{"id":36842,"date":"2019-11-14T10:09:30","date_gmt":"2019-11-14T14:09:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/?p=36842"},"modified":"2019-11-14T11:12:27","modified_gmt":"2019-11-14T15:12:27","slug":"rio-paraguai-corumbaenses-de-raiz-e-musico-que-respira-pantanal-sao-os-homenageados-do-festival","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/rio-paraguai-corumbaenses-de-raiz-e-musico-que-respira-pantanal-sao-os-homenageados-do-festival\/","title":{"rendered":"Rio Paraguai, corumbaenses de raiz e m\u00fasico que respira Pantanal, s\u00e3o os homenageados do festival"},"content":{"rendered":"<p>Mais festeira do que nunca, a cidade de Corumb\u00e1 recebe com alegria a 15\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Festival Am\u00e9rica do Sul Pantanal (Fasp), que vem com homenagens muito significativas.\u00a0\u00a0Al\u00e9m do protagonista, o Rio Paraguai, que cobre de \u00e1gua e poesia cidades e fronteiras, este ano a organizadora do evento, Funda\u00e7\u00e3o de Cultura do Estado(FCMS), junto com a C\u00e2mara Municipal de Corumb\u00e1, escolheram juntos \u00edcones que s\u00e3o parte da nossa hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Na\u00a0<i>literatura<\/i>, o mestre H\u00e9lio Serejo, cuja obra \u00e9 considerada um valioso registro socioecon\u00f4mico e cultural do Estado e da fronteira com o Paraguai. Na\u00a0<i>m\u00fasica<\/i>\u00a0Paulo Sim\u00f5es, celebrado pelo conjunto de sua obra, j\u00e1 percorreu v\u00e1rias vezes o Pantanal para se inspirar e respirar sua beleza em can\u00e7\u00f5es c\u00e9lebres como a conhecida \u2013 e amada \u2013 \u201cTrem do Pantanal\u201d e o projeto \u201cComitiva Esperan\u00e7a\u201d, que se tornou m\u00fasica e document\u00e1rio.<\/p>\n<p>Nas\u00a0<i>artes pl\u00e1sticas<\/i>\u00a0a escolha de Edson Castro \u00e9 o reconhecimento do premiado corumbaense que ganhou o Brasil e o mundo com seus desenhos e pinturas. Sua obra faz sucesso em galerias da Europa e Estados Unidos. \u00c9 considerado um dos maiores expoentes da nova gera\u00e7\u00e3o de artistas.<\/p>\n<p>O\u00a0<i>sincretismo religioso<\/i>\u00a0tamb\u00e9m est\u00e1 sendo homenageado na FASP, na figura de dona Cacilda. Respeitada e cantada nos versos dos sambas-enredos do Carnaval corumbaense, a m\u00e3e de santo \u00e9 uma personalidade inesquec\u00edvel na religiosidade do corumbaense.<\/p>\n<p>O tamb\u00e9m corumbaense core\u00f3grafo e gestor p\u00fablico Joilson Cruz, \u00e9 homenageado pelo seu trabalho como incentivador e criador de movimentos culturais\u00a0\u00a0do importante projeto Oficina de Dan\u00e7a, que dirige h\u00e1 20 anos.<\/p>\n<p>A seguir, mais detalhes dos homenageados desta grande festa da integra\u00e7\u00e3o cultural \u2013 o Festival Am\u00e9rica do Sul Pantanal.<\/p>\n<p><strong>H\u00e9lio Serejo \u2013 Literatura<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-284640 alignleft\" src=\"http:\/\/www.ms.gov.br\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2019\/11\/Heio-Serejo-300x222.jpeg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"222\" \/><\/p>\n<p>Considerado o regionalista sul-mato-grossense, da fronteira Brasil\u2013Paraguai, e um dos mais importantes memorialistas do sul do Estado, H\u00e9lio Serejo (1912\/2007) foi poeta, escritor, proseador, pesquisador, cientista do folclore e jornalista, nasceu na regi\u00e3o fronteira de Mato Grosso do Sul, na cidade de Nioaque. Sua produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria conta com mais de 60 livros publicados e suas obras foram um importante registro hist\u00f3rico da vida econ\u00f4mica, social e cultural do Estado de Mato Grosso do Sul. Sua obra nos possibilita discutir criticamente as produ\u00e7\u00f5es culturais perif\u00e9ricas, j\u00e1 que as obras de H\u00e9lio Serejo retratam as condi\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas da fronteira Brasil\/Paraguai do p\u00f3s-guerra do Paraguai, o desenvolvimento econ\u00f4mico do sul do Estado e da fronteira. Durante sua vida, H\u00e9lio Serejo escreveu 60 obras, reeditadas pelo Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico do Mato Grosso do Sul, numa colet\u00e2nea de dez volumes.<\/p>\n<p>Escritor e conhecedor dos mais variados estratos da gente, da forma\u00e7\u00e3o \u00e9tnica e do povoamento da regi\u00e3o sul-mato-grossense, a extensa obra de H\u00e9lio Serejo \u2013 cujas composi\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias s\u00e3o lendas, contos, poesias, narrativas ervateiras e evoca\u00e7\u00f5es de imagens do sert\u00e3o \u2013, \u00e9 comp\u00eandio dos usos e costumes regionais e principalmente das tradi\u00e7\u00f5es relacionadas com a atividade ervateira.<\/p>\n<p>H\u00e9lio Serejo fez parte de in\u00fameras entidades culturais, liter\u00e1rias e hist\u00f3ricas, dentre as quais o Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico de MS, a Academia Mato-Grossense de Letras e a Academia Sul-Mato-Grossense de Letras. Colega e amigo do escritor, o poeta Rub\u00eanio Marcelo o homenageou com o seguinte poema<\/p>\n<p>SER T\u00c3O SEREJO!<\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 (Rub\u00eanio Marcelo)<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Ele vem da fronteira,<\/em><\/p>\n<p><em>ele vem dos ervais\u2026<\/em><\/p>\n<p><em>Trazendo na algibeira<\/em><\/p>\n<p><em>o sol dos barbaqu\u00e1s\u2026<\/em><\/p>\n<p><em>E vem todo de branco<\/em><\/p>\n<p><em>com seu semblante franco,<\/em><\/p>\n<p><em>trilhando as sertanias azuis\u2026<\/em><\/p>\n<p><em>E nesta trajet\u00f3ria<\/em><\/p>\n<p><em>vem contando hist\u00f3rias<\/em><\/p>\n<p><em>agora dos confins<\/em><\/p>\n<p><em>da verdade e da luz\u2026<\/em><\/p>\n<p><em>Ele vem das est\u00e2ncias,<\/em><\/p>\n<p><em>ele vem dos galp\u00f5es\u2026<\/em><\/p>\n<p><em>Sublimando as dist\u00e2ncias,<\/em><\/p>\n<p><em>palmilhando os sert\u00f5es\u2026<\/em><\/p>\n<p><em>Ser assim t\u00e3o andejo<\/em><\/p>\n<p><em>e ser t\u00e3o sertanejo<\/em><\/p>\n<p><em>sempre foi seu destino<\/em><\/p>\n<p><em>em ser\u00f5es\u2026<\/em><\/p>\n<p><em>Pois entende as batutas<\/em><\/p>\n<p><em>das quer\u00eancias matutas<\/em><\/p>\n<p><em>e as sagas de caboclos e pe\u00f5es\u2026<\/em><\/p>\n<p><em>E agora se escuta um banjo,<\/em><\/p>\n<p><em>no alto, um coro de anjos,<\/em><\/p>\n<p><em>e uma luz mostrando ao mundo<\/em><\/p>\n<p><em>este ser t\u00e3o sertanejo\u2026<\/em><\/p>\n<p><em>E agora em transcendente plano<\/em><\/p>\n<p><em>vagueia um \u00edndio haragano,<\/em><\/p>\n<p><em>trilhando o azul, tecendo a paz<\/em><\/p>\n<p><em>que assim \u00e9 ser t\u00e3o Serejo!<\/em><\/p>\n<p><strong>Paulo Sim\u00f5es \u2013 M\u00fasica<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_282431\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-282431 size-medium\" src=\"http:\/\/www.ms.gov.br\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2019\/10\/paulinho-simoes-300x200.png\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" srcset=\"http:\/\/www.ms.gov.br\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2019\/10\/paulinho-simoes-300x200.png 300w, http:\/\/www.ms.gov.br\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2019\/10\/paulinho-simoes-768x512.png 768w, http:\/\/www.ms.gov.br\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2019\/10\/paulinho-simoes-1024x682.png 1024w, http:\/\/www.ms.gov.br\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2019\/10\/paulinho-simoes-272x182.png 272w, http:\/\/www.ms.gov.br\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2019\/10\/paulinho-simoes.png 1280w\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\"><em>O artista Paulinho Sim\u00f5es eternizou o Pantanal em suas m\u00fasicas<\/em><\/p>\n<\/div>\n<p>Os trilhos que ligaram o Rio de Janeiro ao Pantanal trouxeram nos vag\u00f5es que percorriam do mar Atl\u00e2ntico ao mar de Xara\u00e9s, no Pantanal, a alma e o talento de um dos mais importantes m\u00fasicos, compositores e letristas da m\u00fasica regional brasileira: Paulo Sim\u00f5es. Radicado em Campo Grande desde sua inf\u00e2ncia\/adolesc\u00eancia por ra\u00edzes familiares, embora nascido em pleno mares cariocas, Sim\u00f5es atravessa sua carreira sem abandonar a modernidade da renova\u00e7\u00e3o, na sua capacidade de se reinventar como artista e se ligar ao tradicional e ao moderno da arte musical.<\/p>\n<p>E \u00e9 pelo conjunto de sua obra e pela import\u00e2ncia e contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00fasica de Mato do Mato Grosso do Sul, que Paulinho \u00e9 homenageado pela segunda vez no Festival Am\u00e9rica do Sul. A primeira, em 2005, a homenagem se estendeu tamb\u00e9m ao seu parceiro, Geraldo Roca, na emblem\u00e1tica can\u00e7\u00e3o Trem do Pantanal.<\/p>\n<p>\u201cPara mim \u00e9 uma grata surpresa ser lembrado por este Festival de tanta amplitude e do qual participei in\u00fameras vezes, como m\u00fasico, produtor e como espectador\u201d, diz Sim\u00f5es. Autor de cl\u00e1ssicos, como \u201cComitiva Esperan\u00e7a\u201d e \u201cSonhos Guaranis\u201d, com Almir Sater, e \u201cTrem do Pantanal\u201d, com Geraldo Roca, Sim\u00f5es tamb\u00e9m representa o Estado de Mato Grosso do Sul, reafirmando o corredor cultural do Centro-Oeste.<\/p>\n<div id=\"attachment_282438\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-282438\" src=\"http:\/\/www.ms.gov.br\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2019\/10\/Comitiva-Esperan%C3%A7a-by.zuza_.3-300x227.jpg\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" srcset=\"http:\/\/www.ms.gov.br\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2019\/10\/Comitiva-Esperan\u00e7a-by.zuza_.3-300x227.jpg 300w, http:\/\/www.ms.gov.br\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2019\/10\/Comitiva-Esperan\u00e7a-by.zuza_.3.jpg 397w\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"227\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\"><em>Comitiva Pantaneira \u2013 Foto de Zuza Homem De Melo<\/em><\/p>\n<\/div>\n<p><strong>Hist\u00f3ria com Pantanal e a Comitiva Esperan\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>A m\u00fasica \u201cTrem do Pantanal\u201d, considerada o hino n\u00e3o oficial do Estado, nasceu em abril de 75, durante a viagem de trem \u2013 junto com o parceiro Geraldo Roca \u2013 de Campo Grande para a Bol\u00edvia e Peru. Sim\u00f5es diz que a m\u00fasica \u00e9 um retrato emocional da sua gera\u00e7\u00e3o, o que n\u00e3o impede que outras gera\u00e7\u00f5es tenham interpreta\u00e7\u00f5es semelhantes. A hist\u00f3rica \u00e9 c\u00edclica, enfatiza.<\/p>\n<p>E sua hist\u00f3ria com o Pantanal s\u00f3 estava come\u00e7ando. Entre novembro de 1983 e janeiro de 1984, o projeto Comitiva Esperan\u00e7a percorreu diversas regi\u00f5es do Pantanal de Mato Grosso do Sul, pesquisando e documentando o cotidiano da popula\u00e7\u00e3o local. Utilizando meios de transporte tradicionais da regi\u00e3o (cavalos, mulas, carro de boi e barco), junto com Almir Sater e Z\u00e9 Gomes -acompanhados por uma equipe de filmagem- reuniram vasto material relativo \u00e0 cultura pantaneira.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de um document\u00e1rio em 16mm, com dire\u00e7\u00e3o de Wagner Carvalho, o projeto gerou um importante acervo fotogr\u00e1fico, j\u00e1 exibido com sucesso pelo Museu de Imagem e Som de Mato Grosso do Sul. Tamb\u00e9m foram registradas em \u00e1udio entrevistas com moradores, condutores de comitivas, trovadores e outros, al\u00e9m de apresenta\u00e7\u00f5es musicais com os m\u00fasicos participantes como retribui\u00e7\u00e3o pela hospitalidade encontrada em todos os locais visitados. Algumas can\u00e7\u00f5es compostas durante a viagem se popularizaram, destacando-se a pr\u00f3pria \u201cComitiva Esperan\u00e7a\u201d (Sater-Sim\u00f5es), um dos temas de maior destaque da novela Pantanal, sucesso n\u00e3o s\u00f3 no Brasil como em in\u00fameros pa\u00edses.<\/p>\n<p>Para Paulo Sim\u00f5es, a experi\u00eancia da Comitiva Esperan\u00e7a teve papel fundamental no processo da descoberta e constru\u00e7\u00e3o de sua identidade. O contato com a linguagem, os costumes e a filosofia de vida pr\u00f3pria dos pantaneiros ajudou-o a definir uma persona art\u00edstica e cultural, que consegue aliar a qualidade musical e po\u00e9tica a uma originalidade pr\u00f3pria dos grandes artistas.<\/p>\n<p>Em 1994, inicia o projeto \u201cChalana de Prata\u201d, grupo que re\u00fane quatro expoentes da m\u00fasica do Mato-Grosso-do Sul, com Sim\u00f5es, Celito Esp\u00edndola, Guilherme Rondon e o lend\u00e1rio sanfoneiro Dino Rocha (que morreu em fevereiro deste ano, aos 68 anos de idade), sendo seu primeiro CD lan\u00e7ado em 1998, com grande repercuss\u00e3o. Seu primeiro disco individual data de 1992, ano em que recebeu o Pr\u00eamio Sharp de melhor compositor regional, com Paiagu\u00e1s, em parceria com Guilherme Rondon.<\/p>\n<p>Um dos mais importantes m\u00fasicos de sua gera\u00e7\u00e3o, Sim\u00f5es introduziu sonoridades e ritmos fronteiri\u00e7os (daquela parte do mapa em que o Brasil foi Paraguai) no caldeir\u00e3o musical brasileiro. Suas can\u00e7\u00f5es foram gravadas por astros como Sergio Reis, Ivan Lins, Sandy e Junior, e Renato Teixeira. Comitiva Esperan\u00e7a (com Almir Sater) fez parte da trilha da novela Pantanal, sucesso em muitos pa\u00edses.<\/p>\n<p>Trabalhando sozinho ou em m\u00faltiplas e talentosas parcerias, Paulo Sim\u00f5es \u00e9 uma obrigat\u00f3ria refer\u00eancia musical e po\u00e9tica dentro da cultura do Brasil Central e suas ramifica\u00e7\u00f5es fronteiri\u00e7as espalhadas por toda a Am\u00e9rica do Sul. Em 2017 recebeu uma indica\u00e7\u00e3o ao Grammy Latino, na categoria Melhor Can\u00e7\u00e3o em L\u00edngua Portuguesa, com D de Destino, primeira parceria a tr\u00eas com Almir Sater e Renato Teixeira. Este ano, Sim\u00f5es lan\u00e7ou o disco Violas Pantaneiras, que divide com o violeiro e compositor cuiabano Jo\u00e3o Ormond.<\/p>\n<p>Em texto escrito para o m\u00fasico e amigo, o jornalista e presidente da Academia de Letras, Henrique Medeiros, resume po\u00e9tica e lindamente o trabalho do compositor. Ele diz: \u201cPaulinho tem na sua obra um conjunto e unidade que trilha pelos trilhos que levam n\u00e3o s\u00f3 o Trem do Pantanal, mas carrega a busca pelos destinos da vida. Ele sabe que \u2018enquanto esse velho trem atravessa o Pantanal\u2019, s\u00f3 o seu cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 batendo desigual, pois \u2018ele agora sabe que o medo viaja tamb\u00e9m sobre todos os trilhos da terra\u2019.\u201d<\/p>\n<p><strong>Edson Castro \u2013 Artes Pl\u00e1sticas<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-282433 alignleft\" src=\"http:\/\/www.ms.gov.br\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2019\/10\/edson-castro-300x200.jpg\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" srcset=\"http:\/\/www.ms.gov.br\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2019\/10\/edson-castro-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.ms.gov.br\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2019\/10\/edson-castro-272x182.jpg 272w, http:\/\/www.ms.gov.br\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2019\/10\/edson-castro.jpg 720w\" alt=\"Foto Gabriel Santos\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/p>\n<p>Artista pl\u00e1stico nascido em Corumb\u00e1-MS, em 1970, Edson Castro iniciou sua carreira como autodidata desenvolvendo-se em diversas t\u00e9cnicas como desenho, aquarela e pintura \u00e0 \u00f3leo e acr\u00edlica. Desde jovem foi reconhecido e premiado em Sal\u00f5es de Arte de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. Freq\u00fcentou forma\u00e7\u00f5es com Charles Watson, no Rio de Janeiro, e Rodrigo Naves, em S\u00e3o Paulo, onde morou e desenvolveu nacionalmente sua carreira, entre 1998 e 2008, mas sempre com temporadas em MS.<\/p>\n<p>Participou de exposi\u00e7\u00f5es individuais em Centros Culturais e Galerias em v\u00e1rios estados brasileiros onde passou a integrar acervos p\u00fablicos e particulares. Realizou a obra de Arte P\u00fablica Cacharas, um gigante painel com sua iconogr\u00e1fica malha do peixe Cachara, na ponte sobre o Rio Paraguai, real\u00e7ando sua import\u00e2ncia como marco paisag\u00edstico da cidade de Corumb\u00e1.<\/p>\n<p>O artista diz que atrav\u00e9s da sua obra tenta uma ambiguidade entre os tra\u00e7os, posturas e comportamentos. \u201dN\u00e3o existe o que ver, elas existem por si s\u00f3\u201d, e explica que o espectador, dependendo do estado de esp\u00edrito de cada um, acaba vendo coisas diferentes. \u201cO c\u00e9rebro da gente sempre busca refer\u00eancias quando v\u00ea algo nova, mas as obras s\u00e3o o que elas s\u00e3o, tra\u00e7os, emo\u00e7\u00f5es\u201d, diz.<\/p>\n<p>Morando em Paris (Fran\u00e7a) desde 2008, o artista desenvolve sua carreira, realiza exposi\u00e7\u00f5es tempor\u00e1rias e permanentes em galerias como Galerie Ad Hoc Corner em Saint-Paul de Vence, no sul da Fran\u00e7a; Yohann Gallery, Galerie Rauchfeld e Galerie Le Pav\u00e9 d\u2019Orsay, no bairro Saint Germain des Pr\u00e9s, um dos mais importantes p\u00f3los de galerias e museus de arte da cidade.<\/p>\n<p>Voltou a expor em Mato Grosso do Sul em 2018 no Sesc Cultura (Campo Grande\/MS). A cr\u00edtica de arte Maria Ad\u00e9lia Menegazzo (ABPCA\/MS) escreveu sobre a Mostra: \u201cA obra de Edson Castro, composta de desenhos, pode ser chamada de abstrata, ou de grafismo abstracionista, se levarmos em considera\u00e7\u00e3o o fato de que ela n\u00e3o aponta para coisas cujas formas poder\u00edamos reconhecer e diante das quais sentir\u00edamos prazer. O que s\u00e3o esses desenhos?\u201d O artista, segundo ela, desafia essas quest\u00f5es h\u00e1 muito e como um Tecel\u00e3o do tempo, do seu pr\u00f3prio tempo, oferece alternativas, indicando que h\u00e1 gestos, que h\u00e1 pensamento, que h\u00e1 escolhas, e que na troca incessante destes elementos reside uma obra que se constr\u00f3i indefinidamente.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>M\u00e3e Cacilda \u2013 religiosidade<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_282445\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-282445 size-medium\" src=\"http:\/\/www.ms.gov.br\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2019\/10\/mae-218x300.jpg\" sizes=\"auto, (max-width: 218px) 100vw, 218px\" srcset=\"http:\/\/www.ms.gov.br\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2019\/10\/mae-218x300.jpg 218w, http:\/\/www.ms.gov.br\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2019\/10\/mae-768x1055.jpg 768w, http:\/\/www.ms.gov.br\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2019\/10\/mae-746x1024.jpg 746w\" alt=\"Foto; Arquivo familiar\" width=\"218\" height=\"300\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\"><em>M\u00e3e Cacilda era sempre lembrada nos carnavais corumbaenses<\/em><\/p>\n<\/div>\n<p>Indicada pela C\u00e2mara Municipal de Corumb\u00e1 para ser homenageada no Festival Am\u00e9rica do Sul Pantanal, M\u00e3e Cacilda foi escolhida por ser um marco da diversidade religiosa no Estado. Tema de dezenas de trabalhos acad\u00eamicos sobre f\u00e9 e turismo religioso, al\u00e9m de costumeiramente ser homenageada e cantada nos versos dos sambas-enredos do Carnaval corumbaense. \u201cCacilda \u00e9 uma personalidade \u00edmpar no sincretismo religioso de Corumb\u00e1\u201d, nas palavras do diretor-presidente da Funda\u00e7\u00e3o de Cultura e Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico de Corumb\u00e1, Joilson Cruz.<\/p>\n<p>Nascida em 15 de novembro de 1936, em Cuiab\u00e1, na \u00e9poca capital de todo o Mato Grosso, Cacilda conheceu a umbanda aos 15 anos, contra a vontade da fam\u00edlia, e se tornou praticante ass\u00eddua, casando-se com um pai de santo. Em 1964, a fama come\u00e7ou a se espalhar com a primeira cura: fez um menino de 12 anos do interior de S\u00e3o Paulo, paral\u00edtico, \u201clargar as muletas e come\u00e7ar a andar\u201d.<\/p>\n<p>Naquele ano Cacilda Gon\u00e7alves de Paula ganhou manchetes em todo o Brasil pelos poderes de cura. Com fama nacional, Corumb\u00e1 come\u00e7ou a receber centenas de \u00f4nibus, carros e barcos diariamente. Peregrinos de todo lugar e classes sociais disputavam na fila alguns minutos com a curandeira, suportando o calor e as longas viagens pelo improv\u00e1vel. Corumb\u00e1 se tornaria, depois, um dos principais centros de umbanda e candombl\u00e9 do Brasil.<\/p>\n<p>Com mais de 70% da popula\u00e7\u00e3o local afrodescendente, de acordo com o Instituto da Mulher Negra do Pantanal, Corumb\u00e1 coloca-se \u00e0 frente de Salvador como refer\u00eancia da cultura africana. M\u00e3e Cacilda, que morreu em 1990, continua sendo refer\u00eancia em religiosidade e atraindo seguidores. Sua antiga tenda, agora de alvenaria, continua instalada no mesmo local. O tempo n\u00e3o apagou a tinta com o nome do templo, batizado de Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-282436 alignleft\" src=\"http:\/\/www.ms.gov.br\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2019\/10\/joilson-corumba-300x222.jpg\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" srcset=\"http:\/\/www.ms.gov.br\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2019\/10\/joilson-corumba-300x222.jpg 300w, http:\/\/www.ms.gov.br\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2019\/10\/joilson-corumba-768x569.jpg 768w, http:\/\/www.ms.gov.br\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2019\/10\/joilson-corumba-1024x759.jpg 1024w, http:\/\/www.ms.gov.br\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2019\/10\/joilson-corumba.jpg 1240w\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"222\" \/><\/p>\n<p><strong>Joilson Cruz \u2013 Dan\u00e7a e projeto social<\/strong><\/p>\n<p>Criador do projeto Oficina de Dan\u00e7a, core\u00f3grafo e gestor p\u00fablico (est\u00e1 presidindo a Funda\u00e7\u00e3o de Cultura e Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico pela terceira vez), h\u00e1 20 anos o corumbaense Joilson Cruz produz, fomenta e divulga a cultura da cidade. O projeto, que atualmente atende cerca de 700 alunos \u2013 de 03 a 80 anos \u2013 gratuitamente, tornou-se um \u00edcone da arte corumbaense e sul-mato-grossense. \u201cA arte \u00e9 transformadora\u201d, declara.<\/p>\n<p>Desde o ano de 2005 a Oficina de Dan\u00e7a passou a receber total apoio da Administra\u00e7\u00e3o Municipal, ganhando um pr\u00e9dio maior e desta forma foi poss\u00edvel ampliar o n\u00famero de seus atendimentos. Com in\u00fameros investimentos, melhorou a qualidade t\u00e9cnica dos 12 professores (oito deles, ex-alunos do projeto) e alunos, que passaram a participar de variados cursos, oficinas, workshops e montagens coreogr\u00e1ficas com profissionais renomados e premiados nacionalmente (dan\u00e7as folcl\u00f3ricas, dan\u00e7a contempor\u00e2nea, street dance, bal\u00e9 cl\u00e1ssico, entre outros).<\/p>\n<p>Formado em teologia e filosofia, Joilson disse que recebeu a homenagem do Festival Am\u00e9rica do Sul com muita alegria. \u201c\u00c9 o reconhecimento do nosso trabalho, sinal de que estamos no caminho certo\u201d, justifica, lembrando que j\u00e1 participou quatro vezes do Festival com a sua Oficina. A mesma que recebeu in\u00fameras premia\u00e7\u00f5es no Estado e duas vezes no Festival do Folclore em Santa Catarina.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais festeira do que nunca, a cidade de Corumb\u00e1 recebe com alegria a 15\u00aa edi\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":36843,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[7,8,104],"tags":[],"class_list":["post-36842","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-destaque","category-fasp"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36842","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=36842"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36842\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":36844,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36842\/revisions\/36844"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media\/36843"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=36842"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=36842"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=36842"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}