{"id":3729,"date":"2017-04-28T10:12:27","date_gmt":"2017-04-28T14:12:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/?p=3729"},"modified":"2017-04-28T09:25:31","modified_gmt":"2017-04-28T13:25:31","slug":"trabalhadores-em-condicao-analoga-a-de-escravo-sao-resgatados-no-pantanal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/trabalhadores-em-condicao-analoga-a-de-escravo-sao-resgatados-no-pantanal\/","title":{"rendered":"Trabalhadores em condi\u00e7\u00e3o an\u00e1loga a de escravo s\u00e3o resgatados no Pantanal"},"content":{"rendered":"<p>O pantanal de Mato Grosso do Sul voltou a protagonizar o resgate de trabalhadores em regime de escravid\u00e3o. Dessa vez, o flagrante ocorreu em fazenda localizada a 240 km do munic\u00edpio de Corumb\u00e1, na regi\u00e3o conhecida como Nabileque. Um grupo de cinco homens, contratado para constru\u00e7\u00e3o e reparo de cercas, foi encontrado por representantes do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho, Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego e Pol\u00edcia Militar Ambiental na \u00faltima ter\u00e7a-feira (25).<\/p>\n<p>Os trabalhadores viviam em barraco de madeira, com piso de terra, dormiam em camas adaptadas em t\u00e1buas e tijolos, e dividiam o espa\u00e7o com rem\u00e9dios para gado, sacos de sal, material de montaria, galinhas, porcos e insetos. No alojamento, n\u00e3o havia instala\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias, o que obrigava os homens a fazer necessidades fisiol\u00f3gicas no mato e a tomar banho com mangueira pendurada na parte externa do barraco. O preparo de alimentos era feito em fog\u00e3o de lata improvisado no ch\u00e3o e as refei\u00e7\u00f5es realizadas sobre tocos existentes no local.<\/p>\n<p>Segundo relatos, eles estavam na fazenda desde mar\u00e7o deste ano e trabalhavam em torno de dez horas por dia, com intervalo curto para descanso e sem equipamentos de prote\u00e7\u00e3o. Quando necess\u00e1rio, o repouso aos domingos era interrompido. \u201cA \u00e1gua vinha de \u2018corixo\u2019 e era utilizada para beber, cozinhar, lavar roupa e tomar banho. Estou h\u00e1 dias doente por consumi-la\u201d, contou Marciano Rodrigues de Barros, de 60 anos.<\/p>\n<p>Pelos servi\u00e7os contratados, os trabalhadores deveriam receber R$ 60 por dia, o que nunca aconteceu. Tamb\u00e9m n\u00e3o houve registro em carteira nem exame m\u00e9dico admissional. As frentes de trabalho ficavam distantes cerca de cinco quil\u00f4metros do alojamento e eles percorriam o trajeto inicialmente a p\u00e9. \u201cH\u00e1 duas semanas, chegou um trator com carretinha de madeira para nos levar, junto com ferramentas, motosserras e rolos de arame\u201d, revelou outro senhor, Luiz Aparecido Teodoro Vieira.<\/p>\n<p>Os trabalhadores foram retirados da fazenda por policiais e auditores, retornando ao munic\u00edpio de Miranda, onde residiam. Al\u00e9m do grupo, foram ouvidos o empreiteiro Acilino da Silva Claro, conhecido pelo apelido de \u201cD\u00e3o\u201d e que intermediou a negocia\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o, e o gerente da fazenda.<\/p>\n<p>Ao final dos depoimentos, ficou apurado cr\u00e9dito de quase R$ 24 mil a t\u00edtulo de verbas rescis\u00f3rias, j\u00e1 deduzidos as contribui\u00e7\u00f5es previdenci\u00e1rias e o recolhimento ao Fundo de Garantia por Tempo de Servi\u00e7o. A data do pagamento aos trabalhadores definida em audi\u00eancia agendada para a pr\u00f3xima ter\u00e7a-feira, 2 de maio, na sede do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho em Campo Grande.<\/p>\n<p>\u201cAs den\u00fancias t\u00eam circulado de forma mais r\u00e1pida entre os \u00f3rg\u00e3os de fiscaliza\u00e7\u00e3o, contribuindo para uma apura\u00e7\u00e3o mais eficaz dos direitos violados e para a penaliza\u00e7\u00e3o dos infratores\u201d, destacou o auditor-fiscal do Trabalho Ant\u00f4nio Parron, citando a informalidade nas rela\u00e7\u00f5es de emprego como o \u201cgatilho\u201d para uma sequ\u00eancia de irregularidades trabalhistas.<\/p>\n<p>Nessa linha de avalia\u00e7\u00e3o, o procurador Jonas Ratier Moreno enfatizou o aumento da precariza\u00e7\u00e3o do trabalho como um dos efeitos nocivos da crise econ\u00f4mica que atinge o pa\u00eds. \u201c\u00c9 crescente o n\u00famero de trabalhadores que se sujeitam a determinados servi\u00e7os e condi\u00e7\u00f5es, em lugares cada vez mais distantes dos \u2018olhos\u2019 da fiscaliza\u00e7\u00e3o, como \u00e9 caso que identificamos nessa opera\u00e7\u00e3o\u201d, ilustrou. A den\u00fancia, acrescentou o procurador, pode ser feita pelo site do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho (www.prt24.mpt.mp.br), Disque 100 ou pessoalmente, sendo preservada a identidade do denunciante.<\/p>\n<p>Em fevereiro deste ano, outros quatro homens foram tamb\u00e9m retirados de uma fazenda no pantanal, durante a opera\u00e7\u00e3o batizada de Shemot, que significa \u00eaxodo em hebraico. Um deles estava h\u00e1 20 anos no local.<\/p>\n<p>Ainda em 2017, for\u00e7a-tarefa resgatou de condi\u00e7\u00f5es degradantes 11 trabalhadores de duas fazendas nas proximidades do munic\u00edpio de Bataguassu.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O pantanal de Mato Grosso do Sul voltou a protagonizar o resgate de trabalhadores em&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3730,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[14],"tags":[],"class_list":["post-3729","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3729","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3729"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3729\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3731,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3729\/revisions\/3731"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3730"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3729"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3729"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3729"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}