{"id":41984,"date":"2020-06-05T10:15:00","date_gmt":"2020-06-05T14:15:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/?p=41984"},"modified":"2020-06-05T11:27:10","modified_gmt":"2020-06-05T15:27:10","slug":"dia-do-meio-ambiente-vamos-repensar-a-nossa-relacao-com-o-planeta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.corumbaonline.com.br\/news\/dia-do-meio-ambiente-vamos-repensar-a-nossa-relacao-com-o-planeta\/","title":{"rendered":"Dia do Meio Ambiente: Vamos repensar a nossa rela\u00e7\u00e3o com o planeta?"},"content":{"rendered":"<div>\n<div style=\"text-align: right; padding-left: 200px;\">Alessandro Azzoni &#8211; advogado, economista e especialista em Direito Ambiental.<\/div>\n<\/div>\n<p>O Dia Mundial do Meio Ambiente teve como objetivo primordial chamar a aten\u00e7\u00e3o de toda a popula\u00e7\u00e3o mundial, independente da sua esfera social, para os problemas ambientais e a import\u00e2ncia da preserva\u00e7\u00e3o dos recursos naturais. A data foi escolhida na Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas, em 1972, sobre Meio Ambiente Humano, em Estocolmo, justamente para relembrar a realiza\u00e7\u00e3o do evento.<\/p>\n<p>Muitos questionam sobre a tutela ou prote\u00e7\u00e3o jur\u00eddica do Meio Ambiente como trava para o crescimento econ\u00f4mico, mas ao nos depararmos com situa\u00e7\u00f5es que mudem nosso dia-a-dia, acabamos repensando algumas atitudes. Um bom exemplo foi a crise h\u00eddrica de 2014, no Estado de S\u00e3o Paulo, com a imin\u00eancia da falta do bem mais precioso para a humanidade. Na ocasi\u00e3o, a popula\u00e7\u00e3o aderiu e foi a respons\u00e1vel para que esse bem esgot\u00e1vel n\u00e3o chegasse ao fim. Com os reservat\u00f3rios \u00e0 mingua, cabia somente a popula\u00e7\u00e3o mudar seus h\u00e1bitos para que o fornecimento fosse mantido.<\/p>\n<p>Estamos vivendo um novo momento de mudan\u00e7as em nossas vidas com a Covid-19, doen\u00e7a causada por um v\u00edrus capaz de se multiplicar e comprometer as vias respirat\u00f3rias, levando rapidamente ao \u00f3bito. Em 2013, Relat\u00f3rio da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) apontava que 70% das novas doen\u00e7as em humanos tiveram origem animal. Historicamente, uma sequ\u00eancia de fatos j\u00e1 fazia o alerta: em 2002 foi a S\u00edndrome Respirat\u00f3ria Aguda Grave (SARS), de origem zoon\u00f3tica; em 2005 veio a gripe avi\u00e1ria, causada pelo v\u00edrus influenza hospedado em aves; em 2009, a gripe su\u00edna origin\u00e1ria de uma cepa de v\u00edrus H1N1 que teve in\u00edcio em porcos. Podemos, ainda, colocar nessa conta o Aedes aegypti e as transmiss\u00f5es da dengue, zica e chikungunya, al\u00e9m da leptospirose, transmitida pela unira de animais infectados nos grandes centros urbanos.<\/p>\n<p>Muitas dessas novas doen\u00e7as se deram pelo desmatamento e pelo avan\u00e7o dos centros urbanos, acelerando a aproxima\u00e7\u00e3o entre animais selvagens e humanos e a invas\u00e3o de habitats naturais. Podemos concluir que o crescimento da popula\u00e7\u00e3o e avan\u00e7o das economias em busca do desenvolvimento fazem com que as na\u00e7\u00f5es busquem mais espa\u00e7os para acomodar o crescimento populacional. E, por vezes, as popula\u00e7\u00f5es que n\u00e3o acompanham esse desenvolvimento econ\u00f4mico ficam \u00e0s margens das cidades, fazendo com que as periferias avancem para as \u00e1reas de florestas e matas que deveriam ser protegidas. Tal contato contribuiu para o surgimento de zoonoses, disseminando contamina\u00e7\u00f5es por patologias entre animais e seres humanos.<\/p>\n<p>Por isso, a reflex\u00e3o que fazemos neste 5 de junho deve ser ainda maior: que mundo estamos buscando para as presentes e futuras gera\u00e7\u00f5es? A Covid-19 tem refeito nosso padr\u00e3o de vida. Damos mais valor ao contato humano, lembramos com nostalgia dos encontros nas casas de nossos parentes hoje isolados, em bares com nossos amigos, em casas noturnas dan\u00e7ando, viajando.<\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 pensando mais no futuro e o consumismo foi substitu\u00eddo, mesmo que indiretamente, pelo consumo consciente, criando uma cultura de poupar para nos prepararmos para um futuro incerto. Deixamos de sair com os nossos carros, as ruas est\u00e3o mais vazias e as emiss\u00f5es de CO2 foram reduzidas. O ar est\u00e1 mais limpo em todos os grandes centros urbanos. Em S\u00e3o Paulo, por exemplo, a Companhia Ambiental do Estado de S\u00e3o Paulo (Cetesb) observou uma diminui\u00e7\u00e3o de cerca de 50% nos poluentes prim\u00e1rios como o mon\u00f3xido de carbono e os \u00f3xidos de nitrog\u00eanio, al\u00e9m diminui\u00e7\u00e3o em cerca de 30% o material particulado inal\u00e1vel proveniente da frota de ve\u00edculos.<\/p>\n<p>O ponto de equil\u00edbrio que devemos buscar \u00e9 o ponto de intersec\u00e7\u00e3o dos pilares econ\u00f4mico, social e ambiental, denominado como o trip\u00e9 da sustentabilidade, conhecido como triple button line.<\/p>\n<p>Fica o convite para repensarmos nossa rela\u00e7\u00e3o com o planeta, como meio ambiente que proporcionou e proporciona nossa exist\u00eancia. Preservar n\u00e3o \u00e9 sinal de retroceder e, sim, de avan\u00e7ar para um futuro certo, com qualidade de vida a toda a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alessandro Azzoni &#8211; advogado, economista e especialista em Direito Ambiental. 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