{"id":41345,"date":"2020-05-17T09:47:00","date_gmt":"2020-05-17T13:47:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/?p=41345"},"modified":"2020-05-17T10:04:49","modified_gmt":"2020-05-17T14:04:49","slug":"lgbtis-vivem-acirramento-de-violencia-familiar-em-isolamento-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/lgbtis-vivem-acirramento-de-violencia-familiar-em-isolamento-social\/","title":{"rendered":"LGBTIs vivem acirramento de viol\u00eancia familiar em isolamento social"},"content":{"rendered":"<p>A crise global causada pelo novo coronav\u00edrus &#8220;est\u00e1 exacerbando as dificuldades da popula\u00e7\u00e3o LGBTI&#8221;, reconheceu a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) em um comunicado divulgado em abril.\u00a0A ONU explicou na \u00e9poca que essa minoria &#8220;muitas vezes encontra discrimina\u00e7\u00e3o e estigmatiza\u00e7\u00e3o ao buscar servi\u00e7os de sa\u00fade, e \u00e9 mais vulner\u00e1vel \u00e0 viol\u00eancia e outras viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos&#8221;. No Dia Internacional de Combate \u00e0 LGBTfobia, comemorado\u00a0hoje\u00a0(17), LGBTIs ouvidos pela\u00a0<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>\u00a0que trabalham no acolhimento a essa popula\u00e7\u00e3o chamam a aten\u00e7\u00e3o para o cruzamento dessa forma de discrimina\u00e7\u00e3o com as dificuldades enfrentadas por todos diante da maior pandemia das \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Gestora de uma rede de apoio emocional que j\u00e1 realizou mais de 100 atendimentos a LGBTIs no Rio\u00a0de Janeiro, a vice-presidente do Grupo Arco-\u00cdris, Marcelle Esteves, ouve diariamente os desabafos de pessoas que perderam seu sustento com a crise, tiveram que se confinar em lares em que n\u00e3o s\u00e3o aceitas e sofrem viol\u00eancias f\u00edsicas e psicol\u00f3gicas por parte das pr\u00f3prias fam\u00edlias.<\/p>\n<p>&#8220;A gente atende os mais variados p\u00fablicos. Desde aquele indiv\u00edduo que \u00e9 estudante e mora com os pais at\u00e9 aquele que j\u00e1 tem o seu escrit\u00f3rio e nesse momento perde o seu sustento e fica ref\u00e9m dos familiares. E qual escolha ele tem? Volta para a fam\u00edlia? Vai para a rua?&#8221;, lamenta s psic\u00f3loga, que atende com frequ\u00eancia casos de depress\u00e3o. &#8220;A autonomia financeira \u00e9 primordial. Sem ela, voc\u00ea fica sem o seu direito de escolha, fica ref\u00e9m do outro, e muitos acabam ref\u00e9ns de suas pr\u00f3prias fam\u00edlias&#8221;.<\/p>\n<p>Uma pesquisa internacional realizada com 3,5 mil homens gays, bissexuais e transexuais pelo aplicativo de relacionamentos Hornet confirma a percep\u00e7\u00e3o da psic\u00f3loga. Segundo noticiado pela Funda\u00e7\u00e3o Thomson Reuters, na ter\u00e7a-feira (12), 30% dos entrevistados responderam que n\u00e3o se sentem seguros em casa durante o isolamento. Marcelle destaca, entretanto, que a viol\u00eancia \u00e9 ainda mais severa contra a popula\u00e7\u00e3o transexual, que tem sua identidade negada por familiares. &#8220;Tenho jovens em atendimento que preferem ir para a rua e correr o risco de se contaminar, porque n\u00e3o est\u00e3o suportando ficar nas suas casas&#8221;.<\/p>\n<p>Mesmo que a LGBTfobia j\u00e1 tenha sido\u00a0<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2019-06\/supremo-decide-criminalizar-homofobia-como-forma-de-racismo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">declarada crime pelo Supremo Tribunal Federal (STF)<\/a>, muitas v\u00edtimas relatam dificuldades em denunciar familiares pr\u00f3ximos, como pais e m\u00e3es, e se veem sem\u00a0ter\u00a0onde buscar abrigo ap\u00f3s uma den\u00fancia, conta Marcelle, que muitas vezes tenta aconselhar as v\u00edtimas a buscar amigos. &#8220;\u00c9 importante que essa pessoa rompa com esse c\u00edrculo de viol\u00eancia, se n\u00e3o ela pode acabar sendo morta&#8221;.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do acolhimento e aconselhamento de v\u00edtimas de viol\u00eancia\u00a0dom\u00e9stica, o Grupo Arco-\u00cdris tem reunido doa\u00e7\u00f5es para atender com cestas b\u00e1sicas a um cadastro de 3 mil LGBTIs em situa\u00e7\u00e3o de extrema vulnerabilidade no estado do Rio\u00a0de Janeiro. Desde que o isolamento social come\u00e7ou, Marcelle conta que os pedidos de ajuda para\u00a0ter\u00a0o que comer n\u00e3o pararam de chegar. Entre as situa\u00e7\u00f5es mais dif\u00edceis est\u00e1 a de parte da popula\u00e7\u00e3o trans\u00a0que, exclu\u00edda do mercado de trabalho, depende da prostitui\u00e7\u00e3o para sobreviver.<\/p>\n<p>Na Coordenadoria Especial de Diversidade Sexual da Prefeitura do Rio\u00a0de Janeiro, o trabalho desenvolvido para a inclus\u00e3o de pessoas trans\u00a0no mercado de trabalho se tornou &#8220;quase imposs\u00edvel&#8221;, lamenta o coordenador, N\u00e9lio Giorgini. Com o pai internado em uma unidade de terapia intensiva h\u00e1 14 dias, com covid-19, N\u00e9lio conta que vive desde mar\u00e7o o per\u00edodo de trabalho mais intenso desde 2017, quando assumiu o cargo.<\/p>\n<p>&#8220;O que tem vindo at\u00e9 n\u00f3s s\u00e3o relatos desesperadores&#8221;, desabafa. &#8220;S\u00e3o pessoas que est\u00e3o passando fome, pessoas que precisam de abrigo&#8221;, diz ele, que n\u00e3o deixa de comemorar vit\u00f3rias pontuais, como a contrata\u00e7\u00e3o recente de um jovem trans por uma\u00a0rede de hipermercados.<\/p>\n<p>A coordenadoria tem ajudado na distribui\u00e7\u00e3o de cestas b\u00e1sicas, confeccionou m\u00e1scaras e trabalha em busca de vagas em abrigos municipais para pessoas LGBTIs desabrigadas e em situa\u00e7\u00e3o de rua. Al\u00e9m disso, est\u00e3o previstas reuni\u00f5es com a iniciativa privada para buscar apoio e emprego para essa popula\u00e7\u00e3o, al\u00e9m da ajuda a iniciativas como a Casa Nem, que abriga pessoas trans em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade no Rio\u00a0de Janeiro. O abrigo \u00e9 mantido por doa\u00e7\u00f5es e a mobiliza\u00e7\u00e3o de ativistas\u00a0criou um\u00a0<a href=\"https:\/\/benfeitoria.com\/ajudeacasanem?fbclid=IwAR02KOt5ucNnsdNkbx-8KgnkRom1Qjx637GHBt29TNWOZUYmSNEkZWTy-zE%C2%A0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">financiamento coletivo<\/a>\u00a0para receber ajuda no per\u00edodo da pandemia.<\/p>\n<p>Fundador da Casa 1, lar de acolhimento para a popula\u00e7\u00e3o LGBTI na capital paulista, Iran Giusti percebeu com a crise, um retorno de ex-moradores que j\u00e1 haviam se estabelecido fora do acolhimento. &#8220;Aumentou significativamente por conta das demiss\u00f5es. Como, em geral, esses jovens t\u00eam uma baixa escolaridade, os trabalhos em que atuavam\u00a0eram essencialmente os de servi\u00e7os que deixaram seus funcion\u00e1rios completamente desamparados&#8221;, conta Giusti, que t\u00eam ajudado essas pessoas com quest\u00f5es como a obten\u00e7\u00e3o do aux\u00edlio emergencial. &#8220;Como os jovens que j\u00e1 estavam acolhidos e acolhidas entraram em confinamento, infelizmente, n\u00e3o conseguimos receber novos&#8221;.<\/p>\n<p>Giusti narra hist\u00f3rias parecidas com a que Marcelle ouve no acolhimento\u00a0<em>online<\/em>\u00a0no Rio\u00a0de Janeiro. &#8220;Percebemos uma mudan\u00e7a no perfil de quem pede ajuda, sendo agora jovens com um perfil de maior independ\u00eancia, que trabalhavam, estudavam e conseguiam conviver relativamente bem com a fam\u00edlia. Com o isolamento, muitas situa\u00e7\u00f5es ficaram insustent\u00e1veis&#8221;.<\/p>\n<p>Um grupo de especialistas em direitos humanos da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas emitiu um comunicado conjunto no \u00faltimo dia 14 em que pede\u00a0aten\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses \u00e0 sa\u00fade e \u00e0s viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos da popula\u00e7\u00e3o LGBTI no contexto da pandemia. O documento destaca em um trecho que, &#8220;ao ficar em casa, crian\u00e7as, adolescentes e adultos LGBTI se veem obrigados a suportar uma exposi\u00e7\u00e3o prolongada a membros da fam\u00edlia que podem n\u00e3o aceit\u00e1-los, o que aumenta as taxas de viol\u00eancia\u00a0dom\u00e9stica, agress\u00f5es f\u00edsicas e emocionais, assim como danos \u00e0 sa\u00fade mental&#8221;.<\/p>\n<p>No comunicado publicado em abril, a ONU j\u00e1 havia chamado aten\u00e7\u00e3o para uma tend\u00eancia de acirramento de problemas sociais. &#8220;A covid-19 est\u00e1 criando um c\u00edrculo vicioso em que altos n\u00edveis de desigualdade alimentam sua dissemina\u00e7\u00e3o, que, por sua vez, aprofunda as desigualdades&#8221;, dizia um trecho do documento.<\/p>\n<p>No Brasil, o Minist\u00e9rio da Mulher, da Fam\u00edlia e dos Direitos Humanos (MMFDH) lan\u00e7ou em abril uma\u00a0<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/mdh\/pt-br\/assuntos\/noticias\/2020-2\/abril\/Corona_banner_LGBT.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">cartilha sobre preven\u00e7\u00e3o ao coronav\u00edrus voltada especificamente para a popula\u00e7\u00e3o LGBTI.<\/a><\/p>\n<p>O texto afirma que &#8220;L\u00e9sbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transg\u00eaneros est\u00e3o expostos \u00a0ao novo coronav\u00edrus da mesma forma que o resto da popula\u00e7\u00e3o. Ainda assim, muitas dessas pessoas vivem num contexto de extrema vulnerabilidade social, o que pode influenciar no acesso a direitos como a sa\u00fade&#8221;.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das recomenda\u00e7\u00f5es gerais de higiene e distanciamento social, a cartilha recomenda quest\u00f5es espec\u00edficas, como a aten\u00e7\u00e3o ao cancelamento de cirurgias eletivas, citando as do processo transexualizador.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A crise global causada pelo novo coronav\u00edrus &#8220;est\u00e1 exacerbando as dificuldades da popula\u00e7\u00e3o LGBTI&#8221;, reconheceu&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[14],"tags":[],"class_list":["post-41345","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41345","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=41345"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41345\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":41347,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41345\/revisions\/41347"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41345"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=41345"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=41345"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}