A difícil arte de ser honesto

A desonestidade, inerente ao ser humano, deu fama ao Brasil, por décadas, lá fora principalmente, devido ao seu famoso “jeitinho brasileiro” de contornar os meios legais para se conseguir as coisas. Nesses últimos anos, com as avalanches constantes de denúncias de corrupção envolvendo inclusive as mais altas autoridades de todos os escalões dos Três Poderes do Brasil, que produziram um dos maiores casos de corrupção da história da humanidade, a situação ficou muito mais grave. Esse horrendo e lamentável quadro acaba refletindo negativamente junto à sociedade, repassando uma falsa doutrina de que o errado é certo e de que ao contrário também o é.

Ser honesto não é fácil. Exige esforço, perseverança e vigilância constante de nossos atos e ações, pois é uma virtude que não se restringe apenas à ação de não roubar, mas também não trapacear, não mentir, não enganar, não deturpar, não sonegar… e muito mais.

O assunto é delicado e complexo ao mesmo tempo. Por isso é necessário que aprendamos o que é honestidade, seus verdadeiros princípios para que possamos seguir sempre nesse caminho virtuoso.

É importante que nos conscientizemos também de que somos tentados o tempo todo a sermos desonestos, pois é praxe do indivíduo querer levar vantagem sobre as coisas com as quais lida no dia a dia.

No trânsito, por exemplo, quando todos estão em fila para alcançarem um objetivo e usamos a faixa exclusiva dos ônibus e táxis para nos adiantarmos aos demais, salvo devido a alguma emergência, é uma atitude honesta? Quando recebemos um troco a mais, o devolvemos? E quando um empregado nos serve muito além dos fins aos quais fora contratado e o remuneramos com um simples e baixo salário? Apesar de cumprirmos com todas as leis trabalhistas, ainda sim cabe a pergunta: – Estamos sendo honestos com esse funcionário? E ao contrário? Quando o empregado engana o patrão (ficando na internet e redes sociais) deixando de trabalhar o tempo todo pelo qual foi pago?

Conheço uma mulher que descobriu uma artesã numa comunidade paupérrima e que suas obras acabaram valendo “milhões” nos grandes centros e até no exterior depois que ela passou a compra-las e vende-las mediante um contrato em que pagava “preço de banana” pelas obras e as vendia “a peso de ouro” lá fora. Sua postura, de não remunerar melhor a dona das obras, escondendo o sucesso financeiro que elas têm, é uma atitude honesta?

Omitir é uma forma de mentir e enganar intencionalmente os outros. Prestar falso testemunho também é uma forma de mentira.

Deus, na sua infinita sabedoria, prevendo tudo isso, nos deu mandamentos que nos servem de alertas e parâmetros para traçarmos o caminho da verdade e da justiça. “Não dirás falso testemunho contra o teu próximo”, disse Ele em Êxodo 20:16. Jesus Cristo também ensinou isso quando estava na Terra (Mateus 19:18). “Não roubarás”, já nos advertia o Senhor, no Velho Testamento, como o sétimo dos 10 mandamentos que nos deixou.

Existem muitas outras formas de mentira. Quando dizemos coisas que não são verdadeiras, somos culpados de mentir. Podemos também, intencionalmente, enganar os outros com um gesto ou com um olhar, pelo silêncio ou por dizer apenas parte da verdade. Sempre que de alguma forma levamos as pessoas a acreditarem em algo que não é verdade, não estamos sendo honestos.

As pessoas usam muitas desculpas para justificar a desonestidade. Mentem para proteger-se e para que os outros pensem bem delas. Algumas encontram desculpas para roubar, achando que merecem o que foi roubado, que pretendem devolvê-lo ou que precisam dele mais do que o dono. Outros colam para obter melhores notas na escola, porque “todos fazem isso” ou para se vingarem de alguém.

Essas desculpas e muitas outras são dadas como razões para a desonestidade. Para Deus não existem razões aceitáveis. Quando dão desculpas, enganam a si próprias e o Espírito do Senhor se afasta e o indivíduo mergulha sozinho num mundo sombrio de difícil retorno.

Para nos tornarmos completamente honestos, precisamos analisar nossa vida com atenção. Se existem maneias pelas quais estamos sendo desonestos, mesmo que ao mínimo, precisamos arrepender-nos imediatamente.

Quando somos completamente honestos, não podemos ser corrompidos e honramos todo voto de confiança, dever, acordo ou convênio, mesmo que tenhamos que perder dinheiro, amigos ou a vida.

A paz duradoura que advém da honestidade é muito mais valiosa  do que um alívio momentâneo causado por se seguir a multidão(*Com informações de Princípios do Evangelho)

 

Wilson Aquino
Jornalista e Professor

wilsonaquino2012@gmail.com

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