{"id":39483,"date":"2020-03-08T10:10:00","date_gmt":"2020-03-08T14:10:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/?p=39483"},"modified":"2020-03-08T10:54:55","modified_gmt":"2020-03-08T14:54:55","slug":"em-10-anos-mao-de-obra-feminina-nas-industrias-de-ms-registra-aumento-de-2834","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/em-10-anos-mao-de-obra-feminina-nas-industrias-de-ms-registra-aumento-de-2834\/","title":{"rendered":"Em 10 anos, m\u00e3o de obra feminina nas ind\u00fastrias de MS registra aumento de 28,34%"},"content":{"rendered":"<p class=\"x_MsoNormal\">A hist\u00f3ria da participa\u00e7\u00e3o da mulher no mercado de trabalho \u00e9 marcada por desigualdades e injusti\u00e7as. Prova disso \u00e9 que as mulheres recebem, em m\u00e9dia, 20% a menos do que os homens e muitas empresas n\u00e3o possuem nenhuma mulher no seu conselho de administra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">\n<p class=\"x_MsoNormal\">No entanto, cada vez mais preparadas para ganhar espa\u00e7o na economia, esses dados n\u00e3o parecem intimidar as mulheres, principalmente na ind\u00fastria de Mato Grosso do Sul, que, nos \u00faltimos 10 anos, registrou aumento de 28,34% no n\u00famero de trabalhadoras.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">\n<p class=\"x_MsoNormal\">Segundo levantamento do Radar Industrial da Fiems, em 2008 tinham 23.801 mulheres trabalhando nas ind\u00fastrias do Estado, n\u00famero que subiu para 30.547 em 2018. Atualmente, elas representam 24,5% da m\u00e3o de obra da ind\u00fastria de Mato Grosso do Sul.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">\n<p class=\"x_MsoNormal\">Nesse cen\u00e1rio, os munic\u00edpios que mais contrataram mulheres nos \u00faltimos anos, em termos percentuais, foram Itaquira\u00ed, S\u00e3o Gabriel do Oeste, Dourados e Campo Grande.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\"><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\"><b>Campe\u00f5es de contrata\u00e7\u00f5es<\/b><\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">\n<p class=\"x_MsoNormal\">Em Itaquira\u00ed, o n\u00famero de mulheres na ind\u00fastria saltou de 152, em 2008, para 921, em 2018, uma evolu\u00e7\u00e3o de 506%. Elas representam 49,5% da m\u00e3o de obra da ind\u00fastria do munic\u00edpio, trabalhando majoritariamente no segmento de abate de aves, respons\u00e1vel por empregar 91,3% das mulheres do setor industrial. Ao todo, s\u00e3o 841 mulheres, que recebem em m\u00e9dia R$ 1.827 por m\u00eas e s\u00e3o fundamentais para a movimenta\u00e7\u00e3o da economia da regi\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">\n<p class=\"x_MsoNormal\">S\u00e3o Gabriel do Oeste \u00e9 o segundo munic\u00edpio do Estado com a maior evolu\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o de mulheres na ind\u00fastria nos \u00faltimos 10 anos, 194%. Em 2008, elas ocupavam 286 postos de trabalho, enquanto em 2018 o n\u00famero j\u00e1 era de 675, sendo que 88,7% trabalham no segmento frigor\u00edfico, bastante forte na regi\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">\n<p class=\"x_MsoNormal\">No munic\u00edpio de Dourados, as mulheres representam 30% da m\u00e3o de obra do setor industrial e hoje s\u00e3o 3.697 trabalhadoras empregadas, principalmente nos segmentos frigor\u00edfico e confec\u00e7\u00e3o. O n\u00famero significa uma evolu\u00e7\u00e3o de 42% se comparado a 2008, quando as ind\u00fastrias empregavam 2.599 mulheres e elas ocupavam 26,4% dos postos de trabalho.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">\n<p class=\"x_MsoNormal\">J\u00e1 em Campo Grande, Capital do Estado, a evolu\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra feminina na ind\u00fastria nos \u00faltimos 10 anos foi de 19%, com aumento principalmente no segmento t\u00eaxtil e do vestu\u00e1rio. Em 2008, eram 6.749 mulheres empregadas, com uma participa\u00e7\u00e3o de 19,9%, n\u00famero que subiu para 8.016 em 2018, representando 22% dos trabalhadores.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\"><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\"><b>Desafio<\/b><\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">\n<p class=\"x_MsoNormal\">Na avalia\u00e7\u00e3o da vice-presidente do Sistema Fiems, Cl\u00e1udia Pinedo Zottos Volpini, os n\u00fameros mostram que a mulher vem ocupando cada vez mais seu espa\u00e7o no mercado de trabalho.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">\n<p class=\"x_MsoNormal\">\u201cHoje, apesar de termos uma cultura ainda masculina, a mulher vem aos poucos se destacando no mercado de trabalho e conquistando seu espa\u00e7o. Na ind\u00fastria de Mato Grosso do Sul, que \u00e9 voltada para a agroind\u00fastria, com servi\u00e7os mais pesados, a gente v\u00ea o predom\u00ednio da m\u00e3o de obra masculina mesmo, ent\u00e3o ver que o n\u00famero de mulheres cresceu nos \u00faltimos anos \u00e9 um motivo para comemorar\u201d, afirmou a l\u00edder empresarial.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">\n<p class=\"x_MsoNormal\">Ela acredita que o aumento da presen\u00e7a feminina na ind\u00fastria sul-mato-grossense \u00e9 um incentivo para que mais mulheres busquem se inserir nesse mercado. \u201cE tamb\u00e9m para que empres\u00e1rios contratem mais mulheres. Sou empres\u00e1ria e percebo que elas s\u00e3o mais dedicadas, t\u00eam vontade de aprender e de crescer na empresa\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">\n<p class=\"x_MsoNormal\">Para o soci\u00f3logo Paulo Cabral, o aumento da participa\u00e7\u00e3o da mulher na ind\u00fastria \u00e9 significativo. \u201cHistoricamente, a mulher sempre ocupou espa\u00e7o na ind\u00fastria de confec\u00e7\u00e3o, mas a gente v\u00ea que ela vem ganhando espa\u00e7o em outros segmentos majoritariamente masculinos, como frigor\u00edficos e constru\u00e7\u00e3o civil\u201d, pontuou.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">\n<p class=\"x_MsoNormal\">Ele acrescenta que essa participa\u00e7\u00e3o tem seus lados positivos e negativos. \u201cO positivo \u00e9 que \u00e9 realmente importante que a mulher venha ocupando espa\u00e7o no mercado trabalho, mas muitas vezes isso acontece porque \u00e9 uma m\u00e3o de obra mais barata\u201d, destacou.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">\n<p class=\"x_MsoNormal\">Apesar disso, o soci\u00f3logo acredita que a mulher conseguir ocupar todos os espa\u00e7os do mercado de trabalho \u00e9 algo significativo e merece ser comemorado. \u201cAos poucos vemos as mulheres ganhando mais espa\u00e7o e nesse contexto um dado merece ser destacado: \u00e9 sabido que as mulheres t\u00eam conquistado um grau de escolaridade maior do que o dos homens. Em m\u00e9dia elas estudam dois anos e meio a mais do que eles, o que tamb\u00e9m sinaliza uma melhor condi\u00e7\u00e3o de empregabilidade\u201d, finalizou.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">\n<p class=\"x_MsoNormal\"><b>Desmoronando barreiras<\/b><\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">\n<p class=\"x_MsoNormal\">O mercado de trabalho ainda diferencia homens de mulheres quando o assunto \u00e9 contrata\u00e7\u00e3o e planejamento interno. Muitas vezes, a mulher pode ser exclu\u00edda de projetos e desconsiderada para promo\u00e7\u00f5es, ou sequer \u00e9 selecionada consegue o trabalho pelo simples fato de ser do sexo feminino.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">\n<p class=\"x_MsoNormal\">Atuando na \u00e1rea de recursos humanos h\u00e1 cinco anos, Vanessa Rosa de Souza considera que, gradativamente, as barreiras impostas \u00e0 mulher est\u00e3o desmoronando. \u201cTodos os casos que acompanhei em que o empregador apostava em um perfil masculino para a vaga, as mulheres conseguiram provar que davam conta\u201d, destacou ela, que h\u00e1 um ano \u00e9 respons\u00e1vel pelo setor de RH da ind\u00fastria de sorvetes Dale, em Campo Grande (MS).<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">\n<p class=\"x_MsoNormal\">\u201cAs mulheres s\u00e3o mais organizadas, focadas e empenhadas. Nunca tivemos problemas com colaboradoras\u201d, afirmou a analista de RH. Na linha de produ\u00e7\u00e3o da f\u00e1brica de sorvetes, por exemplo, a atua\u00e7\u00e3o delas praticamente equipara-se \u00e0 dos homens \u2013 45% dos colaboradores s\u00e3o mulheres.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">\n<p class=\"x_MsoNormal\">Ainda no ch\u00e3o de f\u00e1brica, o principal cargo tamb\u00e9m pertence a uma mulher. Nenhum sorvete entra ou sai da Dale sem passar pelo crivo da engenheira de produ\u00e7\u00e3o Geslayne de Lima Benites, 36 anos. Gestora de pesquisa e desenvolvimento da empresa desde 2016, a engenheira conta que s\u00f3 foi poss\u00edvel continuar trabalhando por ter no marido \u201cum grande companheiro\u201d.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">\n<p class=\"x_MsoNormal\">\u201cSempre dividimos todas as tarefas dom\u00e9sticas e a responsabilidade sobre a educa\u00e7\u00e3o do nosso filho. Ele foi diagnosticado com uma s\u00edndrome, o que me levou a deixar de trabalhar por um ano e prestar somente consultoria. Mas eu sempre gostei da adrenalina, da falta de rotina que a linha de produ\u00e7\u00e3o proporciona, e quis voltar a trabalhar\u201d, contou Geslayne Benites, sobre como lida com a rotina de trabalho e a fam\u00edlia.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">\n<p class=\"x_MsoNormal\">Na ind\u00fastria de celulose Suzano, as mulheres quebraram barreiras e mostraram que a ideia inicial da exist\u00eancia de cargos por g\u00eanero est\u00e1 ultrapassada. Em Mato Grosso do Sul, elas j\u00e1 s\u00e3o maioria em diversos setores e chegaram a cargos at\u00e9 ent\u00e3o ocupados s\u00f3 por eles, como soldadora, operadora de grua, operadora de painel e gerente de manuten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">\n<p class=\"x_MsoNormal\">Na unidade de Tr\u00eas Lagoas, al\u00e9m de \u00e1reas administrativas, elas j\u00e1 s\u00e3o maioria em setores como planejamento florestal (80% s\u00e3o mulheres), viveiro (85%) e qualidade industrial (80%). Gretta Lee Dias Facholi, por exemplo, \u00e9 a primeira mulher a ser promovida a gerente de manuten\u00e7\u00e3o na empresa. Com 16 anos de Suzano, ela chegou a Tr\u00eas Lagoas (MS) em 2004, antes mesmo da inaugura\u00e7\u00e3o da f\u00e1brica, para trabalhar como engenheira j\u00fanior.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">\n<p class=\"x_MsoNormal\">\u201cO empoderamento tem rela\u00e7\u00e3o com crescimento pessoal, entender suas fraquezas e seus pontos fortes. Muitos gestores homens apostaram em mim e cada um que me desafiou, na verdade, ajudou no meu desenvolvimento profissional\u201d, destacou Gretta Facholi.<\/p>\n<p class=\"x_MsoNormal\">\n<p class=\"x_MsoNormal\">Ozenir Costa Rolan \u00e9 a prova de que, com foco e persist\u00eancia, \u00e9 poss\u00edvel superar qualquer obst\u00e1culo. Com sete anos de carreira, hoje ela \u00e9 considerada uma das melhores operadoras de gruas no Estado. \u201cA gente tem que mostrar que \u00e9 capaz. Esta \u00e9 a minha \u00e1rea e \u00e9 o que eu gosto de fazer. N\u00e3o pode se assustar e tem que estar sempre lutando.\u00a0 \u00c9 claro, que fica mais f\u00e1cil quando tem apoio. A abertura para as mulheres \u00e9 essencial para mostrar que tamb\u00e9m podemos\u201d, afirmou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria da participa\u00e7\u00e3o da mulher no mercado de trabalho \u00e9 marcada por desigualdades e&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":39484,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,9],"tags":[],"class_list":["post-39483","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39483","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39483"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39483\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":39485,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39483\/revisions\/39485"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media\/39484"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39483"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39483"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39483"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}