframe id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/opinion\/intext_0\" title=\"3rd party ad content\" name=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/opinion\/intext_0\" width=\"1\" height=\"1\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" data-google-container-id=\"7\" data-load-complete=\"true\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<p>&#8220;Ainda bem que eles t\u00eam Mour\u00e3o&#8221; \u00e9 um coment\u00e1rio que se ouve com cada vez mais frequ\u00eancia no exterior. De fato, o general da reserva e vice-presidente \u00e9 agora visto pela comunidade internacional como a \u00e2ncora de um navio que, sem ele, estaria \u00e0 deriva no que diz respeito \u00e0 estrat\u00e9gia internacional.<\/p>\n<p>Mour\u00e3o difere do resto da equipe de pol\u00edtica externa de Bolsonaro em estilo e subst\u00e2ncia. Enquanto os outros atores do governo s\u00e3o conhecidos por sua ret\u00f3rica estridente e agressiva, Mour\u00e3o \u00e9 moderado e calmo. Em uma entrevista recente, o vice-presidente n\u00e3o se esquivou de responder perguntas dif\u00edceis\u00a0\u2013 ao contr\u00e1rio de seu chefe, que frequentemente ataca jornalistas quando estes discordam dele. Mour\u00e3o chamou a aten\u00e7\u00e3o no exterior quando, em entrevista a uma rep\u00f3rter espanhola e a um brasileiro, respondeu as perguntas em espanhol fluente, o qual aprendeu como adido militar em Caracas.<\/p>\n<p>Quando se trata de conte\u00fado, Mour\u00e3o resiste sabiamente \u00e0s ideias mais radicais e mal concebidas dos antiglobalistas, como transferir a embaixada do Brasil em Israel de Tel Aviv para Jerusal\u00e9m, deixar o Acordo de Paris sobre mudan\u00e7a clim\u00e1tica, abrigar uma base militar dos EUA e, a mais perigosa de todas, adotar tom agressivo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 China. N\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia que um n\u00famero crescente de embaixadores esteja procurando Mour\u00e3o, o qual\u00a0\u2013 eles esperam\u00a0\u2013 continuar\u00e1 a impedir Bolsonaro de cometer graves erros pol\u00edticos no \u00e2mbito externo. Nenhum vice-presidente na hist\u00f3ria recente foi t\u00e3o necess\u00e1rio para a estabilidade da pol\u00edtica externa do Brasil, j\u00e1 nas primeiras semanas de Governo, quanto Hamilton Mour\u00e3o.<\/p>\n<p>Ainda assim, previsivelmente, o papel estabilizador do vice-presidente na pol\u00edtica externa do Brasil lhe rendeu a ira dos radicais (inclusive Olavo de Carvalho e Steve Bannon, dos EUA). A quest\u00e3o-chave \u00e9: at\u00e9 que ponto Mour\u00e3o ser\u00e1 capaz de vetar todas as ideias esdr\u00faxulas que certamente ainda vir\u00e3o da ala antiglobalista do governo?<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que, idealmente, Mour\u00e3o n\u00e3o deve ser apenas bombeiro-chefe e jogar na defesa para proteger a pol\u00edtica externa brasileira de erros graves. Tamb\u00e9m tem potencial para adotar um papel mais ativo e propor novas iniciativas no \u00e2mbito externo. Tr\u00eas em particular v\u00eam \u00e0 mente.<\/p>\n<p>Primeiro, Mour\u00e3o seria o homem certo para liderar a posi\u00e7\u00e3o do Brasil em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Venezuela, maior desafio em curto e m\u00e9dio prazos na pol\u00edtica externa hoje. De longe a pessoa mais bem informada no gabinete sobre o assunto, Mour\u00e3o tamb\u00e9m tem a vantagem de ser um militar, capaz, portanto, de lidar com a institui\u00e7\u00e3o que determinar\u00e1 o futuro do pa\u00eds vizinho: as For\u00e7as Armadas. Isso envolveria a articula\u00e7\u00e3o da resposta complexa \u00e0 crise migrat\u00f3ria venezuelana em todo o continente. Mour\u00e3o poderia, ainda, convocar uma c\u00fapula regional para discutir o assunto e decidir como coordenar conjuntamente o registro, a distribui\u00e7\u00e3o e a integra\u00e7\u00e3o dos migrantes venezuelanos. Juntamente com outros pa\u00edses da regi\u00e3o, ele tamb\u00e9m poderia organizar a cria\u00e7\u00e3o de um fundo para compensar os pa\u00edses mais afetados pela crise migrat\u00f3ria, como Col\u00f4mbia, Equador e Peru. Al\u00e9m disso, coordenaria, com a Col\u00f4mbia e outros, o envio de ajuda m\u00e9dica e humanit\u00e1ria \u00e0 Venezuela, assim que o Governo Maduro\u00a0\u2013 ou qualquer governo sucessor\u00a0\u2013 o permitir.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, como projeto de m\u00e9dio prazo, Mour\u00e3o poderia liderar um processo de aprofundamento da coopera\u00e7\u00e3o entre as For\u00e7as Armadas na Am\u00e9rica do Sul, dando continuidade a um movimento deflagrado por Nelson Jobim, ministro da Defesa de Lula. Isso poderia funcionar por meio de uma institui\u00e7\u00e3o existente, como o Conselho de Defesa Sul-Americano, e deveria envolver, entre outras iniciativas, exerc\u00edcios militares conjuntos, miss\u00f5es para lidar com desastres naturais e participa\u00e7\u00e3o em miss\u00f5es de paz da ONU. Isso at\u00e9 poderia ajudar a aumentar a press\u00e3o sobre suas contrapartes nas For\u00e7as Armadas da Venezuela\u00a0\u2013 que perder\u00e3o muito com uma transi\u00e7\u00e3o para a democracia, dados os privil\u00e9gios que acumularam sob Maduro\u00a0\u2013 para permanecerem em seus quart\u00e9is independentemente de quem seja o futuro l\u00edder. A plataforma revigorada poderia, em futuras crises desse tipo, oferecer aos pa\u00edses vizinhos um canal adicional para o di\u00e1logo e a coordena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Finalmente, Mour\u00e3o poderia se tornar respons\u00e1vel pela estrat\u00e9gia do Brasil em rela\u00e7\u00e3o a Pequim, um tema de extrema relev\u00e2ncia para o futuro do Brasil em curto, m\u00e9dio e longo prazos. Isso poderia incluir assumir o portf\u00f3lio do grupo BRICS, que nem o presidente nem o ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores consideram de grande relev\u00e2ncia. Enquanto o presidente Bolsonaro, seu filho e o ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores expressaram, at\u00e9 agora, ideias simplistas e preocupantes sobre a China, Mour\u00e3o seria capaz de encontrar um meio-termo entre o receio leg\u00edtimo sobre o que a ascens\u00e3o chinesa implica e o otimismo quanto \u00e0s muitas oportunidades na crescente presen\u00e7a do pa\u00eds na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>A queda de bra\u00e7o entre Hamilton Mour\u00e3o e os antiglobalistas dever\u00e1 marcar a estrat\u00e9gia internacional do governo Bolsonaro. Resta saber se Mour\u00e3o sair\u00e1 vitorioso e conseguir\u00e1 salvar a pol\u00edtica externa brasileira dos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fica cada vez mais evidente que a estrat\u00e9gia da pol\u00edtica externa brasileira, articulada pelo chanceler&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[19],"tags":[],"class_list":["post-28195","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28195","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28195"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28195\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":28196,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28195\/revisions\/28196"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28195"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28195"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28195"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}